Semana também conta com a promulgação do Decreto Legislativo que aprova o acordo Mercosul-UE e ministros no Congresso
O jornal digital Poder360 traz nesta 2ª feira (16.mar.2026) uma seleção dos assuntos que devem ser destaque na agenda do poder e da política nesta semana, que vai até 20 de março.
A semana terá compromissos relevantes para o Executivo e para o Congresso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrará com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro), nesta 2ª feira (16.mar). No mesmo dia, o Banco Central divulga a prévia do PIB.
Na reunião de Lula e Paz, os presidentes devem discutir cooperação nas áreas de energia, combate a ilícitos transnacionais, comércio e investimentos.
Na 3ª feira (17.mar), o Congresso promulgará o decreto legislativo que aprova o acordo Mercosul-UE. Enquanto isso, o presidente Lula assinará os decretos do ECA Digital, que atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual.
Ainda na 3ª feira (17.mar), o ex-ministro do 1º governo Lula José Dirceu irá realizar uma festa em Brasília para comemorar os seus 80 anos.
Já no dia seguinte, 4ª feira (18.mar), os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Luiz Marinho (Trabalho e Emprego) e Jader Filho (Cidades) vão ao Congresso. Mauro Vieira fala sobre o posicionamento do Brasil em relação ao conflito no Oriente Médio e sobre a existência de bases militares da China em território brasileiro. Luiz Marinho e Jader Filho falam sobre planos e metas dos seus respectivos ministérios.
Também será uma “super 4ª”. Na ocasião, as taxas básicas de juros do Brasil e dos EUA serão anunciadas. Em relação ao Brasil, há dúvida se haverá um corte de 0,25 ponto percentual ou 0,50. Há consenso quanto ao corte.
Na 5ª feira (19.mar), o MBL lançará oficialmente o partido Missão. Durante o evento, será celebrada a filiação de Kim Kataguiri (Missão-SP). No mesmo dia, o Banco Central Europeu anuncia se altera a taxa de juros.
Por fim, na 6ª feira (20.mar), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), deixa o cargo para disputar o governo do Estado. O vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) assume a prefeitura. Ainda na 6ª feira, a Justiça da Itália realizará uma audiência para analisar a extradição de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes.
Leia a agenda da semana:
Pesquisa Genial/Quaest perguntou quem foi mais afetado negativamente pelo caso do Banco Master
Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta 5ª feira (12.mar.2026) mostra que 40% dos entrevistados avaliam que o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Banco Central e o Congresso são prejudicados pelo caso do Banco Master. Leia a íntegra da pesquisa (PDF – 5 MB).
A Genial/Quaest perguntou o seguinte: “Pelo que você ouviu ou ficou sabendo, quem tem a imagem mais afetada negativamente pelo escândalo do Banco Master?”.
Eis como os entrevistados responderam:
- STF/Judiciário – 13%;
- governo Bolsonaro – 11%;
- governo Lula – 10%;
- Banco Central – 5%;
- Congresso Nacional – 3%;
- todos eles – 40%;
- nenhum deles – 1%;
- não sabe/não respondeu – 17%.
A pesquisa foi realizada pela Genial/Quaest de 6 a 9 de março de 2026. Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais no Brasil. O intervalo de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE sob o código: BR-05809/2026. Segundo a empresa, o estudo custou 465.820,00 e foi pago pelo Banco Genial.
CASO BANCO MASTER
- LIQUIDAÇÃO PELO BANCO CENTRAL
As atenções se voltaram ao Banco Master depois que o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro por suspeitas de fraude. O rombo deixado pelo Master ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) foi calculado em cerca de R$ 50 bilhões, a maior quebra da história do setor.
No mesmo dia, a operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), prendeu o fundador do banco, Daniel Vorcaro, que foi solto dias depois.
- RELATORIA DE DIAS TOFFOLI
O caso foi para o STF (Supremo Tribunal Federal) e, a princípio, a relatoria ficou a cargo de Dias Toffoli. O ministro, no entanto, foi enredado em uma série de controvérsias ligadas ao Master, divulgadas pela imprensa. Entre elas está a viagem em um jatinho privado com um advogado do banco para assistir a um jogo de futebol em Lima, no Peru, e a participação de uma pessoa ligada a Vorcaro no hotel Resort Tayaya, do qual Toffoli é um dos sócios.
A crise ganhou uma nova camada quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas que deveria servir para embasar pedido de suspeição de Dias Toffoli como relator.
O Supremo tentou contornar a crise publicando nota em apoio a Toffoli, mas indicando outro relator para o caso. O nome sorteado foi o do ministro André Mendonça.
- ANDRÉ MENDONÇA E A TURMA
À frente do caso, Mendonça autorizou uma nova prisão de Vorcaro. Na decisão do ministro, foram divulgadas mensagens do telefone do fundador do Master, interceptadas pela PF, que indicariam que ele comandava um grupo, chamado informalmente de Turma, cujo papel era monitorar e intimidar adversários.
Segundo a investigação, o banqueiro teria pedido que fosse forjado um “assalto” contra o jornalista Lauro Jardim: “Quero dar um pau nele”.
A PF também apontou que a Turma de Vorcaro obteve de maneira indevida informações sigilosas nos sistemas do MPF (Ministério Público Federal) e da própria PF. Além de Vorcaro, foram presos preventivamente Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, o policial federal Marilson Roseno da Silva e Luiz Philippe Machado de Moraes Mourão, apelidado de sicário (sinônimo de matador de aluguel) e um dos integrantes da Turma.
