Polícia investiga depósitos de R$ 1,5 mi na conta de Casares
Lidiane 6 de janeiro de 2026 0 COMMENTS
Presidente do São Paulo recebeu valores em dinheiro que representam 47% de sua renda de 2023 a 2025, segundo jornal
A Polícia Civil de São Paulo investiga depósitos fracionados em dinheiro que totalizam R$ 1,5 milhão recebidos pelo presidente do São Paulo, Julio Casares. Os valores foram depositados de janeiro de 2023 a maio de 2025, de acordo com relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obtidos pelo UOL. A quantia representa 47% da renda total do dirigente no período analisado.
Os documentos revelam que os depósitos foram realizados em pequenas quantias –prática conhecida como “smurfing”, utilizada para evitar mecanismos de controle financeiro.
ENTENDA O CASO
Segundo apuração do UOL, os registros mostram operações de R$ 49.000, valor R$ 1.000 abaixo do limite que aciona automaticamente a notificação ao órgão de controle. Em um único dia, foram registrados 12 depósitos na conta do presidente são-paulino.
A investigação policial começou depois que o banco onde Casares mantém conta corrente emitiu alerta ao Coaf ainda em 2023, indicando que as operações financeiras do dirigente estavam fora do padrão habitual. A Polícia Civil confirmou a existência da investigação, mas não forneceu detalhes sobre seu conteúdo ou investigados, tendo solicitado segredo de Justiça em três ocasiões diferentes.
Para justificar os recebimentos ao seu banco, Casares declarou “recursos recebidos em espécie do SPFC referente bonificação dos campeonatos (sic)”. Durante os 29 meses analisados, o dirigente teve renda total aproximada de R$ 3,2 milhões, sendo R$ 2,6 milhões acima do salário recebido no período.
A análise dos documentos divide a investigação em 3 períodos consecutivos. No 1º, de janeiro de 2023 a março de 2024, Casares recebeu entradas totais de R$ 1,1 milhão, sendo R$ 476 mil em dinheiro vivo, distribuídos em 17 transações em caixas de agências e 62 em caixas eletrônicos.
No 2º período, de março a outubro de 2024, foram R$ 600 mil em depósitos, representando 53,5% da renda do dirigente naquele intervalo, divididos em 24 operações em guichês e 12 em terminais eletrônicos. No 3º e último período, de outubro de 2024 a maio de 2025, os documentos apontam depósitos que somam R$ 415 mil.
Além de Julio Casares, a investigação também envolve sua ex-esposa, Mara Casares, diretora licenciada do clube. Os relatórios indicam que a conta do presidente era utilizada sistematicamente para pagar despesas de Mara, com 104 boletos bancários emitidos em seu nome. Ela é investigada por supostamente se beneficiar de um esquema de venda clandestina de camarotes no São Paulo.
Outro relatório do Coaf revela que, de janeiro de 2021 a novembro de 2025, foram sacados R$ 11 milhões em espécie do São Paulo, divididos em 35 operações. O salário oficial recebido por Casares do clube totalizou R$ 617 mil, correspondendo a apenas 19,3% de toda a movimentação em sua conta corrente no período investigado.
O QUE DIZ O SÃO PAULO
O São Paulo informou ao UOL que acompanha as investigações e agirá conforme a lei e determinações judiciais, colocando-se à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos quando necessário. O clube afirma que apresentará a contabilidade integral dos R$ 11 milhões sacados em espécie e nega qualquer relação com os depósitos investigados na conta de Casares.
Por meio de seus advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, Casares respondeu às acusações em nota. Eis a íntegra:
“Todas as movimentações financeiras de Julio contidas nos relatórios do Coaf possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
“Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
“Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações -com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.
O Poder360 procurou o São Paulo e a Polícia Civil de São Paulo por meio do WhatsApp para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da investigação. Foram enviadas mensagens de texto por WhatsApp às 7h37. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
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