11 de junho de 2026
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O nível de desemprego entre mulheres negras e jovens, entre 18 e 24 anos, é três vezes maior do que entre homens brancos da mesma faixa etária. Além disso, elas têm menos acesso às proteções garantidas pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), de acordo com relatório da ONG Ação Educativa, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Diante das dificuldades no mercado formal de trabalho, milhares de profissionais pretos e pretas se tornam empreendedores. Mas, os desafios continuam: é difícil conseguir crédito para tocar o próprio negócio, por exemplo. Uma das alternativas estimuladas por ONGs e associações é a filantropia antirracista, com investimentos voltados à igualdade racial.

Discutir a equidade racial e a igualdade de gênero no cenário econômico, especialmente no mercado de trabalho, é o objetivo central de dois eventos que serão realizados este mês em São Paulo:

2º Black Business Experience

Compartilhar experiências, promover o networking e empoderar mulheres negras empreendedoras são alguns dos principais objetivos do evento que acontece no dia 23 de julho, em São Paulo. As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas.

Iniciativa do grupo Mulheres do Brasil, criado para engajar a sociedade civil na conquista de melhorias para o País, o evento surgiu da necessidade de proporcionar espaços inclusivos no mundo dos negócios. Para viabilizá-lo, foi formado um Grupo de Trabalho, inserido no Comitê de Empreendedorismo do Núcleo São Paulo, para fazer do evento uma plataforma de impacto e fortalecimento da comunidade empreendedora negra.

Juliana Lourenço, idealizadora do evento, empresária na Conta Delas e Instituto Sankofa, afirma que o empreendedorismo negro está se profissionalizando no País. “Programas de apoio ao afroempreendedorismo e redes de networking contribuem para os negócios comecem a se estruturar de forma a permanecerem vivos em longo prazo e não caírem nas estatísticas de fechamento nos primeiros cinco anos.”

Por outro lado, destaca Juliana, ainda existem desafios ligados ao racismo estrutural. “Nós, mulheres negras, só sairemos deste lugar quando consumirmos umas das outras com prioridade na nossa cadeia de fornecedores.”

O evento contará com palestras de líderes pretas como Silvana Inácio, fundadora da agência de Relações Públicas Si Comunicação; Luna Lima, proprietária de uma agência de influencers negros; Viviane Ferreira, especialista em inovação em Fintechs; Simone Nascimento, médica e representante da mulher negra da ONU; e Leia Sgroo, designer de joias.

“Promover a diversidade não é apenas uma questão de justiça social, mas também uma estratégia inteligente para construir organizações mais inovadoras e resilientes e explorar os desafios e as oportunidades para o futuro da comunicação”, afirma Silvana Inácio.

Além das palestras, o evento vai contar com shows de música ao vivo, experiências gastronômicas, apresentações que vão celebrar a cultura e a identidade negra, workshops interativos e sessões de networking. “Existem infinitas marcas de produtos ou serviços com entregas excelentes, mas que precisam de oportunidades. E o Black Business chega para fortalecer esses lugares, trazendo visibilidade e conhecimento entre as empreendedoras”, diz Debora Apoena, integrante do Comitê de Empreendedorismo do Núcleo São Paulo do grupo Mulheres do Brasil e fundadora da Apoena.

3º Fórum Pacto das Pretas

Para discutir a equidade racial relacionada às mulheres negras e incentivar investidores a contribuir com soluções práticas de filantropia antirracista, a associação Pacto de Promoção da Equidade Racial promove a terceira edição do evento no dia 25, no Teatro Sesi, em São Paulo.

Com o tema Mulher Preta: Saúde, Políticas Afirmativas e Filantropia Antirracista, o encontro contará com a presença de lideranças do setor privado, sociedade civil, organizações nacionais e internacionais e consultorias com interesse na pauta racial e na intersecção de gênero.

Entre as palestrantes estão Luciana Barreto, jornalista e embaixadora do 3º Fórum Pacto das Pretas; Isabel Fillardis, atriz e também embaixadora do evento; Luana Ozemela, vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood; Phutti Mahanyele, CEO Naspers South Africa; Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil.

