Segundo o presidente dos EUA, país persa fabrica vídeos de ataques e manifestações, mas não apresenta provas dos fatos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse que o Irã emprega inteligência artificial para fabricar informações sobre a guerra no Oriente Médio. As declarações foram dadas no domingo (15.mar.2026) a bordo do Air Force One, depois de publicação na rede Truth Social.
Na publicação, o presidente disse que os veículos de comunicação mantém “estreita coordenação” com o Irã para disseminar “notícias falsas” geradas por inteligência artificial. O presidente citou 3 casos específicos em que, segundo ele, o país teria usado inteligência artificial para enganar o público.
Segundo o republicano, o Irã mostrou barcos kamikaze inexistentes atacando embarcações no mar. O presidente disse que o país usou IA para representar falsamente um ataque ao porta-aviões USS Abraham Lincoln.
O presidente mencionou que 5 aviões de reabastecimento norte-americanos foram falsamente reportados como atingidos e danificados. Trump afirmou que todos estão em serviço, com exceção de 1, que em breve voltará a voar.
Trump também disse que o jornal The Wall Street Journal publica vídeos falsos de ataques a aviões dos Estados Unidos.
Ele afirmou ainda que imagens mostrando 250 mil iranianos em um comício de apoio ao novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, foram “totalmente geradas por inteligência artificial” e que o evento “nunca aconteceu”.
A agência Reuters confirmou imagens filmadas do porto iraquiano de Basra. As imagens mostravam barcos iranianos carregados de explosivos aparentemente atacando 2 navios-tanque de combustível. Pelo menos 1 tripulante morreu no ataque.
A mídia estatal iraniana afirmou que as forças armadas do Irã atacaram o USS Abraham Lincoln. A alegação não foi amplamente divulgada pela imprensa ocidental.
Diversas manifestações pró-governo se deram no Irã desde o início da guerra. Uma pesquisa da Reuters não encontrou reportagem ocidental que citasse o número de 250 mil participantes mencionado por Trump.
Veículos de comunicação, incluindo a Reuters, publicaram fotos de multidões em Teerã após a nomeação de Khamenei como líder. “A IA pode ser muito perigosa, temos que ter muito cuidado com ela”, disse Trump.
Luis Pablo Almeida é investigado por reportagem na qual disse que o ministro e sua família haviam usado carro bancado pelo TJ-MA para uso pessoal no Maranhão
O jornalista maranhense Luis Pablo Almeida optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio durante seu depoimento à Polícia Federal, nesta 6ª feira (13.mar.2026). A convocação veio 3 dias depois da operação de busca e apreensão contra o jornalista, investigado por crime de perseguição depois de publicar reportagens sobre familiares do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo o Metrópoles, Almeida compareceu à sede da PF para prestar depoimento na condição de investigado e, depois de a corporação informá-lo sobre seus direitos constitucionais, incluindo a preservação do sigilo da fonte, o jornalista decidiu não responder às perguntas sobre os fatos apurados.
Ainda segundo a reportagem, o registro formal do depoimento contém a seguinte informação: “INFORMADO que na qualidade de jornalista tem o direito constitucional de preservação do sigilo da fonte, bem como de que está sendo inquirido na qualidade de investigado, podendo ao final ser acusado do crime de Perseguição, tipificado no art. 147-A do Código Penal, tendo, portanto, direito de permanecer em silêncio, não respondendo às perguntas sobre os fatos apurados, e PERGUNTADO se pretende exercer tal direito; RESPONDEU que pretende permanecer em silêncio”.
O Poder360 entrou em contato com a PF para confirmar as informações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
O jornalista, que publica o Blog do Luís Pablo, teve celulares e computadores apreendidos pela PF na 3ª feira (10.mar.2026), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele publicou reportagens sobre a utilização de um veículo funcional do Tribunal de Justiça do Estado Maranhão pelo ministro Flávio Dino e seus familiares no Maranhão.
As primeiras informações sobre o caso foram enviadas pela equipe de segurança do Supremo para a Polícia Federal. Com a instauração do inquérito, Moraes assumiu a relatoria porque os ministros consideraram que o caso tinha relação com o inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar críticas ao Supremo feitas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Almeida publicou em novembro de 2025 uma reportagem em que afirma que um carro bancado pelo TJ-MA era utilizado por Dino e sua família no Maranhão. Segundo o texto, o ministro e seus familiares usavam um veículo destinado ao uso oficial de desembargadores em deslocamentos privados. A reportagem não está mais no ar.
O QUE DIZ O SUPREMO
Após críticas de diversos setores à operação, a assessoria de imprensa da Corte afirmou que “a questão em investigação” derivava da necessidade de apurar “monitoramentos ilegais” de procedimentos do ministro Flávio Dino. A nota cita a publicação de placas de veículos utilizados pelo magistrado.
