19 de abril de 2026
  • 12:59 Comissão aprova PL para incluir municípios nas placas dos carros
  • 09:15 Comendas Pedro Ludovico Teixeira são entregues a formadores de opinião
  • 05:31 Galpão da WePink, de Virginia Fonseca, é interditado em Anápolis
  • 01:47 PT do Rio confirma apoio a Paes e lança Benedita para o Senado
  • 22:03 Lei que garante direitos a professores da educação infantil é debatida em audiência


Fundador do “Apple Daily”, Jimmy Lai, 78 anos, foi considerado culpado por “conluio com potências estrangeiras”

A Justiça de Hong Kong proferiu nesta 2ª feira (9.fev.2026) a sentença do empresário e ativista pró-democracia Jimmy Lai, 78 anos. Ele foi considerado culpado em 2 casos de conluio com forças estrangeiras e uma acusação de publicar artigos que promoviam a separação de Hong Kong da China. Ele recebeu a condenação de 20 anos de prisão. Segundo a lei chinesa, a pena máxima para esses crimes é a prisão perpétua.

Fundador do jornal Apple Daily –que encerrou as atividades, Lai é um dos críticos mais conhecidos do Partido Comunista Chinês. Passou cerca de 5 anos preso e respondia a diversos processos relacionados à legislação de segurança adotada por Pequim depois dos protestos de 2019 em Hong Kong contra uma lei chinesa que permitia a extradição de residentes de Hong Kong para a China continental.

A sentença de Lai foi proferida por 3 juízes da Suprema Corte de Hong Kong em uma audiência que durou menos de 10 minutos. Outros 6 executivos do Apple Daily foram condenados a penas que variam de 6 a 10 anos de prisão.

Os executivos se declararam culpados, enquanto Lai se disse inocente. Lai terá 96 anos quando for libertado em 2044, caso não lhe seja concedida uma redução de 1/3 da pena por bom comportamento. O empresário enfrenta problemas de saúde, como diabetes e pressão alta.

Hong Kong, assim como Macau, tem status de maior autonomia do que outras províncias chinesas. Por essa razão, a China se diz 1 país com 2 sistemas. Hong Kong tem sua própria Suprema Corte e eleições para a escolha de seu líder.

PRESSÃO INTERNACIONAL

Países ocidentais pressionam o governo chinês pela libertação de Lai por considerarem a lei de segurança nacional posterior aos protestos de 2019 uma forma de perseguição política.

Em dezembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), declarou que pediu ao presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista da China), a libertação de Lai. Na ocasião, Trump não disse quando fez esse pedido a Xi, mas que um perdão deveria ser considerado em função da idade do empresário.

Também em dezembro, a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, manifestou-se contrária à prisão de Lai, que tem cidadania britânica. Em um comunicado ao Parlamento, a ministra disse que Lai é perseguido pelos governos da China e de Hong Kong por estar “exercendo pacificamente seu direito à liberdade de expressão”.

“Esta foi uma perseguição política que condeno veementemente”, declarou a Cooper. Leia a íntegra do comunicado (PDF – 965 kB, em inglês).

Segundo o jornal de Hong Kong, South China Morning Post, cerca de 15 representantes de consulados gerais ocidentais, incluindo os dos EUA, do Reino Unido e da União Europeia, estavam presentes durante a leitura da sentença que condenou Lai a 20 anos de prisão.



Autor Poder360 ·


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta 2ª feira (19.jan.2026) o decreto que regulamenta a Lei das Instituições Comunitárias de Educação Superior, aprovada em 2013. A cerimônia reuniu dirigentes de ICES (Instituições Comunitárias de Educação Superior) no Palácio do Planalto, em Brasília.

Lula não discursou no evento. Coube ao ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), apresentar as medidas. O ministro da AGU (Advocacia Geral da União), Jorge Messias, também participou da solenidade.

A regulamentação permite que as 88 instituições comunitárias do país tenham acesso:

  • ao orçamento público para desenvolvimento de atividades de interesse público;
  • a editais de órgãos governamentais de fomento;
  • a parcerias com entes públicos estaduais para oferta de serviços.

O decreto também cria o Conselho Nacional de Instituições de Ensino Superior Comunitárias, voltado à integração entre as faculdades.

As instituições comunitárias não são públicas nem privadas com fins lucrativos. Funcionam em regime sem fins lucrativos e prestam serviços educacionais. Muitas estão presentes em municípios que não têm universidades federais ou estaduais.

Atualmente, são 4.975 cursos oferecidos, com 1,86 milhão de vagas e 512 mil matrículas. A maior concentração está no Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina.

Durante o discurso, Camilo Santana também abordou a área de medicina, área em que muitas instituições comunitárias atuam. Criticou gestões anteriores por terem se omitido na regulamentação de cursos. Segundo ele, entre 2016 e 2022 praticamente dobrou o número de vagas privadas nesses cursos no Brasil.

O ministro afirmou que o governo criou um novo marco regulatório para medicina. Agora, os cursos são avaliados anualmente, e não mais a cada 3 anos. “Nosso objetivo não é prejudicar ninguém, mas é garantir que as universidades ofereçam qualidade”, declarou.

Camilo Santana elogiou o desempenho das comunitárias no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), divulgado nesta 2ª feira. “A grande diferença delas é que chegam em cidades que não têm essas universidades”, destacou.

O EVENTO

A presença de Messias chamou atenção porque sua indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal) segue travada no Senado. A documentação do ministro está na SAJ (Secretaria de Assuntos Jurídicos) do governo desde que Lula o indicou para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

Questionado por jornalistas sobre sua barganha no Senado, Messias limitou-se a dizer que vai “esperar o retorno do processo”. O Congresso Nacional retoma os trabalhos no dia 2 de fevereiro. Como mostrou o Poder360, Lula aguarda a volta dos congressistas para destravar a indicação.

