
As agitações no Irã deixaram mais de 500 mortos, segundo grupos de direitos humanos, em um levantamento divulgado neste domingo (11/1). O número alimenta a pressão internacional e o debate sobre possíveis respostas externas. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump deve ser informado nesta terça-feira (13) sobre opções que vão de sanções e operações cibernéticas até ações militares, conforme relatos da imprensa que citam fontes oficiais.
Relatos verificados por organizações como o grupo de direitos humanos HRANA apontam 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança mortos, totalizando 538 vítimas, além de mais de 10.600 detidos nas duas semanas de mobilizações. Os números não foram confirmados por Teerã e a verificação independente segue complicada devido a cortes de internet e restrições de acesso a jornalistas.
Os protestos começaram em 28 de dezembro de 2025 por causa do aumento dos preços e logo se transformaram em mobilizações contra o regime clerical que governa desde 1979; autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de tentar desestabilizar o país. A intensificação das manifestações levou a uma resposta dura das forças de segurança e a um acirramento do discurso oficial contra atores externos.
“Terroristas que incendiaram mesquitas, atacaram bancos e propriedades públicas”, disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV estatal, ao atribuir episódios de violência a agentes que, segundo ele, teriam sido trazidos pelos inimigos do Irã. A declaração foi utilizada para justificar operações de contenção e para reforçar a narrativa de ameaça externa.
“Famílias, eu lhes peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a desordeiros e terroristas que decapitam pessoas e matam outras”, acrescentou Pezeshkian, que também afirmou haver disposição do governo para ouvir reivindicações e atuar sobre problemas econômicos apontados pelos manifestantes. Essa combinação de recuo parcial e repressão marca a postura oficial diante da crise.
Diante do quadro, o Parlamento respondeu com avisos a Washington sobre os riscos de intervenção externa. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Legislativo e ex-comandante da Guarda Revolucionária, afirmou que “no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nosso alvo legítimo”, elevando a retórica de ameaça e o potencial de escalada regional.
O quadro segue volátil: enquanto organismos de direitos humanos pedem investigação e restrição ao uso da força, governos observam a possibilidade de medidas internacionais e avaliam consequências estratégicas. Nas próximas horas, a decisão das autoridades americanas sobre que medidas adotar será um ponto-chave para os desdobramentos da crise.
Autor Manoel Messias Rodrigues
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