11 de junho de 2026
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Texto provisório liberaria navegação no estreito de Ormuz e abriria negociação de 60 dias sobre programa nuclear iraniano

Estados Unidos e Irã chegaram nesta 5ª feira (28.mai.2026) a um acordo provisório sobre um memorando de entendimento para reduzir a tensão no estreito de Ormuz e abrir negociações sobre o programa nuclear iraniano. O texto, porém, ainda depende da aprovação do presidente Donald Trump (Partido Republicano) e não estava claro se tinha o aval do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.

O memorando incluiria a retirada de restrições à navegação no estreito de Ormuz, com liberação do tráfego de embarcações e suspensão de um bloqueio dos EUA. Também abriria um período de 60 dias de negociação sobre o programa nuclear iraniano, incluindo o destino do estoque de urânio altamente enriquecido mantido por Teerã.

Segundo a CNN, autoridades dos EUA disseram que a finalização do texto indica avanço diplomático, apesar dos ataques registrados nesta semana entre os 2 países. As mesmas fontes afirmaram, porém, que os temas mais difíceis ligados ao programa nuclear iraniano ainda precisariam ser discutidos durante esse período de negociação.

A agência semioficial iraniana Tasnim afirmou, segundo a Al Jazeera, que o texto ainda não havia sido finalizado nem tornado definitivo. A Tasnim citou fontes próximas à equipe negociadora iraniana. Elas disseram que Teerã ainda não informou ao mediador paquistanês que o acordo estaria concluído.

Na 5ª feira (28.mai), o vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse à BBC que os 2 países estavam “muito próximos” de um acordo, mas “ainda não chegaram lá”. A declaração foi dada enquanto a Casa Branca tentava avançar com uma saída negociada para o conflito.

Trump disse na 4ª feira (27.mai) que ainda não estava satisfeito com o estado das negociações. A Reuters informou que o presidente rejeitou um relato da TV estatal iraniana sobre um rascunho de entendimento envolvendo o estreito de Ormuz. Depois disso, os 2 países trocaram ataques aéreos, segundo a agência.

A CNN afirmou que Trump tem pedido avaliações sobre o texto para garantir que o acordo seja apresentado como mais forte do que o pacto nuclear de 2015, firmado no governo Barack Obama e abandonado por Trump em seu 1º mandato.

A situação na região ainda era instável nesta 6ª feira (29.mai). Segundo a CNN, qualquer avanço nas conversas pode ser revertido caso Trump decida não aprovar o memorando.


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Autor Poder360 ·


Primeiro prazo de pagamento venceu em 30 de abril sem repasses às empresas habilitadas

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) disse que ainda depende da formalização de um acordo de cooperação com a Receita Federal para liberar pagamentos do programa de subvenção ao diesel. O 1º prazo para ressarcimento às empresas habilitadas, referente às vendas realizadas em março, venceu em 30 de abril sem repasses. 

Segundo a agência, já está em andamento a elaboração de um Acordo de Cooperação entre a Receita Federal e a agência reguladora para que o pagamento seja viabilizado. 

O programa de subvenção ao diesel foi criado pelo governo federal para tentar conter os impactos da alta internacional do petróleo após a escalada do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos.

A medida determina o pagamento de R$ 1,52 por litro de diesel importado e R$ 1,12 por litro de diesel nacional a produtores e importadores que aceitarem vender o combustível abaixo de um preço-teto definido pela ANP.

A adesão ao programa, porém, foi limitada desde o lançamento. Petrobras, Refinaria de Mataripe e Vibra aderiram à política, enquanto distribuidoras como Ipiranga e Raízen permaneceram de fora. 

Na semana passada, a ANP aprovou mudanças na metodologia de cálculo do programa para ampliar a atratividade da subvenção entre produtores e importadores. A agência elevou em R$ 0,28 por litro o preço-teto do diesel importado no 5º período do programa, após reclamações de agentes do setor de que os valores anteriores inviabilizavam economicamente a adesão.

A revisão buscou adequar o mecanismo às oscilações recentes do mercado internacional de petróleo e derivados.

A mudança ocorreu durante a baixa adesão ao programa e às críticas de distribuidoras sobre o risco financeiro da política. Empresas do setor afirmam que o intervalo entre a venda do combustível e o ressarcimento do governo pressiona o fluxo de caixa, especialmente diante da volatilidade dos preços internacionais. 