Mourão morreu nas dependências da Superintendência da PF em Minas Gerais logo após ser preso. Segundo a PF, a morte cerebral decorreu de suicídio.
Além das mensagens de Vorcaro contidas na decisão de Mendonça, houve vazamento de outras conversas do banqueiro, as quais o Poder360 teve acesso. Nelas, ele demonstrava proximidade com autoridades da República.
Foram citados o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chegou a se referir como um dos “grandes amigos de vida” e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também são mencionados encontros com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Além disso, o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prestou 22 meses de serviços ao Banco Master, pelos quais recebeu mais de R$ 80 milhões. O montante recebido é considerado muito acima do praticado no mercado. Leia mais detalhes nesta reportagem do Poder360.
Em nota divulgada em 9 de março, ela declarou que seu escritório prestou serviços ao banco de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela 1ª vez na operação Compliance Zero.
AGREGADOR DE PESQUISAS
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“É inaceitável que homens continuem achando que são donos das mulheres”, afirmou o presidente em entrevista nesta 6ª feira (6.mar)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o combate à violência contra mulheres precisa estar no centro do debate público e cobrou maior responsabilidade dos homens para enfrentar o problema.
“É inaceitável que homens continuem achando que são donos das mulheres, que podem agredi-las ou fazer o que bem entendem com elas. Todos – especialmente nós, homens– temos que fazer nossa parte para que essa cultura desapareça de nosso país e se torne coisa do passado”, declarou em entrevista ao jornal O Dia nesta 6ª feira (6.mar.2026).
A declaração foi dada ao comentar ações do governo federal para enfrentar o feminicídio. Lula disse que a violência de gênero é um tema que “tem mexido muito” com ele e que exige mudança cultural no país.
O presidente citou a criação do Pacto Brasil para Enfrentamento do Feminicídio, iniciativa que reúne os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para acelerar a concessão de medidas protetivas, responsabilizar agressores e ampliar a rede de acolhimento às vítimas.
O pacto foi assinado por Lula, pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em 4 de fevereiro deste ano.
Entre as medidas anunciadas, Lula destacou a implantação do “Alerta Mulher Segura”, sistema que aprimora o monitoramento eletrônico de agressores que usam tornozeleira e permite o acompanhamento dos casos em tempo real.
O governo também prevê ampliar a rede de atendimento com novas unidades da Casa da Mulher Brasileira, além da abertura de centros de referência e do reforço de delegacias especializadas para funcionamento 24 horas.
Segundo o presidente, as medidas visam a garantir uma resposta mais rápida do Estado. “Com tudo isso, vamos dar a atenção e a prioridade que as mulheres precisam quando sofrem ameaças, sem perder tempo e deixar o pior acontecer”, afirmou.
Texto regulamenta investigação e aplicação de medidas protetivas à indústria nacional em acordos com preferência tarifária
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta 4ª feira (4.mar.2026) o Decreto nº 12.866, que regulamenta a investigação e a aplicação de medidas de salvaguardas bilaterais em acordos de livre comércio. A norma estabelece regras para proteger a indústria doméstica contra surtos de importações com tarifas reduzidas. Eis a íntegra (PDF – 364 kb).
A medida foi editada antes da votação no Senado sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia. Entre os instrumentos disponíveis estão a suspensão do cronograma de desgravação tarifária, a redução de preferências, o estabelecimento de cotas e restrições quantitativas.
O decreto define competências da Camex (Câmara de Comércio Exterior) e do Departamento de Defesa Comercial do Ministério do Desenvolvimento para aplicar ou suspender salvaguardas –provisórias ou definitivas.
Para abrir um processo, a indústria doméstica precisa comprovar que o aumento de importações com tarifas reduzidas causou ou ameaça causar prejuízo grave ao setor. A análise considera os últimos 36 meses de dados.
As salvaguardas só poderão ser acionadas após investigação formal, conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial. A Camex terá a palavra final sobre aplicar, modular ou rejeitar as medidas recomendadas.
Se confirmado o dano, a Camex pode suspender o cronograma de desgravação tarifária, reduzir preferências, estabelecer cotas ou impor restrições quantitativas.
A publicação veio dias após a Câmara dos Deputados aprovar, em 25 de fevereiro, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O texto aguarda votação no Senado.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora do acordo no Senado, criticou os gatilhos das salvaguardas previstas no tratado com a UE. Ela afirma que os limites são baixos demais e podem prejudicar exportações do agronegócio, especialmente de carne bovina.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) havia anunciado o envio da proposta à Casa Civil em 27 de fevereiro. Ele citou preocupações de setores industriais com possíveis surtos de importações após a abertura comercial.
Ex-presidente da Câmara afirma que governo não consegue ampliar aprovação e cobra maior capilaridade da Secom
A comunicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é ineficaz. A avaliação é do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT). De acordo com ele, a troca no comando da Secom (Secretaria de Comunicação), com a saída do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e a entrada do marqueteiro Sidônio Palmeira, melhorou o desempenho da área, mas ainda não foi suficiente para reverter a rejeição nem ampliar a aprovação do governo.
“A comunicação melhorou depois que o companheiro Sidônio entrou. Isso é evidente. Mas a eficácia ainda é limitada. A aprovação não conseguiu ficar maior que a desaprovação. Continua no empate, e isso é um problema”, disse em entrevista ao Poder360.
