Países discutiram em cúpula na França, na 4ª feira (17.jun), estratégia que reduz a dependência externa de minerais críticos
Os países do G7 concordaram, na 4ª feira (17.jun.2026), que nenhum fornecedor isolado deverá responder por mais de 60% das importações de minerais críticos do bloco até 2030. A medida faz parte de uma estratégia para reduzir a dependência internacional da China em materiais considerados essenciais para setores como defesa, tecnologia, energia e indústria. As informações foram divulgadas pela Reuters.
A proposta foi discutida durante a cúpula do grupo, realizada em Évian-les-Bains, na França, e estabelece ações coordenadas para ampliar cadeias alternativas de suprimento, fortalecer estoques estratégicos e estimular novos investimentos no setor mineral.
Embora o comunicado final não mencione Pequim diretamente, fontes ligadas às negociações afirmaram à Reuters que a iniciativa busca diminuir a concentração global em torno da produção e do processamento de minerais críticos e de terras-raras, segmentos nos quais a China ocupa posição dominante.
Até o momento, os países integrantes do grupo anunciaram 195 projetos ligados ao setor mineral desde o início de 2026, com investimentos estimados em 64 bilhões de euros (US$ 74 bilhões). A expectativa é acelerar a construção de cadeias alternativas de suprimento capazes de reduzir a dependência externa.
PARTICIPAÇÃO REDUZIDA
Os líderes também estabeleceram como objetivo a longo prazo reduzir a participação de um único fornecedor para 50% o mais rapidamente possível. O plano inicial estabelece a implementação de mecanismos comuns voltados ao lítio e ao níquel, 2 materiais considerados estratégicos para baterias, veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Posteriormente, a proposta deverá ser ampliada para outros minerais, especialmente elementos de terras-raras.
A discussão ganhou força depois de medidas adotadas pela China para restringir exportações de materiais estratégicos, movimento que provocou preocupações entre governos e empresas sobre possíveis impactos em cadeias produtivas globais.
As terras-raras e outros minerais críticos são considerados insumos essenciais para equipamentos eletrônicos, sistemas militares, turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores e tecnologias ligadas à transição energética. Apesar do nome, muitos desses minerais não são necessariamente escassos, mas o processamento e o refino exigem infraestrutura complexa e investimentos elevados.
CHINA CONCENTRA 70% DE MINERAIS CRÍTICOS
Dados da AIE (Agência Internacional de Energia) indicam que a China concentra 70% da capacidade mundial de refino da maior parte dos minerais críticos. Em alguns produtos específicos, a participação é ainda maior, principalmente nas etapas de processamento industrial e fabricação de componentes.
Os integrantes do G7 também discutiram a criação de uma plataforma internacional para coordenação de políticas públicas, compartilhamento de informações e monitoramento de riscos relacionados às cadeias globais de abastecimento. A iniciativa deverá contar com participação ampliada da AIE para acompanhamento do mercado e identificação antecipada de possíveis desequilíbrios.
Disputa civil sobre um acordo de divórcio se transforma em investigação criminal e ex-casal pode se condenado a 10 anos de prisão
Uma disputa civil sobre um acordo de divórcio transformou-se em uma investigação criminal depois que um tribunal local percebeu que 2 funcionários públicos chineses aposentados estavam brigando por quase 100 milhões de yuans (US$ 15 milhões) em bens —uma quantia que excedia em muito seus rendimentos oficiais.
O caso, que recentemente atraiu intenso escrutínio público na China, destaca a riqueza exorbitante acumulada por alguns funcionários de nível médio durante as décadas de crescimento econômico do país, bem como os riscos de expor disputas domésticas em tribunais públicos.
Em uma decisão que rejeitou o processo civil, o Tribunal Popular do Distrito de Putuo, em Xangai, declarou que os bens do casal eram “obviamente incompatíveis” com sua renda legal e que eles não apresentaram uma explicação razoável. O tribunal arquivou o caso, encaminhando-o para investigadores criminais e repassando as pistas de corrupção para órgãos anticorrupção.