Eis a íntegra da nota:
“Informamos que a segurança institucional do ministro Flávio Dino foi alertada em 2025 de procedimento de monitoramento ilegal dos seus deslocamentos em São Luís. Houve publicação de placas de veículos utilizados pelo ministro, quantidade de agentes e nomes de agentes de segurança, e outros detalhes. Esse material foi enviado à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República, seguindo-se a instauração do procedimento investigativo cabível. Portanto, a questão em investigação deriva da necessidade de apurar os citados monitoramentos ilegais dos procedimentos de segurança do ministro Flávio Dino.
“O assunto não tem correlação com crimes contra a honra ou liberdade de expressão ou inquérito das fake news.
“Veículos de segurança são utilizados pelo STF, em colaboração com os Tribunais, com base nas seguintes normas:
Lei n° 12.694/2012, em especial do artigo 9°, §1°, inciso II, bem como Resolução n° 721/ STF, artigo 5°, inciso I, alínea “a”, e a
Resolução n° 435 do CNJ, que disciplina a cooperação entre os órgãos de segurança institucional do Poder Judiciário, especialmente o artigo 19, parágrafo único.”
Apesar da menção ao inquérito das fake news na decisão, a Corte declarou que o assunto não tem correlação com o caso. O Poder360 entrou em contato com o Supremo para perguntar se o Tribunal gostaria de se manifestar sobre a possível contradição, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta 6ª feira (13.mar.2026) que o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ficará bem após passar mal durante a madrugada. Ele foi transferido para o hospital DF Star, em Brasília, depois de apresentar sintomas enquanto estava preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal.
Nas redes sociais, Michelle Bolsonaro publicou uma mensagem de caráter religioso ao comentar o estado de saúde do marido. “Confiai no Senhor perpetuamente porque o Senhor Deus é uma rocha eterna. Deus está no controle de todas as coisas. Meu amor vai ficar bem”, escreveu.
Em publicação no X, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que o Bolsonaro “acordou com calafrios e vomitou bastante”. O senador afirmou ainda que o pai estava sendo encaminhado ao hospital, mas não deu detalhes sobre o quadro clínico. “Peço orações para que não seja nada grave”, escreveu.
Bolsonaro estava na unidade conhecida como Papudinha, dentro do complexo penitenciário. Segundo informações divulgadas por aliados, ele apresentou mal-estar durante a madrugada. Uma equipe médica de plantão, com acompanhamento da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, avaliou o quadro e decidiu realizar a transferência para avaliação hospitalar.
O ex-presidente enfrenta uma série de problemas de saúde relacionados ao ataque a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018. No fim de 2025, ele foi internado para realizar uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral e recebeu alta em 1º de janeiro.
Bolsonaro já havia apresentado episódios recentes de mal-estar. Em 20 de fevereiro, Carlos informou que o pai teve uma crise de vômitos, sem detalhar se houve necessidade de atendimento médico. Dias antes, em 16 de fevereiro, o ex-vereador afirmou que o ex-presidente havia passado mal e estava sendo monitorado.
Regra eleitoral exige que Alckmin se afaste do cargo de ministro para se candidatar, mas não impede que ele continue como vice-presidente de Lula
Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB) anunciou nesta 5ª feira (5.mar.2026) que deixará o comando do ministério em 4 de abril, prazo limite para integrantes do Executivo que pretendem disputar as eleições de 2026 deixem seus cargos. Ele permanecerá no posto de vice-presidente, que não exige afastamento para quem pretende disputar o pleito.
A regra de desincompatibilização determina que ministros deixem o cargo 6 meses antes do 1º turno da eleição, marcado para 4 de outubro. A exigência, no entanto, não se aplica à vice-presidência. Por isso, Alckmin poderá continuar no posto mesmo participando da disputa eleitoral, desde que não assuma a Presidência da República durante esse período.
Pela legislação, caso o vice pode se tornar inelegível caso exerça temporariamente a Presidência dentro dos 6 meses que antecedem a eleição. Por isso, se decidir disputar outro cargo, Alckmin terá de evitar substituir Lula em eventuais ausências.
FUTURO POLÍTICO
O futuro político de Alckmin ainda é tema de negociações no governo. Ainda não se sabe se ele disputará novamente a vice-presidência na chapa de Lula, o governo de São Paulo –cargo que ocupou por 4 mandatos (2001 a 2006 e 2011 a 2018)–, ou uma vaga ao Senado pelo Estado. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país.
As negociações também envolvem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), citado como possível candidato ao governo paulista, embora tenha demonstrado resistência à disputa. A definição deve vir só nos próximos meses, à medida que as alianças e candidaturas nos Estados forem sendo consolidadas.