O ministro da Educação fez uma referência ao impasse no Senado ao cumprimentar Messias. “Cumprimentar o ministro, não sei por quanto tempo mais, Jorge Messias”, afirmou Camilo.

Também participaram do evento:


Leia mais:



Autor Poder360 ·


O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás concluiu, na manhã deste sábado (3/1), a operação de busca e recuperação do corpo de um homem de 44 anos vítima de afogamento no Lago Corumbá 3, na região de Luziânia.

O desaparecimento foi registrado na manhã de sexta-feira (2/1), quando equipes iniciaram as buscas aquáticas. Os bombeiros informaram que houve dificuldade para identificar o ponto exato da submersão, o que prolongou o trabalho ao longo do dia.

Na fase final da operação, neste sábado, a ação contou com apoio de mergulhadores do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Durante as varreduras, a vítima foi localizada a aproximadamente 90 metros da margem, em profundidade estimada de 4,5 metros.

Após o resgate, o corpo foi levado até a margem e ficou sob responsabilidade do Instituto Médico Legal (IML), que adotará os procedimentos legais e periciais.

Bombeiros alertam para atenção em áreas de lago e rio

Ocorrências desse tipo, segundo os bombeiros, tendem a aumentar em períodos de férias e maior fluxo de turistas em áreas de lazer aquático. A corporação reforça a orientação para que banhistas evitem locais sem estrutura de segurança, respeitem limites de profundidade e não entrem na água após alimentação ou consumo de bebida alcoólica.

Ainda de acordo com os bombeiros, é de fundamental importância observar os protocolos preventivos em áreas de banho e turismo náutico, sobretudo em grandes reservatórios como Corumbá 3.

A atuação integrada das equipes de Goiás e do Distrito Federal mostra a necessidade de resposta técnica especializada em situações de afogamento, tanto para a localização das vítimas quanto para garantir segurança operacional nas buscas.

O número 193, para informar ocorrências, deve ser imediatamente acionado, orienta a corporação.  

Autor Rogério Luiz Abreu


O deputado Coronel Adailton (Solidariedade) promoveu, na tarde desta segunda-feira, 15, uma sessão solene em homenagem aos dez anos de vigência do Estatuto da Pessoa com Deficiência, instituído pela Lei Federal nº 13.145. Durante a solenidade, que também comemorou o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro, foram entregues certificados do Mérito Legislativo aos homenageados em reconhecimento às conquistas, debates e transformações que ampliaram a percepção da sociedade sobre inclusão e direitos das pessoas com deficiência.

Mesa diretiva

Além de Adailton, no exercício da presidência, fizeram parte da mesa diretiva o promotor do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) João Luiz de Morais Vieira; o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Henrique Pandim Barbosa Machado; o presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, Audier Silva Gomes; a vereadora por Anápolis Capitã Elizete (PRD) e a presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Luciana Prudente.

Também compuseram a mesa o coordenador do Núcleo Especializado em Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), Tairo Batista Esperança; a presidente da Comissão de Inclusão e Acessibilidade do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) e juíza do município de Trindade, Priscila Lopes; e o secretário-adjunto de assistência da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), Coronel Luciano.

Reflexão para a ampliação de políticas públicas

Em seu discurso, Coronel Adailton, autor da iniciativa, destacou a importância do tributo. Segundo o parlamentar, além de uma justa homenagem, trata-se de um momento que convoca o poder público à reflexão sobre a missão de assegurar dignidade, autonomia e inclusão a todos.

Com relação ao Estatuto da Pessoa com Deficiência, sancionado em 2015, Adailton destacou a representação de um avanço histórico. “Consolidou direitos e adotou o modelo biopsicossocial, ou seja, reconheceu que a deficiência também resulta das barreiras sociais, culturais e ambientais que limitam a participação plena”, frisou.

Compromisso

Presidente da Comissão de Turismo no Parlamento goiano, o legislador evidenciou o trabalho realizado pelo colegiado, com o intuito de garantir o acesso das pessoas com deficiência nos diversos espaços existentes no Estado.

“Temos buscado fazer com que Goiânia seja a capital mais inclusiva na área do turismo do Brasil. Ainda não conseguimos êxito, mas estamos buscando, e o desafio fica estendido aos demais municípios”, pontuou Coronel.

O autor da solenidade reiterou, por fim, o compromisso não somente de sua gestão, mas de todos os deputados, com as pessoas com deficiência. “Aqui, na Assembleia Legislativa de Goiás, seguimos avançando para que a inclusão seja uma realidade”, frisou.

“Que esta sessão solene permaneça como um marco de compromisso desta Casa Legislativa e do meu mandato. Um compromisso que se expressa não apenas na celebração desta data, mas na responsabilidade de fortalecer as ações que garantem condições mais justas às pessoas com deficiência”, salientou Adailton.

Atuação dos órgãos goianos

João Luiz de Morais Vieira, promotor do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), abordou o trabalho desenvolvido pelo órgão em prol da categoria, como o Projeto Mais Inclusão, que tem como objetivo, após a realização de um diagnóstico sobre a situação dos municípios do Estado, avaliar o número de Conselhos Municipais dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

“O Ministério Público veio para ajudar, para fazer essa intermediação entre a sociedade, as pessoas com deficiência e seus representantes para garantir a melhor aplicabilidade do serviço público, a eliminação de barreiras, a acessibilidade, a inclusão e a participação de cada pessoa com deficiência”, explicou Vieira.

O procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Henrique Pandim Barbosa Machado, por sua vez, fez uma breve explicação sobre a função do órgão e afirmou que “o MPC deve orientar os prefeitos e presidentes das câmaras municipais nas licitações sobre como podem fazer para tornar os projetos possíveis de serem realizados”, frisou.

Já o coordenador da Defensoria Pública Estadual, Tairo Batista Esperança, destacou a importância do estatuto em tipificar direitos que parecem tão óbvios, mas necessários: “Direito à vida, à liberdade e à educação. Se estão lá, é porque precisam estar escritos”.

Também ocupou a tribuna o presidente do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência, Audier Silva Gomes. “O conselho foi feito para trabalhar junto com as instituições, nós representamos aproximadamente 500 mil pessoas e orientamos a criação de conselhos municipais. Nós iremos avançar cada vez mais nas nossas pautas”, destacou. 

Mulheres expressivas

Ao discursar, a vereadora por Anápolis Capitã Elizete (PRD) disse que sua bandeira política atende a todos, inclusive às questões de acessibilidade. “Em se tratando de pessoas, devemos ter um olhar a todas elas, e como uma representante pública, são muitas situações em que devo agir para o movimento de inclusão, que não se restringem somente a cadeirantes ou a uma rampa. A situação é muito maior e mais complexa”, ressaltou.

A presidente da Comissão de Inclusão e Acessibilidade do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) e juíza do município de Trindade, Priscila Lopes, expressou que a política de acessibilidade deve estar em todas as searas, com capacitação dos membros do Judiciário e em todos os Poderes. 

Apresentações musicais

O evento contou com duas apresentações musicais. A primeira, na abertura da solenidade, foi a execução do Hino Nacional Brasileiro pelos músicos Cláudio Luz e Pedro Henrique. E a segunda, no decorrer da sessão, foi da cantora Andy Gabe e da musicoterapeuta Renata Lima, do Núcleo de Arte e Inclusão do Autista (Naia Autismo).

Autor Assembleia Legislativa do Estado de Goiás


A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) realizou, na noite deste sábado (13/12), no Teatro Sesi, em Goiânia, a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial. O evento integrou a programação comemorativa pelos 75 anos da entidade e homenageou oito personalidades e instituições com atuação relevante no fortalecimento do setor produtivo goiano.

Ao abrir a solenidade, o presidente da Fieg, André Rocha, destacou o papel estratégico da indústria no desenvolvimento do Estado:

“A indústria cria oportunidades, gera empregos e transforma realidades”, afirmou. Segundo ele, a honraria vai além do reconhecimento individual:

Foto: Ascom/Fieg

“Celebrar o Mérito Industrial é valorizar trajetórias que ajudaram a construir Goiás, apostando na indústria como caminho para gerar renda, conhecimento e desenvolvimento para a sociedade”, acrescentou.

Criada em 1968, a Ordem do Mérito Industrial é a mais alta distinção concedida pela indústria goiana e reconhece pessoas e organizações cuja atuação deixa impacto duradouro na economia e na sociedade. A cerimônia reuniu lideranças empresariais, autoridades públicas e representantes de instituições parceiras, reforçando a integração entre indústria, poder público e sociedade civil.

Representando o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, presidente de honra e conselheiro emérito da Fieg, ressaltou o processo de fortalecimento institucional da federação ao longo dos anos:

Foto: Ascom/Fieg

“Cada presidente entrega mais do que recebeu, e isso faz a Fieg crescer junto com Goiás. Ver essa casa forte, dinâmica e cada vez mais preparada dá orgulho e renova a confiança no futuro da indústria”, declarou.

Falando em nome dos homenageados, a primeira-dama de Goiás e coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais, Gracinha Caiado, destacou a relevância do reconhecimento e a atuação conjunta entre setor produtivo e poder público:

Foto: Ascom/Fieg

“Receber esse reconhecimento da indústria goiana tem um valor imenso. O avanço que Goiás viveu nos últimos anos só foi possível porque o setor produtivo caminhou junto com o poder público, acreditando em um projeto de desenvolvimento que gera oportunidades reais para as pessoas”, afirmou.

Segundo ela, a indústria exerce papel decisivo na geração de emprego, renda e inclusão social, contribuindo para um crescimento mais equilibrado e sustentável no Estado.

Homenageados de 2025

A edição de 2025 da Ordem do Mérito Industrial contemplou trajetórias diversas, refletindo a pluralidade da indústria goiana e seu impacto em diferentes setores. Foram homenageados:

  • Gracinha Caiado, primeira-dama de Goiás e coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais, pela articulação de políticas públicas voltadas à inclusão, qualificação profissional e redução das desigualdades;
  • Evaristo Lira Baraúna, fundador do Grupo Cereal, com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio;
  • José Ribeiro de Mendonça, líder do Grupo Vale do Verdão, referência no setor sucroenergético;
  • Paulo Júnior, sócio do Grupo MPL & Paco Jeans, responsável pela consolidação de uma das maiores indústrias de confecção do País;
  • Paulo Vargas, diretor regional do Senai e superintendente do Sesi em Goiás, com 56 anos de atuação no Sistema Fieg;
  • Sílvio de Oliveira, presidente da BRG Geradores e do Grupo SDO Business, com atuação no setor energético e em soluções tecnológicas;
  • Tiago Ranieri, procurador do Trabalho, reconhecido pelo projeto Mais Um Sem Dor, desenvolvido em parceria com o Senai Goiás;
  • Embrapa Arroz e Feijão, instituição referência nacional em pesquisa e inovação, sediada em Santo Antônio de Goiás.