A disputa começou quando um funcionário público aposentado, identificado nos autos do processo apenas pelo sobrenome Wang, processou sua ex-mulher, identificada apenas como Zhang, buscando a divisão de 14 imóveis avaliados em 98,7 milhões de yuans. O casal se casou em 1976 e concordou com o divórcio em 2007, mas não dividiu os bens em comum na época.
Em um processo anterior na província de Jiangsu, Wang havia solicitado a divisão de bens avaliados em um valor ainda maior, de 140 milhões de yuans, antes que o caso fosse transferido para Xangai.
A batalha judicial rapidamente se transformou em uma exposição mútua de patrimônio não declarado, com cada lado listando os principais bens do outro, de acordo com a decisão do tribunal.
Wang acusou Zhang de possuir ou receber diversas somas elevadas, incluindo 10 milhões de yuans devolvidos por um ex-colega e 25 milhões de yuans provenientes de um caso de fraude corporativa em 2010.
Ele também alegou que ela recebeu 32 milhões de yuans ao se desvincular de um investimento em um projeto entre 2015 e 2016 e arrecadou mais de 30 milhões de yuans em comissões da Baoyu Coal Transportation and Marketing Co. entre 1997 e 2007.
Wang alegou ainda que Zhang possuía 5 milhões de yuans em dívidas com terceiros e que certa vez se gabou de ter perdido entre 60 e 70 milhões de yuans no mercado de ações.
Em resposta, Zhang detalhou os consideráveis bens de Wang. Ela afirmou que ele possuía propriedades em Pequim e Zhengzhou, além de uma dívida de 4 milhões de yuans com um indivíduo identificado apenas pelo sobrenome Wu.
Ela também mencionou os produtos de gestão de patrimônio e fundos fiduciários do HSBC de Wang, que, segundo ela, totalizavam mais de 5,41 milhões de yuans e 2,01 milhões de yuans, respectivamente, além de um fundo fiduciário pessoal de HK$ 2,5 milhões (US$ 320 mil) mantido no HSBC.
Zhang também apresentou extratos bancários mostrando que uma conta em nome de Wang teve transações totalizando 31,6 milhões de yuans entre agosto de 2007 e dezembro de 2008, com 27,5 milhões de yuans transferidos de sua conta de negociação de ações.
O tribunal observou que Wang passou sua carreira no sistema ferroviário e em empresas estatais, aposentando-se em 2016 da China Energy Investment no cargo de vice-diretor-geral —uma posição oficial de nível médio.
Zhang era anteriormente policial e foi posteriormente transferida para outra delegacia, embora tenha efetivamente parado de trabalhar após se mudar para Xangai, de acordo com a sentença.
De acordo com a lei chinesa, o caso acarreta graves riscos legais para ambas as partes. O Artigo 395 do Código Penal da China tipifica como crime a posse de bens de grande valor não identificados. Segundo o artigo, quando os bens ou despesas de um funcionário público excedem claramente sua renda lícita e o indivíduo não consegue explicar a origem da discrepância, o excesso é tratado como ganho ilícito.
A pena para tal crime é de até 5 anos de prisão para discrepâncias “enormes” e de 5 a 10 anos para discrepâncias “extremamente enormes”.
De acordo com uma interpretação judicial emitida em abril de 2026 pelo Supremo Tribunal Popular e pela Suprema Procuradoria Popular, uma discrepância é definida como “enorme” se exceder 3 milhões de yuans e “extremamente enorme” se exceder 10 milhões de yuans.
Segundo esses critérios, a magnitude dos bens expostos nos processos de divórcio de Wang e Zhang pode colocar ambos em risco de longas penas de prisão, caso sejam considerados culpados de corrupção.