ACORDO MERCOSUL-UE
Em clima de despedida do cargo, Alckmin compareceu à apresentação dos números da balança comercial de fevereiro. Normalmente, apenas técnicos da Secretaria de Comércio Exterior divulgam os dados. Ele fez um breve balanço dos pouco mais de 3 anos à frente do MDIC.
O vice-presidente e ministro comentou a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e reafirmou que a expectativa do governo é que o tratado entre em vigor em maio.
Segundo Alckmin, a ratificação pelo Congresso Nacional, que concluiu a aprovação do tratado na noite de 4ª feira (4.mar.2026), encerra mais de duas décadas de negociações e abre caminho para a aplicação provisória do pacto. O vice-presidente destacou ainda que o acordo prevê salvaguardas para proteger a indústria nacional em caso de aumento excessivo de importações.
Republicano afirmou que militares iranianos não têm mais defesa aérea ou marítima; país persa busca sucessor de Ali Khamenei, morto em ataque no sábado (28.fev)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano) disse nesta 3ª feira (3.mar.2026) que os ataques realizados por seu governo em parceria com Israel destruíram “praticamente tudo” no Irã. O republicano anunciou que uma nova onda de ataques será realizada “em breve”. As declarações foram feitas a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, após reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz (CDU, direita).
Trump afirmou que as operações militares norte-americanas destruíram a capacidade de defesa aérea e marítima do Irã: “Eles não têm mais uma Marinha. Ela foi destruída. Eles não têm mais uma Força Aérea. Ela foi destruída”, disse o presidente.
Acrescentou que “hoje houve outro ataque à nova liderança. O pior cenário é que alguém tão ruim quanto o anterior assuma o poder. Gostaríamos de ver alguém lá que seja melhor”, afirmou o republicano em referência à reunião de decisão dos sucessores de Ali Khamenei, que morreu no sábado (28.fev).
Trump também disse que o governo iraniano de atinge alvos civis. “O Irã está atacando países que não têm nada a ver com o que está acontecendo. Está atingindo apenas instalações civis”, declarou.
Apoio alemão à operação
Ao lado de Merz, Trump afirmou a repórteres que os 2 líderes conversariam sobre a guerra. Acrescentou que o premiê alemão “tem ajudado” ao permitir que forças norte-americanas desembarquem em “certas áreas”.
“Eles estão nos permitindo desembarcar em certas áreas, e nós agradecemos, e eles estão apenas nos deixando confortáveis. Não estamos pedindo que eles enviem tropas terrestres”, declarou.
A reunião entre Trump e Merz tinha como principal pauta o comércio, mas foi ofuscada pelo conflito no Oriente Médio.
Suspensão de acordos comerciais com a Espanha
O presidente dos EUA também anunciou o rompimento de todas as relações comerciais com a Espanha. A ruptura foi motivada pela recusa espanhola em permitir que os EUA utilizassem instalações militares localizadas na Espanha para realizar ataques ao Irã.
Trump considerou a atitude do governo espanhol inadequada no contexto das operações militares norte-americanas no Oriente Médio.
Prefeito de São Paulo afirma que nome de Flávio “está escolhido” e que agora é com o senador
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB-SP), afirmou neste domingo (1º.mar.2026) que a direita está “escalada” para ganhar as eleições de 2026. A declaração foi feita durante o ato “Acorda Brasil”, na av. Paulista.
“O Flávio está escalado, o time está sendo montado e agora a gente entrou em jogo. Para quê? Para ganhar de lavada e fazer uma grande vitória da verdadeira democracia, da liberdade, do avanço do Brasil e do combate à corrupção”, disse.
Nunes afirmou que estava se sentindo honrado de estar na manifestação e apoiando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro(PL-RJ). O prefeito de São Paulo falou que o Estado, governado por Tarcísio de Freitas, está resgatando o orgulho da bandeira do Brasil.
“É com ordem e progresso que vamos colocar o nosso país para frente. A eleição está aí, e é na urna que vamos mostrar nossa força e resgatar o Brasil. Flávio, agora é com você. Que Deus te abençoe. Viva o Brasil”, disse.
Nunes fez uma saudação especial aos jovens e elogiou a atuação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Para Nunes, o congressista mineiro serve de exemplo para as novas gerações que buscam participar da política nacional.
Economista afirma que moeda brasileira será uma das poucas beneficiadas entre os mercados emergentes
O economista Robin Brooks disse neste sábado (28.fev.2026) que o real deve ser uma das poucas moedas dos mercados emergentes que deverá ter uma valorização em relação ao dólar depois dos ataques no Oriente Médio. O pesquisador do Brookings Institution declarou que o ataque da Rússia à Ucrânia provocou uma forte valorização do real com a alta dos preços do petróleo. O impacto dos conflitos entre Irã e países aliados aos EUA deverá ser semelhante, segundo ele.
