Ministro disse que proposta aprovada pelo Senado extrapola acordo negociado pelo governo, que vai buscar mudanças na Câmara, propor vetos e até recorrer ao STF
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta 4ª feira (10.jun.2026) que o projeto de renegociação das dívidas rurais aprovado pelo Senado pode gerar um custo de R$ 140 bilhões para o Tesouro Nacional “nos próximos anos” e que os cofres públicos não têm capacidade de arcar com o valor.
Segundo ele, o governo vai buscar alterações na Câmara dos Deputados –para onde o projeto voltará–, recomendar vetos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e até recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
A declaração foi dada a jornalistas depois da aprovação do projeto pelos senadores. Durigan afirmou que o Ministério da Fazenda ainda não teve acesso ao texto final da proposta e fará uma análise detalhada antes de definir os próximos passos.
Segundo o ministro, a estimativa preliminar considera um universo de aproximadamente R$ 200 bilhões em operações de crédito rural. O impacto fiscal corresponderia a cerca de 70% desse valor. O restante seria pago pelos beneficiários da renegociação.
Durigan afirmou que versões anteriores da proposta tinham impacto ainda maior. “Nós tínhamos a estimativa de R$ 800 bilhões em 10 anos, mas o texto mudou muito”, declarou. Segundo ele, as negociações conduzidas pela equipe econômica durante a tramitação reduziram o custo previsto.
Durigan ressaltou que o governo não é contrário à renegociação das dívidas do setor agropecuário. Segundo ele, a proposta construída pela Fazenda tinha como objetivo atender produtores rurais afetados por perdas decorrentes de eventos climáticos.
O ministro declarou, porém, que o texto aprovado pelos senadores ampliou o alcance dos benefícios além do grupo que o governo considera prioritário. Para ele, a medida transfere custos elevados para as contas públicas e para outros setores da economia.
“Quem precisa está sendo atendido dentro do que o governo tinha construído. Quem não precisa vai onerar o restante da sociedade como um todo. Isso precisa ser esclarecido para a população”, declarou.
AMEAÇA IR AO STF
Durigan afirmou que trechos da proposta poderão ser questionados caso descumpram exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.
“Partes do projeto têm que ser revistas na Câmara dos Deputados ou, eventualmente, em veto do presidente da República. E, se preciso, a gente vai questionar eventual ação do Congresso que não cumpra a Lei de Responsabilidade Fiscal no STF”, disse.
O ministro também alertou para possíveis efeitos sobre a oferta de crédito rural. Segundo ele, instituições financeiras e representantes do setor têm manifestado preocupação com o alcance da proposta.
“Uma medida que transborde os seus limites pode inclusive trazer prejuízo aos agricultores”, afirmou, referindo-se a uma possível restrição ao crédito.
O projeto ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção ou veto presidencial. Segundo Durigan, não há expectativa de efeitos imediatos para os produtores rurais enquanto a tramitação não for concluída.
Medida provisória espera ter R$ 10 bilhões neste ano e R$ 20 bi no ano que vem; o texto foi publicado na 4ª feira (11.jun)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera arrecadar R$ 30 bilhões até 2026 com a MP (medida provisória) Fiscal, alternativa à alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O valor não inclui o novo decreto sobre o tributo.
Apesar de o Ministério da Fazenda não ter apresentado uma estimativa oficial, o Poder360 apurou que o Planalto trabalha com a hipótese de que a medida trará R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 20 bilhões em 2026. O valor é menor do que o esperado por agentes financeiros.
A Fazenda já sinalizou que o novo decreto do IOF deve ter receita extra de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões este ano.
A equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda), levou as propostas para deputados e senadores em uma reunião noturna no domingo (8.jun), que durou mais de 4 horas. Leia um resumo no infográfico abaixo:
CLIMA DESFAVORÁVEL
A MP Fiscal não foi bem recebida pelo Congresso, mesmo depois do esforço de Haddad de ir à residência oficial da Câmara para apresentar aos presidentes da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e a líderes da base do governo, a proposta alternativa ao aumento do IOF.