Assista à íntegra (27m39s):
As críticas de João Paulo se dão em meio a um momento delicado para o governo. Na semana passada, ao menos 2 pesquisas indicaram Lula numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual 2º turno, embora dentro da margem de erro.
Para ele, a equipe de comunicação não consegue apresentar com eficiência os programas sociais e as ações do governo à população de menor renda, que seria a principal beneficiária dessas políticas.
“A minha impressão é que a comunicação não chega na ponta. Não é capilar, não é nacional. A gente não consegue falar com as pessoas que são beneficiadas pelos programas. O presidente insiste que talvez seja o melhor mandato dele, pela quantidade de coisas que está fazendo. Mas não muda. A rotação fica ali, na mesma”, afirmou
João Paulo Cunha tem 67 anos e exerceu 5 mandatos como deputado federal. Foi o primeiro petista a presidir a Câmara dos Deputados, em 2003, no início do 1º governo Lula. É um dos políticos mais próximos do presidente desde o fim dos anos 1970, quando ambos atuavam no movimento sindical dos metalúrgicos.
Permaneceu no mandato até 2014. Condenado no processo do Mensalão, chegou a ser preso. Posteriormente, as condenações foram anuladas. Ele afirma que, apesar do impacto pessoal e familiar do episódio, aproveitou o período para estudar Direito. Concluiu graduação, pós-graduação e mestrado na área.
Em 2026, pretende voltar à Câmara. Diz que a decisão foi pessoal, mas também tomada a pedido de Lula. Sobre o Judiciário, afirma não concordar com as críticas generalizadas feitas pela oposição, embora avalie que há casos de excessos e de extrapolação de competências entre os Poderes.
“É o momento da gente tomar um certo cuidado. O Legislativo pega atribuições do Executivo. O Judiciário pega do Legislativo e do Executivo. E o Executivo quer legislar. Precisa de um novo arranjo, um novo pacto republicano”, diz.
Leia trechos da entrevista:
Poder360: Pesquisa Atlas/Intel divulgada na 4ª feira (25.fev.2026) mostrou um cenário difícil para o presidente Lula. Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas aparecem numericamente à frente no 2º turno, ainda que dentro da margem de erro. Por que Lula enfrenta dificuldades neste momento?
João Paulo Cunha: “Essa pesquisa reflete o momento que estamos atravessando, de polarização, que vem desde a eleição de 2022. E que é um pedaço do mundo, com posições mais extremadas. Mas ela não me assusta muito. O que me preocupa é a série histórica, que vem mostrando uma realidade calcificada. O empate é aprovação e desaprovação, avaliação do governo e da própria pessoa do presidente Lula, que está muito estabilizada na metade da população. É isso o que mais me preocupa. Não há uma razão, são várias. Tem o problema de comunicação, que persiste mesmo com a mudança do ministro. É evidente que depois que o companheiro Sidônio entrou, a comunicação melhorou. Mas a eficácia ainda é limitada porque não conseguiu fazer a aprovação ficar maior que a desaprovação. Ainda estamos no empate, é um problema. A minha impressão é que ela não chega na ponta, não é capilar, não é nacional. A gente não consegue falar com as pessoas que são beneficiadas com programas que o presidente Lula tem feito. O presidente tem insistido numa tese, que eu concordo, que esse talvez seja o melhor mandato dele. A quantidade de coisas que ele está fazendo, a quantidade de programas, o investimento em áreas sociais e infraestrutura é impressionante. Mas não muda [a aprovação]. A rotação fica ali, na mesma. Fica empatado. É grave. Mas vejo outro problema. O PT e a esquerda brasileira têm deixado a desejar do ponto de vista de mobilização e organização. Vemos várias bandeiras que, ao invés de serem apresentadas aos trabalhadores e ao povo, nossas lideranças têm ido bater à porta do STF, do MP. A judicialização tem sido uma ferramenta muito frequente.”
Poder360: Há cansaço de material? Lula é hoje o político há mais tempo em atuação no país.
“Não acho. Lula é um animal político capaz de se reciclar com rapidez e com bandeiras sensacionais que interessam muito à população. Lula fez deste governo uma alavanca para o próximo mandato. Por isso, acho que a grande vitória do presidente vai ser chegar em outubro e mostrar para a população o que ele tem semeado. E que é preciso de mais 1 mandato. Ao invés de apresentar cansaço, eu acho que ele vai apresentar esperança. O próximo mandato precisa ser assim. Os programas atendem as pessoas de forma mais imediata, mais circunstancial. Estão todos estruturados, têm feito bem ao Brasil, ajudando na ascensão das classes sociais. No entanto, precisa mais. E digo isso como crença, não como campanha. Agora, Lula vai ter que mostrar que o Brasil precisa se reindustrializar. Já mostrou que o Brasil se insere no mundo de forma autônoma, altiva, independente. Isso é positivo. E tem mudanças estruturais que exigem mais de 1 mandato. Por isso acredito que a grande mensagem dele vai ser de esperança.”
Para João Paulo Cunha, o PT erra ao focar na judicialização da política ao invés de voltar às ruas para levar as suas bandeiras à sociedade
Poder360: No primeiro mandato, Lula teve aliança com PL, de José de Alencar. Com Dilma, fez uma grande aliança trazendo o MDB. Sempre levou parte do centro. Hoje, o centro não está com o presidente. Qual a dificuldade de atrair o centro?