Ao final da cerimônia, André Rocha destacou que a trajetória da Fieg se confunde com o próprio processo de industrialização do Estado. “Ao celebrar 75 anos e reconhecer essas trajetórias, reafirmamos nosso compromisso com um Goiás que cresce a partir do trabalho, da inovação e da indústria”, concluiu.

A Ordem do Mérito Industrial reconhece personalidades e instituições que contribuem de forma relevante para o fortalecimento do setor produtivo. Em Goiás, a indústria responde por 22,1% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, emprega mais de 329 mil trabalhadores com carteira assinada e criou 12.797 novos postos formais em 2025. Em outubro, o setor registrou crescimento de 6,5% na produção industrial, o melhor desempenho mensal desde 2021.

Autor Rogério Luiz Abreu


Dos 115 mortos listados pela Polícia Civil, 38 tinham de 27 a 31 anos e 27 de 23 a 39; operação completa 1 mês nesta 6ª feira

A operação Contenção, deflagrada no dia 28 de outubro deste ano, deixou 117 civis mortos. Segundo relatório divulgado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, a média de idade dos mortos foi de 28 anos. Essa é a considerada a ação policial mais letal da história do Brasil. 

Dos 115 listados pela polícia, 38 tinham de 27 a 31 anos e 27 de 32 a 39 anos. Duas pessoas não tiveram a idade divulgada e 2 dos mortos identificados pelas autoridades não foram incluídos no relatório. Eis a lista (PDF – 8 MB). 

Dos 117, só 2 eram menores de idade: Michel Mendes Peçanha, de 14 anos, e Jean Alex Santos Campos, de 17 anos. Em contraposição, só 1 tinha mais de 50 anos, Jorge Benedito Correa Barbosa, de 54 anos. 

Leia aqui a lista com todos os nomes e idades. 

A OPERAÇÃO

A operação Contenção, realizada em uma ação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho (CV). Em 3 de novembro –6 dias depois da ofensiva– o governo fluminense encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um relatório para sustentar a legalidade da megaoperação. Eis a íntegra (PDF – 3 MB).

No documento, a Sepol (Secretaria Estadual de Polícia Civil) afirmou que a ação seguiu de maneira integral os parâmetros constitucionais e jurisprudenciais, contou com a supervisão do Ministério Público, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e observou os direitos humanos.

Segundo o delegado José Pedro Costa da Silva, quem assinou o documento, “a atuação do Estado, diante de organizações criminosas com perfil narcoterrorista, configura o exercício legítimo do poder-dever de proteger a sociedade, concretizando o princípio da legalidade e reafirmando o compromisso da Sepol com a transparência e a defesa dos direitos humanos, em conformidade com o Estado Democrático de Direito e a proteção da vida”.

A ofensiva policial tinha por objetivo cumprir 51 mandados de prisão, 145 de busca e apreensão e outras ordens expedidas pela Justiça do Rio de Janeiro e do Pará.

Na prática, porém, só 17 das prisões foram por mandado. Outras 82 se deram em flagrante. Entre os mortos, nenhum constava na lista da decisão judicial que autorizou a entrada nas comunidades.

Ao fim da operação, foram apreendidas 122 armas, 5.600 munições, 12 artefatos explosivos, 15 veículos, 22 kg de cocaína e 2 toneladas de maconha.



Autor Poder360 ·


Quem, em uma experiência virtual imersiva, for parar no Rio de Janeiro no dia 9 de novembro de 1889, tem grande chance de ficar sabendo do baile da Ilha Fiscal, promovido pela Monarquia brasileira. Faltam seis dias para que a República seja proclamada. Neste sábado, 15, são comemorados 136 anos dessa proclamação.

O baile ocorre em homenagem aos oficiais e marinheiros de um navio de guerra chileno. O Palácio da Ilha Fiscal, inaugurado meses antes, segue lá, hoje aberto à visitação. O cenário é de “uma ilha em festa emergindo do mar, transbordante de luz e de gala”, segundo o jornalista Medeiros e Albuquerque, presente no Rio de Janeiro naquele dia. Diferentemente do que se pode pensar, no entanto, a festa não representa um esbanjamento rotineiro da Monarquia brasileira, que ao menos nisso era notória pelo contrário: a escassez de celebrações.

O que o baile representa é certo alheamento em relação aos acontecimentos em volta. A Proclamação da República está em andamento há alguns dias. “O ambiente era de tensão. A conjuração estava por todo lado. Conspirava-se nas casas particulares, nas escolas, nas redações dos jornais, nos salões e nas confeitarias da Rua do Ouvidor, nas praças públicas e nos teatros líricos”, contextualiza Laurentino Gomes em 1889, um ótimo guia escrito para a experiência imersiva. “Conspirava-se principalmente nos quartéis do Exército. O clima entre os militares era de franca rebeldia contra o Governo”, prossegue. 

Tudo é confuso. Era comum que insatisfações resultassem em derrubadas de ministérios, e parecia mais uma vez ser o caso. Mesmo na manhã da Proclamação, “a grande maioria dos soldados que integravam as tropas golpistas em 15 de novembro não estava consciente de que se pretendia derrubar a Monarquia”, escreveu o historiador Celso Castro, citado por Gomes. 

O ministério é liderado pelo mineiro visconde de Ouro Preto, 53 anos. Dom Pedro II, uma década mais velho, se alterna entre o Rio de Janeiro e Petrópolis, serra e ferrovia acima, onde fica na residência predileta de verão, atual Museu Imperial. Marechal Deodoro da Fonseca, 62 anos, tem fortes crises de dispneia, ou falta de ar, gerando dúvidas quanto à sua sobrevivência e, em consequência, quanto ao sucesso da revolução. Deodoro é a principal fonte de esperança dos republicanos, mas ele mesmo é dos que hesitam abraçar o republicanismo.