Também há dúvidas sobre a capacidade de garantir o repasse dos descontos ao consumidor final, já que as distribuidoras alegam não controlar integralmente as margens praticadas pelos postos revendedores.



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O Itaú Unibanco informou na 4ª feira (15.abr.2026) que uma de suas subsidiárias “celebrou instrumento por meio do qual se comprometeu a adquirir” ativos do BRB (Banco de Brasília).

“Não obstante, os valores envolvidos na referida transação são imateriais para a Companhia, de acordo com os seus critérios, razão pela qual tal transação não se qualifica como ‘fato relevante’ para o Itaú Unibanco para fins da legislação”, diz o comunicado, assinado pelo diretor de Relações com Investidores do banco, Gustavo Lopes Rodrigues.

No comunicado (íntegra – PDF – 212 kB), o Itaú não informou valores ou deu detalhes do acordo.

O banco divulgou a nota em resposta a questionamento feito pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), acerca de notícia publicada pelo jornal Correio Braziliense.

Na reportagem, a publicação diz que o banqueiro André Esteves, do BTG, declarou em evento em São Paulo que estaria avaliando a aquisição de ativos do BRB e que Itaú Unibanco e o Bradesco “já negociaram com o BRB R$1 bilhão em carteiras de contratos de empréstimos concedidos pelos Estados e municípios com aval da União”.

Crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise depois da compra de carteiras do Banco Master, operação que resultou em forte deterioração patrimonial. Segundo o banco, será necessário provisionar (reservar) cerca de R$ 8,8 bilhões. No entanto, uma auditoria forense independente falou na necessidade de R$ 13 bilhões.

A própria instituição financeira informou que os ativos adquiridos do Master considerados saudáveis estão avaliados em R$ 21,9 bilhões.

No último dia 10, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou que um fundo de investimentos apresentou proposta de R$ 15 bilhões para adquirir parte dos ativos do Banco Master que foram incorporados pelo BRB.

Segundo o governo local, a operação ainda depende de aval técnico e regulatório do BC (Banco Central). Em nota, o governo do Distrito Federal declarou que a negociação não envolve uso de recursos públicos nem compromete o caixa do banco, mencionando que o processo “busca preservar os interesses do DF”.


Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil às 19h57 de 15 de abril de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.



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Texto regulamenta investigação e aplicação de medidas protetivas à indústria nacional em acordos com preferência tarifária

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta 4ª feira (4.mar.2026) o Decreto nº 12.866, que regulamenta a investigação e a aplicação de medidas de salvaguardas bilaterais em acordos de livre comércio. A norma estabelece regras para proteger a indústria doméstica contra surtos de importações com tarifas reduzidas. Eis a íntegra (PDF – 364 kb).

A medida foi editada antes da votação no Senado sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia. Entre os instrumentos disponíveis estão a suspensão do cronograma de desgravação tarifária, a redução de preferências, o estabelecimento de cotas e restrições quantitativas.

O decreto define competências da Camex (Câmara de Comércio Exterior) e do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento para aplicar ou suspender salvaguardas –provisórias ou definitivas.

Para abrir um processo, a indústria doméstica precisa comprovar que o aumento de importações com tarifas reduzidas causou ou ameaça causar prejuízo grave ao setor. A análise considera os últimos 36 meses de dados. 

As salvaguardas só poderão ser acionadas após investigação formal, conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial. A Camex terá a palavra final sobre aplicar, modular ou rejeitar as medidas recomendadas.

Se confirmado o dano, a Camex pode suspender o cronograma de desgravação tarifária, reduzir preferências, estabelecer cotas ou impor restrições quantitativas.

A publicação veio dias após a Câmara dos Deputados aprovar, em 25 de fevereiro, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O texto aguarda votação no Senado.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do acordo no Senado, criticou os gatilhos das salvaguardas previstas no tratado com a UE. Ela afirma que os limites são baixos demais e podem prejudicar exportações do agronegócio, especialmente de carne bovina.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) havia anunciado o envio da proposta à Casa Civil em 27 de fevereiro. Ele citou preocupações de setores industriais com possíveis surtos de importações após a abertura comercial.