O Pacto de Promoção da Equidade Racial procura implementar um protocolo ESG Racial para o Brasil, trazendo a questão racial para o centro do debate econômico brasileiro. “É com grande honra que participo como embaixadora de uma associação que visa debater e investir na ascensão profissional, trazer visibilidade e carreira executiva para mulheres negras por meio do fórum, que acontece anualmente com soluções práticas de filantropia antirracista no Brasil”, conta Luciana Barreto.

“Sabemos o quanto somos negligenciadas em todas as esferas. Para que essa realidade seja transformada, é preciso trazer os cenários e os dados que compõem a situação e debater soluções de transformação”, afirma Ednalva Moura, gerente de relações institucionais do Pacto de Promoção da Equidade Racial.

* Este conteúdo foi produzido em parceria com o Pacto de Promoção da Equidade Racial, organização que engaja seus stakeholders para implementar o Protocolo ESG Racial, e o Grupo de Trabalho do Comitê de Empreendedorismo do Mulheres do Brasil

2º Black Business Experience

Data: 23/7

Local: Casa Bisutti Jardins

Endereço: R. Dr. Mário Ferraz, 441

Horário: 19h

Valor do ingresso: R$ 180

3º Fórum Pacto das Pretas

Data: 25/07

Horário: 9h às 19h

Local: Teatro Sesi São Paulo

Endereço: Av. Paulista, 1.313

Para participar é necessário se cadastrar no link.

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Cinquenta e uma mulheres vítimas de violência doméstica, aprovadas do programa Pra Ter Onde Morar – Aluguel Social, devem finalizar o processo online para receber efetivamente o benefício.

A lista com as iniciais dos nomes e trechos dos CPFs já podem ser conferidos no site da Agência Goiana de Habitação (Agehab). Segundo o Governo de Goiás, o aceite precisa ser realizado em até 10 dias.

Diferentemente do público geral, por razões de segurança, elas não receberão os cartões em evento público. Para concluir o processo de inclusão no programa, a candidata selecionada deve preencher uma declaração e anexá-la no site

Segundo o presidente da Agehab, Alexandre Baldy, é de suma importância ter atenção ao prazo, para não perder o benefício. “É muito importante que a vítima que chegou até esta etapa não perca o benefício apenas por não ter cumprido o prazo de aceite. Por isso, pedimos muita atenção”, disse.

Caso a inscrição não seja confirmada, a vaga será passada para outra candidata não aprovada inicialmente. De acordo com o secretário estadual da Infraestrutura, Pedro Sales, o foco do edital é atender uma parcela da população ainda mais vulnerável.

“Ao contrário dos editais gerais, abertos por períodos determinados nos municípios contemplados, o edital para essas mulheres é permanente e está disponível para todos os 246 municípios goianos”, ressaltou.

Esta é a quarta convocação realizada pelo edital específico, o principal objetivo é ajudar a mulher em situação de violência a se desvencilhar do agressor, mesmo em casos de dependência econômica.

O modelo da declaração necessária está disponível no próprio site da Agehab, mais precisamente na parte de “Modelo de Contrato e Documentos Aluguel Social”, está disponível  no link: goias.gov.br/agehab/pra-ter-onde-morar-modelo-de-contrato-de-aluguel-e-declaracoes/.



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A lista com as iniciais e parte do CPF das candidatas aprovadas está disponível no site da Agência Goiana de Habitação (Agehab); o aceite precisa ser realizado em até 10 dias.

O Governo de Goiás, por meio da Agência Goiana de Habitação (Agehab) e da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), está convocando 51 mulheres em situação de violência doméstica aprovadas no programa Pra Ter Onde Morar – Aluguel Social para receber o benefício. Por razões de segurança, essas mulheres não participam de eventos públicos para receber seus cartões. A lista com as iniciais das contempladas, acompanhadas de trechos do CPF, está disponível no site da Agehab, no botão “Aluguel Social”.

Para as vítimas em situação de violência, é necessário preencher uma declaração e anexá-la no site dentro de dez dias após a publicação da lista para confirmar a inclusão no programa. Atenção ao prazo é essencial. Caso a candidata não anexe a declaração no site dentro do período correto, será excluída do processo, cedendo a vez a outra candidata. “É crucial que a vítima que chegou até esta etapa não perca o benefício por não cumprir o prazo de aceite. Pedimos muita atenção”, alerta o presidente da Agehab, Alexandre Baldy.