A decisão do tribunal de Xangai de rejeitar o processo civil baseou-se nas diretrizes do Supremo Tribunal Popular, que estabelecem que, se um tribunal descobrir suspeitas de crimes econômicos durante o julgamento de uma disputa econômica civil, deve arquivar o caso e entregar as provas aos investigadores criminais.
A sentença foi proferida em setembro de 2023, mas passou praticamente despercebida até ser publicada online no início deste ano e começar a circular amplamente nas redes sociais chinesas nos últimos dias, provocando intensos debates sobre a riqueza oculta de funcionários públicos.
Um advogado representando uma das partes recusou-se a comentar.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 4.jun.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
Exportações nos primeiros 4 meses de 2026 subiram 20,9% ante o mesmo período de 2025; produtores buscam se antecipar à cota chinesa
O Brasil exportou 474.220 toneladas de carne bovina para a China nos primeiros 4 meses de 2026. É um aumento de 20,9% em comparação ao mesmo período do ano passado e um recorde do setor para o recorte de janeiro a abril. Os dados são da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).
O resultado das exportações brasileiras no início do ano coincide com a imposição chinesa de cotas para a importação de carne bovina. Em dezembro de 2025, o Ministério do Comércio chinês anunciou que os produtores brasileiros terão uma cota de 1,1 milhão de toneladas –acima disso, incidirá uma tarifa de 55%. Dentro do limite, a taxa é de 12%.
Os exportadores brasileiros já devem se preparar para a alíquota chinesa. A China implementou a medida para fortalecer a pecuária local –o país asiático é o principal destino das exportações de carne bovina brasileira.
O Brasil é o maior fornecedor chinês. No ano passado, foram 1,7 milhão de toneladas de carne brasileira escoadas para o mercado chinês.
A tarifa de 55% terá validade de 3 anos. No sistema de cotas atual, o Brasil é o maior beneficiário, com quase o dobro do volume permitido para a Argentina, 2ª colocada na lista de parceiros comerciais.
A Abiec estima que o cenário leve a uma queda de 10% nas exportações totais do produto em 2026 em comparação com o ano anterior.
MINISTRO VAI À CHINA
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, tem compromissos na China nesta semana. O objetivo é fortalecer a cooperação bilateral e avançar em pleitos sanitários e fitossanitários.
Sua programação começou em Xangai no domingo (17.mai.2026), com participação no Seminário Brasil-China de Agronegócio e visita ao estande brasileiro na SIAL China, a maior feira internacional do setor de alimentos e bebidas da Ásia.
Na 3ª feira (19.mai), o ministro vai a Pequim, onde terá reuniões com representantes da GACC (Administração Geral das Alfândegas da China), do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais e do Ministério do Comércio da China. O assunto da cota sobre a carne bovina pode surgir nas reuniões, mas a possibilidade de uma revisão da medida para beneficiar os produtores brasileiros é mínima.
Presidente dos EUA e líder chinês, Xi Jinping, concordam sobre abrir estreito de Ormuz e impedir programa nuclear iraniano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse que sua paciência com o Irã “está se esgotando” ao discutir a guerra no Oriente Médio com o presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista da China), na 5ª feira (14.mai.2026).
Segundo a Casa Branca, Trump e Xi concordaram, durante conversas em Pequim, sobre a necessidade de manter o estreito de Ormuz aberto.
O Irã fechou a rota marítima em resposta aos ataques conjuntos de Israel e dos EUA, iniciados em 28 de fevereiro. O bloqueio da via provocou uma interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia.
A China é aliada do Irã e principal compradora de petróleo do país.
Os EUA suspenderam os ataques ao Irã no início de abril, mas iniciaram um bloqueio aos portos iranianos. As negociações para encerrar o conflito estão paralisadas, com o Irã se recusando a encerrar o programa nuclear ou abrir mão do estoque de urânio enriquecido.
“Não serei muito mais paciente”, declarou Trump ao programa “Hannity”, da Fox News, na noite de 5ª feira (14.mai.2026). “Eles [os iranianos] deveriam chegar a um acordo”, acrescentou.
