Medida revoga regra de 1973 e abre caminho para viagens sobre o território norte-americano com aeronaves mais rápidas
A FAA (Federal Aviation Administration), agência reguladora da aviação dos Estados Unidos, anunciou, na 3ª feira (30.jun.2026), uma proposta de mudança normativa que pode encerrar a proibição de voos comerciais supersônicos sobre o território continental norte-americano, que vigora desde 1973.
A decisão estabelece uma padronização para o ruído dessas aeronaves em voo e responde a um decreto de 2025 do presidente Donald Trump (Partido Republicano), que pediu a remoção das restrições.
Os voos supersônicos viajam a velocidades superiores à do som (cerca de 1.235 km/h, no nível do mar), o que pode gerar estrondos capazes de quebrar objetos, como vidros e louças, em áreas próximas.
A agência argumenta que avanços tecnológicos tornaram obsoleta a proibição. Em nota, o secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que a nova tecnologia torna os voos mais seguros para quem vive nas áreas sobrevoadas.
A FAA sinalizou que ainda este ano pretende propor uma 2ª regra, desta vez para estabelecer padrões de ruído para decolagens e pousos das aeronaves supersônicas.
O objetivo é dar orientações à indústria privada para que os fabricantes possam finalizar projetos compatíveis com voos sobre o território norte-americano.
VELOCIDADE E TEMPO
O principal ganho é a agilidade nas viagens. O avião comercial supersônico Concorde, que operou entre 1976 e 2003, cobria o trajeto de Londres a Nova York em cerca de 3 horas, segundo a British Airways.
Isso era possível porque o trajeto era feito majoritariamente sobre o Oceano Atlântico, o que minimizava o efeito de ruídos para seres humanos.
Duffy argumenta que o fim da proibição traz outros ganhos além da velocidade. Para ele, a medida é capaz de “liberar a inovação americana e inaugurar uma Era de Ouro das viagens”.
COMPANHIAS AÉREAS DE OLHO
Entre as empresas que aguardam essa abertura regulatória está a Boom Supersonic, do Estado do Colorado. A companhia desenvolve a aeronave comercial Overture, com capacidade para 60 a 80 passageiros e velocidade supersônica sem estrondo sônico.
Em 2022, a American Airlines anunciou a compra de 20 unidades do modelo por US$ 200 milhões cada. A expectativa é de que as aeronaves atinjam o dobro da velocidade dos jatos comerciais mais rápidos da atualidade.
A principal tecnologia que permite o fim do ruído se chama “corte de Mach”. As aeronaves são projetadas para utilizar condições atmosféricas, velocidade e altitude para curvar o estrondo sônico e refratar de volta para a atmosfera. Com isso, o impacto no solo é minimizado.
A FAA anunciou que está atuando com a agência espacial norte-americana, a Nasa, a Organização da Aviação Civil Internacional, a indústria e instituições acadêmicas para fundamentar os padrões de ruído supersônico.



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