“Há mais de 1 ano atrás, eu falei que o governo precisava avançar para o centro de forma mais organizada e representar um pouco mais esse centro, essa frente ampla, que foi a frente que o elegeu em 2022. Fui muito criticado na época. Por quê? Porque o PT está muito comprometido com a história de ser um partido de esquerda. É de esquerda, socialista moderno, democrático, luta por uma sociedade igualitária. E continuará sendo assim. Entretanto, para governar o Brasil, você precisa de uma aliança mais ao centro. Era o que precisava fazer. Faltando 7 meses para a eleição, é muito difícil consolidar o centro. Do ponto de vista nacional, quase nenhum tem condições políticas de fechar com o PT. A minha impressão é que eles tendem a liberar as sessões regionais para cada um fazer a aliança que quiser. Mas aliança, nem com Lula, nem com Flávio, que seria característica marcante do centrão. Uma das dificuldades está em compreender o país. Só quem andou, quem conhece, e isso o Lula sabe muito bem, é capaz de entender essa política. A política ainda exige a gente jogar os laços para o centro para fazer um governo que interessa à maioria. Falta um pouco de compreensão do papel que esse centro pode ter no projeto popular e democrático do Brasil.”
Poder360: A aliança com Alckmin foi uma sinalização clara ao centro na campanha, mas não teve sequência no governo?
“Os partidos de centro tiveram participação, mas foram participações limitadas a parcelas da bancada, parcelas de diretórios regionais. Não houve uma política ofensiva nos partidos do centro para tentar fazer um projeto nacional como fizemos em 2002. Trouxemos o PL do José Alencar e fizemos um programa conjunto. E o PL, naquele momento, serviu como uma âncora do Lula e do PT dentro do centro. O Alckmin foi fundamental e continua tendo um papel importante na aliança.”
Poder360: Ele deve continuar na vice em 2026?
“Se não tiver nenhum acidente grave de percurso, a minha impressão é que a tendência é ser o governador Geraldo Alckmin vice-presidente do Lula.”
Poder360: E o ministro Fernando Haddad, qual que deve ser o papel dele?
“Vai ser candidato a governador de São Paulo e, diferentemente do que a maioria das pessoas falam, se a gente fizer um programa bem feito, abrir um diálogo estrutural com o povo do interior, da capital, da grande São Paulo, podemos ganhar. Sou otimista em relação a São Paulo.”
Poder360: O senhor é paulista e conhece bem o Estado. Mas as pesquisas mostram que o governador Tarcísio tem uma avaliação positiva alta e lidera em todos os cenários.
“É, mas ele não tem uma oposição do tamanho que precisa. No processo eleitoral, essas coisas aparecem com mais facilidade. A hora que começar a campanha, as pessoas vão saber. Nós vamos perguntar o que o governador Tarcísio levou para Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Preto, Campinas, Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, Grande São Paulo. Tenho impressão que o balanço é negativo. A hora que a gente começar pegar para valer e o nosso ministro Haddad assumir de vez esse papel, acho que podemos surpreender.”
Poder360: Aparenta ser uma brecha na avaliação…
“Pensando na pesquisa presidencial de 4ª feira agora e comparando com 2022, há um paradoxo que a gente precisa estudar melhor. Em 2022, o Lula só ganhou no Nordeste e no Sudeste, mas perdeu no Norte, no Centro-Oeste e no Sul. Nessa pesquisa, Lula ganha no Nordeste, no Sudeste, no Sul e no Norte, só perde no Centro-Oeste. É um paradoxo. Se eu quiser fazer uma leitura positiva, digo o seguinte: essas regiões vão fazer o Lula e o PT crescerem. Sempre tem vários lados. Os dados estão aí para permitir a interpretação. E os bons leitores conseguem fazê-las bem.”
Poder360: O senhor foi deputado até 2014 e depois deixou a política, mas vai voltar em 2026. Por quê?
“Eu tinha meio que abandonado a ideia da vida pública e estava advogando, indo bem, estudando bastante, escrevi 2 livros, e cuido do meu netinho. Mas eu nunca deixei a política, sempre mantive meu interesse.”
Poder360: E sempre foi muito próximo ao presidente Lula.
“Sempre. Aí o presidente Lula pediu e eu resolvi aceitar o desafio de voltar. Mas aceitei porque acho que posso colaborar. A partir de 2027, alguns desafios serão postos ao Brasil e eu gostaria de participar. Talvez seja o meu último mandato. A geopolítica do mundo está mudando rapidamente. E o Brasil tem um papel fundamental. Temos alimento que consegue alimentar nossa população e vender para fora. A segunda coisa é energia. Nós temos uma base energética fantástica que serve para nós e podemos oferecer a outros países. E na área dos minerais, temos abundância. Isso nos permite ter um programa ousado. Temos o desafio de nos reposicionar nessa geopolítica. É um desafio fantástico que quero participar. É o que falei de o próximo governo Lula apresentar um programa para o Brasil de 20, 30 anos. A nossa infraestrutura precisa ser remodelada, fazer o nosso parque industrial voltar com vigor. Não podemos continuar sendo uma nação que vende minério de ferro e compra aço, vende algodão e compra camiseta. Precisamos focar na indústria farmacêutica, na indústria bélica. E o outro desafio é para o PT. A partir de 2031, não terá mais o Lula. E é inegável que o fio que liga o povo brasileiro, os trabalhadores com a esquerda e com o PT, é o Lula. Como nós vamos nos comportar? O PT não é mais o partido de 2000, de 90, de 80. É um partido que vai para a 3ª década do século 21 tendo sido governo em 18 anos dos 26 anos deste século. É o que me estimula.”
