
Família do manifestante iraniano condenado à morte por protestos foi informada de que a execução havia sido adiada
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na 4ª feira (14.jan.2026) à Fox News que não haverá execuções de manifestantes “nem hoje, nem amanhã”. Ele declarou: “Posso dizer, estou confiante de que não há plano para enforcamentos”.
A fala do chanceler se deu depois que a família de Erfan Soltani, manifestante iraniano condenado à morte pelos atuais protestos, foi informada de que a execução havia sido adiada. O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou ter recebido de fonte confiável a informação de que o Irã havia desistido de executar Soltani e outros manifestantes presos.
Soltani, um funcionário de 26 anos de uma loja de roupas, foi preso em Karaj, cidade a noroeste de Teerã em 8 de janeiro, por participar de manifestações críticas ao governo. Sua execução estava programada para 4ª feira (14.jan), segundo grupos de direitos humanos.
À Fox News, Araghchi apresentou a versão oficial do governo sobre os recentes acontecimentos no território iraniano. Segundo ele, os protestos foram realizados em duas fases distintas: 1º houve manifestações pacíficas relacionadas às dificuldades econômicas, que duraram 10 dias; depois, houve um período de 3 dias de violência que, conforme o ministro, foi orquestrado por Israel.
Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 18.000 pessoas foram presas e pelo menos 2.571 mortas nas últimas duas semanas. Fontes locais falam em 12.000 mortos. Já a Hrana (Human Rights Activist News Agency) informa que o número de manifestantes mortos é de 2.615.
Questionado sobre as mortes pela repressão, Araghchi afirmou que infiltrados israelenses mataram manifestantes para inflar os números e forçar os Estados Unidos a intervir no território.
Trump declarou que “se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é de seu costume, os EUA virão em socorro”. O presidente norte-americano afirmou que o país está “com as armas carregadas e pronto para agir”.
PROTESTOS NO IRÃ
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana, agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
- Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
Araghchi afirmou que a situação já foi normalizada no país.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):
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