Palácio da Ilha Fiscal recebeu baile da Monarquia seis dias antes da Proclamação da República. Crédito: Divulgação

Republicanismo remoto

A ideia de se proclamar uma República no Brasil, é claro, não nascera naquele mês. Os antecedentes eram descontínuos, mas muitos. Ainda no começo do século XVIII, houve as revoltas de Olinda (1710) e Vila Rica (1721), episódios em que a aspiração à instalação de uma “república nativa” (significando uma forma de governo republicana e oligárquica, como a que Veneza teve por 500 anos a partir do final do século XIII) surgiu em meio a outras. No final daquele século, houve as conjurações mineira (1789), do Rio de Janeiro (1794) e baiana (1798).

No século XIX, ideais republicanos fizeram parte da Revolução Pernambucana (1817) e, também em Pernambuco, da Confederação do Equador (1824), alastrada para outras partes do Nordeste, e da Revolução Praieira (1848); na Bahia, da Sabinada (1837). No Sul do Brasil, em meio à Revolução Farroupilha, iniciada em 1835, existiram duas Repúblicas: a Juliana (1839), proclamada na Província de Santa Catarina, e a Rio-Grandense (1836-1845), ou Piratini, no território hoje equivalente ao do Rio Grande do Sul. O militar Bento Gonçalves, primeiro dos dois presidentes dessa República, dá nome ao município gaúcho famoso pelas vinícolas.

Pode-se ler mais sobre todas essas rebeliões em Dicionário da República – 51 textos críticos, organizado por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, e sobre as anteriores à Independência em Ser republicano no Brasil colônia: a história de uma tradição esquecida, escrito por Starling.

Entre a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, e a coroação antecipada de Dom Pedro II, nove anos depois, enquanto o país era governado por regentes, houve vácuos de poder território afora que deram a impressão de que o Brasil seria desmembrado em várias Repúblicas, assim como aconteceu com a América Espanhola, que acabaria fragmentada em 19 países.

Há historiadores que inclusive chamam a década de 1830 brasileira de “experiência republicana”. “Os vestígios de república são aí detectáveis nas revoltas provinciais, nas agitações urbanas, nos clubes políticos, nos debates parlamentares, na imprensa e mesmo nas reformas, como a suspensão do Poder Moderador [detido pelo imperador para reduzir atritos entre os outros Poderes] e a escolha dos regentes pelos eleitores”, escreve o historiador José Murilo de Carvalho em verbete do Dicionário da República.

As décadas seguintes são marcadas por relativa estabilidade, até que embates políticos dos anos 1860 desaguam, em 1870, na criação do Partido Republicano, que naquele mesmo ano lançou o jornal “A República” e, em dezembro, um manifesto que se tornou marco do republicanismo. “Somos da América e queremos ser american­­­os”, diz famosamente um trecho da conclusão, afirmando que a Monarquia isolava o Brasil no continente. “O elemento monárquico não tem coexistência possível com o elemento democrático”, afirmava-se.

Essa mobilização republicana entra nos motivos que levaram à derrubada da Monarquia. Quando se fala do que gerou o 15 de Novembro de 1889, porém, muitos historiadores enfatizam primeiro as colisões dos militares com o Império, depois da Guerra do Paraguai (1864-1870), em relação a salários, promoções e punições.

Com menos ênfase, são citadas as agitações de clubes e partidos republicanos; os proprietários de escravos que ficaram inconformados por não terem sido ressarcidos após a Abolição, ocorrida em maio de 1888; e a questão religiosa, uma disputa entre a Igreja Católica e a Maçonaria que envolveu o Império.

A professora de Sociologia da USP Angela Alonso, em colaboração para o Dicionário da República, traz uma síntese nítida da queda da Monarquia. “Embora a imagem póstera [futura] seja de golpe de caserna, sem povo, e de escravistas ressentidos, a República se inaugurou com mobilização civil-militar e gente nas ruas. Não é filha de um general e sua tropa”, sustenta. “A mudança de regime tem causalidade múltipla. O Império afundou por sua própria conta, incapaz de solucionar seus problemas estruturais”.

Alonso fala em “crises confluentes”: de Estado, por falta de extensão e força do Estado imperial em relação ao território; de partidos e representação política, porque elites de Províncias em decadência econômica tinham mais influência que, por exemplo, a ascendente elite fundiária de São Paulo; e de legitimação, uma vez que a Monarquia, no seu catolicismo rígido e restrição a uma parte da elite, foi ficando datada frente à campanha abolicionista, ao movimento republicano e a teorias científicas ensinadas nas escolas superiores.

Essas crises, diz Angela Alonso, se somaram à mobilização social, produzindo a conjuntura propícia para a mudança do regime. Para a socióloga, “a questão em novembro de 1889 não era se a Monarquia acabaria, mas como – plebiscito, complô, revolução – e por meio de qual coalização civil-militar. O Império era irreformável”, pontua, acrescentando: “Os líderes e a data [da Proclamação da República] foram contingentes, a queda, não”.

No dia da proclamação, Dom Pedro II estava na sua residência de verão em Petrópolis, hoje Museu Imperial. Crédito: Divulgação

Deodoro, o indeciso

Na manhã de 15 de novembro de 1889, “para surpresa geral, um Deodoro transfigurado surgiu diante de oficiais e soldados” assim que subiu no cavalo, relata Laurentino Gomes. “Com voz firme e decidida, começou a disparar ordens e a organizar tropas”. O médico particular do marechal teria dito depois que o seu paciente proclamou a República sem o seu consentimento.