Poder360: A política mudou muito desde a sua época, sobretudo pela ascensão das emendas impositivas. É mais fácil ou é mais difícil fazer política nesse cenário?
“Para quem está no mandato, é mais fácil. Você tem emenda, mas as emendas são um problema para o nosso sistema eleitoral, que é presidencialista. Nós temos que dar condições financeiras para o governo fazer aquilo que ele contratou com a população no período eleitoral. As emendas tiram um pedaço disso. Em 2026, nós temos 60 bilhões para pagar em emendas e R$ 80 bilhões de investimento. Está meio fora de ordem. Mas agora que a pasta de dente saiu do tubo, para voltar é difícil. Temos que pensar como faz com as emendas, porque elas também servem para as nossas prefeituras fazerem pequenas obras. Mas o Brasil, como nação única do tamanho que tem, não pode se dar o luxo de uma quantidade pequena de investimento. As emendas são boas, mas terão que ser rediscutidas.”
Poder360: Mas pensando no PT na oposição, como fazer as políticas que entendem corretas sem o orçamento do Executivo?
“Não tem esse aspecto. O deputado não ganha a eleição para cumprir as funções executivas. Não há um programa a ser aplicado. As emendas invariavelmente se encaixam num programa já determinado pelo Executivo. Agora deixa eu falar o contrário para você para nossa reflexão aqui. Suponhamos que o Congresso Nacional resolva falar que o Executivo vai ter que pagar R$ 100 bilhões de emendas. Todo o dinheiro do investimento. O que o governo vai fazer? Estradas, portos, aeroportos, escolas, universidades, institutos federais, e etc. Quem cuida dessas coisas grandes? Quem cuida das fronteiras? Quem vai comprar o barco da Marinha, o avião da Aeronáutica? É alguma emenda? Não é uma coisa fácil de você resolver. Claro que vou ficar feliz com as minhas emendas. E vou usá-las. Mas quero um debate sobre se essas emendas ajudam ou não o Brasil.”
Poder360: No passado, o senhor foi envolvido no escândalo que ficou conhecido como Mensalão. Depois, suas condenações foram anuladas. A justiça foi correta com o senhor?
“Vamos dividir em 2 aspectos. Um é pessoal. Evidente que eu sofri, minha família sofreu, todos nós sofremos. Mas eu fiquei de cabeça erguida o tempo todo. Estava seguro que não tinha feito nada errado. Sempre morei na mesma casa, e eu gosto de onde moro. Escrevi 2 livros que tenho orgulho. Fiz meu curso de graduação, fiz pós-graduação, fiz mestrado, estudei com 60 anos de idade. Foi dolorido, mas serviu para dar um passo adiante. O segundo é político. Evidente que foi um processo político. O que que eu tinha a ver com mensalão? A ideia é você receber para votar com o governo. Eu era presidente da Câmara, do partido do Lula. Já voltaria com o governo. Entrei na mira de alguém e acabei abatido. Mas não guardo rancor ou mágoa. Para mim, passou. Não importa muito você cair, importa se levantar. Eu levantei. E vou pedir voto de cabeça erguida. E quem planta, colhe.”
Poder360: Hoje a oposição critica duramente o STF. DIzem que invade as prerrogativas do Legislativo. Essas críticas são justas?
“Esses dias, falando com o pessoal do PL da minha região, eles começaram a falar do mensalão. Eu falei: ‘Olha que raciocínio seletivo. O Valdemar Costa Neto, presidente do PL, esteve comigo envolvido no mensalão. Mas para ele não serve? Nós também não podemos ter esse raciocínio seletivo? Eu acho que a injustiça praticada contra qualquer pessoa tem que ser combatida. E acho que o Judiciário está s envolvendo demasiadamente com questões de outros Poderes. Mas eu também acho que muitas vezes o Judiciário se envolve não porque ele quer, mas porque é provocado. Os próprios partidos judicializam a política. A minha dissertação de mestrado trata disso. É sobre o uso da ação direta de inconstitucionalidade como prolongamento da disputa política. Nos 2 mandatos do Fernando Henrique Cardoso, quem mais provocou a justiça foi o PT, o PCdo B, o PDT. Aí, quando o presidente Lula tomou posse em 2003, quem mais provocou foi o PSDB e o PFL. É um instrumento de oposição. É o momento da gente tomar um certo cuidado. O Legislativo pega atribuições do Executivo. O Judiciário pega do Legislativo e do Executivo. E o Executivo quer legislar. Precisa de um novo arranjo, um novo pacto republicano.”
Poder360: Limitar quem pode fazer Adin é uma solução?
“Eu tenho simpatia por essa ideia por uma razão super singela. O ministro Nelson Jobim conta uma história que eu acho fantástica. Quando ele era ministro do Supremo, ele conversava com um senador do Rio chamado Jamil Haddad. Numa disputa no Senado, disse: ‘Deixa disputar lá, depois eu entro aqui com um Adin’. Uma matéria é aprovada por 500 votos, aí um partido com 2 deputados entra com Adin. Tem que ter um novo arranjo.”