Brooks declarou que a América Latina foi um dos poucos lugares que se beneficiaram depois da guerra entre os países chefiados por Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky. Houve “derramamento de sangue” na Europa e o encarecimento dos preços do petróleo depois dos ataques, o que contribuiu para exportadores de commodities.
O dólar terminou 2021 aos R$ 5,575 no Brasil. Atingiu R$ 4,608 em 4 de abril de 2022, quase 2 meses depois do 1º ataque feito pela Rússia.
“Essa movimentação teve tudo a ver com os termos de troca. A invasão da Ucrânia pela Rússia estava elevando os preços das commodities em geral, beneficiando uma potência agrícola e de commodities como o Brasil”, disse o economista.
A escalada das tensões entre Irã e outros aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio pode impactar o estreito de Ormuz, região marítima entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico que é via de transporte relevante do petróleo global. Uma eventual obstrução pressiona os preços e podem beneficiar exportadores brasileiros.
O economista avalia que o real já se fortalecia em relação ao dólar por fundamentos econômicos relacionados à política monetária dos EUA. Esse movimento deve se intensificar com um encarecimento do preço do barril de petróleo.
Na 6ª feira (27.fev.2026), o barril tipo brent subiu para US$ 72,87, com alta de 2,87%. A cotação atingiu US$ 139,13 em 7 de março de 2022, mês seguinte dos ataques da Rússia à Ucrânia.
REAL
Para Brooks, o real permanece “profundamente desvalorizado”. O economista defendeu que o preço justo seja próximo de R$ 4,50. Afirmou que “não está claro o motivo” para a cotação está acima do patamar que considera apropriado para a moeda brasileira.
“O real valorizou-se quase 7% em relação ao dólar no acumulado do ano, o que o torna a moeda com melhor desempenho entre os mercados emergentes”, disse.
Brooks disse que o valor de R$ 4,50 soa “absurdo para muitos”, já que não a cotação do dólar não atingiu este nível desde a pandemia de covid-19. Defendeu, porém, que o “enorme crescimento” das exportações agrícolas e de petróleo transformou o Brasil em um país com superavit comercial estrutural.
Dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que o Brasil teve saldos positivos entre exportações e importações de US$ 61,4 bilhões em 2021, de US$ 61,5 bilhões em 2022, de US$ 98,9 bilhões em 2023, de US$ 74,2 bilhões em 2024, e de US$ 68,1 bilhões em 2025. Até 2021, o maior superavit comercial do Brasil havia sido em 2017, de US$ 56 bilhões.
O Irã também lançou uma série de mísseis contra o solo israelense. Israel está em alerta máximo e as forças armadas do país tentam interceptar os mísseis iranianos. Ainda não há informações sobre mortos em nenhum dos ataques –no Irã, em Israel ou nas bases norte-americanas. Como mostrou o Poder360, os EUA têm 36 instalações militares no Oriente Médio.
Os EUA realizaram ataques na capital iraniana, Teerã, neste sábado (28.fev). A Casa Branca e as IDF (Forças Armadas de Israel) confirmaram os ataques.
Ex-presidente da Câmara afirma que governo não consegue ampliar aprovação e cobra maior capilaridade da Secom
A comunicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é ineficaz. A avaliação é do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT). De acordo com ele, a troca no comando da Secom (Secretaria de Comunicação), com a saída do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e a entrada do marqueteiro Sidônio Palmeira, melhorou o desempenho da área, mas ainda não foi suficiente para reverter a rejeição nem ampliar a aprovação do governo.
“A comunicação melhorou depois que o companheiro Sidônio entrou. Isso é evidente. Mas a eficácia ainda é limitada. A aprovação não conseguiu ficar maior que a desaprovação. Continua no empate, e isso é um problema”, disse em entrevista ao Poder360.
Assista à íntegra (27m39s):
As críticas de João Paulo se dão em meio a um momento delicado para o governo. Na semana passada, ao menos 2 pesquisas indicaram Lula numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual 2º turno, embora dentro da margem de erro.
Para ele, a equipe de comunicação não consegue apresentar com eficiência os programas sociais e as ações do governo à população de menor renda, que seria a principal beneficiária dessas políticas.
“A minha impressão é que a comunicação não chega na ponta. Não é capilar, não é nacional. A gente não consegue falar com as pessoas que são beneficiadas pelos programas. O presidente insiste que talvez seja o melhor mandato dele, pela quantidade de coisas que está fazendo. Mas não muda. A rotação fica ali, na mesma”, afirmou
João Paulo Cunha tem 67 anos e exerceu 5 mandatos como deputado federal. Foi o primeiro petista a presidir a Câmara dos Deputados, em 2003, no início do 1º governo Lula. É um dos políticos mais próximos do presidente desde o fim dos anos 1970, quando ambos atuavam no movimento sindical dos metalúrgicos.
