
A prestação de contas do primeiro quadrimestre, realizada nesta segunda-feira (6/7) pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), na Câmara Municipal, indica reequilíbrio das finanças da capital. O período foi marcado por um salto de 719,39% nos investimentos públicos em relação ao ano anterior, passando de R$ 35,7 milhões para R$ 292,9 milhões, com foco principal na Saúde e na Educação.
“Fizemos um trabalho que mostra resultados positivos para a cidade”, afirmou Mabel.
O prefeito anunciou a captação de R$ 500 milhões junto ao Fundo Clima, do Governo Federal, para obras de drenagem, canalização e criação de parques lineares. Segundo ele, o recurso foi garantido porque a prefeitura elevou sua nota de capacidade de pagamento (Capag) de C para A.
Na Saúde, os recursos empenhados e liquidados subiram de 29,91% para 40,82%. O avanço foi impulsionado pelo pagamento de R$ 276 milhões em dívidas herdadas e pela criação do Pafus, programa que descentralizou a gestão financeira ao repassar até R$ 200 mil anuais para pequenas manutenções em cada uma das 117 unidades de saúde da capital.
Mabel também detalhou os planos para a rede de urgência e emergência, que incluem a construção de novas estruturas médicas.
“Vamos construir oito UPAs — já lançamos três e vamos lançar as outras nos próximos dois meses. Quero construir de 20 a 30 UBSs grandes, que possam suprir as distâncias. Cerca de 85% da triagem que se faz em uma emergência é ficha azul ou verde. É caso para posto de saúde, não para o pronto-socorro”, pontuou.
O setor educacional registrou avanço semelhante, com os recursos liquidados saltando de 19,08% para 27,46% no quadrimestre.
“Nenhum menino está fora da escola”, comemorou o prefeito, destacando a busca ativa feita em parceria com o Conselho Tutelar. O município investiu na modernização das escolas com a compra de 15 mil tablets para alunos, 4,8 mil notebooks para professores, além de lousas digitais e aparelhos de ar-condicionado.
Para além das áreas prioritárias, a prefeitura, segundo Mabel, focou na infraestrutura e no esporte. O prefeito revelou que a gestão está desenvolvendo 192 projetos de engenharia, incluindo mais de 60 pequenas pontes para interligar bairros e desafogar o trânsito. Por fim, o prefeito anunciou a transformação do antigo Cine Canoeiro em um moderno complexo esportivo com quadras cobertas, arenas de areia e salas de ginástica.
Base apoia resultados fiscais, mas cobra mais gastos no social
Durante a prestação de contas, vereadores da capital destacaram os resultados positivos do primeiro quadrimestre e a ampliação da capacidade de investimentos da prefeitura. O principal ponto celebrado foi o salto de 719,39% em investimentos públicos em comparação com o mesmo período do ano passado.
Em entrevista, o vereador Lucas Kitão (Mobiliza) ressaltou que a gestão assumiu o controle administrativo ao mitigar dívidas e complementar receitas.
“Ficamos felizes ao ver que as contas estão sob controle e que vamos ter recurso para investir no que é importante para a população”, afirmou o parlamentar.
Na tribuna, Markim Goyá (PRD) elogiou a coragem de Mabel para enfrentar vícios históricos e entregar um superávit após receber o município em grave crise financeira. No mesmo tom, Denício Trindade (União) apontou que a cidade “está entrando nos trilhos” com reflexos diretos na limpeza urbana e no avanço da saúde.
A educação e o atendimento à comunidade foram os focos de Thialu Guiotti (Avante), que lembrou que, ao contrário dos anos anteriores, em 2026 não recebeu queixas de falta de vagas em CMEIs. O líder do prefeito, Wellington Bessa (Mobiliza), completou que o superávit fiscal “será utilizado para a execução de obras importantes para a população”.
Os avanços na saúde e na zeladoria também foram validados pelos vereadores Dr. Gustavo (Agir) e Isaías Ribeiro (Republicanos), que citaram o impacto do recapeamento asfáltico e a chegada de novas UPAs. Já a abertura do secretariado para emendas e projetos estruturantes, como drenagens no Jardim Goiás e intervenções no Córrego Botafogo, foi o ponto alto apontado por Leo José (SD).
Apesar do clima favorável, o debate abriu espaço para cobranças internas. A vereadora Daniela da Gilka (PRTB) ponderou que, mesmo integrando a base, não estava ali apenas para elogiar o avanço das obras.
“Não posso deixar de pedir mais investimentos em assistência social, pois a população em situação de rua não cuidada acaba indo para a saúde”, advertiu.
Fechando o balanço, o Coronel Urzêda (PL) questionou o prefeito sobre as estratégias de longo prazo para o equilíbrio fiscal e elogiou a austeridade adotada na capital. Segundo ele, a administração de Goiânia foi altamente eficiente ao enxugar a folha de pagamento.
Autor Manoel Messias Rodrigues
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