Nota da Secom afirma que não houve ingerência na escolha do enredo e que recursos são repassados à Liesa, não às agremiações
A Secom (Secretaria de Comunicação Social) do governo federal emitiu uma nota oficial sobre o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O comunicado, divulgado nesta 2ª feira (16.fev.2026), responde às críticas e anúncios de ações judiciais feitos por congressistas da oposição, que questionam uma possível propaganda eleitoral antecipada e o uso indevido de recursos públicos.
Na nota, a Secom afirma que não existe decisão judicial impedindo a realização do desfile e que os pedidos enviados ao TCU (Tribunal de Contas da União) não foram acatados. O governo também esclarece que os recursos destinados ao Carnaval carioca são repassados à Liesa (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), não diretamente às agremiações.
“O Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um evento cultural e turístico de repercussão internacional que recebe apoios recorrentes do governo do Estado, da Prefeitura do Rio e da Embratur. Os recursos não foram criados agora e são repassados para a Liesa, e não diretamente às escolas”, lê-se na nota.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negou o pedido de liminar nas representações por propaganda eleitoral antecipada. A decisão foi unânime e reconheceu que restringir manifestações artísticas por conteúdo político configuraria censura prévia.
A nota também informa que a Justiça Federal do Distrito Federal indeferiu petições iniciais de ações populares ajuizadas por congressistas sobre o evento. As representações encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral não resultaram em medida judicial.
Apesar disso, o Planalto orientou os integrantes do governo a não desfilarem na avenida. Os ministros e governistas que estavam na Marquês de Sapucaí assistiram aos desfiles no camarote da prefeitura. Até a primeira-dama Janja da Silva, que não é integra oficialmente o governo e estava prevista como destaque no último carro, optou de última hora por não participar do desfile.
Eis a íntegra da nota:
“O Governo do Brasil esclarece, a respeito das ações judiciais e representações:
“1 – Não há qualquer decisão judicial que impeça a realização de desfile de Escola de Samba que pretende homenagear a história de vida de Dona Lindu e do presidente Lula.
“2 – Os pedidos contidos nas representações encaminhadas ao Tribunal de Contas da União não foram acatados liminarmente, de modo que não foram impedidos eventuais repasses feitos a Liga de Escolas de Samba ou a qualquer agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
“3 – O Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro é um evento cultural e turístico de repercussão internacional que recebe apoios recorrentes do Governo do Estado, da Prefeitura do Rio e da Embratur. Os recursos não foram criados agora e são repassados para a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Liesa, e não diretamente às escolas.
“4 – Da mesma forma, não houve qualquer ingerência do Governo na escolha e desenvolvimento do enredo citado ou de qualquer outra escola.
“5 – A Justiça Federal do Distrito Federal indeferiu as petições iniciais de ações populares ajuizadas por parlamentares a respeito do evento cultural. Na mesma linha, as representações encaminhadas ao Ministério Público Eleitoral e noticiadas pela imprensa não resultaram em medida judicial.
“6 – O Tribunal Superior Eleitoral negou pedido de liminar nas representações por propaganda eleitoral antecipada pela realização do desfile. A decisão do tribunal foi unânime e reconheceu que restringir previamente manifestações artísticas e culturais, apenas por conterem eventual conteúdo político, configura censura prévia e restrição desproporcional ao debate democrático.
“7 – A legislação eleitoral exige, para configuração de propaganda antecipada, a presença de pedido explícito de voto, inclusive por expressões semanticamente equivalentes. A narração da trajetória pessoal, inclusive política, e suas referências históricas, não caracteriza a prática de ilícito eleitoral.
“8 – É indispensável observar que o evento cultural ocorre em período pré-eleitoral, sendo anterior ao registro das candidaturas e à propaganda eleitoral autorizada, de modo que sua realização se situa em espaço temporal em que o ordenamento jurídico confere maior amplitude à liberdade de expressão e à participação em eventos públicos.
“9 – A Advocacia-Geral da União emitiu recomendações jurídicas à Administração Pública Federal quanto à participação das autoridades no evento cultural a título de agenda privada. Dentre elas, recomendou-se que os Ministros de Estado não utilizem aviões do Comando da Aeronáutica, nem sejam assistidos por servidores públicos em serviço no cumprimento da agenda privada.
“10 – A AGU também sugeriu a manifestação da Comissão de Ética da Presidência da República, que emitiu orientações de conduta para as altas autoridades federais. Essas orientações incluem a proibição de recebimento de convites de pessoas jurídicas com fins lucrativos que configurem conflito de interesse com a Administração Pública, o recebimento de diárias e passagens e a não realização de manifestações que caracterizem propaganda eleitoral antecipada.”
Acadêmicos de Niterói abre o Grupo Especial com enredo sobre o presidente com famosos e familiares
A Acadêmicos de Niterói abrirá os desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro neste domingo (15.fev.2026) com um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile será dividido em 5 setores e contará com 5 carros alegóricos, seguindo a trajetória pessoal e política do petista. A Escola também faz homenagem aos programas sociais criados pelo petista, como o Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida e o Prouni (Programa Universidade para Todos).
A Acadêmicos de Niterói optou ainda por criticar os “Patriotas da Pátria” e a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Uma das alas traz críticas a quando a ministra disse que, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), meninos vestiram azul e meninas vestiram rosa. A fala da senadora é contra a comunidade LGBTQIA+.