Sobre o estoque secreto de urânio enriquecido do Irã, o presidente norte-americano disse que seria possível enterrá-lo, mas afirmou preferir “recebê-lo”.
Segundo Trump, isso seria “mais um ato de relações públicas do que qualquer outra coisa”. Trump disse que Xi prometeu não enviar equipamentos militares ao Irã. “Ele disse que não vai dar equipamentos militares. Essa é uma declaração importante”, afirmou à Fox News.
Segundo a Casa Branca, o presidente chinês demonstrou interesse em comprar mais petróleo norte-americano para reduzir a futura dependência da China em relação ao estreito de Ormuz.
Os líderes também concordaram que o Irã não deve obter armas nucleares. Teerã nega buscar esse tipo de armamento.
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China defendeu que um cessar-fogo duradouro entre EUA e Irã seja alcançado o mais rápido possível. O governo chinês também afirmou que a navegação no estreito de Ormuz precisa ser retomada imediatamente.
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Fabricante chinesa de materiais para baterias, Zhejiang Huayou Cobalt, negocia a compra da australiana Atlantic Lithium
A fabricante chinesa de materiais para baterias de lítio, Zhejiang Huayou Cobalt, planeja adquirir a australiana Atlantic Lithium por US$ 210 milhões (R$ 1 bilhão) em uma transação com o objetivo de garantir o controle de um importante projeto de lítio em Gana e fortalecer a base de recursos upstream da empresa chinesa.
De acordo com o acordo anunciado pela Huayou Cobalt na última 5ª feira (7.mai.2026), o preço final de compra da Atlantic Lithium será determinado com base nos impostos sobre ganhos de capital aplicados pela Autoridade Tributária de Gana. O negócio está sujeito a aprovações regulatórias, incluindo do Conselho de Revisão de Investimentos Estrangeiros da Austrália, bem como das autoridades da China e de Gana.
A aquisição concentra-se no principal ativo da Atlantic Lithium, a mina de lítio de Ewoyaa. O local possui reservas estimadas em 36,8 milhões de toneladas de recursos minerais com um teor de óxido de lítio de 1,24%, o que equivale a 1,1 milhão de toneladas de carbonato de lítio. Em março, o projeto tornou-se a 1ª mina de lítio no país africano a receber aprovação parlamentar formal para sua concessão de mineração.
Espera-se que o acordo fortaleça a autossuficiência e a resiliência da cadeia de suprimentos da Huayou, ampliando seu portfólio africano existente, que inclui o projeto Arcadia no Zimbábue e as operações Mikas e CDM na República Democrática do Congo.
EXPANSÃO DA PRODUÇÃO
A aquisição destaca um esforço mais amplo das principais mineradoras chinesas para expandir agressivamente sua presença no exterior, à medida que o aumento dos preços do lítio e os iminentes déficits de oferta aceleram um novo ciclo de expansão do setor.
A Zijin Mining Group planeja aumentar sua produção de lítio de 25.500 toneladas de carbonato de lítio equivalente em 2025 para quantidades que vão de 270 mil a 320 mil toneladas até 2028.
Essa expansão, impulsionada principalmente pelo projeto Manono, no nordeste da República Democrática do Congo, que deve entrar em operação em junho de 2026, poderá tornar a Zijin uma das maiores produtoras de lítio do mundo.
Em comparação, as principais produtoras nacionais, Tianqi Lithium e Ganfeng Lithium Group, esperam produzir 87.900 toneladas e 182,4 mil toneladas, respectivamente, em 2025. A Ganfeng pretende atingir uma capacidade de produção anual de pelo menos 600 mil toneladas até 2030.
A corrida para garantir ativos coincide com uma forte alta nos custos das matérias-primas neste ano. Os contratos futuros de carbonato de lítio no mercado interno ultrapassaram brevemente a marca de 200 mil yuans (US$ 29.400) em 7 de maio, antes de fecharem a 196,5 mil yuans por tonelada no dia seguinte, consolidando um aumento de quase 49% desde o início do ano.