Embora Deodoro estivesse decidido a cercar o quartel do Exército em que estava o visconde de Ouro Preto, o líder ministerial, ainda não tinha certeza quanto a formar um novo ministério ou proclamar outra forma de governo. “De concreto sabe-se que Deodoro em nenhum momento proclamou ou deu vivas à República, que nas horas seguintes se imporia como um fato consumado diante da incapacidade do poder imperial de resistir à própria implosão”, afirma Gomes.

Angela Alonso fala em uma “sequência vertiginosa de eventos, entre iniciativas republicanas, meio planejadas, meio improvisadas, mas convergentes, e reações monárquicas, caóticas, tardias e malogradas”. Essa sequência teria se desenrolado por 81 horas. No meio dela figuraria outro personagem famoso do início da República, Floriano Peixoto, que era alagoano, como Deodoro da Fonseca, e atuava como braço militar do gabinete de Ouro Preto. Essa posição foi estratégica ao deixá-lo próximo do visconde e então subitamente traí-lo.

Em um momento tenso, o ministro da Marinha, barão de Ladário, foi ao encontro de Ouro Preto. Ele recebeu ordem de prisão dos rebelados e sacou uma pistola, mas ela falhou e foi ele o alvejado. Internado, sobreviveu e, semanas depois, se anunciou republicano.

Presos Ouro Preto e um conselheiro do Império, os demais ministros foram autorizados a ir embora. Deodoro não fez eco aos que, no seu entorno, saudavam a República. Voltou para casa e, “exaurido, caiu na cama”. A proclamação oficial se daria, sem ele, na Câmara Municipal, feita pelo então vereador José do Patrocínio e reverberada em um jornal de propriedade sua, Cidade do Rio. Sem símbolos “genuinamente brasileiros que representassem o novo regime”, de improviso foi entoada A Marselhesa, hino nacional francês, e hasteada uma bandeira que imitava a dos Estados Unidos, mas com o verde e amarelo nacionais.

Dom Pedro II, informado do que ocorria, desceu de Petrópolis ao Rio de Janeiro para lidar com a situação. Pouco mais de 24 horas depois, seria enviado com a família para Portugal. Em 1889, há um relato detalhado dos últimos momentos do imperador no Brasil e dos dois anos em que viveu no exílio, com saudades do solo brasileiro, até morrer no final de 1891 em Paris.

Entrou para a história trecho de texto do jornalista republicano Aristides publicado dias depois afirmando que o povo assistiu à Proclamação da República “bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada”.

Isso vem sendo matizado por especialistas. Claro que boa parte da população carioca, pouco letrada e, em muitos casos, escravizada até pouco tempo atrás, não entendia o significado político daqueles eventos. No campo de Santana, porém, onde tropas se reuniram e houve incitações à proclamação, reuniram-se “cerca de duzentas pessoas, entre republicanos, curiosos e estudantes”, segundo Angela Alonso. Houve também, enquanto os líderes republicanos desfilavam pela Rua do Ouvidor, aclamação das sacadas dos sobrados. Segundo a socióloga, “longe de revolução popular, a República tampouco foi simples quartelada”.

Em Corumbá de Goiás, o viajante português Oscar Leal só soube da proclamação semanas depois. Crédito: Divulgação.

Celebrações em Goiás

Deslocando a experiência imersiva para Goiás, pode-se acompanhar, em novembro de 1889, o viajante português Oscar Leal, autor de Viagem às terras goyanas (Brazil Central), relevando os preconceitos da sua perspectiva europeia.

No dia 15, Leal, um entusiasta da República, ainda não sabe o que se passa no Rio de Janeiro. Nem ele nem os goianos, que, ainda sem telégrafo, só ficariam sabendo da Proclamação da República em carta recebida quase duas semanas mais tarde, em 28 de novembro.

O cenário em Goiás era bem diferente do Rio, capital federal desde 1763 e, no início da República, uma cidade de 522.651 habitantes, segundo o Censo Demográfico publicado em 1890. Na Província de Goiás inteira, havia menos da metade disso, 227.572 moradores.

Tratava-se apenas da 17ª província (os estados da época) mais populosa entre as 20 existentes. Goiás, a capital goiana, tinha 17.181 pessoas. Boa Vista do Tocantins, Bomfim, Catalão, Curralinho, Formosa, Morrinhos e Pirenópolis tinham menos, embora superassem 10 mil. A Província de Goiás era composta de 31 municípios, em contraste com os 246 atuais.

Ao longo dos anos 1880, jornais como O Bocaiúva e O Brasil Federal defenderam ideais republicanos em Goiás, mas tiveram curta duração. A fundação do Partido Republicano de Goiás dataria apenas de 1890.

Acompanhando, na imersão, Oscar Leal, nos dias de surgimento da República no Rio cavalga-se e caminha-se em Corumbá de Goiás fazendo um ecoturismo da época, inclusive com guia, para se percorrer e apreciar grutas, cavernas, rios, lagoas e cachoeiras.

No início de dezembro, a notícia de que o Brasil se tornara uma República por fim alcança o viajante lusitano. “Foi em Corumbá, no dia 5 de dezembro, que tive notícia dos acontecimentos de 15 de novembro no Rio de Janeiro e que deram lugar à Proclamação da República”, relata. “Cheio de alegria por ver a pátria livre, montei a cavalo às cinco horas da tarde e, depois de percorridas quase quatro léguas por ínvios [intransitáveis] caminhos, às oito horas da noite entrava em Pirenópolis, cujo povo, tendo à frente uma banda de música, autoridades, juízes e outras pessoas gradas [ilustres], festejava o grande acontecimento”.