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Semana também terá a divulgação do Caged de janeiro, do PIB do 4º trimestre e da balança comercial de fevereiro

O jornal digital Poder360 traz nesta 2ª feira (2.mar.2026) uma seleção dos assuntos que devem ser destaques na agenda do poder e da política nesta semana, que vai até 6 de março.

Nesta 2ª feira (2.mar), os mercados reagem ao ataque dos EUA e de Israel ao Irã, realizado no sábado (28.fev). Já a CPI do INSS ouve Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, presidente da Dataprev, e Aline Bárbara Mota, ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Na 3ª feira (3.mar), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir a estratégia eleitoral em São Paulo. 

No mesmo dia, o Ministério do Trabalho divulga os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de janeiro. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) traz o PIB (Produto Interno Bruto) do 4º trimestre e de 2025.

Na 4ª feira (4.mar), comissão especial vota o relatório da PEC da Segurança. Se aprovado, o texto vai ao plenário no mesmo dia. A proposta altera o trecho da Constituição Federal que trata de segurança pública. O texto propõe mudanças no funcionamento do Susp (Sistema Único de Segurança Pública), amplia a cooperação entre União, Estados e municípios, aumenta competências das forças policiais, restringe as possibilidades de progressão de pena e estabelece sanções proporcionais à posição ocupada por integrantes de facções criminosas.

A Comissão de Relações Exteriores do Senado vota na 4ª feira (4.mar) o PDL 21 de 2026, que aprova o texto do acordo de livre comércio assinado entre Mercosul e União Europeia. No Brasil, o acordo foi aprovado em 25 de fevereiro pela Câmara em votação simbólica, quando não há registro nominal de votos, e seguiu para o Senado. Uruguai e Argentina aprovaram o acordo em 26 de fevereiro.

Nesta 5ª feira (5.mar), o IBGE divulga a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de janeiro. Já o Ministério da Indústria traz a balança comercial de fevereiro.

Leia a agenda da semana:



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Vice-presidente afirma que governo seguirá com envio do tratado ao Congresso apesar da judicialização no Parlamento Europeu

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta 5ª feira (22.jan.2026) que o governo brasileiro vai acelerar a internalização do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, mesmo depois da decisão do Parlamento Europeu de judicializar o tratado —movimento que pode atrasar sua vigência por até 2 anos.

A declaração foi dada depois de reunião com o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Segundo Alckmin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encaminhar ao Congresso Nacional a proposta para que o acordo seja incorporado à legislação brasileira.

“Após 25 anos de trabalho, teve um percalço, mas vamos superá-lo. O presidente (Lula) deve encaminhar ao Congresso, à Câmara, a proposta para adesão, a internalização do acordo Mercosul-União Europeia”, afirmou.

O vice-presidente disse ainda que a tramitação rápida no Legislativo brasileiro pode contribuir para que a Comissão Europeia adote a vigência provisória do acordo, enquanto o caso é analisado judicialmente na Europa.

“Quanto mais rápido a gente agir, melhor. Isso ajudará, entendo que ajudará, na Comissão Europeia, para que haja uma vigência provisória enquanto há uma discussão na área judicial”, declarou.

Judicialização na Europa

Na 4ª feira (21.jan), o Parlamento Europeu aprovou o envio do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia para uma revisão jurídica. A medida suspende o processo de ratificação no Parlamento e pode atrasar a entrada em vigor do tratado em até 24 meses.

A judicialização foi defendida por eurodeputados que questionam a compatibilidade do texto com normas europeias, especialmente nas áreas ambiental e comercial. Com isso, o acordo não poderá ser votado pelo Parlamento Europeu até que o tribunal se manifeste.

Alckmin disse que o Brasil não tem controle sobre a decisão europeia, mas afirmou que o governo vai atuar para reduzir os impactos do atraso: “Isso não depende de nós. Se dependesse de nós, já estava tudo bem acelerado. Mas vamos contribuir para dar condições para que a Comissão Europeia possa agir de maneira mais rápida”.

Acordo histórico

Assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção, no Paraguai, o acordo Mercosul-UE cria a maior área de livre comércio do mundo entre blocos econômicos, reunindo cerca de 780 milhões de pessoas e aproximadamente um quarto do PIB global.