Permaneceu no mandato até 2014. Condenado no processo do Mensalão, chegou a ser preso. Posteriormente, as condenações foram anuladas. Ele afirma que, apesar do impacto pessoal e familiar do episódio, aproveitou o período para estudar Direito. Concluiu graduação, pós-graduação e mestrado na área.
Em 2026, pretende voltar à Câmara. Diz que a decisão foi pessoal, mas também tomada a pedido de Lula. Sobre o Judiciário, afirma não concordar com as críticas generalizadas feitas pela oposição, embora avalie que há casos de excessos e de extrapolação de competências entre os Poderes.
“É o momento da gente tomar um certo cuidado. O Legislativo pega atribuições do Executivo. O Judiciário pega do Legislativo e do Executivo. E o Executivo quer legislar. Precisa de um novo arranjo, um novo pacto republicano”, diz.
Leia trechos da entrevista:
Poder360: Pesquisa Atlas/Intel divulgada na 4ª feira (25.fev.2026) mostrou um cenário difícil para o presidente Lula. Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas aparecem numericamente à frente no 2º turno, ainda que dentro da margem de erro. Por que Lula enfrenta dificuldades neste momento? João Paulo Cunha:“Essa pesquisa reflete o momento que estamos atravessando, de polarização, que vem desde a eleição de 2022. E que é um pedaço do mundo, com posições mais extremadas. Mas ela não me assusta muito. O que me preocupa é a série histórica, que vem mostrando uma realidade calcificada. O empate é aprovação e desaprovação, avaliação do governo e da própria pessoa do presidente Lula, que está muito estabilizada na metade da população. É isso o que mais me preocupa. Não há uma razão, são várias. Tem o problema de comunicação, que persiste mesmo com a mudança do ministro. É evidente que depois que o companheiro Sidônio entrou, a comunicação melhorou. Mas a eficácia ainda é limitada porque não conseguiu fazer a aprovação ficar maior que a desaprovação. Ainda estamos no empate, é um problema. A minha impressão é que ela não chega na ponta, não é capilar, não é nacional. A gente não consegue falar com as pessoas que são beneficiadas com programas que o presidente Lula tem feito. O presidente tem insistido numa tese, que eu concordo, que esse talvez seja o melhor mandato dele. A quantidade de coisas que ele está fazendo, a quantidade de programas, o investimento em áreas sociais e infraestrutura é impressionante. Mas não muda [a aprovação]. A rotação fica ali, na mesma. Fica empatado. É grave. Mas vejo outro problema. O PT e a esquerda brasileira têm deixado a desejar do ponto de vista de mobilização e organização. Vemos várias bandeiras que, ao invés de serem apresentadas aos trabalhadores e ao povo, nossas lideranças têm ido bater à porta do STF, do MP. A judicialização tem sido uma ferramenta muito frequente.”
Poder360: Há cansaço de material? Lula é hoje o político há mais tempo em atuação no país. “Não acho. Lula é um animal político capaz de se reciclar com rapidez e com bandeiras sensacionais que interessam muito à população. Lula fez deste governo uma alavanca para o próximo mandato. Por isso, acho que a grande vitória do presidente vai ser chegar em outubro e mostrar para a população o que ele tem semeado. E que é preciso de mais 1 mandato. Ao invés de apresentar cansaço, eu acho que ele vai apresentar esperança. O próximo mandato precisa ser assim. Os programas atendem as pessoas de forma mais imediata, mais circunstancial. Estão todos estruturados, têm feito bem ao Brasil, ajudando na ascensão das classes sociais. No entanto, precisa mais. E digo isso como crença, não como campanha. Agora, Lula vai ter que mostrar que o Brasil precisa se reindustrializar. Já mostrou que o Brasil se insere no mundo de forma autônoma, altiva, independente. Isso é positivo. E tem mudanças estruturais que exigem mais de 1 mandato. Por isso acredito que a grande mensagem dele vai ser de esperança.”
