Mauro Vieira afirma que medidas carecem de justificativa comercial e critica exigências feitas durante negociações
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta 5ª feira (16.jul.2026) que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil tem motivação política, e não comercial. Disse que o governo brasileiro manteve negociações com autoridades norte-americanas antes da adoção das sobretaxas e classificou como “inaceitáveis” as declarações recentes do secretário de Estado, Marco Rubio.
O chanceler falou por menos de 5 minutos no Palácio Itamaraty. A declaração foi acompanhada por negociadores de alto nível dos 2 países, entre eles o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, Maurício Lyrio, e o embaixador dos EUA para Assuntos Econômicos, Phillip Fox Gough.
Vieira afirmou que as investigações conduzidas pelos Estados Unidos com base na Seção 301 são “procedimentos unilaterais” e disse não haver justificativa para impor tarifas aos produtos brasileiros.
Segundo o ministro, desde março de 2025 o governo realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone em níveis presidencial, ministerial e técnico. Disse que houve 11 contatos com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, incluindo encontros entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
Ao relembrar o início da disputa comercial, Vieira afirmou que a tarifa de 50% anunciada por Trump em julho de 2025 teve motivação política. Disse que a carta enviada pelo presidente norte-americano a Lula vinculava a sobretaxa ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e determinava a abertura da investigação com base na Seção 301.
O chanceler também criticou declarações publicadas por Rubio nas redes sociais. Segundo ele, o secretário de Estado fez ataques “grosseiros e arrogantes” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”, declarou o secretário de Estado. “Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, completou. Depois do anúncio do tarifaço, Rubio responsabilizou diretamente o governo Lula pela aplicação das tarifas.
Vieira afirmou que, durante as negociações, os Estados Unidos fizeram exigências consideradas inaceitáveis pelo governo brasileiro, como a abertura irrestrita de setores da economia sem oferecer contrapartidas aos produtos nacionais. “Exigiam a capitulação”, declarou.
O ministro disse ainda que, apesar da motivação política das medidas, o Brasil participou das negociações desde a abertura da investigação, em julho de 2025, e apresentou defesas formais ao governo norte-americano.
Também rejeitou as justificativas apresentadas por Washington para a investigação. Classificou como “descabidas” as acusações sobre o Pix e afirmou que as alegações relacionadas ao desmatamento “não têm lastro na realidade”. Segundo ele, nenhuma das acusações usadas para embasar as tarifas tem fundamento.
INVESTIGAÇÃO COMERCIAL
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, depois de o USTR concluir a investigação com base na Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta ao que considera práticas comerciais injustas.
O documento do USTR lista como alvos da investigação temas como Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Uma das conclusões aponta que o Brasil adota políticas públicas que favorecem o Pix e colocam empresas norte-americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”.
Em 6 e 7 de julho, o USTR realizou audiência pública antes da decisão final sobre a proposta de impor tarifa de 25%. O governo Lula decidiu não enviar representantes para discursar. Participaram apenas integrantes da Embaixada do Brasil em Washington, na condição de observadores.
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), participou do 2º dia da audiência. O depoimento, no entanto, pouco contribuiu para mudar a decisão de Donald Trump (Partido Republicano).
Equipes técnicas dos 2 governos realizaram diversas reuniões do grupo de trabalho criado para conduzir as negociações. Também houve 5 reuniões de alto nível com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. A mais recente foi realizada na 3ª feira (14.jul), 2 dias antes do anúncio do novo tarifaço.
O Planalto considera as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação.
Em 13 de julho, Lula disse que não haveria novo tarifaço. Não explicou o motivo da avaliação.
1º TARIFAÇO
As primeiras tarifas dos EUA foram impostas em 2 de abril de 2025. Trump estabeleceu tarifas recíprocas com base inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 nações e territórios foram afetados pela medida, que, segundo o governo norte-americano, buscava reduzir o déficit comercial do país.