A escola justifica que a homenagem está alinhada à tradição das agremiações de abordar temas políticos e sociais na Marquês de Sapucaí para “exaltar políticas sociais”. O texto de justificativa enviado ao júri sustenta que o desfile deve ser avaliado como obra artística, independentemente de posicionamentos ideológicos.
Abaixo, a estrutura apresentada pela escola:
1º setor – Infância em Pernambuco
Com o título “No choro de Luiz, à luz de Guaranhuns”, o 1º setor traz o nascimento e a infância de Lula em Guaranhuns, no agreste pernambucano. A narrativa utiliza elementos do realismo fantástico inspirados na tradição oral da região e nas histórias contadas por sua mãe, Dona Lindu.
Carro 1 – “Do alto do mulungu surge a esperança”
O abre-alas retrata a infância no sertão, com referências à seca e à natureza local. A alegoria apresenta esculturas que misturam o real e o fantástico e utiliza o mulungu –árvore típica do Nordeste– como símbolo de esperança. A proposta visual trabalha a dualidade entre escassez e imaginação infantil.
2º setor – Migração para o Sudeste
Intitulado “Pro destino retirante te levei Luiz Inácio”, o setor retrata a migração da família Silva para São Paulo na década de 1950, em razão da seca.
Carro 2 – “Pro destino retirante”
A alegoria traz um caminhão pau de arara, meio de transporte utilizado por retirantes nordestinos. O carro também incorpora elementos religiosos ligados à fé da família e esculturas que remetem ao cangaço, apresentado como símbolo histórico de resistência no sertão. A neta do presidente, Bia Lula, será destaque como sua bisavó. Além de Bia, a mãe do petista será representada pela atriz Dira Paes.
3º setor – Do sindicato à Presidência
Chamado “Da luta sindical à liderança mundial”, o terceiro setor retrata a fase de Lula como torneiro mecânico no ABC Paulista, sua atuação no movimento sindical durante a Ditadura Militar e a fundação do PT (Partido dos Trabalhadores). Também aborda as derrotas eleitorais até a vitória presidencial em 2002.
Carro 3 – “Feito metal: de operário a presidente”
A alegoria utiliza a metáfora da metalurgia. Engrenagens e estruturas industriais simbolizam o tempo e a formação política do presidente. O conceito central é o de Lula “forjado” como metal ao longo das greves e da trajetória partidária.
Como destaque, virá a filha de Lula, e coordenadora de direitos humanos no diretório do PT Sergipe, Lurian Cordeiro Lula da Silva. Ela estará no veículo que falará da trajetória do presidente como metalúrgico no ABC Paulista.
4º setor – Presidência, prisão e retorno
Sob o título “Teu legado é espelho das minhas lições”, o setor aborda os 2 primeiros mandatos, com ênfase em políticas sociais e indicadores econômicos, além da condenação e prisão do presidente em 2018. A narrativa também menciona a pandemia e a polarização política.
Carro 4 – “O Brasil mudou de cara”
A alegoria dramatiza desigualdades sociais, contrapondo diferentes camadas da sociedade. O carro inclui representações simbólicas de classes sociais e faz referências ao período posterior à prisão e à eleição de 2022, quando Lula retornou ao Planalto.
5º setor – Soberania e democracia
O último setor, “Assim que se firma a soberania”, trata do 3º mandato presidencial e da defesa da democracia. A escola associa a figura de Lula à soberania nacional e ao atual cenário político.
Carro 5 – “Vale uma nação, vale um grande enredo”
O carro final traz referências à arquitetura de Brasília e às cores nacionais. A proposta é encerrar o desfile com uma exaltação à democracia e às instituições brasileiras. Este terá a primeira-dama, Janja da Silva e os demais aliados do presidente.
Para interpretar Lula, o humorista Paulo Vieira foi confirmado como escolha pessoal do líder do Executivo. Paulo afirmou que recebeu o convite do presidente e da primeira-dama Janja da Silva.
DO CAMAROTE
Lula assistirá ao desfile do camarote da Prefeitura do Rio. O lugar tem capacidade para cerca de 500 pessoas. Localizado ao lado do 2º recuo da bateria, no setor 11, tem uma das vistas mais privilegiadas da avenida e, dos 3 andares, 2 serão ocupados exclusivamente por convidados do petista e da primeira-dama, Janja.
A lista de convidados não foi divulgada pela Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência da República.
O Poder360 apurou que o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e os ministros da Saúde, Alexandre Padilha (PT), da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann (PT), e da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT) devem estar no camarote.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), o ex-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT), e a deputada federal Talíria Petrone (Psol) também estarão presentes.
OPOSIÇÃO É CONTRA
Na 3ª feira (10.fev), o partido Novo ingressou no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com uma representação por propaganda eleitoral antecipada contra o presidente Lula e a Acadêmicos de Niterói. Ações também foram movidas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pelo deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) na Justiça Federal, que rejeitou os processos na 4ª feira (11.fev).
O TSE também negou, na 5ª feira (12.fev), o pedido de liminar para proibir o desfile da Acadêmicos de Niterói.
Mesmo assim, a AGU (Advocacia Geral da União) e a SAJ (Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos) orientaram que ministros não participassem do desfile. O objetivo é afastar possíveis constrangimentos de natureza eleitoral, tendo em vista as eleições deste ano. Lula já confirmou que tentará a reeleição.
O Palácio do Planalto determinou que o carro alegórico com os “amigos do Lula” seja restrito a aliados sem mandato ou cargo público. A determinação foi reforçada após reuniões internas e análises jurídicas, mesmo após a decisão do TSE. A recomendação para quem for ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí é ficar em camarotes.