Para João Paulo Cunha, o PT erra ao focar na judicialização da política ao invés de voltar às ruas para levar as suas bandeiras à sociedade
Poder360: No primeiro mandato, Lula teve aliança com PL, de José de Alencar. Com Dilma, fez uma grande aliança trazendo o MDB. Sempre levou parte do centro. Hoje, o centro não está com o presidente. Qual a dificuldade de atrair o centro? “Há mais de 1 ano atrás, eu falei que o governo precisava avançar para o centro de forma mais organizada e representar um pouco mais esse centro, essa frente ampla, que foi a frente que o elegeu em 2022. Fui muito criticado na época. Por quê? Porque o PT está muito comprometido com a história de ser um partido de esquerda. É de esquerda, socialista moderno, democrático, luta por uma sociedade igualitária. E continuará sendo assim. Entretanto, para governar o Brasil, você precisa de uma aliança mais ao centro. Era o que precisava fazer. Faltando 7 meses para a eleição, é muito difícil consolidar o centro. Do ponto de vista nacional, quase nenhum tem condições políticas de fechar com o PT. A minha impressão é que eles tendem a liberar as sessões regionais para cada um fazer a aliança que quiser. Mas aliança, nem com Lula, nem com Flávio, que seria característica marcante do centrão. Uma das dificuldades está em compreender o país. Só quem andou, quem conhece, e isso o Lula sabe muito bem, é capaz de entender essa política. A política ainda exige a gente jogar os laços para o centro para fazer um governo que interessa à maioria. Falta um pouco de compreensão do papel que esse centro pode ter no projeto popular e democrático do Brasil.”
Poder360: A aliança com Alckmin foi uma sinalização clara ao centro na campanha, mas não teve sequência no governo? “Os partidos de centro tiveram participação, mas foram participações limitadas a parcelas da bancada, parcelas de diretórios regionais. Não houve uma política ofensiva nos partidos do centro para tentar fazer um projeto nacional como fizemos em 2002. Trouxemos o PL do José Alencar e fizemos um programa conjunto. E o PL, naquele momento, serviu como uma âncora do Lula e do PT dentro do centro. O Alckmin foi fundamental e continua tendo um papel importante na aliança.”
Poder360: Ele deve continuar na vice em 2026? “Se não tiver nenhum acidente grave de percurso, a minha impressão é que a tendência é ser o governador Geraldo Alckmin vice-presidente do Lula.”
Poder360: E o ministro Fernando Haddad, qual que deve ser o papel dele? “Vai ser candidato a governador de São Paulo e, diferentemente do que a maioria das pessoas falam, se a gente fizer um programa bem feito, abrir um diálogo estrutural com o povo do interior, da capital, da grande São Paulo, podemos ganhar. Sou otimista em relação a São Paulo.”
Poder360: O senhor é paulista e conhece bem o Estado. Mas as pesquisas mostram que o governador Tarcísio tem uma avaliação positiva alta e lidera em todos os cenários. “É, mas ele não tem uma oposição do tamanho que precisa. No processo eleitoral, essas coisas aparecem com mais facilidade. A hora que começar a campanha, as pessoas vão saber. Nós vamos perguntar o que o governador Tarcísio levou para Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Preto, Campinas, Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, Grande São Paulo. Tenho impressão que o balanço é negativo. A hora que a gente começar pegar para valer e o nosso ministro Haddad assumir de vez esse papel, acho que podemos surpreender.”
Poder360: Aparenta ser uma brecha na avaliação… “Pensando na pesquisa presidencial de 4ª feira agora e comparando com 2022, há um paradoxo que a gente precisa estudar melhor. Em 2022, o Lula só ganhou no Nordeste e no Sudeste, mas perdeu no Norte, no Centro-Oeste e no Sul. Nessa pesquisa, Lula ganha no Nordeste, no Sudeste, no Sul e no Norte, só perde no Centro-Oeste. É um paradoxo. Se eu quiser fazer uma leitura positiva, digo o seguinte: essas regiões vão fazer o Lula e o PT crescerem. Sempre tem vários lados. Os dados estão aí para permitir a interpretação. E os bons leitores conseguem fazê-las bem.”
Poder360: O senhor foi deputado até 2014 e depois deixou a política, mas vai voltar em 2026. Por quê? “Eu tinha meio que abandonado a ideia da vida pública e estava advogando, indo bem, estudando bastante, escrevi 2 livros, e cuido do meu netinho. Mas eu nunca deixei a política, sempre mantive meu interesse.”
Poder360: E sempre foi muito próximo ao presidente Lula. “Sempre. Aí o presidente Lula pediu e eu resolvi aceitar o desafio de voltar. Mas aceitei porque acho que posso colaborar. A partir de 2027, alguns desafios serão postos ao Brasil e eu gostaria de participar. Talvez seja o meu último mandato. A geopolítica do mundo está mudando rapidamente. E o Brasil tem um papel fundamental. Temos alimento que consegue alimentar nossa população e vender para fora. A segunda coisa é energia. Nós temos uma base energética fantástica que serve para nós e podemos oferecer a outros países. E na área dos minerais, temos abundância. Isso nos permite ter um programa ousado. Temos o desafio de nos reposicionar nessa geopolítica. É um desafio fantástico que quero participar. É o que falei de o próximo governo Lula apresentar um programa para o Brasil de 20, 30 anos. A nossa infraestrutura precisa ser remodelada, fazer o nosso parque industrial voltar com vigor. Não podemos continuar sendo uma nação que vende minério de ferro e compra aço, vende algodão e compra camiseta. Precisamos focar na indústria farmacêutica, na indústria bélica. E o outro desafio é para o PT. A partir de 2031, não terá mais o Lula. E é inegável que o fio que liga o povo brasileiro, os trabalhadores com a esquerda e com o PT, é o Lula. Como nós vamos nos comportar? O PT não é mais o partido de 2000, de 90, de 80. É um partido que vai para a 3ª década do século 21 tendo sido governo em 18 anos dos 26 anos deste século. É o que me estimula.”
