Lula diz que vai ao G7 cobrar Trump por taxa de 12,5%; China, Suíça e Índia contestam alegação de trabalho forçado dos EUA
Governos de diversas partes do mundo declararam com críticas nesta 4ª feira (3.jun.2026) contra o novo plano de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). A medida norte-americana estabelece sobretaxas de até 12,5% sobre 60 parceiros comerciais sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado.
A ofensiva protecionista do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) atinge economias como Brasil, China, Índia e União Europeia. O anúncio foi feito depois de a Suprema Corte dos EUA anular tarifas anteriores em fevereiro, fazendo com que a Casa Branca utilizasse investigações da Seção 301 para restabelecer os impostos de importação. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, subiu o tom e chamou a inação dos parceiros de “inaceitável”.
As novas tarifas ainda não estão em vigor e dependem da conclusão do processo. Antes de uma eventual aplicação das medidas, o governo norte-americano fará uma audiência pública no dia 6 de julho para ouvir representantes de empresas e organizações dos dois países. A decisão final deve ser tomada até 15 de julho, prazo considerado pelo governo brasileiro como a janela para tentar negociar e evitar a adoção das sobretaxas.
NO BRASIL LULA DIZ QUE VAI AO G7 CONFRONTAR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse em tom forte que não aceitará a inclusão do Brasil na lista de sobretaxas de 12,5%. Em reunião com ministros no Palácio do Planalto, Lula falou sobre a postura do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e afirmou que mudou de ideia e usará a cúpula do G7 na França, na segunda quinzena de junho, para cobrar explicações diretamente de Donald Trump.
O chefe do Executivo brasileiro sinalizou ainda que o país buscará novos parceiros comerciais caso os norte-americanos se recusem a dialogar. O Brasil também enfrenta o desgaste de outra proposta recente do USTR, apresentada na 2ª feira (1º.jun.2026), que é de uma tarifa de 25% sobre produtos nacionais ligada a disputas de comércio digital.
PEQUIM ALERTA PARA RISCO EM TRÉGUA
O governo chinês negou as acusações de conivência com o trabalho forçado e criticou a postura de Washington. A reação de Pequim destaca que o novo tarifaço põe em risco a estabilidade da trégua comercial firmada em maio de 2026 entre Trump e o presidente Xi Jinping, quando ambos haviam concordado em criar conselhos bilaterais de investimento.
O país asiático também lida com o impacto de uma segunda investigação dos EUA, que deve ser concluída em breve, focada no acúmulo de excesso de capacidade industrial em 16 mercados estratégicos.
SUÍÇA REJEITA INVESTIGAÇÃO
O Ministério da Economia da Suíça emitiu um duro posicionamento rejeitando as conclusões do relatório norte-americano. Berna argumentou que suas práticas comerciais são legítimas e não causam prejuízos aos fabricantes dos EUA.
No entanto, o governo suíço optou por uma estratégia de contenção de danos e confirmou que manterá as negociações bilaterais em andamento. O objetivo do país europeu é tentar selar um acordo comercial amplo de longo prazo, independentemente das oscilações políticas em Washington.
ÍNDIA BUSCA ACORDO COM OS EUA
A Índia adotou um tom moderado diante do anúncio de Washington. O Ministério do Comércio e Indústria Nova Déli informou que mantém os canais de diálogo abertos com a equipe de Trump.
A estratégia do país é contestar os termos da taxação diretamente nos procedimentos técnicos da Seção 301. Nova Déli assegurou que as tratativas para a consolidação de uma estrutura comercial bilateral, iniciadas em fevereiro de 2026, avançam normalmente apesar do ruído diplomático.
JAPÃO TENTA EVITAR ESCALADA
O governo japonês sinalizou que priorizará a busca por uma saída negociada diretamente com a Casa Branca. A reação de Tóquio foca em evitar prejuízos severos às suas exportações industriais e conter o impacto da instabilidade no comércio global. O país tenta usar a via diplomática para obter flexibilizações antes que a proposta entre em vigor.
ENTENDA AS TARIFAS QUE GERARAM OS PROTESTOS
As declarações internacionais foram motivadas pelo plano do USTR de dividir as punições em duas faixas aduaneiras. Um grupo de 14 economias, que inclui Argentina, Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, receberá uma tarifa de 10%. Já o segundo bloco, composto por 45 nações incluindo o Brasil, a China e a Índia, será taxado em 12,5%.
O governo dos EUA abriu prazo para comentários públicos sobre a proposta até 6 de julho de 2026 e marcou uma audiência pública para o dia seguinte. Para diminuir o impacto na inflação interna dos EUA, a gestão Trump poupou do tarifaço itens considerados essenciais, como energia, terras-raras, carnes, café, produtos farmacêuticos e peças de aeronaves, além de prever cotas flexíveis para o setor têxtil.


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