O tratado prevê a eliminação gradual de tarifas sobre a maior parte dos produtos comercializados entre os blocos, além de regras comuns em áreas como compras governamentais, propriedade intelectual, serviços e sustentabilidade.

Alckmin classificou o acordo como estratégico em um cenário de instabilidade internacional e avanço do protecionismo.

“É um grande exemplo de que, pelo diálogo e pelo entendimento, você pode abrir mercado, fortalecer o multilateralismo, estimular investimentos recíprocos e ter ganho na sustentabilidade”, afirmou.

Próximos passos

Para entrar em vigor, o acordo precisa ser aprovado pelos parlamentos dos países do Mercosul e, no lado europeu, pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos Estados-membros da UE.

No Brasil, o governo pretende iniciar a tramitação ainda em 2026. Alckmin lembrou que este é o terceiro acordo comercial firmado pelo Mercosul durante o atual governo, após os tratados com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA).

“O presidente Lula foi o grande promotor desse acordo. Ele lutou esse tempo todo, trabalhou muito”, afirmou o vice-presidente.



Autor Poder360 ·


O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano, segundo afirmou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (15). A declaração foi dada em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo Alckmin, o acordo, negociado há cerca de 25 anos, deverá ser assinado no sábado (17). Depois da assinatura, o texto segue para a etapa de aprovação no Parlamento Europeu e, no Brasil, para tramitação legislativa com objetivo de internalização do tratado. A expectativa apresentada pelo ministro é que o processo avance ainda no primeiro semestre, abrindo caminho para a vigência no segundo semestre.

Durante a entrevista, Alckmin classificou o pacto como o maior acordo entre blocos já costurado, envolvendo os países do Mercosul e os 27 integrantes da União Europeia. O ministro citou estimativas de que o tratado alcança um universo de 720 milhões de pessoas e um mercado de US$ 22 trilhões.

A composição atual do Mercosul inclui Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e a Bolívia. Do outro lado, a União Europeia reúne economias entre as mais ricas e reguladas do mundo. Na leitura do governo, a dimensão do acordo amplia o potencial de exportação do bloco sul-americano, ao mesmo tempo em que tende a aumentar o fluxo de importações europeias.

Alckmin destacou que o acordo prevê redução tarifária com regras, e que o comércio exterior impacta diretamente a geração de empregos. O ministro afirmou que há setores em que a exportação é condição de continuidade de operações, porque o mercado interno não absorve sozinho a escala necessária. Também defendeu que a sociedade poderia se beneficiar com maior oferta e preços mais competitivos, em especial se houver ganho logístico e queda de custos.

No campo político, o vice-presidente argumentou que o avanço do tratado ocorre em um momento de instabilidade internacional, com guerras e aumento do protecionismo. Para ele, a conclusão do acordo serviria como demonstração de que negociação e diálogo ainda sustentam o multilateralismo e permitem livre comércio regulado.

Perguntas que o acordo reabre no Brasil

A internalização do tratado, se confirmada no ritmo citado pelo ministro, deve recolocar no centro do debate pontos sensíveis: quais setores brasileiros ganham acesso real ao mercado europeu, quais enfrentarão competição mais dura, como ficam exigências ambientais e sanitárias, e se o país terá estrutura para cumprir padrões técnicos e rastreabilidade sem travar produção e exportação.

Também entra no radar a capacidade de pequenas e médias empresas se adequarem, já que, na prática, parte relevante do comércio com a União Europeia é filtrada por certificações, padronização e prazos rígidos. Sem política de transição e apoio técnico, o risco é o acordo favorecer apenas grandes grupos já integrados a cadeias internacionais.


Análise crítica editorial

O anúncio de Alckmin tem um mérito evidente: sinaliza previsibilidade e tenta reposicionar o Brasil em um tabuleiro que, nos últimos anos, ficou mais fechado e protecionista. Mas há um problema recorrente na forma como acordos desse porte são vendidos ao público: como se a assinatura fosse sinônimo automático de emprego, preço menor e prosperidade.

A realidade costuma ser menos confortável. O ganho não vem da abertura em si, e sim de como o país reage a ela. Se o Brasil entrar nesse acordo sem atacar gargalos estruturais, custo logístico, insegurança regulatória, baixa produtividade e dependência de exportação de commodities, a janela pode virar assimetria: exporta-se volume com baixo valor agregado e importa-se tecnologia e bens industriais com maior densidade econômica.