À época, Trump afirmou que a taxação seria necessária porque “cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas”.
Em 15 de novembro, Washington formalizou a redução de tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos. O decreto assinado por Trump cancelou a tarifa recíproca de 10% imposta inicialmente em abril, mas manteve uma taxa adicional de 40%, decretada em agosto.
Em 20 de novembro, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como carne, café e frutas. Essa foi a última medida adotada em 2025 em relação ao Brasil.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu —por 6 votos a 3— que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou decreto para impor tarifa global de 10% a todos os países.
Leia mais:
Saiba quais produtos brasileiros serão afetados pelo novo tarifaço dos EUA
Lidiane 16 de julho de 2026
Medida estabelece sobretaxa de 25% a partir de 22 de julho; café, carne bovina e petróleo ficaram fora da lista
Os Estados Unidos divulgaram na 4ª feira (15.jul.2026) os produtos brasileiros que ficarão sujeitos à tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump (Partido Republicano). A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, entra em vigor em 22 de julho e faz parte de uma investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA. Eis a íntegra do comunicado, em inglês (PDF – 1,2 MB).
O tarifaço provocou reação do governo brasileiro. O Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre os 2 países e afirmou que adotará medidas com base na Lei de Reciprocidade, além de recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio). Eis a íntegra do comunicado (PDF – 167 KB)
Segundo o governo norte-americano, a investigação levou em consideração temas como o Pix, a regulação de plataformas digitais, políticas ambientais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e barreiras comerciais. O governo brasileiro contestou as acusações e afirmou que apresentou argumentos ao USTR para rebater as alegações.
Principais produtos brasileiros afetados pelo tarifaço:
- Etanol;
- Calçados;
- Vestuário;
- Açúcar orgânico;
- Papel;
- Máquinas agrícolas;
- Equipamentos de mineração;
- Ferramentas de jardinagem;
- Maquinário elétrico;
- Bens de capital;
- Produtos químicos diversos;
- Itens industriais processados;
- Manufaturados em geral.
A lista divulgada pelos EUA estabelece exceções para alguns produtos brasileiros. Entre os itens que não terão a cobrança adicional estão carne bovina, café, laranjas e sucos de laranja, petróleo bruto, gás natural, produtos farmacêuticos e aeronaves civis. Por outro lado, produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados e itens industriais ficarão sujeitos à tarifa adicional de 25%.
Principais produtos brasileiros isentos da tarifa de 25%:
- Carne bovina;
- Café;
- Petróleo bruto e gás natural;
- Laranjas e sucos de laranja;
- Peixes e crustáceos;
- Castanhas;
- Mel orgânico;
- Celulose de madeira;
- Pastas químicas de madeira;
- Determinados produtos de madeira tropical;
- Alguns minérios;
- Ferro-gusa;
- Produtos metálicos considerados estratégicos para cadeias produtivas norte-americanas;
- Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais;
- Helicópteros;
- Motores aeronáuticos e componentes do setor aeronáutico;
- Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico;
- Semicondutores e máquinas para fabricação.
A tarifa não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos Estados Unidos antes da entrada em vigor da medida. O governo norte-americano afirmou que poderá revisar a lista de produtos afetados conforme o andamento das negociações com o Brasil.
Lula diz que vai ao G7 cobrar Trump por taxa de 12,5%; China, Suíça e Índia contestam alegação de trabalho forçado dos EUA
Governos de diversas partes do mundo declararam com críticas nesta 4ª feira (3.jun.2026) contra o novo plano de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). A medida norte-americana estabelece sobretaxas de até 12,5% sobre 60 parceiros comerciais sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
A ofensiva protecionista do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) atinge economias como Brasil, China, Índia e União Europeia. O anúncio foi feito depois de a Suprema Corte dos EUA anular tarifas anteriores em fevereiro, fazendo com que a Casa Branca utilizasse investigações da Seção 301 para restabelecer os impostos de importação. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, subiu o tom e chamou a inação dos parceiros de “inaceitável”.