Os preços foram impulsionados por mudanças nas políticas e atritos geopolíticos. A expectativa do mercado em relação à redução, em 1º de abril, do desconto no imposto de exportação de baterias da China, de 9% para 6%, levou as empresas de armazenamento de energia a acelerarem os embarques, elevando os preços a um pico de 189 mil yuans por tonelada no final de janeiro, antes de recuarem para cerca de 130 mil yuans.
Em outro contexto, a decisão, em 25 de fevereiro, do Zimbábue, um dos principais exportadores africanos, de suspender os embarques de concentrado de lítio e minério bruto impulsionou os preços para perto de 190 mil yuans por tonelada, o nível mais alto desde setembro de 2023.
A volatilidade mais ampla do mercado também foi exacerbada pelas incertezas em relação às aprovações de exportação do Zimbábue e pelo impacto da guerra entre os Estados Unidos e o Irã nas instalações de armazenamento de energia do Oriente Médio, fazendo com que os preços flutuassem de 130 mil a 160 mil yuans por tonelada.
A demanda global por lítio deverá superar a oferta em 2026. Em um cenário otimista da provedora de dados Argus, a oferta global deverá crescer 29% em relação ao ano anterior, atingindo 2,3 milhões de toneladas de carbonato de lítio equivalente, enquanto a demanda deverá saltar 35%, também para 2,3 milhões de toneladas, resultando em um déficit de 10.000 toneladas.
Este texto foi publicado originalmente pelo Caixin Global, em 11 de maio de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, foi adaptado para o padrão do Poder360.
Taxa de juros preferencial de 5 anos também foi mantida em 3,5%; índices são os menores da história chinesa
O Banco Popular da China –que funciona como o Banco Central chinês– anunciou nesta 2ª feira (20.abr.2026) a manutenção da LPR (Taxa Básica de Juros para Empréstimos) em 3%. É o 11º mês consecutivo que o índice permanece inalterado no menor patamar histórico.
A LPR para vencimentos de 5 anos ou mais também foi mantida em 3,5 %. Essas LPRs são válidas até o próximo anúncio do banco central chinês que acontece mensalmente, todo dia 20.
As LPRs são definidas com base nas propostas de taxas enviadas por 20 bancos comerciais ao Banco Popular da China. A LPR de 1 ano é o índice de referência para empresas e famílias, enquanto a LPR de 5 anos é o referencial para o setor imobiliário.
A última vez que a China alterou suas taxas básicas para empréstimos foi em maio do ano passado, quando teve início a guerra tarifária com os Estados Unidos. Agora, outra crise ronda a economia chinesa –a guerra no Irã e a instabilidade no Oriente Médio– , mas o governo decidiu manter uma postura ainda mais conservadora.
O bom resultado do PIB (Produto Interno Bruto) chinês no 1º trimestre pesou para a manutenção da taxa. A economia do país cresceu 5%, retomando um patamar acima de 4,9% depois de 2 trimestres. O resultado nos primeiros 3 meses do ano ficou no topo da expectativa de expansão econômica do país para 2026. Em fevereiro, o governo chinês definiu a meta de crescimento deste ano entre 4,5% e 5%.
Yasushi Noguchi diz que seu país quer diálogo apesar de discordância sobre o domínio da ilha
O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Noguchi, disse que o país apoia o diálogo entre a China e a ilha de Taiwan –território que é ponto de discordância entre os países. Segundo o diplomata, as relações entre Tóquio e Taipei não são governamentais, sendo exclusivamente “comerciais e culturais”.
Em entrevista ao Poder360, Noguchi também afirmou que o Japão está disposto a resolver os desgastes diplomáticos com Pequim. A relação entre os países –que é historicamente sensível– piorou após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi (Partido Liberal Democrático, direita), declarar que defenderia o governo separatista da ilha no caso de uma invasão chinesa.