Segundo o secretário estadual da Infraestrutura, Pedro Sales, o edital específico para mulheres em situação de violência doméstica representa uma vitória nas políticas públicas de habitação do Estado, atendendo uma parcela da população ainda mais vulnerável. “Diferentemente dos editais gerais, abertos por períodos determinados nos municípios contemplados, o edital para essas mulheres é permanente e está disponível para todos os 246 municípios goianos”, ressalta Sales.

Esta é a quarta convocação realizada pelo edital específico, cujo objetivo é oferecer um auxílio para que a mulher em situação de violência possa eventualmente se desvencilhar do agressor, mesmo em casos de dependência econômica. O modelo da declaração necessária está disponível no próprio site da Agehab, na seção “Modelo de Contrato e Documentos Aluguel Social”, no link: goias.gov.br/agehab/pra-ter-onde-morar-modelo-de-contrato-de-aluguel-e-declaracoes/. As instruções para usufruto do benefício serão repassadas individualmente pelas equipes da Agehab.

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Deputadas de diferentes partidos destacaram avanços legislativos e desafios que ainda precisam ser enfrentados pelo Legislativo, na 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, o fórum do Legislativo do G20. Nesta segunda-feira (1º), foi realizado o Painel Brasil: avanços legislativos e de políticas públicas para as mulheres. O evento acontece em Maceió (AL).

Para a deputada Flávia Morais (PDT-GO), a prioridade na agenda legislativa deve ser a economia do cuidado, que inclui o cuidado infantil, de idosos e o apoio a pessoas com deficiência, por exemplo. Ela ressaltou que as mulheres são as principais provedoras de cuidados no País, quase sempre sem remuneração ou mal remuneradas. Segundo ela, no Brasil, mais de 90% das tarefas de cuidado são exercidas por mulheres.

“A indisponibilidade de serviços de cuidado remunerado impõe barreiras significativas para as mulheres, limitando seu acesso ao mercado de trabalho formal, a uma renda digna e a oportunidades igualitárias na sociedade. Isso é inaceitável e deve ser uma prioridade na nossa agenda de mudanças”, disse.

Flávia Morais defendeu proposta ( PEC 14/24 ) de sua autoria que insere na Constituição o “direito ao cuidado” como direito social, ao lado da saúde, da educação e de outros direitos.

Propostas ambientais
Presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, a deputada Socorro Neri (PP-AC), por sua vez, disse que o financiamento para prevenção e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas precisa aumentar de três a seis vezes até 2030 para conter os efeitos. Ela acrescentou que a infraestrutura das cidades e dos campos precisa ser adaptada para essas mudanças.

Socorro Neri lembrou que o foi sancionada recentemente a Lei 14.904/24 , que estabelece diretrizes gerais para a elaboração, pelo poder público, dos planos de adaptação à mudança do clima. A norma é fruto de projeto de lei ( PL 4129/21 ), de autoria da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Entre outras prioridades para a área ambiental, ela citou a proposta que regulamenta o mercado de carbono no Brasil ( PL 2148/15 ). O projeto já foi aprovado pela Câmara e está em análise no Senado.

Felipe Sóstenes/Câmara dos Deputados

Socorro Neri: a infraestrutura dos municípios precisa ser adaptada às mudanças climáticas

A deputada Iza Arruda (MDB-PE) defendeu projeto de sua autoria que institui a política nacional de convivência com a seca nordestina ( PL 2525/23 ). Já a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) defendeu PEC de sua autoria que institui à natureza direitos semelhantes aos de seres humanos. Segundo ela, 40 países já aprovaram propostas do tipo.

Mulher rural
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) defendeu propostas que protejam a mulher rural. Ela acredita que o Brasil possui a lei mais rígida do mundo para a preservação do meio ambiente e defende que outros países devem ajudar o Brasil na preservação, pagando àqueles que preservam o meio ambiente, em grande parte mulheres rurais.