As novas tarifas ainda não estão em vigor e dependem da conclusão do processo. Antes de uma eventual aplicação das medidas, o governo norte-americano fará uma audiência pública no dia 6 de julho para ouvir representantes de empresas e organizações dos dois países. A decisão final deve ser tomada até 15 de julho, prazo considerado pelo governo brasileiro como a janela para tentar negociar e evitar a adoção das sobretaxas.
NO BRASIL LULA DIZ QUE VAI AO G7 CONFRONTAR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em tom forte que não aceitará a inclusão do Brasil na lista de sobretaxas de 12,5%. Em reunião com ministros no Palácio do Planalto, Lula falou sobre a postura do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e afirmou que mudou de ideia e usará a cúpula do G7 na França, na segunda quinzena de junho, para cobrar explicações diretamente de Donald Trump.
O chefe do Executivo brasileiro sinalizou ainda que o país buscará novos parceiros comerciais caso os norte-americanos se recusem a dialogar. O Brasil também enfrenta o desgaste de outra proposta recente do USTR, apresentada na 2ª feira (1º.jun.2026), que é de uma tarifa de 25% sobre produtos nacionais ligada a disputas de comércio digital.
PEQUIM ALERTA PARA RISCO EM TRÉGUA
O governo chinês negou as acusações de conivência com o trabalho forçado e criticou a postura de Washington. A reação de Pequim destaca que o novo tarifaço põe em risco a estabilidade da trégua comercial firmada em maio de 2026 entre Trump e o presidente Xi Jinping, quando ambos haviam concordado em criar conselhos bilaterais de investimento.
O país asiático também lida com o impacto de uma segunda investigação dos EUA, que deve ser concluída em breve, focada no acúmulo de excesso de capacidade industrial em 16 mercados estratégicos.
SUÍÇA REJEITA INVESTIGAÇÃO
O Ministério da Economia da Suíça emitiu um duro posicionamento rejeitando as conclusões do relatório norte-americano. Berna argumentou que suas práticas comerciais são legítimas e não causam prejuízos aos fabricantes dos EUA.
No entanto, o governo suíço optou por uma estratégia de contenção de danos e confirmou que manterá as negociações bilaterais em andamento. O objetivo do país europeu é tentar selar um acordo comercial amplo de longo prazo, independentemente das oscilações políticas em Washington.
ÍNDIA BUSCA ACORDO COM OS EUA
A Índia adotou um tom moderado diante do anúncio de Washington. O Ministério do Comércio e Indústria Nova Déli informou que mantém os canais de diálogo abertos com a equipe de Trump.
A estratégia do país é contestar os termos da taxação diretamente nos procedimentos técnicos da Seção 301. Nova Déli assegurou que as tratativas para a consolidação de uma estrutura comercial bilateral, iniciadas em fevereiro de 2026, avançam normalmente apesar do ruído diplomático.
JAPÃO TENTA EVITAR ESCALADA
O governo japonês sinalizou que priorizará a busca por uma saída negociada diretamente com a Casa Branca. A reação de Tóquio foca em evitar prejuízos severos às suas exportações industriais e conter o impacto da instabilidade no comércio global. O país tenta usar a via diplomática para obter flexibilizações antes que a proposta entre em vigor.
ENTENDA AS TARIFAS QUE GERARAM OS PROTESTOS
As declarações internacionais foram motivadas pelo plano do USTR de dividir as punições em duas faixas aduaneiras. Um grupo de 14 economias, que inclui Argentina, Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, receberá uma tarifa de 10%. Já o segundo bloco, composto por 45 nações incluindo o Brasil, a China e a Índia, será taxado em 12,5%.
