
Subiu para 20 o número de mulheres que denunciam ter sido abusadas sexualmente pelo ginecologista Marcelo Arantes e Silva. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (17/4) pela delegada Amanda Menuci, da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem), após a divulgação do nome e da imagem do profissional estimular novas vítimas a procurarem a polícia.
Até a quinta-feira (16), o caso reunia cinco denúncias. Depois que a identidade do médico foi tornada pública, novas pacientes compareceram à delegacia relatando situações semelhantes. Parte dos registros mais recentes envolve atendimentos em Senador Canedo, e outros ocorreram em Goiânia. No total, segundo a investigação, são 11 denúncias relacionadas a atendimentos em Senador Canedo e nove na capital.
A estratégia, segundo a delegada, foi adotada para ampliar o alcance da apuração e encorajar novas vítimas. O objetivo, disse ela, foi “encorajar outras mulheres que tenham passado por situações semelhantes a procurarem a delegacia para formalizar denúncia”.
A Polícia Civil suspeita que os abusos tenham ocorrido durante consultas e exames realizados nas duas cidades. O médico também responde por estupro de vulnerável. A investigação começou há pouco mais de um mês, mas os relatos mais antigos remontam a 2017, quando teria ocorrido o primeiro caso identificado.
Em coletiva na quinta-feira, Amanda Menuci afirmou que os relatos seguem um mesmo padrão ao longo dos anos.
“As investigações demonstraram relatos consistentes desde o ano de 2017 até agora, em 2026, de uma conduta totalmente antiética”, disse.
Polícia não descarta pedir prisão preventiva
Os depoimentos apontam que o profissional, especialista em fertilização e procedimentos íntimos, conquistava a confiança das pacientes antes de avançar para toques íntimos e outras condutas inadequadas. As investigações também citam relatos de administração de hormônios sem consentimento.
Embora um pedido de prisão preventiva tenha sido negado pela Justiça, o registro profissional do médico foi suspenso por ordem judicial, medida que, segundo as autoridades, busca evitar novos casos enquanto a apuração continua.
A Polícia Civil informou ainda que o aumento no número de denúncias pode influenciar os próximos passos do inquérito, inclusive com uma nova análise sobre eventual pedido de prisão preventiva. O Conselho Regional de Medicina de Goiás confirmou a suspensão do registro e afirmou que as denúncias seguem sendo apuradas em sigilo.
O que diz a defesa do médico
A defesa do ginecologista Marcelo Arantes e Silva informou que ainda não teve acesso integral ao conteúdo das investigações. Por esse motivo, os advogados ainda não comentaram detalhadamente o teor das acusações.
Em nota, a defesa pontuou que as denúncias são graves e devem ser apuradas, mas destacou que a culpabilidade do médico só poderá ser definida ao final do processo judicial.
Os advogados ressaltaram, ainda, que o caso corre em segredo de Justiça. Segundo a equipe jurídica, todas as manifestações necessárias serão feitas diretamente nos autos do processo no momento oportuno.
Autor Manoel Messias Rodrigues
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