Companhia ajustou operação para amortecer impacto do preço de combustíveis de aviação durante a guerra
A Azul reportou, nesta 5ª feira (7.mai.2026), uma queda de 14,7% nos gastos com combustível no 1º trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da escalada das tensões no Oriente Médio ter pressionado os preços internacionais do petróleo e do QAV (querosene de aviação), o efeito não foi sentido integralmente no resultado do trimestre. Eis a íntegra dos resultados (PDF – 696 kB).
A companhia também afirma que o recuo foi impulsionado pela valorização do real frente ao dólar e pela eficiência de medidas adotadas durante a reestruturação operacional. O consumo total de combustível da Azul foi reduzido em 4,5%, enquanto o custo médio por litro caiu 10,7%, segundo dados divulgados pela empresa.
De acordo com a companhia, a despesa com combustível somou R$ 1,341 bilhão no trimestre. Para se adaptar ao aumento do preço QAV, a Azul diz ter reduzido a sua capacidade operacional. Em comparação com o mesmo período de 2025, caiu 2,7%.
A empresa também reportou uma melhora de 1,8% no consumo de combustível por ASK (assentos por quilômetro oferecido), impulsionada pela maior utilização de aeronaves de nova geração.
No documento, o CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou que a empresa foi a “primeira companhia aérea da região” a ajustar preventivamente sua capacidade diante da alta gradual do combustível ao longo do trimestre. Segundo ele, a estratégia buscou preservar margens, otimizar a malha aérea e alinhar a operação às condições de mercado.
Rodgerson também disse que a Azul está “estruturalmente bem posicionada” para enfrentar um cenário de combustíveis mais caros. Disse que a companhia opera com uma frota mais eficiente em consumo e possui receitas diversificadas.
O impacto do preço do combustível de aviação na operação da companhia, contudo, foi limitado ao mês de março. A pressão mais intensa sobre o QAV deve aparecer nos próximos trimestres, com a continuidade da alta do petróleo no mercado internacional depois da escalada do conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, a Petrobras realizou ao menos 3 reajustes relevantes no QAV (querosene de aviação):
- março: alta de 9,4%;
- abril: alta de 54,8%;
- maio: alta de 18%.
O preço praticado pela estatal tem influência direta no valor atribuído ao combustível nos terminais aeroportuários. A sequência de reajustes fez o QAV acumular alta próxima de 100% desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã.


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