O governo dos EUA abriu prazo para comentários públicos sobre a proposta até 6 de julho de 2026 e marcou uma audiência pública para o dia seguinte. Para diminuir o impacto na inflação interna dos EUA, a gestão Trump poupou do tarifaço itens considerados essenciais, como energia, terras-raras, carnes, café, produtos farmacêuticos e peças de aeronaves, além de prever cotas flexíveis para o setor têxtil.
CNI, Fiesp e FecomercioSP veem pacote como positivo; Fiemg diz que medidas são “paliativas” e não enfrentam problema estrutural
A CNI (Confederação Nacional da Indústria), a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado) elogiaram nesta 4ª feira (13.ago.2025) a iniciativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de lançar um pacote de ajuda a empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos.
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) classificou a medida como “paliativa”.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que o pacote do governo brasileiro contempla “muitas das demandas feitas pelas indústrias, federações e associações setoriais” e priorizam a negociação.
Para ele, o plano representa abertura de mercado e é resultado de um esforço para manter o diálogo e buscar soluções. “Temos que exacerbar o máximo possível novos acordos bilaterais e do Mercosul, principalmente com a União Europeia”, afirmou.
Alban destacou pontos como linha de crédito especial, prorrogação de prazos de exportação e reativação do Reintegra.
A Fiesp declarou apoio ao plano, destacando que as medidas são importantes para preservar empregos, diversificar mercados e assegurar condições justas de comércio internacional.
A entidade afirmou ainda que há continuidade do diálogo com empresas norte-americanas para minimizar efeitos das tarifas em ambos os países e fortalecer relações comerciais históricas.
A FecomercioSP afirmou que as medidas eram necessárias “diante da gravidade da situação” e terão efeitos significativos para setores mais atingidos, sobretudo produtos industrializados.
No entanto, disse que é preciso evitar “aumentar ainda mais a tensão diplomática com a Casa Branca” e defendeu que “o momento é de negociar com responsabilidade e moderação”.
Ao classificar as ações como “paliativas”, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, disse que as medidas “podem dar algum fôlego às empresas, mas não resolvem a raiz do problema”.
Ele defendeu negociações firmes com os EUA para reverter as tarifas e declarou que, “se não houver rapidez na implementação e clareza nas regras, o risco é que os recursos e incentivos fiquem no papel”.
O pacote do governo federal estabelece a liberação de R$ 30 bilhões do FGE (Fundo de Garantia à Exportação), administrado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Na área fiscal, o governo avalia usar recursos do Tesouro Nacional para realizar compras públicas de produtos impactados pelas tarifas americanas.
O pacote inclui ainda o adiamento temporário da cobrança de impostos e contribuições federais para as empresas afetadas.
Minério brasileiro tem como principal destino os EUA; instituto conversa com o governo em busca de solução
O vanádio é hoje a principal preocupação do setor mineral brasileiro diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, que entram em vigor na 4ª feira (6.ago).
O alerta foi feito pelo diretor de Assuntos Minerários do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), Julio Nery, em coletiva à imprensa nesta terça (5.ago). Segundo ele, o instituto articula com o governo federal para negociar uma saída.
“É um caso que preocupa e vamos trabalhar com os ministérios de Comércio e das Minas para negociar”, afirmou.
O insumo é um dos minerais críticos que ganham relevância global na transição energética e representa 1% das exportações brasileiras para o país.
A canadense Largo é a única empresa que extrai vanádio nas Américas, com uma mina localizada na Bahia. Segundo o Ibram, cerca de 60% da produção da Largo é exportada para os Estados Unidos.
Além do vanádio, outros produtos afetados pelas tarifas, segundo o Ibram, incluem:
- Alumínio (0,3% das exportações para os EUA);
- Caulim (1,2% das exportações para os EUA);
- Pedras naturais e rochas ornamentais (19,4%).
Por outro lado, itens como ferro (25,7%), nióbio (10,6%) e ouro semi-manufaturado (12,2%) não serão impactados, segundo o instituto.
