11 de junho de 2026
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Por iniciativa do deputado Mauro Rubem (PT), a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), realizou, na manhã de sábado, 23, sessão solene para entrega do Certificado do Mérito Legislativo em homenagem aos povos de axé. O encontro teve local no Plenário Iris Rezende e celebrou as comunidades tradicionais e de matriz africana.

Além do propositor da homenagem, tomaram assento na mesa dos trabalhos o sacerdote do Ilê Axé Ojusan Akotun, Babalorixá Kerley de Oxalufã; sacerdote do Ilê Axé Fará Imorá Odé, Babalorixá Marcos Torres de Odé; sacerdote do Terreiro Morada Do Cruzeiro e coordenador do coletivo Onã, Alágbára De Ogum; coordenadora do Núcleo Goiás da Associação Brasileira Juristas de Direito, advogada Fernanda Santos; Kedy De Xangô; presidente do instituto Fará Imorá, Ângela Café; delegado da Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (Deacri), Matheus Ferreira; e o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Ogã Felix.

Ao abrir o encontro, Mauro Rubem observou que a solenidade teve o objetivo fundamental e constitucional de reverberar a laicidade do Estado, de modo a proteger e preservar todas as formas de religiosidade e espiritualidade.

“Quando um sistema religioso assume a dimensão superior de organização e passa a ser quase uma teocracia é muito ruim. E, não menos importante, nosso objetivo, nesta sessão, é mostrar a beleza e grandiosidade do trabalho que cada um de vocês realiza”, afirmou Rubem.

O legislador também pontuou que é preciso estender a agenda legislativa na luta contra a intolerância religiosa e colocar em prática legislações já aprovadas, além de evidenciar a necessidade de reparação histórica a grupos marginalizados por intermédio de políticas públicas de equidade.

Em seu pronunciamento, o Babalorixá Kerley de Oxalufã relatou estar no sacerdócio há 26 anos e disse ser a primeira vez que observava uma reunião tão expressiva de pessoas de religião de matriz africana. “O grande problema é esse. Queremos ver todo mundo bem, mas não melhor que a gente. Mas precisamos deixar isso de lado e nos unir, seja Umbanda, Jurema, Candomblé, todo mundo. Se formos juntos, seremos mais fortes”, frisou.

Ainda em tempo, o babalorixá salientou a importância de receber a honraria. “Essas homenagens servem para sentirmos que somos alguém, nos levantarmos, falarmos e brigarmos por nossos direitos, pois, se não formos atrás de exercer ou usufruir desses direitos, não vamos ter nada”, enfatizou Kerley de Oxalufã.

Ângela Café também subiu à tribuna e declarou que a democracia precisa de parlamentares que não tenham vergonha da ameaça e da perseguição. “Vemos nos meios de comunicação a forma como essas pessoas utilizam para nos combater. Então, fazemos um chamado para que estejamos juntos para derrotar o fascismo que impera nessa cidade. Fico muito feliz em ver essa Casa cheia, em um sábado de manhã”, assinalou. 

Fernanda Santos, em seu discurso, criticou a teocracia e defendeu a responsabilização e punição em casos de intolerância religiosa. “Essa Casa de Leis deve ser verdadeiramente a Casa do povo goiano e ser ocupada por qualquer um de nós, independentemente da fé que professamos, pois falta de respeito tem limite e é preciso ter a devida responsabilização de seus praticantes pelo Poder Judiciário”.

O delegado Matheus Ferreira falou da honra em tomar assento na mesa diretiva e fez observações sobre a atuação da Deacri. “O racismo religioso permeia todo o inconsciente da coletividade e ele se pauta no silenciamento das vítimas. A Deacri, dentro da Policia Civil, conta com protocolos rígidos para que não haja a revitimização. E a delegacia se estrutura com as vozes de vocês”.

Após os discursos, foram entregues os certificados aos homenageados. Assista à sessão, na íntegra, neste link

                                                                           

Autor Assembleia Legislativa do Estado de Goiás


Percentual da população brasileira passou de 0,3% em 2010 para 1,05% em 2022, segundo dados do IBGE

O número de brasileiros que se declaram praticantes de religiões de matriz africana (umbanda e candomblé) triplicou de 2010 a 2022. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), esse grupo passou de 0,3% para 1,05% da população. Em números absolutos, o contingente soma agora 1,8 milhão de pessoas. Leia a íntegra dos dados (PDF – 1 MB). 

Entre as unidades da Federação, o Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional, com 3,19% da população que se declara praticante dessas religiões. Rio de Janeiro (2,58%), São Paulo (1,47%), Bahia (1,00%) e Distrito Federal (0,85%) completam o top 5. 

No recorte por cor de pele, os dados de 2022 mostram a seguinte composição entre os adeptos da umbanda ou do candomblé:

  • brancos  42,9%;
  • pardos  33,2%;
  • pretos – 23,2%.

ALTA ESCOLARIDADE

Os praticantes de umbanda e candomblé têm um dos perfis educacionais mais elevados do país. O grupo registra a 2ª maior proporção de pessoas com nível superior completo (25,5%), atrás só dos espíritas (48%). A taxa de analfabetismo dentro desse grupo é de 2,4%, uma das menores registradas pelo Censo.

TRANSIÇÃO RELIGIOSA NO BRASIL

O Censo 2022 mostra uma queda no nº de católicos e um crescimento entre os evangélicos. Leia no infográfico abaixo:



Autor Poder360 ·