Manifestação de estudantes grevistas em São Paulo teve bombas de gás lacrimogêneo e intervenção da Polícia Militar após confusão com apoiadores de Jair Bolsonaro
Um ato de estudantes das universidades estaduais paulistas em greve terminou em confronto com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ação da Polícia Militar na tarde desta 2ª feira (11.mai.2026), na Praça da República, no centro de São Paulo. Policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo para separar os grupos depois de discussões e empurra-empurra durante a manifestação.
A confusão começou quando o vereador Adrilles Jorge (União-SP) e o influenciador Robson Fuinha chegaram ao ato e passaram a gravar estudantes presentes na manifestação. Em resposta, manifestantes começaram a gritar “vai trabalhar”. Adrilles respondeu dizendo: “Eu que pago a universidade de vocês”.
Segundo participantes da manifestação, algumas bombas lançadas pela PM atingiram dutos de ar da região, fazendo com que o gás se espalhasse em direção aos estudantes concentrados na via.
Assista ao vídeo (1min11s):
O Poder360 entrou em contato com Adrilles Jorge e Robson Fuinha para saber se gostariam de falar sobre o assunto. As assessorias afirmaram vão se manifestar em breve. O texto será atualizado assim que as respostas forem enviadas a este jornal digital.
As universidades também foram procuradas para posicionamento. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
OCUPAÇÃO NA REITORIA
O ato se dá um dia depois de a Polícia Militar desocupar a reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada por estudantes desde 5ª feira (7.mai.2026). Segundo o Diretório Central dos Estudantes da USP, a ação policial foi durante a madrugada, com uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A PM afirmou que quatro pessoas foram levadas ao 7º Distrito Policial e liberadas após registro de ocorrência.
A manifestação desta 2ª feira (11.mai) é realizada em frente à reitoria da Universidade Estadual Paulista e reúne estudantes da USP, da Unesp e da Universidade Estadual de Campinas. O ato havia sido convocado para acompanhar uma reunião do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), cancelada antes do início.
Mesmo sem a presença dos reitores, representantes do Fórum das Seis participaram de um encontro com a presidência do Cruesp para discutir reivindicações de estudantes, professores e servidores. Entre as pautas defendidas pelos manifestantes estavam reajuste salarial, aumento do auxílio permanência estudantil, cotas trans e vestibular indígena.
A mobilização faz parte da greve estudantil nas universidades estaduais paulistas. Na USP, os estudantes protestam contra o encerramento das negociações sobre o reajuste do auxílio permanência. O movimento pede que o valor do benefício seja elevado para R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista.
Organizações estudantis e departamentos criticam uso de bombas e gás lacrimogêneo e cobram retomada das negociações
Diversos diretórios, centros acadêmicos e organizações estudantis divulgaram notas de repúdio à ação da Polícia Militar que retirou estudantes da reitoria da Universidade de São Paulo na madrugada de domingo (10.mai.2026). As entidades criticaram o uso de força policial e cobraram a reabertura das negociações entre a reitoria e os grevistas.
A reitoria estava ocupada desde 5ª feira (7.mai) por cerca de 150 pessoas. Os estudantes cobravam a retomada de conversas sobre políticas de permanência estudantil, como moradia e alimentação.
A PM disse que 4 pessoas foram levadas ao 7º DP (Distrito Policial), onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Segundo a polícia, não houve feridos. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP declarou que a ação policial se deu com o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A USP afirmou que não foi avisada previamente sobre a operação policial.
A União Nacional dos Estudantes disse que a ação foi “violenta, ilegal e ilegítima”. A entidade afirmou que os estudantes ocupavam o prédio “de maneira pacífica” e que a operação foi feita “sem qualquer tentativa de negociação prévia”.

O Fórum das Seis, que reúne entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza, disse que a desocupação foi “eivada de ilegalidades” e cobrou do reitor Aluísio Segurado a reabertura das negociações. Segundo a organização, a ação “mancha a história da USP”.

O Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que a reitoria colocou “a vida dos estudantes em risco” e disse que a luta dos alunos é “justa e necessária”. O centro acadêmico criticou notas de apoio à reitoria divulgadas por unidades da universidade.

O Centro Acadêmico Professor Paulo Freire, da Faculdade de Educação da USP, falou em “absoluto repúdio” à ação da PM. Disse que estudantes da graduação e da pós-graduação, incluindo pessoas com deficiência, foram “duramente reprimidos” e precisaram ser encaminhados ao hospital.

O DCE da Unicamp também se solidarizou com os grevistas da USP e afirmou que a “repressão policial na universidade é coisa da ditadura”.

O Diretório Acadêmico da EEL (Escola de Engenharia de Lorena) disse que acionar a polícia contra estudantes desarmados “substitui diálogo por repressão”.

Outras organizações, como SAEComp, DCE UFF, CABIO-SPHN, Centro Acadêmico da EEFE-USP, Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da USP e Diretório Acadêmico Unicamp Limeira, também divulgaram manifestações contra a operação e em defesa da retomada das negociações.
As deputadas Erika Hilton (Psol-SP) e Sâmia Bomfim (Psol-SP) acionaram órgãos de controle contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois da ação da PM. Elas pediram apuração sobre a conduta do governo paulista e da polícia na retirada dos estudantes da reitoria.
USP LAMENTA
Em nota, a Universidade de São Paulo lamentou o ocorrido e disse que não foi informada previamente da ação policial. A Reitoria afirma ter mantido diálogo permanente com o movimento estudantil, mas declarou que as negociações chegaram ao limite depois da “insistência em reivindicações que não podem ser atendidas” e “itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica”.
O DCE convocou um ato e uma assembleia geral para esta 2ª feira (11.mai) como resposta à condução das negociações sobre permanência estudantil.



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