O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) perdeu relevância e se tornou um órgão meramente burocrático. A crítica é de Tatiana Jucá, engenheira civil e candidata à presidência do Conselho, em entrevista ao podcast Domingos Conversa nesta segunda-feira (20/4). Segundo ela, a autarquia se distanciou das decisões estruturais de Goiânia e hoje foca apenas na cobrança de anuidades, sem oferecer retorno aos profissionais.
De acordo com Tatiana, a ausência do Crea em discussões sobre obras e planejamento urbano ajuda a explicar a repetição de problemas na capital.
“A gente não vê o conselho representando realmente a engenharia frente aos órgãos públicos”, disse durante entrevista conduzida pelo jornalista Domingos Ketelbey. Para ela, decisões importantes seguem sendo tomadas sem o devido embasamento técnico, o que resulta em intervenções pontuais e de curto prazo.
A candidata afirma que o papel do conselho não pode se limitar à fiscalização ou a manifestações após falhas já consumadas.
“Não é só quando acontece o problema”, afirmou.
“O Crea precisa se posicionar antes, orientar, participar do diagnóstico, discutir a melhor técnica”, completa. Na avaliação da candidata, a ausência desse tipo de atuação contribui para que a cidade opere no improviso.
Ao tratar da relação com o poder público, Tatiana aponta, ainda, falta de diálogo estruturado.
“A gente não vê essa propositura do Crea”, disse, ao comentar que o conselho não tem sido chamado, tampouco se colocado, nas mesas de discussão sobre intervenções urbanas. Para ela, isso enfraquece tanto a qualidade das decisões quanto o próprio papel institucional da entidade.
A crítica se estende à forma como o Crea se apresenta: “Hoje a gente vê muito mais uma atuação midiática do que técnica”, afirmou. De acordo com ela, a entidade perdeu capacidade de influência ao se afastar dos grandes temas da cidade e da interlocução direta com gestores.
‘Crea precisa ser um aliado técnico, independente de bandeira política’
Como candidata, Tatiana defende reposicionar o conselho como agente técnico ativo nas decisões públicas. A ideia, segundo ela, é que o Crea deixe de atuar apenas como órgão fiscalizador e passe a contribuir na formulação de soluções.
“O Crea precisa ser um aliado”, afirmou.
“Um aliado técnico, independente de bandeira política”, completou.
Para isso, ela propõe ampliar o diálogo com prefeituras, governo e entidades, criando uma atuação mais contínua e estruturada.
“A gente tem profissionais extremamente capacitados dentro do sistema. Por que não colocar essa capacidade à disposição da cidade?”, questiona.
Na visão da candidata, a retomada desse protagonismo passa também pela reconexão com a base.
“O Crea se distanciou do profissional”, avalia. Para ela, aproximar o conselho da realidade da categoria é condição para que a entidade volte a ter relevância nas decisões que impactam a engenharia e a cidade.
A entrevista pode ser conferida no link: https://www.youtube.com/watch?v=9wVsmi32Zig
A Secretaria de Polícia Legislativa da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) divulgou seu balanço de desempenho referente ao primeiro semestre de 2025, revelando um período de intensa atuação na garantia da segurança e no suporte às atividades parlamentares. Sob a gestão do secretário da Polícia Legislativa da Alego, Werlen Vieira da Silva, major veterano da Polícia Militar, os resultados são considerados “extremamente positivos”, atribuídos a um processo de reestruturação e à implementação de um plano de qualidade.
Na área de segurança, a Polícia Legislativa registrou a cobertura de 52 sessões ordinárias,108 sessões solenes e 18 sessões extraordinárias. A equipe atuou em 22 reuniões de comissões, realizou oito policiamentos em eventos internos e 94 em eventos externos. Um total de 174 cautelas de armas brancas e de fogo foram efetuadas no período.
O setor de cadastro registrou grande fluxo de pessoas, com 64.191 visitantes e 2.180 servidores atendidos. Em relação aos atendimentos policiais, foram contabilizados 397 ocorrências e 30 processos investigativos conduzidos pela Polícia Legislativa. No que tange aos recursos materiais, a secretaria iniciou oito processos para aquisição de equipamentos e realizou 656 procedimentos logísticos.
A capacitação profissional também foi um ponto de destaque, com a participação em um curso e em uma palestra promovidos pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás.
O secretário Werlen Vieira explica que a Polícia Legislativa passou por uma reestruturação nos últimos dois anos, que incluiu uma nova legislação e um novo rol de atribuições com estrutura organizacional prevista em resolução. Ele informa que uma das metas era montar a Central de Polícia, cuja criação possibilitou a unificação e a mensuração de todos os atendimentos. “A partir desses números, eu tenho condições de implementar ações onde eu preciso estar, conferindo mais demanda para a polícia”, explicou.
Ações preventivas
Segundo o secretário, essa nova abordagem, baseada em dados, permitiu a implementação de ações preventivas, resultando na diminuição de alguns tipos de ocorrências, como acidentes de trânsito, incidentes em eventos internos e externos, e casos de agressão verbal. “Esses índices de problemas diminuíram”, ressalta o secretário, destacando que o controle centralizado de dados permite uma análise periódica e a adequação do policiamento conforme a necessidade.
“A divulgação do desempenho visa não só a informar servidores e chefias, mas também a sociedade sobre a dimensão do trabalho realizado pela Polícia Legislativa, cuja demanda, antes, era atendida sem controle efetivo”, coloca Werlen Vieira, destacando, ainda, a forte integração da Polícia Legislativa com as demais forças de segurança do Estado. “A corporação hoje faz parte do sistema de segurança estadual e federal previsto em lei.”
Ele exemplifica a colaboração citando casos de acidentes de trânsito nas imediações da Alego, dos quais a Polícia Legislativa realiza a apuração interna e aciona o apoio externo quando necessário, para formalização.
No âmbito da capacitação, o comandante do setor de segurança informa que o primeiro semestre foi dedicado à aplicação interna dos conhecimentos adquiridos em cursos externos realizados no ano anterior, com adaptações às necessidades do Poder Legislativo. Para o segundo semestre, a previsão é de novos cursos internos, especialmente com a chegada de novos servidores. Além disso, há um projeto ambicioso para oferecer um curso completo de segurança do Poder Legislativo para outras assembleias e câmaras municipais, com vagas para outros estados interessados, inicialmente com foco em Goiás.



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