Depois de meses de transição administrativa, Deodoro da Fonseca nomeia o primeiro governador do Estado de Goiás: Rodolfo Gustavo da Paixão, que assume em fevereiro de 1890. Em novembro daquele ano, Oscar Leal segue em terras goianas. No dia do primeiro aniversário da República, estava em Rio Verde, onde se dirigiu a várias pessoas e conseguiu “festejar a grande data com uma passeata e marche aux flambeaux [procissão iluminada, em francês no original], que teve lugar na mesma noite, estando à frente das principais casas iluminadas”.

Igreja Matriz em Pirenópolis: ao saber que o Brasil havia se tornado uma República, Oscar Leal celebrou na cidade. Crédito: Divulgação.

Brechas na Primeira República

O que mudaria, afinal, com a instauração da República?

Os anos de 1889 a 1930 passaram a ser pejorativamente chamados de República Velha já na Era Vargas (1930-1945), como estratégia para acentuar o contraste entre os dois períodos. Hoje, muitos historiadores optam pelo termo menos valorativo Primeira República, sem deixar de considerá-la uma República oligárquica, isto é, voltada para poucos.

Um dos atestados disso é o total de pessoas que foi às urnas nas dez eleições presidenciais diretas até 1930, um contingente nunca superior a 6% da população.

Analfabetos seguiam não votando desde lei do Império de 1881, e só recuperariam esse direito 107 anos mais tarde. O voto feminino seria permitido apenas em 1932. Em algumas eleições, no Império – embora com votos indiretos e para menos cargos – houve maior participação eleitoral que na República até os anos 1940. Era no mínimo uma ironia em relação à frase do manifesto republicano, antes mencionada, de que o elemento monárquico não poderia coexistir com o elemento democrático.

Além disso, os primeiros anos da República foram de instabilidade – de “entropia”, segundo o cientista política Renato Lessa. Houve duas revoltas da Marinha (ou Armada, como era então chamada), além da Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, de Canudos, na Bahia, e de uma política econômica eufórica que multiplicou a oferta de moeda nacional, de compras de ações e de aberturas de empresas inconsistentes antes de multiplicar falências, o chamado Encilhamento.

Primeiro presidente eleito de forma direta (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto foram eleitos pelo parlamento), Prudente Morais sofreu, em 1897, um atendado que matou seu ministro da Guerra. Só a partir de então, e sobretudo no governo seguinte, de Campo Sales, a Primeira República entraria em anos menos turbulentos.

Nesses anos, os brasileiros começaram a tatear a experiência republicana. “Investigações atuais têm revelado que na República Oligárquica brasileira havia espaço para experiências democráticas, para a ascensão de algumas minorias e para a expansão da cidadania”, afirma a historiadora Cláudia Viscardi no Dicionário da República. Havia “brecha para a intervenção de outsiders [indivíduos que não pertencem a um grupo determinado]”, pontua.

No período, ela explica, “as oposições ou as minorias alijadas do poder tinham assegurados três canais de manifestação de interesses”, que eram as eleições diretas para todos os níveis, a liberdade de imprensa e o direito à associação. Os processos eleitorais, como se sabe, tinham “inúmeras tentativas de controle”, mas “envolviam uma certa competitividade entre os pares”, com “brechas para que oligarquias dissidentes conseguissem ser eleitas”.

A imprensa, por sua vez, atuava “como importante ator político”, e o associativismo se traduzia em “greves, motins, uso da Justiça, pressão sobre lideranças políticas, reuniões, comícios, conferências, entre outras modalidades de manifestação”. Assim, complementa Viscardi, a ideia de uma “sociedade apática e desmobilizada, formada por indivíduos apartados, tem sido relativizada ultimamente”.

Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e professor aposentado da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nasr Chaul pondera sobre os limites de uma República “feita de cima para baixo, de um poder centralizado desde a política dos governadores de Campos Sales”, mas ressalta avanços, naqueles anos, na produção de café, no setor de transporte e nas lutas sociais, incluindo a Coluna Prestes.

Em Goiás, particularmente, os avanços se deram “na agropecuária, na larga produção de grãos e gado, fruto também das inúmeras charqueadas surgidas dos trilhos da estrada de ferro e das várias estradas vicinais”. A estrada de ferro, no caso, era a inaugurada em 1913 em Catalão, que trouxe “um surto de desenvolvimento ao sul e, potencialmente, ao sudoeste” do Estado.

Questionado se as brechas para a intervenção de outsiders mencionadas por Cláudia Viscardi existiam também fora dos principais estados, Chaul lembra das diferenças do processo histórico no eixo Rio-São Paulo em relação ao restante do país. Goiás seria marcado, na Primeira República, por “um domínio coronelístico entre grupos que oscilavam no poder e, muitas vezes, faziam composições para efetivar seu poder junto ao governo central”.

Os anos 1930, no Estado, efetivamente significariam uma ruptura. Foi quando se viu a necessidade de “inserir Goiás no projeto nacional”. Grupos com maior potencial econômico que não conseguiam participar do poder político devido à concentração desse em poucas famílias ganhariam seu espaço. Pedro Ludovico, representante do sul e do sudeste goianos, jogaria “todo o seu capital político na construção de uma nova capital”, que seria “moderna, em Art Déco, antítese do passado que se queria sepultar, da velha [cidade de] Goiás e suas referências políticas. Depois emerge a Marcha para o Oeste, Brasília, a rodovia Belém-Brasília…”, destaca Nasr Chaul.

Seguindo com essa aceleração da passagem do tempo, vê-se no Brasil recente o fortalecimento do “elemento democrático” que faltou tanto ao Império quanto a diferentes períodos da República. Nas eleições presidenciais do primeiro turno de 2022, por exemplo, 61% da população brasileira votou. Atualmente, mais de 70% dos brasileiros estão aptos a exercerem o direito de votar.