Poder360: A política mudou muito desde a sua época, sobretudo pela ascensão das emendas impositivas. É mais fácil ou é mais difícil fazer política nesse cenário? “Para quem está no mandato, é mais fácil. Você tem emenda, mas as emendas são um problema para o nosso sistema eleitoral, que é presidencialista. Nós temos que dar condições financeiras para o governo fazer aquilo que ele contratou com a população no período eleitoral. As emendas tiram um pedaço disso. Em 2026, nós temos 60 bilhões para pagar em emendas e R$ 80 bilhões de investimento. Está meio fora de ordem. Mas agora que a pasta de dente saiu do tubo, para voltar é difícil. Temos que pensar como faz com as emendas, porque elas também servem para as nossas prefeituras fazerem pequenas obras. Mas o Brasil, como nação única do tamanho que tem, não pode se dar o luxo de uma quantidade pequena de investimento. As emendas são boas, mas terão que ser rediscutidas.”
Poder360: Mas pensando no PT na oposição, como fazer as políticas que entendem corretas sem o orçamento do Executivo? “Não tem esse aspecto. O deputado não ganha a eleição para cumprir as funções executivas. Não há um programa a ser aplicado. As emendas invariavelmente se encaixam num programa já determinado pelo Executivo. Agora deixa eu falar o contrário para você para nossa reflexão aqui. Suponhamos que o Congresso Nacional resolva falar que o Executivo vai ter que pagar R$ 100 bilhões de emendas. Todo o dinheiro do investimento. O que o governo vai fazer? Estradas, portos, aeroportos, escolas, universidades, institutos federais, e etc. Quem cuida dessas coisas grandes? Quem cuida das fronteiras? Quem vai comprar o barco da Marinha, o avião da Aeronáutica? É alguma emenda? Não é uma coisa fácil de você resolver. Claro que vou ficar feliz com as minhas emendas. E vou usá-las. Mas quero um debate sobre se essas emendas ajudam ou não o Brasil.”
Poder360: No passado, o senhor foi envolvido no escândalo que ficou conhecido como Mensalão. Depois, suas condenações foram anuladas. A justiça foi correta com o senhor? “Vamos dividir em 2 aspectos. Um é pessoal. Evidente que eu sofri, minha família sofreu, todos nós sofremos. Mas eu fiquei de cabeça erguida o tempo todo. Estava seguro que não tinha feito nada errado. Sempre morei na mesma casa, e eu gosto de onde moro. Escrevi 2 livros que tenho orgulho. Fiz meu curso de graduação, fiz pós-graduação, fiz mestrado, estudei com 60 anos de idade. Foi dolorido, mas serviu para dar um passo adiante. O segundo é político. Evidente que foi um processo político. O que que eu tinha a ver com mensalão? A ideia é você receber para votar com o governo. Eu era presidente da Câmara, do partido do Lula. Já voltaria com o governo. Entrei na mira de alguém e acabei abatido. Mas não guardo rancor ou mágoa. Para mim, passou. Não importa muito você cair, importa se levantar. Eu levantei. E vou pedir voto de cabeça erguida. E quem planta, colhe.”
Poder360: Hoje a oposição critica duramente o STF. DIzem que invade as prerrogativas do Legislativo. Essas críticas são justas? “Esses dias, falando com o pessoal do PL da minha região, eles começaram a falar do mensalão. Eu falei: ‘Olha que raciocínio seletivo. O Valdemar Costa Neto, presidente do PL, esteve comigo envolvido no mensalão. Mas para ele não serve? Nós também não podemos ter esse raciocínio seletivo? Eu acho que a injustiça praticada contra qualquer pessoa tem que ser combatida. E acho que o Judiciário está s envolvendo demasiadamente com questões de outros Poderes. Mas eu também acho que muitas vezes o Judiciário se envolve não porque ele quer, mas porque é provocado. Os próprios partidos judicializam a política. A minha dissertação de mestrado trata disso. É sobre o uso da ação direta de inconstitucionalidade como prolongamento da disputa política. Nos 2 mandatos do Fernando Henrique Cardoso, quem mais provocou a justiça foi o PT, o PCdo B, o PDT. Aí, quando o presidente Lula tomou posse em 2003, quem mais provocou foi o PSDB e o PFL. É um instrumento de oposição. É o momento da gente tomar um certo cuidado. O Legislativo pega atribuições do Executivo. O Judiciário pega do Legislativo e do Executivo. E o Executivo quer legislar. Precisa de um novo arranjo, um novo pacto republicano.”