Outro ponto negligenciado é o risco reputacional e regulatório. A União Europeia não negocia apenas tarifa. Ela negocia padrões. Sustentabilidade, origem, rastreabilidade, conformidade sanitária e barreiras técnicas funcionam, muitas vezes, como alfândega invisível. Se o governo não traduzir essas exigências em preparação prática para empresas e cadeias produtivas, o acordo vira manchete, mas não vira embarque.

Em síntese: o tratado pode ser um salto ou pode ser só um discurso. A diferença estará na execução interna e na coragem política de transformar acesso a mercado em produtividade, indústria forte e exportação de maior valor, não em dependência renovada com embalagem nova.

Autor # Jornal Folha de Goiás


Líder brasileiro não compareceu na cerimônia de assinatura, mas enviou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em seu lugar

O presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), disse neste sábado (17.jan.2026) que sem o trabalho diplomático do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no período que esteve na presidência do Mercosul, o acordo com a UE (União Europeia) não teria “saído do papel”. 

“Não posso deixar de mencionar o nome de um grande e querido, hoje infelizmente ausente, que sem ele não teríamos chegado a este acordo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos fatores fundamentais no processo de negociação do acordo”, afirmou Peña durante cerimônia de assinatura do acordo no Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, no Paraguai, país que exerce a presidência rotativa do Mercosul. 

Lula não compareceu ao evento e foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na 6ª feira (16.jan), Lula se encontrou no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também participaria, mas teve seu voo de Bruxelas para a capital carioca cancelado.

Assista à cerimônia de assinatura do acordo:

Além do presidente paraguaio Santiago Peña, participam do encontro:

  • Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores;
  • Santiago Peña (Partido Colorado, direita), presidente do Paraguai;
  • Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), presidente da Argentina;
  • Yamandú Orsi (Frente Ampla, esquerda), presidente do Uruguai;
  • Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro), presidente da Bolívia;
  • José Raúl Mulino (Realizando Metas, direita), presidente do Panamá;
  • Ursula von der Leyen (CDU, centro-direita), presidente da Comissão Europeia;
  • António Costa (Partido Socialista, centro-esquerda), presidente do Conselho Europeu.

O ACORDO

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia é um tratado de livre comércio que abrange cerca de 780 milhões de consumidores e representando aproximadamente 25% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial. Negociado por mais de 25 anos, o tratado busca reduzir progressivamente tarifas de importação, aumentando o comércio entre os blocos e criando oportunidades para produtos industriais europeus e produtos agropecuários sul-americanos. 

Além disso, o texto inclui regras sobre compras governamentais, serviços, propriedade intelectual, mecanismos de solução de controvérsias e compromissos ambientais relacionados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.

O presidente Lula não foi à cerimônia, mas comemorou a assinatura do acordo, chamando o evento como uma “vitória do multilateralismo”. Em sua página no X, ele afirmou que o tratado representa um marco histórico de fortalecimento do diálogo entre os blocos, capaz de gerar emprego, renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico.

A assinatura do tratado não é a etapa final do acordo, mas é um passo formal importante. Para que o acordo entre oficialmente em vigor, ele precisa passar pela aprovação dos parlamentos de todos os países envolvidos, tanto no Mercosul quanto na União Europeia. Essa etapa é fundamental para transformar o compromisso assinado em regras efetivas de comércio.

No lado sul-americano, o tratado precisará passar pelos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa etapa é necessária porque o acordo estabelece obrigações legais dentro de cada país do bloco, incluindo redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e diversos compromissos regulatórios.

Durante os processos de ratificação, existe a possibilidade de aplicação provisória de certas partes do acordo, principalmente aquelas relacionadas à redução de tarifas. Isso permitiria antecipar benefícios econômicos antes da ratificação completa por todas as partes envolvidas. 

O acordo comercial entre os blocos só entrará plenamente em vigor depois da conclusão de todas as aprovações internas necessárias, tanto na União Europeia quanto nos países do Mercosul.


Entenda mais sobre o acordo no Poder360:


PRÓXIMOS PASSOS

Depois de assinado, o processo exigirá análise pelo Parlamento Europeu. Determinadas partes do acordo também poderão necessitar de aprovação pelos parlamentos nacionais de cada país-membro da UE, dependendo da interpretação jurídica adotada –o que pode provocar divergências entre a decisão continental e decisões nacionais.