“Sempre estamos abertos à China para resolver discrepâncias, problemas ou diferenças. Então, queremos solucionar dessa maneira e queremos ter relações mais estáveis. [Há] muitos benefícios entre Japão e China”, afirmou o embaixador japonês.
Assista à íntegra da entrevista (20min):
Segundo o diplomata, o governo japonês está disposto a conversar com o país vizinho para impulsionar uma reaproximação diplomática. A China, no entanto, têm adotado um tom duro após as declarações de Takaichi sobre Taiwan.
Na 3ª feira (24.mar), o Ministério das Relações Exteriores da China culpou a primeira-ministra pelo desgaste diplomático entre os países. O domínio da ilha é um tópico inegociável para Pequim, que só deve retomar o diálogo com o Japão caso ela se desculpe pelas falas.
“Estamos a dialogar. Nossa porta está aberta a dialogar com a China, então sempre estamos dispostos a solucionar diferenças através de diálogo”, disse Noguchi.
Japão mira avanço da parceria com Brasil
Em entrevista ao Poder360, Yasushi Noguchi declarou que a relação entre os 2 países vive uma fase de expansão econômica impulsionada pela busca japonesa por “segurança econômica” e por maior resiliência nas cadeias de suprimentos. Segundo ele, o Brasil ganhou relevância estratégica nesse cenário por combinar “estabilidade democrática” e “abundância” de recursos naturais.
O movimento se dá no contexto de reorganização das cadeias globais, pressionadas por tensões recentes –como a alta do preço do petróleo após tensões no estreito de Ormuz, a disputa entre Estados Unidos e China pelo controle de minerais críticos e a maior incerteza na política comercial norte-americana– que têm levado países como o Japão a reduzir a dependência de poucos fornecedores em setores estratégicos.
Noguchi destacou avanços em duas frentes principais. São elas:
- exploração de minerais críticos do Brasil pelo Japão;
- processo de abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira.
Quarta maior reserva do mundo, a moeda tem sido cada vez mais usada em transações comerciais com parceiros internacionais
O presidente da China, Xi Jinping (PCCh), definiu um plano para estabelecer o renminbi como a principal moeda de reserva mundialmente. O objetivo de Pequim, conforme anunciado pelo mandatário no final de janeiro, é de limitar a dependência e influência do dólar dos Estados Unidos.
As moedas de reserva são mantidas por bancos centrais para facilitar o comércio internacional, estabilizar o câmbio e assegurar liquidez e confiança financeira. A autoridade monetária chinesa tem desenvolvido estruturas institucionais e infraestrutura para operações internacionais com o renminbi –buscando criar condições para que empresas nacionais e estrangeiras utilizem o renminbi em suas transações.
O processo, no entanto, enfrenta impasses políticos e econômicos. Um deles é a diferença no sistema político chinês em comparação com os Estados Unidos, o que implica na menor aceitação dos títulos chineses entre investidores internacionais. A falta de plena conversibilidade e os controles sobre a conta de capital continuam como entraves relevantes para uma adoção mais ampla por bancos centrais estrangeiros.
O Banco Popular da China trabalha para estabelecer um ambiente que favoreça tanto organizações chinesas quanto estrangeiras interessadas em utilizar a moeda em suas operações. As políticas de apoio são:
- estabilização do comércio exterior e do investimento estrangeiro;
- novo comércio offshore;
- novas formas de negócios de comércio exterior;
- empréstimos no exterior;
- integração de fundos piloto de moedas domésticas e estrangeiras.
Ao Poder360, Alex Agostini, economista-chefe da consultoria Austin Rating, avaliou que, apesar da dedicação do governo chinês, será difícil ver resultados imediatos na implementação do renminbi como moeda de reserva global. O principal motivo é o protagonismo dos títulos norte-americanos no mercado internacional –o que deixa pouco espaço para a difusão de títulos chineses.