Na Câmara, o clima é de desaprovação. Na 2ª feira (9.jun), 1 dia depois da reunião que durou mais de 4 horas, Motta disse que o Congresso não tem “compromisso” em aprovar a MP.
O fluxo seguiu o mesmo no Senado. Mais cedo, a oposição criticou o aumento de impostos. Em nota encabeçada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), o grupo diz que as medidas de Haddad “comprometem o investimento de longo prazo no Brasil”.
Levantamento a pedido do Ministério do Turismo indica um aumento de 34% em relação ao período de dezembro a fevereiro do último ano
O Ministério do Turismo divulgou que mais de 35% dos brasileiros planejam viajar de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025, segundo pesquisa do Nexus. O levantamento encomendado pelo ministério mostrou que 97% dos entrevistados escolheram uma praia nacional como destino preferencial para aproveitar as férias. Eis a íntegra da pesquisa (PDF – 3 MB, em inglês).
O instituto Nexus realizou o levantamento de 14 a 28 de outubro de 2024, entrevistou 5.542 entrevistas domiciliares com cidadãos com idade a partir de 16 anos nas 27 unidades da federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou menos.
Na avaliação da pesquisa, a expectativa é que o turismo no período movimente R$ 148,3 bilhões, aumento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.
“O turismo brasileiro vive um momento de quebra de recordes e bons resultados para o setor e a temporada de verão será decisiva para um 2025 ainda melhor”, disse o ministro do Turismo, Celso Sabino.
Segundo o ministro, a pesquisa das tendências de viagens e destinos dos brasileiros contribui para direcionar políticas públicas a lugares mais desejados.
“Os brasileiros seguem valorizando as belezas naturais do país e vão passar mais tempo de férias, além de gastar mais, movimentando a economia dos estados”, disse Sabino.
A pesquisa também divulgou detalhes sobre a duração da viagem, tipo de hospedagem, região de origem dos turistas, renda média das famílias, motivos para não viajar no verão e o ticket médio dos brasileiros para as férias.
A duração média das férias é de 12 dias, segundo o levantamento, com 67% dos entrevistados dizendo que a viagem durará até 10 dias. Os principalis motivos apontados para não viajar durante o verão são a falta de condições financeiras e de tempo.
Relatório alerta para desaceleração a 1,5% em 2025 por causa de fatores como política monetária e mercado de commodities
O UBS, banco de investimentos suíço, divulgou relatório em que mantém as projeções para o crescimento da economia brasileira em 2024 e 2025, mesmo que o PIB (Produto Interno Bruto) tenha crescido além do previsto no 2º trimestre de 2024. Estima expansão de 2,8% para este ano. O banco alerta para uma desaceleração para 1,5% no próximo ano e afirma que a performance sólida “dificilmente” será repetida no 2º trimestre e meses subsequentes.
No relatório, elaborado pelos economistas Fabio Ramos, Alexandre de Azara e Rodrigo Martins, os especialistas explicaram que, apesar da estimativa otimista para 2024, fatores como a política monetária e o mercado de commodities podem influenciar negativamente o crescimento econômico subsequente. “O spread entre a taxa de juros real e neutro é alto e pode subir. Os preços das commodities não são tão favoráveis como no passado, dada a desaceleração global.”.
A performance do PIB brasileiro no 2º trimestre, que registrou alta de 1,4%, superou as expectativas do mercado, mas ficou alinhada às previsões do UBS BB.
Os economistas também projetam uma redução do impulso fiscal nos próximos meses. Isso se deve, em parte, aos repasses por meio de precatórios e despesas emergenciais relacionadas às enchentes no Rio Grande do Sul. Essa diminuição no estímulo fiscal é vista como um dos fatores para a desaceleração econômica antecipada para 2025.
Em comparação, as projeções do mercado, consultadas pelo Banco Central no Boletim Focus, indicam um crescimento do PIB de 2,46% para este ano e de 1,85% para o próximo. Essas estimativas, embora mais conservadoras que as do UBS BB para 2024, seguem a mesma tendência de moderação no crescimento.
Com informações de Investing Brasil.



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