No lado sul-americano, o tratado precisará passar pelos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Essa etapa é necessária porque o acordo estabelece obrigações legais dentro de cada país do bloco, incluindo redução de tarifas, mudanças nas regras comerciais e diversos compromissos regulatórios.

Durante os processos de ratificação, existe a possibilidade de aplicação provisória de certas partes do acordo, principalmente aquelas relacionadas à redução de tarifas. Isso permitiria antecipar benefícios econômicos antes da ratificação completa por todas as partes envolvidas.

O acordo comercial entre os blocos só entrará plenamente em vigor depois da conclusão de todas as aprovações internas necessárias, tanto na União Europeia quanto nos países do Mercosul.

UE E MERCOSUL

A UE  é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. O acordo criaria uma área de livre comércio com mais de 700 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22 trilhões.

O Brasil exportou US$ 49,8 bilhões à União Europeia em 2025, uma alta de 3,2% em relação a 2024. As importações somaram US$ 50,3 bilhões no ano passado, com crescimento de 6,4% em 1 ano.

A corrente comercial –soma das exportações e importações– superou US$ 100 bilhões pela 1ª vez na série histórica, iniciada em 1997. O volume subiu 4,8% em relação ao ano passado.

Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concluído no início de 2024, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões –cerca de R$ 50 bilhões na cotação atual. Eis a íntegra (PDF – 3 MB).

PRINCIPAIS PONTOS DO ACORDO

1. Eliminação de tarifas alfandegárias

  • Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;
  • Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;
  • União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

2. Ganhos imediatos para a indústria

  • Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

Setores beneficiados:

  • máquinas e equipamentos;
  • automóveis e autopeças;
  • produtos químicos;
  • aeronaves e equipamentos de transporte.

3. Acesso ampliado ao mercado europeu

  • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;
  • UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;
  • comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

  • produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;
  • acima dessas cotas, é cobrada tarifa;
  • cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;
  • mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;
  • na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;
  • no mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

5. Salvaguardas agrícolas

UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

  • importações crescerem acima de limites definidos;
  • preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;
  • medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

6. Compromissos ambientais obrigatórios

  • produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;
  • cláusulas ambientais são vinculantes;
  • possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

7. Regras sanitárias continuam rigorosas

  • UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários;
  • produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

8. Comércio de serviços e investimentos

Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

Avanços em setores como:

  • serviços financeiros;
  • telecomunicações;
  • transporte;
  • serviços empresariais.

9. Compras públicas

  • empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;
  • regras mais transparentes e previsíveis.

10. Proteção à propriedade intelectual

  • reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;
  • regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

11. PMEs (Pequenas e médias empresas)

  • capítulo específico para PMEs;
  • medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;
  • redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.



Autor Poder360 ·


Pesquisa do Ipea indica crescimento de 0,46% na economia até 2040; crescimento proporcional é superior ao dos outros países

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem potencial para aumentar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 0,46% até 2040, o equivalente a US$ 9,3 bilhões –cerca de R$ 50 bilhões na cotação atual. O dado é de um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concluído no início de 2024. Eis a íntegra (PDF – 3 MB). 

O Brasil aparece como principal beneficiário econômico do tratado entre os países analisados. O crescimento proporcional da economia brasileira (0,46%) superaria tanto o dos demais países do Mercosul (0,2%) quanto o da União Europeia (0,06%) no mesmo período.

O estudo do Ipea estabelece comparações entre cenários econômicos com e sem a implementação do acordo comercial. Na área de investimentos, o Brasil registraria aumento de 1,49% em comparação ao cenário sem acordo, vantagem superior à dos demais integrantes do Mercosul (0,41%) e da UE (0,12%).

Na balança comercial, o ganho brasileiro chegaria a US$ 302,6 milhões. Os demais países do Mercosul teriam US$ 169,2 milhões, enquanto a União Europeia registraria queda de US$ 3,44 bilhões, conforme o estudo.

O setor agropecuário do Mercosul seria especialmente beneficiado com a implementação do acordo. As tarifas de importação seriam eliminadas para 77% dos produtos enviados à UE, favorecendo principalmente carnes suína e de frango, pecuária bovina, frutas e vegetais.