Diante da tensão comercial, o presidente do instituto, Raul Jungmann, disse que o setor mantém diálogo com o governo brasileiro. Sobre uma missão do setor aos Estados Unidos, afirmou que não há definição.
Mas disse que há contato com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), responsável pela articulação. “Não queremos fazer um movimento isolado, de setor privado para setor privado”, afirmou.
Jungmann também comentou sobre a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da soberania sobre os minerais críticos.
Disse que o presidente está correto e que a fala do ministro Fernando Haddad, que defendeu acordos bilaterais com os EUA, não se opõe ao posicionamento do chefe do Executivo. “Talvez poderiam estar pensando em coisas diferentes”, ponderou.
Lula afirmou que o Brasil não abrirá mão da soberania sobre seus minerais críticos, e Haddad defendeu a construção de acordos bilaterais com os EUA para tratar do tema.
Hoje, os 5 minerais críticos com maior destaque na produção brasileira são:
- Nióbio: 1º em produção, 1º em reservas;
- Alumínio: 4º em produção, 4º em reservas;
- Grafita: 4º em produção, 2º em reservas;
- Vanádio: 4º em produção, 5º em reservas;
- Lítio: 5º em produção, 7º em reservas.
O Ibram também declarou apoio ao (Projeto de Lei) 2.780 de 2024, que trata das terras raras.
Jungmann afirma que o texto apresentado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) tem boas chances de ser aprovado antes da COP30, marcada para novembro em Belém. A proposta está sob análise do setor e, segundo ele, é considerada estratégica.
Senador diz que Brasil não tem condições de exigir nada e não deveria resistir após Trump anunciar tarifa de 50%
Ao comentar a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de taxar em 50% os produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu que a situação deve ser encarada como “uma negociação de guerra”. Flávio afirmou que o Brasil não está em “condições normais” de exigir nada do governo Trump.
Em entrevista à CNN Brasil, Flávio afirmou que “essa situação tem que ser encarada como uma negociação de guerra, sim, onde nós não estamos em condições normais”. Segundo ele, “nós não estamos em condições de exigir nada por parte do governo Trump. Ele vai fazer o que ele quiser independente da nossa vontade”.
O senador comparou o tarifaço às bombas atômicas lançadas na 2ª Guerra Mundial e afirmou que a resposta do Brasil deve ser estratégica. “Cabe a nós a responsabilidade de evitar que duas bombas atômicas caiam aqui no Brasil para, só depois, anunciarmos uma anistia”.
De acordo com Flávio, a resistência do Brasil em resolver a situação pode trazer consequências severas. “A consequência vai ser o aumento de taxas, imposição de sanções a alguns CPFs aqui no Brasil. Isso já vem sendo anunciado por algumas autoridades do governo americano na chamada Lei Magnitsky. É algo muito grave”, declarou.
Parte das tarifas anunciadas pelo republicano em 2 de abril entrou em vigor nesta 4ª feira (9.abr); desencadearam uma guerra comercial global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano) disse na 3ª feira (8.abr.2025) que líderes mundiais estão “puxando seu saco” para negociar as tarifas impostas pela Casa Branca. As novas taxas entraram em vigor nesta 4ª feira (9.abr).
A declaração de Trump foi feita durante seu discurso em um jantar do Comitê Nacional Republicano do Congresso. O republicano usou a expressão “kissing my ass”, cuja tradução literal é “beijando o meu traseiro”. Ela pode ser traduzida para o português como bajular ou puxar o saco.
Parte das tarifas anunciadas por Trump em 2 de abril entrou em vigor nesta 4ª feira (9.abr). Elas desencadearam uma guerra comercial global, com países planejando medidas retaliatórias e buscando negociar com os EUA.
“Estou te falando, esses países estão nos ligando, puxando o meu saco. Eles estão doidos para fazer um acordo. ‘Por favor, por favor, senhor, me deixe fazer um acordo. Eu faço qualquer coisa, senhor’”, disse Trump.
