Brasil condena repressão no Irã pela 1ª vez, mas se abstém em votação na ONU
Lidiane 24 de janeiro de 2026 0 COMMENTS
Governo alega que sanções e medidas unilaterais agravam crise econômica e social em Teerã
A representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas condenou, 6ª feira (23.jan.2026), a repressão violenta contra manifestantes no Irã. É a 1ª vez que a diplomacia brasileira utiliza termos contundentes contra o uso da força desde o início da atual onde de atos contra o regime dos aiatolás.
“Condenamos fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos e estamos preocupados com relatos de prisões arbitrárias e de crianças como alvo”, afirmou o embaixador Tovar da Silva Nunes, em Genebra. Anteriormente, o Itamaraty limitava-se a declarar que acompanhava a situação com “preocupação”.
A VOTAÇÃO NA ONU
Apesar da mudança de tom, o Brasil manteve sua tradição diplomática ao se abster na votação de uma resolução que pedia a extensão de investigações sobre violações de direitos humanos no país. O texto passou com 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções. A proposta foi patrocinada por países como Alemanha, Reino Unido e Islândia;
O embaixador brasileiro ressaltou que apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar seu futuro e criticou medidas coercitivas unilaterais (sanções), que “exacerbam os desafios econômicos”.
REAÇÃO INTERNACIONAL
O comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, instou as autoridades iranianas a interromperem o que chamou de “brutal repressão”. Em contrapartida, o representante do Irã na sessão criticou a reunião, afirmando que os patrocinadores da medida nunca se importaram com os direitos dos iranianos e citando o impacto das sanções econômicas.
O posicionamento brasileiro ocorre em um momento de alta tensão geopolítica, com a movimentação de ativos militares dos Estados Unidos para regiões próximas ao Irã sob ordens do presidente norte-americano, Donald Trump.
PROTESTOS NO IRÃ
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
A SpaceX, de Elon Musk, passou a oferecer acesso à internet via satélite no Irã.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
- Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):
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