Poder360: Limitar quem pode fazer Adin é uma solução? “Eu tenho simpatia por essa ideia por uma razão super singela. O ministro Nelson Jobim conta uma história que eu acho fantástica. Quando ele era ministro do Supremo, ele conversava com um senador do Rio chamado Jamil Haddad. Numa disputa no Senado, disse: ‘Deixa disputar lá, depois eu entro aqui com um Adin’. Uma matéria é aprovada por 500 votos, aí um partido com 2 deputados entra com Adin. Tem que ter um novo arranjo.”
Ministro do STF faz sermão religioso na Igreja Presbiteriana de Pinheiros e aborda questões sobre poder político e institucional
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e relator do caso do Banco Master, André Mendonça publicou na 3ª feira (24.fev.2026) um vídeo de cunho religioso no qual afirma que é necessário resistir à cobiça financeira e à vaidade pessoal no exercício de cargos públicos e institucionais. “Não se submeta às propostas tentadoras no aspecto financeiro”, declarou o magistrado.
A gravação foi feita durante uma pregação de Mendonça –ele é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo.
Na publicação, Mendonça utiliza passagens bíblicas e princípios de teologia para traçar um paralelo entre a vida pública e a integridade pessoal. Segundo o ministro, o exercício do poder traz consigo “armadilhas invisíveis” que podem desviar o indivíduo de sua missão de servir à coletividade.
O texto da mensagem define o poder político como positivo, desde que condicionado ao “bem do povo”. O ministro declarou que agir fora de princípios e valores, movido por interesses individuais, representa uma submissão a “tentações”.
Na Igreja Presbiteriana de Pinheiros, Mendonça costuma pregar sobre a necessidade de humildade no trato com o próximo, uma mensagem que ele agora transporta para o ambiente digital em um formato de “pílulas de sabedoria”.
Presidente dos EUA rebate relatos sobre resistência militar e diz preferir acordo a ofensiva militar
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos. Em publicação nas redes sociais, Trump rebateu reportagens que indicavam cautela do militar e declarou que a informação é “100% incorreta”. Disse ainda que, embora prefira um acordo diplomático, a decisão final sobre uma ação cabe a ele.
Segundo o jornal norte-americanoThe Washington Post, Caine alertou Trump sobre os riscos de uma ofensiva contra o Irã. Segundo relatos de integrantes do governo ouvidos sob anonimato, o militar teria afirmado, em reunião na Casa Branca na semana passada, que falhas no estoque de munições estratégicas e a falta de apoio de aliados ampliariam os perigos de uma operação e poderiam expor tropas norte-americanas a retaliações.
Caine teria ressaltado que os arsenais foram significativamente reduzidos pelo apoio de Washington à Ucrânia na guerra contra a Rússia e pela defesa de Israel diante dos conflitos na região. Em nota, o gabinete do general teria declarado que ele apresenta “uma gama de opções militares” aos líderes civis, com avaliação de impactos e riscos, de forma confidencial. A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, disse que Trump escuta diferentes opiniões antes de decidir com base na segurança nacional.
Depois da publicação das informações, Trump disse que reportagens da “mídia de notícias falsas” afirmaram, de forma incorreta, que Caine seria contra uma guerra com o Irã. Declarou que, como todos no governo, o general prefere evitar um conflito, mas que, se houver decisão de agir militarmente, considera que a vitória seria “fácil”.
Trump disse que Caine conhece bem o Irã por ter comandado uma operação responsável por destruir instalações ligadas ao desenvolvimento nuclear iraniano com bombardeiros B-2. Afirmou ainda que o militar “representa o Exército mais poderoso do mundo”, que “sabe vencer” e que, se receber a ordem, “liderará a linha de frente”.
O presidente dos EUA declarou ser ele quem toma a decisão final, disse preferir um acordo diplomático, mas advertiu que, caso não haja entendimento, será “um dia muito ruim” para o Irã.
A dimensão de uma eventual campanha dependeria do objetivo definido por Trump. Um ataque restrito ao programa de mísseis iraniano exigiria atingir centenas de alvos, incluindo lançadores móveis e sistemas de defesa aérea. Já uma investida voltada à derrubada do líder supremo Ali Khamenei ampliaria o número de alvos para milhares de instalações estratégicas, com possibilidade de semanas ou meses de confronto.
Autoridades norte-americanas discutem a hipótese de uma ação limitada para pressionar Teerã a aceitar termos mais rígidos sobre seu programa nuclear. As negociações entre os 2 países devem ser retomadas em Genebra.