Assista:
O principal país atingido pelo tarifaço de Trump foi a China. A nação já havia sido taxada em 20%. Em 2 de abril, o presidente norte-americano anunciou novas tarifas de 34%, fazendo com que os produtos chineses fossem taxados em 54%, no total.
Na 6ª feira (4.abr), o governo chinês anunciou que iria impor tarifas de 34% sobre os produtos norte-americanos. Trump deu um prazo para que a China desistisse de retaliar os EUA. Pequim manteve o posicionamento.
Em resposta, a Casa Branca comunicou que aplicará tarifas ainda maiores, de 104%, ao país asiático a partir desta 4ª feira (9.abr).
Leia mais:
Relatório da XP disse que saldo do Brasil foi “positivo” nas tarifas de Trump contra parceiros comerciais
O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), abriu esta 5ª feira (3.abr.2025) em queda de 0,17%, aos 130.961,99 pontos depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), anunciar tarifas comerciais contra parceiros comerciais.
O dólar comercial tinha queda de 1,48%, aos R$ 5,615. Na mínima do dia, a moeda atingiu R$ 5,607. Economistas disseram ao Poder360 que a tarifa de 10% imposta pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil teve resultado menos ruim do que o esperado inicialmente.
Em relatório, a XP disse que o saldo foi “positivo” para o Brasil. Segundo o documento, os setores exportadores de commodities, como o agronegócio, podem se beneficiar de uma guerra comercial, além de ter uma expectativa de aumento nos investimentos chineses em infraestrutura no Brasil e na América Latina.
“As tarifas impostas ao Brasil foram mais brandas do que as direcionadas a outros países. No entanto, permanecem riscos relevantes, como a tarifa base de 10% sobre todas as importações, que pode afetar importantes produtos exportados para os EUA”, disse.
Em nota conjunta, o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o Itamaraty lamentaram a decisão do governo dos EUA. Defendeu que a medida “viola os compromissos” do país norte-americano com a OMC (Organização Mundial do Comércio) e impactará todas as exportações brasileiras de bens para o país. O Brasil importou mais do que exportou para os EUA em 2024.
Os principais índices do mercado de ações europeu registram queda nesta 5ª feira (3.abr.2025). O DAX, da Alemanha, recuava 2,28% às 10h (horário de Brasília).
O Euro Stoxx 50, da Zona do Euro, tinha queda de 3,06%. Na Espanha, o Ibex registrava baixa de 1,62%. O FTSE MIB caia 2,66% na Itália. O FTSE 100, de Londres, recuava 1,39%.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von Der Leyen, disse que as tarifas impostas pelos EUA são um “duro golpe” contra a economia mundial. Leia na íntegra o que foi decidido pelo governo norte-americano.
Trump disse que o “Liberty Day”, ou Dia da Libertação, foi a declaração de independência econômica dos EUA. “Por anos, cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas, muitas vezes às nossas custas. Mas agora é a nossa vez de prosperar”, disse Trump ao anunciar a medida na 2ª feira (2.abr.2025).
O republicano aplicou diversas tarifas sobre produtos e parceiros comerciais desde o início de seu 2º mandato, em 20 de janeiro, com o objetivo de fortalecer a economia do país, reverter deficits comerciais e recuperar a competitividade da indústria norte-americana.
A 1ª medida tarifária foi anunciada em 1º de fevereiro. Na ocasião, Trump aplicou 25% sobre produtos do México e do Canadá com a justificativa de que os países eram responsáveis pela chegada de “inúmeros e horríveis” imigrantes aos EUA, pela entrada de drogas no país e pelo deficit nas contas públicas.
O pacote entrou em vigor em 4 de março, depois de negociações com a presidente do México, Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), e o então primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau (Partido Liberal, centro-esquerda).






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