O levantamento do Ipea indica que alguns setores brasileiros poderiam sofrer impactos negativos, entre eles os de equipamentos elétricos, máquinas, produtos farmacêuticos, têxteis e produtos metalúrgicos.

ENTENDA

As negociações que levaram a esse pacto comercial remontam a junho de 1999, quando ocorreu a 1ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da América Latina, do Caribe e da União Europeia, no Rio de Janeiro. Segundo o Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), essa cúpula foi responsável por impulsionar os esforços entre o Mercosul e a UE para elaborar um tratado bilateral com o objetivo de promover uma integração maior entre os 2 blocos.

O pacto busca reduzir tarifas alfandegárias e facilitar o comércio de bens e serviços, além de incluir compromissos em propriedade intelectual, compras públicas e sustentabilidade ambiental.

Nesta 6ª feira (9.jan), a maioria dos Estados-membros da União Europeia aprovou o acordo comercial. França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria expressaram oposição, enquanto a Bélgica se absteve. Os votos foram confirmados por escrito, segundo a ReutersAs capitais da União Europeia tinham até as 17h (horário de Bruxelas, na Bélgica –13h em Brasília), para apresentar quaisquer objeções.

Para a aprovação, a Comissão Europeia precisava do apoio de pelo menos 15 dos 27 países integrantes, que representassem pelo menos 65% da população. A iniciativa teve apoio de países importantes do bloco europeu, como Alemanha e Espanha.

Na 5ª feira (8.jan), o presidente Emmanuel Macron (Renascimento, centro) já havia anunciado que a França votaria contra. Disse que os benefícios do acordo seriam “limitados para o crescimento francês e europeu” e que não justificavam “expor” setores agrícolas importantes para o país. 

A Irlanda também já havia sinalizado oposição ao tratado. O vice-primeiro-ministro Simon Harris (Fine Gael, centro-direita) disse que as medidas adicionais propostas pela UE “não são suficientes para ​satisfazer” seus cidadãos. 

Próximos passos

O texto segue agora para o Parlamento Europeu. Se houver o aval, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deverá viajar ao Paraguai para assinar o documento com o bloco sul-americano na 2ª feira (12.jan).

O Paraguai assumiu a presidência rotativa do Mercosul, que estava com o Brasil até 20 de dezembro de 2025.



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Comissão Europeia tenta reunir apoio da maioria dos 27 integrantes para a assinatura do documento na 2ª feira (12.jan)

O Conselho Europeu analisa nesta 6ª feira (9.jan.2026), em Bruxelas (Bélgica), a assinatura do acordo UE-Mercosul. A expectativa é que a Comissão Europeia consiga reunir o apoio da maioria dos 27 integrantes do bloco. A seguir, o texto vai para aprovação no Parlamento Europeu.

Se houver o aval, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, deverá viajar ao Paraguai para assinar o documento com o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) na 2ª feira (12.jan). Os paraguaios estão na presidência rotativa do bloco sul-americano.

Na 5ª feira (8.jan), o presidente Emmanuel Macron (Renascimento, centro) anunciou que a França votará contra. Disse que os benefícios do acordo seriam “limitados para o crescimento francês e europeu” e que não justificavam “expor” setores agrícolas importantes para o país.

A Irlanda também se opõe ao tratado. O vice-primeiro-ministro Simon Harris (Fine Gael, centro-direita) disse que as medidas adicionais propostas pela UE “não são suficientes para ​satisfazer” seus cidadãos. Além de França e Irlanda, Hungria e Polônia também se colocaram contra o acordo. A oposição, no entanto, não deve ser suficiente para impedir que o acordo avance.

Já a Itália, que havia barrado a assinatura em dezembro de 2025, sinalizou nesta semana ter mudado de posição e deve votar a favor, impondo limite a importações. O governo italiano trabalha para modificar o mecanismo de proteção estabelecido no acordo.

Para aprovar o acordo, a Comissão Europeia precisa do apoio de pelo menos 15 dos 27 países integrantes, que representem pelo menos 65% da população. A iniciativa é apoiada por potências como Alemanha e Espanha. Com 59 milhões de habitantes, a Itália é considerada parte fundamental da votação.


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