O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, garantiu recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para iniciar o restauro da Igreja e do Convento de São Francisco, em Salvador (BA). A estimativa de investimento na 1ª fase do trabalho é de aproximadamente R$ 20 milhões.
Esse valor inicial deve contemplar elaboração de projetos e execução de obras na nave central do templo e no claustro. A igreja vem passando por intervenções emergenciais desde março de 2025, previstas para serem concluídas até março deste ano.
A inclusão da igreja e do convento nos planos do Novo PAC foi oficializada pelo CGPAC (Comitê-Gestor do Programa de Aceleração do Crescimento), em resolução publicada em 29 de janeiro no DOU (Diário Oficial da União). Eis a íntegra (PDF – 252 kB).
Os recursos agora reservados para essa 1ª fase do restauro integram os mais de R$ 771 milhões que o Novo PAC, por meio do Iphan, vem destinando a projetos e obras de preservação e valorização do patrimônio cultural em todo o Brasil.
“Estamos fortalecendo uma atuação integrada, baseada em critérios técnicos e planejamento, para assegurar intervenções responsáveis, seguras e alinhadas ao interesse público”, disse a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Segundo o presidente do Iphan, Leandro Grass, “a inclusão deste patrimônio tão valioso na carteira do Novo PAC é resultado da articulação do Iphan e do Ministério da Cultura e reflete a importância que o governo federal dá à nossa cultura e à nossa memória”.
O diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais do Iphan, Daniel Sombra, diz que “o Novo PAC tem sido fundamental para a execução de ações estratégicas de restauração do nosso patrimônio”. Segundo ele, com a resolução do CGPAC, o Iphan “procederá aos processos técnicos de avaliação de todas as necessidades relativas à recuperação do conjunto da Igreja e do Convento de São Francisco, podendo inclusive readequar, futuramente, o valor destinado a esse bem”.
Conclusão de obras emergenciais
O anúncio dos recursos do Novo PAC chega na reta final das obras emergenciais que vêm sendo feitas na Igreja de São Francisco desde março do ano passado, depois da queda de parte do forro do teto da nave central no dia 5 de fevereiro de 2025. Inicialmente prevista para terminar em outubro, a contratação teve seu escopo ampliado pelo Iphan em razão da necessidade de maiores intervenções, que só pode ser identificada durante a realização das obras.
Durante todo esse período, o Iphan supervisionou um trabalho meticuloso que consistiu em:
- remoção dos pedaços do forro que caíram sobre a nave e sua respectiva catalogação;
- diagnóstico da situação do teto e de sua cobertura;
- escoramento de elementos instáveis e reforço da fixação dos elementos remanescentes do teto;
- higienização, tratamento e acondicionamento dos elementos artísticos integrados que se desprenderam, para posterior reinserção ao conjunto;
- revisão da cobertura, com substituição de aproximadamente 90% das telhas cerâmicas e de parte do madeiramento leve de sustentação, com posterior imunização de todas as peças.
No total, o Iphan investiu R$ 2,4 milhões nessas intervenções, que exigiram alto grau de conhecimento técnico especializado em cada etapa, principalmente por se tratar de um bem cultural de mais de 3 séculos e diversos elementos artísticos integrados que precisam ser preservados. O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Guanais, falou sobre a complexidade do serviço realizado na Igreja.
“As intervenções realizadas na Igreja de São Francisco exigiram altíssimo grau de especialização técnica, justamente por se tratar de um bem tricentenário, com estrutura complexa e rica integração artística”, disse.
“O que se conclui agora é uma etapa emergencial fundamental, voltada à estabilização e à segurança do monumento. A partir dela, inicia-se um processo mais amplo, que envolve estudos, diagnósticos aprofundados e projetos, condição indispensável para um restauro responsável. Preservar o patrimônio é, antes de tudo, respeitar o tempo técnico que ele exige”, declarou.
Por questões de segurança, a Igreja de São Francisco permaneceu fechada ao público durante esse período. O Iphan ainda avalia quais recomendações serão feitas à Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Comunidade Franciscana da Bahia, proprietária e responsável pela gestão e preservação do imóvel, depois da conclusão dessa etapa de obras emergenciais.
Com informações da Agência Gov.










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