Segundo ela, as mulheres rurais são responsáveis por 45% da produção de alimentos no Brasil e o trabalho delas se estende dentro de casa. “Elas trabalham cerca de 12 horas a mais semanais do que os homens”, afirmou.

A deputada acrescentou que somente 20% das trabalhadoras rurais são proprietárias de suas terras, e 90% da renda é reinvestida na educação e no bem-estar da família.

Violência contra a mulher
Já a deputada Greyce Elias (Avante-MG) citou, entre os avanços legislativos, a aprovação do Programa Sinal Vermelho contra a Violência Doméstica ( Lei 14.188/21 ), do qual foi uma das autoras. Ela disse que é preciso também trabalhar a capacitação profissional das mulheres, para que elas possam buscar autonomia econômica e sair do ciclo de violência.

A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) afirmou que a tecnologia possibilita novas formas de violência contra a mulher. Ela citou, entre os avanços legislativos, a aprovação de lei em 2018 que tornou crime a divulgação, por qualquer meio, de cenas de nudez, sexo e estupro sem o consentimento da vítima.

Entre os desafios, ela citou a aprovação de lei para combater a violência obstétrica. “No Brasil, ainda nem se formalizou uma definição do termo, o que dificulta a implementação de medidas para a sua prevenção”, ressaltou. “A violência obstétrica é caracterizada por abusos sofridos quando mulheres procuram serviços durante a gestação, na hora do parto, no pós-parto”, explicou a parlamentar.

Felipe Sóstenes/Câmara dos Deputados

Painel Brasil: avanços legislativos e de políticas públicas para as mulheres. Dep. Laura Carneiro (PSD - RJ)

Laura Carneiro: o Legislativo precisa aprovar lei de combate à violência obstétrica

Laura Carneiro também disse que são necessários avanços no combate à violência política contra a mulher, mesmo após a aprovação de lei sobre o tema em 2021. “No Brasil, é urgente sofisticar ainda mais a legislação de combate à violência política contra a mulher”, avaliou. “A legislação precisa avançar, tornando crime qualquer uso indevido de recursos eleitorais que são destinados exclusivamente a mulheres, tanto de natureza monetária quanto às relacionadas ao tempo de propaganda eleitoral”, acrescentou.

Em relação à violência sexual, a deputada chamou a atenção para a falta de infraestrutura adequada para atender às mulheres e meninas violentadas.

Diversidade sexual
Primeira deputada assumidamente lésbica, a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) citou, entre os avanços, lei de 2018 que aumenta a pena para o “estupro coletivo”, cometido por vários criminosos, e também para o chamado “estupro corretivo”, caracterizado pelo intuito de controlar o comportamento social ou sexual da vítima. Segundo ela, esse tipo de crime tem números altos no Brasil ainda hoje e visa “corrigir algo que não se corrige”.

A deputada acredita que a diversidade precisa estar no centro do debate sobre a violência, com atenção para as mulheres trans, negras, indígenas e quilombolas. Ela lembrou que o Brasil é o país que mais mata transexuais e, a cada dez vítimas de violência, quatro são mulheres e meninas negras.

“Não podemos naturalizar a violência contra esses corpos. Se nós hoje ainda encabeçamos um processo violento contra mulheres trans, contra mulheres lésbicas, contra mulheres bissexuais, se as pessoas ainda são punidas por amar, nós estamos sofrendo retrocesso”, disse Daiana Santos. Para ela, quando a extrema direita avança na política, os direitos das mulheres retrocedem.

Itawi Albuquerque/Câmara dos Deputados

Painel Brasil: avanços legislativos e de políticas públicas para as mulheres. Dep. Daiana Santos (PCdoB - RS)

Daiana Santos: há um retrocesso quando as pessoas são punidas por amar

Saúde mental
A deputada Maria Arraes (Solidariedade-PE) acredita que é preciso avançar nas questões de saúde mental da mulher no mercado de trabalho. Ela relatou que, só em 2023, houve aumento de 38% nos afastamentos no trabalho devido a transtornos mentais, sendo que as mulheres são mais propensas a sofrerem de transtornos como depressão e ansiedade. “Em grande parte pelas pressões adicionais que sofremos, que é cuidar da casa, da família, dos filhos, as responsabilidades domésticas”, observou.