A cautela aumentou com o receio de que imagens sejam exploradas pela oposição como campanha antecipada ou uso da máquina pública.
Presidente nacional do PSD afirmou que candidato do partido e Cláudio Castro também estarão no palanque do prefeito do Rio e candidato a governador do Estado
Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD (Partido Social Democrático), disse no domingo (8.fev.2026) que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quem procura o apoio do prefeito do Rio de Janeiro e candidato a governador do Estado, Eduardo Paes (PSD), e não o contrário. “Foi Lula quem disse que estará com ele, e ele não pode falar ‘não’. É Lula que estará no palanque do Paes”, declarou. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band.
O líder do PSD afirmou que Cláudio Castro (PL), governador do Rio e pré-candidato ao Senado, e o candidato do PSD também estarão no palanque. “O Lula estará no palanque do Eduardo Paes, o (governador) Cláudio Castro e o nosso candidato também estarão no palanque dele. Então o Eduardo Paes vai ter 3 candidatos que querem estar com ele, mas acho que o nosso vai levar vantagem, porque é do mesmo partido, mesmo padrão e vai ter uma grande votação”, disse.
Assista à entrevista:
O presidente do PSD também disse que o partido busca apresentar um candidato presidencial que corresponda “às aspirações da sociedade”. No momento, estão na disputa Ronaldo Caiado, governador de Goiás, Ratinho Jr., governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. “Agora, o que a gente percebe é que há mais espaço: as pessoas e as pesquisas indicam que existe demanda por uma candidatura moderada”, afirmou, em defesa da candidatura do partido à Presidência.
Para presidente, anistiar envolvidos no 8 de Janeiro comprometeria credibilidade e desmoralizaria o STF
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que “fez sua parte” sobre PL (Projeto de Lei) da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pelo 8 de Janeiro. A declaração foi feita nesta 6ª feira (6.fev.2026) em entrevista à TV Aratu, em Salvador (BA).
“É problema do Congresso. Eu fiz a minha parte. O Congresso fez a dele, aprovou. Eu sei as condições em que isso foi discutido. Eu vetei porque não concordo. Esse cidadão [o ex-presidente Jair Bolsonaro] tem que ficar preso, mas um belo dia pode ter uma anistia para ele”, declarou.
O veto presidencial foi assinado em 8 de janeiro deste ano, na cerimônia que marcou os 3 anos dos ataques às sedes dos Três Poderes. A proposta foi aprovada pelo Legislativo em dezembro de 2025.
Para o presidente, a aprovação do projeto comprometeria a credibilidade do STF (Supremo Tribunal Federal). “Não dá para você brincar de fazer julgamento. Se você liberta ele, você desmoraliza a seriedade da Suprema Corte que o condenou”, afirmou.
Lula fez referência direta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão. O atual chefe do Executivo também mencionou acusações de que seu antecessor teria planejado assassinatos de autoridades.
“Você acha que se você tiver um cachorro louco preso e você soltar ele, ele vai estar mais manso? Ele vai morder alguém. Esse cidadão tentou destruir a democracia brasileira. Esse cidadão, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia, tinha um plano para matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. E não foi ninguém da oposição que denunciou. Foram os comparsas dele que delataram ele”, disse.
A decisão final sobre o PL da Dosimetria ficará com o Congresso Nacional, que analisará o veto presidencial em sessão mista ainda sem data definida. Se o veto for derrubado, o projeto entrará em vigor, reduzindo as penas dos condenados pelos pela Suprema Corte no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado.
O senador Flávio Bolsonaro aparece em 2º lugar no levantamento do Meio/Ideia, com 34%
Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta 4ª feira (4.fev.2026) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera o índice de rejeição na disputa ao Planalto entre os nomes testados. Segundo o levantamento, 44% dos eleitores afirmaram que não votariam no petista “de jeito nenhum” se as eleições marcadas para outubro de 2026 fossem hoje.
O percentual representa alta de 3,2 p.p. (pontos percentuais) em relação ao mês anterior, quando 40,8% deram a mesma resposta à pergunta.
A pesquisa foi realizada pelo Meio/Ideia de 30 de janeiro a 2 de fevereiro de 2026. Foram entrevistadas 1.500 pessoas com 16 anos ou mais. O intervalo de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2,5 p.p., para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o nº BR-08425/2026-BRASIL. Segundo a empresa, o estudo custou R$ 27.600 e foi pago pelo Canal Meio.
O 2º nome com mais rejeição é o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 34%. O índice é 10 p.p. inferior ao de Lula. O congressista foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para representá-lo na disputa de 2026.
Fernando Haddad (PT) e Michelle Bolsonaro apresentam percentuais semelhantes. O ministro da Fazenda é rejeitado por 30% dos eleitores, enquanto a ex-primeira-dama tem taxa de 29,4%.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que afastou a hipótese de lançar candidatura ao Planalto e manifestou apoio a Flávio Bolsonaro, tem rejeição de 15%.
Os 3 governadores citados como pré-candidatos pelo PSD —Ronaldo Caiado (GO), Eduardo Leite (RS) e Ratinho Junior (PR)— aparecem próximos de Tarcísio, com 14%, 13% e 11,1%, respectivamente. Romeu Zema (Novo-MG) também figura em patamar semelhante, com 13,3%.
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