Organizações estudantis e departamentos criticam uso de bombas e gás lacrimogêneo e cobram retomada das negociações
Diversos diretórios, centros acadêmicos e organizações estudantis divulgaram notas de repúdio à ação da Polícia Militar que retirou estudantes da reitoria da Universidade de São Paulo na madrugada de domingo (10.mai.2026). As entidades criticaram o uso de força policial e cobraram a reabertura das negociações entre a reitoria e os grevistas.
A reitoria estava ocupada desde 5ª feira (7.mai) por cerca de 150 pessoas. Os estudantes cobravam a retomada de conversas sobre políticas de permanência estudantil, como moradia e alimentação.
A PM disse que 4 pessoas foram levadas ao 7º DP (Distrito Policial), onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Segundo a polícia, não houve feridos. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP declarou que a ação policial se deu com o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A USP afirmou que não foi avisada previamente sobre a operação policial.
A União Nacional dos Estudantes disse que a ação foi “violenta, ilegal e ilegítima”. A entidade afirmou que os estudantes ocupavam o prédio “de maneira pacífica” e que a operação foi feita “sem qualquer tentativa de negociação prévia”.

O Fórum das Seis, que reúne entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza, disse que a desocupação foi “eivada de ilegalidades” e cobrou do reitor Aluísio Segurado a reabertura das negociações. Segundo a organização, a ação “mancha a história da USP”.

O Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que a reitoria colocou “a vida dos estudantes em risco” e disse que a luta dos alunos é “justa e necessária”. O centro acadêmico criticou notas de apoio à reitoria divulgadas por unidades da universidade.

O Centro Acadêmico Professor Paulo Freire, da Faculdade de Educação da USP, falou em “absoluto repúdio” à ação da PM. Disse que estudantes da graduação e da pós-graduação, incluindo pessoas com deficiência, foram “duramente reprimidos” e precisaram ser encaminhados ao hospital.

O DCE da Unicamp também se solidarizou com os grevistas da USP e afirmou que a “repressão policial na universidade é coisa da ditadura”.

O Diretório Acadêmico da EEL (Escola de Engenharia de Lorena) disse que acionar a polícia contra estudantes desarmados “substitui diálogo por repressão”.

Outras organizações, como SAEComp, DCE UFF, CABIO-SPHN, Centro Acadêmico da EEFE-USP, Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da USP e Diretório Acadêmico Unicamp Limeira, também divulgaram manifestações contra a operação e em defesa da retomada das negociações.
As deputadas Erika Hilton (Psol-SP) e Sâmia Bomfim (Psol-SP) acionaram órgãos de controle contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois da ação da PM. Elas pediram apuração sobre a conduta do governo paulista e da polícia na retirada dos estudantes da reitoria.
USP LAMENTA
Em nota, a Universidade de São Paulo lamentou o ocorrido e disse que não foi informada previamente da ação policial. A Reitoria afirma ter mantido diálogo permanente com o movimento estudantil, mas declarou que as negociações chegaram ao limite depois da “insistência em reivindicações que não podem ser atendidas” e “itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica”.
O DCE convocou um ato e uma assembleia geral para esta 2ª feira (11.mai) como resposta à condução das negociações sobre permanência estudantil.


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