Entre os avanços nessa área, ela citou a aprovação recente pelos parlamentares da lei que cria o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, voltado para as empresas que seguem critérios de promoção da saúde mental e do bem-estar de seus funcionários. A Lei 14.831/24 teve origem em projeto (PL 4358/23) da deputada Maria Arraes e ainda precisa ser regulamentada pelo Executivo.

Mulheres com deficiência
A deputada Maria Rosas chamou a atenção para a necessidade de mais políticas para meninas e mulheres com deficiência, que são raramente incluídas no mercado de trabalho. Para ela, as mulheres enfrentam duplo desafio – ser mulher e ter uma deficiência.

Segundo a parlamentar, apenas 20% das mulheres com deficiência estão empregadas, em comparação com 53% dos homens com deficiência, além de elas receberem salário mais baixos do que eles.

Número de mulheres
Líder da bancada feminina na Câmara, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) destacou que muitos avanços foram obtidos pelas mulheres no Legislativo brasileiro, o que deve abrir espaço para mais mulheres participarem da política e obterem novas conquistas.

“Hoje somos 18% na Câmara, 15% no Senado, temos uma bancada, uma frente parlamentar para as pessoas pretas, temos a Secretaria da Mulher que prioriza a pauta de gênero. Ainda falta muito para sermos 50% e, por isso, precisamos nos juntar para chegar lá”, afirmou.



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O Governo de Goiás, por meio da Agência Goiana de Habitação (Agehab) e da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), abriu um novo prazo para que 600 mulheres vítimas de violência doméstica, residentes em 84 municípios goianos, entreguem a documentação necessária para o benefício do Aluguel Social. O prazo final é 25 de julho.

Os documentos exigidos são: Boletim de Ocorrência, Sentença Condenatória da Ação Penal e Relatório de assistente social; ou medida protetiva emitida por autoridade judicial. A entrega deve ser feita pelo site www.goias.gov.br/agehab em até 30 dias.

Uma importante mudança no edital permite que as beneficiárias escolham residir em município diferente do que se inscreveram, facilitando o afastamento do agressor. “Essas mulheres precisam apenas comprovar a ligação com o Estado”, explica o presidente da Agehab, Alexandre Baldy.

O Aluguel Social é um benefício de R$ 350 por 18 meses, que visa oferecer moradia segura para mulheres em situação de vulnerabilidade. “Com uma moradia segura, a mulher não precisa mais depender do agressor”, afirma o secretário da Infraestrutura, Pedro Sales.

Mulheres residentes em Goiás que possuam documentos que comprovem a situação de violência podem solicitar o benefício a qualquer momento pelo site www.goias.gov.br/agehab ou pelo telefone (62) 3096-5050.

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A Redação

Goiânia

– Um grupo de mulheres de carreira jurídica realizou nesta sexta-feira (28/6) um encontro com a deputada federal delegada Adriana Accorsi. Organizada pelas advogadas Anna Raquel, Glaucia Teodoro, Valentina Jungmann e Aletheia Woyames, a reunião acolhedora e entusiasmada contou com a adesão de mais de 100 mulheres, entre elas lideranças do meio jurídico.


 


“Esse encontro é como se fosse um abraço na Adriana Accorsi. Para ela se sentir fortalecida, sabendo que conta com mulheres que poderão apoiá-la e até mesmo se for o caso, defendê-la judicialmente contra as violências na política”, afirmou a advogada Valentina Jungmann.


 


Ela observou que as mulheres foram excluídas da vida política desde a Grécia Antiga e até hoje se afastam porque, tanto como candidatas ou já como representantes eleitas, sofrem de violência política na forma psicológica. Segundo Jungmann, não é à toa que a Adriana Accorsi é a única mulher pré-candidata a prefeita de Goiânia.


 


“Eu me sinto abraçada, me sinto fortalecida e cheia de esperança”, disse Adriana Accorsi, ao agradecer a mobilização das juristas. Segundo ela, a política partidária em especial é hostil às mulheres. “Nós temos de construir o nosso espaço. Construindo de um jeito diferente, eu sou mais forte e chego lá”.