“Em vez de comprar títulos do Tesouro chinês, muitos investidores optam pelos títulos do Tesouro norte-americano. Embora estes tenham uma rentabilidade menor, oferecem maior garantia de pagamento, considerando todas as questões associadas às características dos países emergentes. No caso da China, trata-se ainda de uma economia relativamente fechada”, afirma o especialista.
Outro impasse são os grandes volumes de reservas em dólares nos bancos centrais. De acordo com informações do Conselho Europeu, a moeda norte-americana é responsável por 57,8% das reservas cambiais no mundo. O renminbi, por sua vez, é a 4ª moeda com mais disponibilidade, com cerca de 2,2% de presença.
Segundo Agostini, para que o renminbi se torne a principal moeda de reserva, “é necessário ter um sistema financeiro sólido, o que envolve outros fatores, como a abertura de mercado”.
No entanto, o economista destaca que é possível que a moeda chinesa seja diretamente usada no sentido de acordos comerciais, como é feito com o Brasil, em alguns casos, desde 2023. Em meio de 2025, os bancos centrais dos 2 países firmaram um acordo de swap cambial.
TRANSAÇÕES COM O RENMINBI
Desde 1948, o renminbi é o nome oficial da moeda chinesa, no entanto, sua unidade monetária é conhecida como yuan –que significa “moeda do povo”. Uma nota de 50 yuans, por exemplo, representa 50 unidades de renminbi.
A cidade de Xangai e a região administrativa especial de Hong Kong funcionam como polos estratégicos para a expansão global da moeda chinesa, com políticas governamentais estabelecidas para facilitar transações internacionais.
O Banco Popular da China e a Autoridade Monetária de Hong Kong revisaram o acordo de swap de moedas —um mecanismo pelo qual os 2 bancos centrais trocam moedas entre si para fornecer liquidez ao sistema financeiro— transformando-o em um swap de caráter permanente (de espera) e ampliando seu volume, com o objetivo de oferecer um apoio de liquidez mais previsível e robusto ao mercado offshore, especialmente em momentos de maior volatilidade.
De acordo com informações do governo chinês, em 2023, mais de 80 bancos centrais ou autoridades monetárias no exterior incluíram o renminbi em suas reservas cambiais. O Banco Popular da China mantém 29 acordos bilaterais válidos de troca de moeda local com outros países.
Apesar da dificuldade em superar a curto prazo o dólar como moeda de reserva, há chances de o renminbi chinês se estabelecer como uma unidade monetária de referência para transações diretas. Com isso, se consolida mais no mercado internacional.
“O que tem acontecido é que a economia chinesa vem ganhando protagonismo há bastante tempo, em razão da sua força econômica. Em alguns anos, não há dúvida de que talvez [poderá ser] a maior economia do mundo”, afirma o economista-chefe.
Inicialmente, Pequim prioriza traçar a esfera de influência do renminbi com países vizinhos e integrantes da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) –bloco que inclui nações como Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã.
“Não haveria necessariamente a necessidade de passar pelo dólar em todas as transações. Esse tipo de situação tende a se expandir, reduzindo custos e despesas, mas sem alterar, ao menos por enquanto, o papel do dólar como moeda de reserva de valor”, explica Agostini.
Pequim autoriza importação do H200 por empresas locais após aval dos EUA; operação pode chegar a US$ 10 bilhões
O governo da China autorizou nesta 4ª feira (28.jan.2026) pela 1ª vez a compra do chip de IA (inteligência artificial) H200, da Nvidia, por empresas do país. A decisão foi anunciada durante a visita do CEO da companhia, Jensen Huang, e envolve centenas de milhares de unidades, com valor estimado em US$ 10 bilhões, segundo o The Wall Street Journal.
A liberação da compra ocorreu depois de os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump (Partido Republicano), permitirem no fim de 2025 a venda do processador ao mercado chinês. Empresas como Alibaba e ByteDance estão entre as primeiras autorizadas a importar o chip, segundo fontes do setor.
