8 de junho de 2026
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A Justiça de Goiás concedeu nesta segunda-feira (1º/6) liberdade provisória à cirurgiã-dentista Valéria Martins Ribeiro, investigada por realizar procedimentos estéticos sem habilitação necessária. Ela é suspeita de atender pacientes em Goiânia com técnicas que teriam causado deformações faciais e sequelas permanentes.

Na decisão, o magistrado levou em conta, entre outros pontos, o fato de a profissional ser mãe de uma criança de um ano, que depende de seus cuidados. Apesar da soltura, Valéria seguirá respondendo ao processo em liberdade e terá de cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Conforme mostrou o NG, a dentista estava presa preventivamente desde o dia 28/5, após operação da Polícia Civil, que contou com apoio da Vigilância Sanitária. A ação teve como alvo uma clínica de estética de alto padrão no Setor Bueno, em Goiânia, que acabou interditada. No local, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão.

A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores da investigada, no total de R$ 600 mil. Segundo a apuração, Valéria teria ultrapassado os limites da odontologia e realizado procedimentos de maior porte, como cirurgias plásticas e intervenções bucomaxilofaciais complexas, atribuições exclusivas de médicos cirurgiões.

O inquérito foi aberto após denúncias de pacientes que disseram ter sofrido lesões corporais durante atendimentos. Ao menos sete pessoas já procuraram a polícia e relataram ter ficado com deformidades e sequelas permanentes no rosto e no corpo. Parte das supostas vítimas, segundo a investigação, também passou a trocar informações em um grupo de mensagens, para reunir documentos e acompanhar o caso.

A Polícia Civil apura ainda se a estrutura da clínica apresentava outras irregularidades, como falhas de higiene ou falta de equipamentos de socorro. Novas pessoas devem ser ouvidas na delegacia e submetidas a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal.

A reportagem do NG tentou novo contato com a defesa da dentista após a decisão, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

Autor Manoel Messias Rodrigues

Lidiane

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