 


Também advogada, professora e coordenadora na Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa de Goiás, Gláucia Teodoro explicou que foi um momento plural, de mulheres formadoras de opinião, que não são tradicionalmente militantes em partidos políticos, mas de várias ideologias, pensamentos políticos e posições diferentes convergindo no apoio à Adriana Accorsi.  


 


Já a professora e advogada Manoela Gonçalves Silva avaliou que, pelo trabalho prestado durante a sua vida pública e como delegada de polícia, que fez uma carreira brilhante, Adriana Accorsi já demonstrou que é séria e comprometida. 


 




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O Conselho de Administração da Petrobras elegeu três novos diretores para a empresa: Renata Baruzzi será diretora-executiva de Engenharia, Tecnologia e Inovação; Sylvia dos Anjos assumirá a diretoria-executiva de Exploração e Produção; e Fernando Melgarejo passará a comandar a diretoria-executiva Financeira e de Relacionamento com Investidores.

Os nomes foram escolhidos em reunião nesta sexta-feira (28). Eles se somam a Clarice Coppetti (diretora executiva de Assuntos Corporativos) e à presidente Magda Chambriard na composição da diretoria executiva da Petrobras.

Com isso, a diretoria executiva da empresa passará a ter quatro mulheres, pela primeira vez na história. O recorde anterior era de duas mulheres atuando simultaneamente.

Renata e Sylvia já assumiram o cargo nesta sexta-feira, enquanto Melgarejo aguardará conclusão de seu processo de aposentadoria como servidor do Banco do Brasil, previsto para 15 de julho, para tomar posse no cargo.

Renata Baruzzi é formada em Matemática pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e tem especializações nas áreas de Gestão Estratégica de Tecnologia e Administração. É funcionária da Petrobras há 38 anos e gerenciava a área de Gestão Integrada de Logística.

Sylvia dos Anjos é formada em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem mestrado e doutorado na área, pela University of Illinois. É aposentada da Petrobras e possui mais de 42 anos de experiência na área de exploração e produção. Antes de assumir a diretoria, era consultora especial da presidência da empresa.

Já Fernando Melgarejo é formado em Ciências Econômicas pela União Educacional de Brasília (Uneb) e tem mestrado em Economia de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV). É diretor de Participações do fundo de previdência do Banco do Brasil, o Previ, desde 2022.



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Alaíde: mãe da bossa nova

Com o tema “Vem Ser Fã Das Mulheres Negras”, o Festival Latinidades, com patrocínio da Ambev e Correios, vai celebrar no Brasil em 25 de julho o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana Caribenha.

A programação inclui música, literatura, dança, moda, feira afro e amplifica o debate sobre a regularização e o reconhecimento como patrimônio cultural do trabalho de trancistas.

A 17ª edição do evento será realizada em Brasília, Salvador e São Paulo, e apresenta uma programação especial no Quilombo Mesquita, localizado em Goiás.

O dia 15 de julho foi instituído no Brasil pela Lei nº 12.987 e homenageia também Tereza de Benguela, uma das principais mulheres símbolo de resistência liderança na luta contra a escravização.

A população negra no Brasil corresponde a 54%, segundo o IBGE. De acordo com a Associação de Mujeres Afro, na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes e é a parcelaque mais sofre com a pobreza.

O Latinidades, idealizado por Jaqueline Fernandes, é uma iniciativa continuada de promoção de equidade de raça, gênero, plataforma de formação e impulsionamento de trajetórias de mulheres negras nos mais diversos campos de atuação.

Neste ano, o evento faz um chamado pelo reconhecimento e celebração da força transformadora das mulheres negras.

“Ser fã de mulheres negras em uma sociedade racista e machista é revolucionário. Em todas as edições do Latinidades, nosso objetivo é resgatar e evidenciar o papel fundamental das mulheres negras no desenvolvimento da sociedade e na conquista de direitos”, diz Jaqueline.

A edição 2024 homenageará mulheres que abriram caminhos para artistas negras no Brasil e no mundo, como a rainha do reggae Rita Marley, cantora cubana e CEO de fundações em prol da luta contra pobreza e a fome, Sister Nancy, cantora, compositora e DJ jamaicana, conhecida como a rainha do dancehall, a mãe da bossa nova Alaíde Costa, e Sandra Sá, artista brasileira, intitulada a rainha do soul.