A medida sinaliza uma reaproximação pontual entre China e Estados Unidos antes da visita de Trump a Pequim, projetada para abril. Os países haviam anunciado uma trégua comercial em outubro, depois do encontro entre Trump e o presidente Xi Jinping (PCCH, esquerda).
Para obter o aval, as empresas chinesas apresentaram planos detalhando o uso dos chips. Autoridades indicaram que os componentes devem ser destinados a atividades consideradas essenciais, como pesquisa e desenvolvimento avançado em IA.
Ao mesmo tempo, Pequim reforçou a exigência de uso de chips fabricados no país em parte do treinamento de modelos e na maioria das operações de inferência. A política busca reduzir a dependência externa e fortalecer a indústria nacional de semicondutores.
A autorização encerra um impasse iniciado em 2025, quando os Estados Unidos barraram a venda do chip H200 à China. Em outubro, Huang afirmou que a participação da Nvidia no mercado chinês de GPUs para IA havia caído de 95% para zero durante o bloqueio.
Mídia japonesa diz que presença de navios chineses no arquipélago de Diaoyu foi recorde em 2025; países disputam o território
A China minimizou o aumento da presença de navios chineses no arquipélago de Diaoyu, área que é disputada entre o país e o Japão. Nesta 5ª feira (8.jan.2026), o porta-voz do Ministério da Defesa da China foi questionado por jornalistas sobre notícias da mídia japonesa que registraram embarcações de patrulha chinesas na região em 356 dias, mais do que os 355 dias de 2024. O número é o recorde de avistamento de patrulhas chinesas na região.
O porta-voz, coronel Zhang Xiaogang, declarou que as ilhas são território chinês e que não há motivo para os japoneses “fazer alarde” sobre as atividades de patrulha. Também disse para o Japão “agir com cautela em suas palavras e ações” para não agravar a situação na região.
“As patrulhas e a aplicação da lei pela Guarda Costeira Chinesa nessas águas, salvaguardando o mar e protegendo as fronteiras, são legítimas e razoáveis, não dando margem a qualquer cobiça por território chinês. Não há motivo para alarme por parte das partes envolvidas”, disse Xiaogang.
A soberania do arquipélago de Diaoyu voltou a ser um assunto nas mídias chinesa e japonesa depois da crise que se instalou entre os países nos últimos meses.
Por causa de declarações do governo nipônico sobre Taiwan em novembro, as relações entre os países asiáticos foram rompidas e velhas disputas voltaram a chamar atenção. No início de dezembro, a Guarda Costeira da China expulsou um navio de pesca japonês do arquipélago.
ILHAS EM DISPUTA
O arquipélago Diaoyu é um conjunto de 5 ilhas inabitadas que cobrem uma área de 7 quilômetros quadrados. No Japão, o local é conhecido como arquipélago Senkaku. As ilhas ficam a uma distância de 170 km de Taiwan e os mesmos 170 km da ilha Ishigaki, que pertence ao Japão.
As ilhas eram de domínio chinês até 1895, quando foram anexadas pelo Japão ao fim da 1ª Guerra Sino-Japonesa (1894-1895). Nesse mesmo tratado, Taiwan foi parar em domínio japonês.
Com a derrota do Japão na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), o país devolveu diversos territórios para a China –dentre eles Taiwan– , mas o arquipélago não foi citado nos novos tratados.
O governo japonês diz que o arquipélago foi cedido aos Estados Unidos junto à ilha de Okinawa. Essa região ficou sob o controle norte-americano até 1972, quando foi devolvida ao Japão.
No entanto, a China diz que as ilhas são parte integral do território chinês. Segundo o jornal chinês South China Morning Post, já foi identificado em 1969 que o arquipélago tem um potencial de reservas de petróleo e gás, além de ser uma área de pesca.
O arquipélago fica próximo de Taiwan, da China continental e de ilhas ao sul do Japão






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