Autor Assembleia Legislativa do Estado de Goiás


Aparecida de Goiânia celebra, nesta sexta-feira (14/11), 62 anos de emancipação política e administrativa. A data marca o momento em que o então distrito de Goialândia conquistou autonomia e passou a ser oficialmente reconhecido como município, em 1963, um divisor de águas para o desenvolvimento econômico, social e institucional da cidade.

O município possui duas datas históricas no calendário oficial:

• 11 de maio, aniversário de fundação (1922), quando Aparecida surgiu como povoado;
• 14 de novembro, data da emancipação política, alcançada 41 anos depois.

A autonomia municipal foi aprovada pela Assembleia Legislativa, com articulação dos deputados Iris Rezende Machado e Olinto Meireles. A lei foi sancionada pelo governador Mauro Borges, que, em fevereiro de 1964, nomeou Licídio de Oliveira como o primeiro prefeito da cidade, passo decisivo para estruturar a administração e consolidar a nova identidade municipal.

Ao longo das últimas seis décadas, Aparecida passou por uma transformação profunda. De pequeno distrito, tornou-se a segunda maior cidade de Goiás, hoje com cerca de 600 mil habitantes. O avanço urbano ilustra essa expansão: em 1963, a cidade tinha apenas 23 setores; atualmente, são mais de 300 bairros oficialmente reconhecidos, crescimento que multiplicou por 13 o território organizado da cidade.

O prefeito Leandro Vilela (MDB) destaca que a data reforça o valor histórico e simbólico da emancipação e o compromisso atual com as políticas públicas.

“Aparecida nasceu do esforço de muitas mãos e continua crescendo graças ao trabalho e à determinação de seu povo. Celebrar 62 anos é reconhecer essa história e reafirmar que estamos construindo uma cidade cada vez mais humana, próspera e preparada para o futuro. Temos orgulho do que conquistamos nestes 10 meses de gestão, que têm devolvido alegria ao aparecidense e esperança no que está por vir”, afirmou.

Além da expansão territorial, Aparecida consolidou uma economia dinâmica, com forte geração de empregos, investimentos privados e políticas de inclusão que ampliaram o acesso da população a serviços, infraestrutura e lazer. O município também se destaca pela localização estratégica, capacidade logística e modernização administrativa, fatores que reforçam sua relevância regional e nacional.

Autor Rogério Luiz Abreu


O governador Cláudio Castro (PL) anunciou nesta 2ª feira (10.nov.2025) o reajuste de 166% no auxílio-alimentação dos policiais militares do Rio de Janeiro. O benefício passará de R$ 162,60 para R$ 433,80. Segundo o governo estadual, o valor estava congelado há 20 anos. O aumento abrangerá todos os policiais militares que atuam no Estado.

O anúncio foi feito em vídeo publicado nas redes sociais, no qual Castro aparece ao lado do secretário da PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro), coronel Marcelo Menezes.

“Conquista merecida para a PM: vamos ter reajuste do auxílio-alimentação! Depois de mais de 20 anos, conseguimos trazer essa merecida valorização àqueles que servem com coragem e compromisso ao povo do Rio de Janeiro”, escreveu Cláudio Castro ao comentar o reajuste.

Assista (1min33):

Na semana anterior, a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) aprovou um projeto de reestruturação do quadro da corporação proposto por Castro. O texto, que ainda aguarda sanção do governador, projeta a redução do efetivo total da PM para 60.448 militares, a criação de novos cargos de coronel para oficiais da saúde e mudanças nas nomenclaturas dos quadros de oficiais.

As alterações buscam adequar a estrutura da PM fluminense à Lei Orgânica Nacional das Polícias Militares (Lei Federal 14.751/23). O governador tem até a próxima semana para sancionar o projeto aprovado pela Alerj.



Autor Poder360 ·


A Assembleia Legislativa de Goiás vai sediar, no sábado, 18, uma sessão solene em homenagem aos 80 anos da Faculdade de Farmácia e da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás (UFG). A iniciativa, do deputado Mauro Rubem (PT), é para reconhecer a relevante trajetória dessas duas unidades acadêmicas, que, desde 1945, têm desempenhado um papel essencial na formação de profissionais da saúde e na promoção do conhecimento científico.

Ao longo de oito décadas, as faculdades de Farmácia e de Odontologia da UFG consolidaram-se como referências nacionais em ensino, pesquisa e extensão. Sua atuação tem sido decisiva não apenas na formação de milhares de profissionais qualificados, mas também na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e na promoção de políticas públicas voltadas à saúde coletiva, especialmente no Estado de Goiás. Segundo o deputado, o compromisso dessas instituições com a qualidade do ensino público e da produção científica contribui significativamente para o avanço da ciência e para o fortalecimento da atenção à saúde no Brasil.

A mesa diretiva terá representantes da comunidade acadêmica das duas faculdades: dirigentes, docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Confirmaram presença: a reitora da UFG, professora Angelita Pereira de Lima; o diretor da Faculdade de Farmácia, professor Luiz Carlos da Cunha; e o diretor da Faculdade de Odontologia, professor Gersinei Carlos de Freitas. Participarão também coordenadores de curso e representantes da pós-graduação, da Farmácia Universitária, e entidades estudantis.

Para Rubem, a celebração reforça a importância do papel social das universidades públicas, destacando a contribuição das faculdades de Farmácia e de Odontologia para o desenvolvimento educacional, científico e social de Goiás. O evento, segundo ele, será também uma oportunidade de resgatar a história, reconhecer os avanços e renovar o compromisso com a formação de profissionais comprometidos com a saúde pública e o bem-estar da população.

Autor Assembleia Legislativa do Estado de Goiás