Em parceria com a Confraria dos Pretos, uma ação afirmativa idealizada por jovens negros de diversas áreas do conhecimento, o Festival Latinidades volta a São Paulo para uma festa especial em comemoração ao Mês da Mulher Negra. No dia 26 de julho, La Dame Blanche apresentará suas influências afro-cubanas nativas com batidas de hip hop, trap, reggae e reggaeton no palco da casa de shows Cine Joia.

Brasília, cidade original do Latinidades, recebe o festival a partir do dia 25 de julho, com patrocínio especial da Ambev, quando será inaugurada a exposição interativa-imersiva Afrolatinas – 30 anos em Movimentos, no Museu Nacional da República, que contará a história do Dia da Mulher Negra e das lutas coletivas após 30 anos de sua criação.

Resgatando a estratégia de engajamento para a realização do I Encontro de Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, que ocorreu na República Dominicana em 1992, o Festival Latinidades firmou uma parceria inédita com o Correios.

O público presente à programação no Museu Nacional da República será convidado a escrever uma carta para uma mulher negra que admire e enviá-la, utilizando um selo criado especialmente para a celebração do Dia da Mulher Afro Latino-Americana e Caribenha, estabelecido durante o evento de 30 anos atrás.

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A Polícia Rodoviária Federal em parceria com a PMAL e o DMTT realizará a Operação de escolta para as comitivas participantes da 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, o fórum parlamentar do G20, que acontecerá nos dias 01 e 02 de julho em Maceió/AL.

Com o lema “Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável”, as mulheres parlamentares das nações integrantes do G20 e dos países convidados irão debater os temas prioritários deste ano: mudança do clima e desenvolvimento sustentável; inclusão social e combate à fome e à pobreza; e reforma das instituições globais. O encontro será uma oportunidade para ampliar a participação das parlamentares em discussões que estão no centro das atenções mundiais.

Mais de 200 autoridades nacionais e internacionais foram convidadas para a reunião das mulheres parlamentares. A programação contará com sessões de trabalho sobre o papel das mulheres na justiça climática e na sustentabilidade ambiental; iniciativas para incremento da participação política das mulheres e o fortalecimento da democracia; e a promoção da igualdade de gênero, autonomia econômica das mulheres e superação do racismo.

A operação tem como objetivos organizar, preparar e executar escolta com batedores de autoridades e dignitários, garantindo os deslocamentos e a presença dos participantes no evento.



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A probabilidade de uma mulher se candidatar e se eleger é de apenas 5,5%, quase três vezes menor que a de um homem, com taxa de sucesso de 15,2%. Esse foi o resultado da primeira etapa de um estudo conduzido por cerca de 30 pesquisadoras e pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) e de instituições parceiras. A publicação dos relatórios finais será no dia 30 de julho. 

Os resultados preliminares apresentaram o perfil de vereadoras candidatas e eleitas. Mulheres brancas constituem a maioria de candidatas com 49,8%, seguidas por pardas com 38,38% e pretas com apenas 10,95%, com os indígenas ocupando a posição menos representativa de 0,4%. A mesma tendência persiste quando se trata da eleição: há maior eleição de mulheres brancas, chegando a ultrapassar 50% das eleitas.

Quanto ao estado civil dos candidatos, observa-se que mulheres e homens casados apresentam uma taxa de sucesso eleitoral superior. Notavelmente, entre as mulheres, a taxa de sucesso para as casadas (7,6%) é aproximadamente o dobro daquelas que são solteiras (3,9%).

O projeto de pesquisa “De Olho nas Urnas”, financiado pelo Congresso Nacional, via Observatório Nacional de Mulheres na Política (ONMP) da Câmara dos Deputados, busca conectar os dados coletados à realidade das candidatas, buscando entender e mitigar as barreiras que dificultam a participação feminina na política. Os resultados preliminares, os quais abrangem todos os estados do Brasil, também alertam para a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade e incentivem a presença feminina nos espaços de poder.

Foram realizadas 80 entrevistas em profundidade, com candidatas eleitas e não eleitas em 2020, do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil. Os dados coletados a partir dos relatos revelaram cenários comuns em que a violência de gênero aparece. 

Segundo a pesquisadora Najla Frattari, as entrevistadas relataram situações diversas que as afastam da política, ligadas a machismo; imposições sobre o lugar social da mulher; trabalho reprodutivo como impedimento à carreira política; pressão estética agravada pelas redes sociais; falta de apoio da família; dentre outras.

A estratégia das entrevistas em profundidade foi desenhada para compreender as experiências das mulheres na política sem induzir respostas. 

“Não fizemos perguntas diretas mencionando o termo ‘violência de gênero’, mas, sim, buscamos perguntar sobre a trajetória e vivências das mulheres. Situações de violência política de gênero apareceram de modo natural e espontâneo em todas as entrevistas, embora muitas mulheres não mencionaram as situações diretamente como ‘violência’”.

De acordo com os resultados, as entrevistadas relataram vivências de violência política de gênero de forma velada, se referindo a situações em que as formas de discriminação, assédio ou hostilidade são sutis, ou mascaradas, realidade que dificulta a identificação como violência. 

As experiências são marcadas por comentários depreciativos disfarçados de brincadeiras e até mesmo por práticas institucionais que perpetuam desigualdades de gênero sem necessariamente se manifestarem explicitamente como agressões físicas ou verbais diretas.

A coordenadora do projeto “De Olho nas Urnas” e reitora da UFG, Angelita Lima, destacou o caráter multidisciplinar do projeto. “Além das pesquisadoras e pesquisadores, e da pesquisa em si, nós temos site e equipe de comunicação. Pois não adianta fazermos pesquisas se elas não atingirem e não informarem as pessoas”.

Estados desiguais

A pesquisa também analisa dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referentes ao pleito municipal de 2020, disponíveis em sítio público. 

“Essa coleta tem como objetivo principal nos auxiliar a interpretar o panorama das eleições de 2020 para fazer um comparativo com as eleições que ocorrerão neste ano de 2024”,

explica a pesquisadora Lara Maciel.

Dentre os números, destaca-se que a probabilidade de uma mulher se candidatar e se eleger é de 5,5%, isto é, quase três vezes menor que a de um homem, com taxa de sucesso de 15,2%. Entre as cinco menores taxas de sucesso, três estão na região Sudeste, com destaque para o Rio de Janeiro, com apenas 1,37%. As maiores taxas de sucesso foram observadas no Piauí, com aproximadamente 13%, e Rio Grande do Norte com aproximadamente 11%.

Na mídia

A pesquisa também inclui a análise de 12 sites de diferentes espectros ideológicos, que publicaram matérias sobre a violência política contra a mulher. Como a Lei que define este crime foi sancionada apenas em 2021, muitas das notícias não utilizavam especificamente o termo “violência política de gênero”, embora abordassem o tema. Segundo os dados apresentados pela pesquisadora Roberta Viegas, a violência psicológica e simbólica afetou mais as candidatas de esquerda, enquanto a violência econômica foi mais prevalente entre as candidatas de direita.

“De acordo com as notícias que analisamos, a violência aumentou no período de setembro a dezembro, a partir da autorização da promoção do nome [nas campanhas] até o mês após a eleição. Também percebemos que a violência política é subnotificada e subsilenciada, principalmente em localidades menores”,

completou Viegas.

A deputada federal Gisela Moura frisou o papel do projeto “De Olho nas Urnas” de informar e propor reflexões sobre a trajetória das mulheres na política. 

“Esse trabalho tem sido fundamental para que possamos aprender e melhorar esse caminho tão difícil. Que as mulheres que vierem não passem por tudo que a gente já passou”, disse.

Para Rosária Helena, que foi a única mulher eleita na Câmara Municipal de sua cidade em 2020, a pesquisa é um passo importante para transformar essa realidade. “É muito difícil, mas a palavra que deixo para aquelas que estão buscando seu primeiro mandato é: não desistam. A política é desafiadora para nós, mulheres, mas é possível vencer,” encorajou, ressaltando a importância do enfrentamento à violência política de gênero.

*Com informações da assessoria

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