Após derrota no Senado, advogado-geral da União compartilhou trecho de discurso do famoso antropólogo e político
O advogado-geral da União, Jorge Messias, usou seu perfil no X na 5ª feira (30.abr.2026) para compartilhar um trecho de um discurso que o educador, antropólogo e político mineiro Darcy Ribeiro (1922-1997) proferiu na Universidade Sorbonne, em Paris, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa, em 1978.
Na publicação, Messias escreveu: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.
A publicação de Messias nas redes sociais foi feita 1 dia depois de seu nome ser rejeitado pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Há 132 anos o Senado não rejeitava uma indicação presidencial para o STF. A última vez em que isso se deu foi em 1894, no governo de Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República.
O AGU foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso. Lula anunciou a indicação em 20 de novembro, mas a mensagem oficial só chegou ao Senado em 1º de abril. A sabatina foi realizada 160 dias depois do anúncio e 28 dias depois da formalização.
Apesar da derrota, Messias afirmou que sua trajetória pública não se encerra com o episódio e sinalizou que seguirá atuando na vida institucional do país.
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Pré-candidato ao governo de São Paulo afirmou que derrota no Senado não foi vitória da oposição
O pré-candidato ao governo de São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, afirmou nesta 5ª feira (30.abr.2026) que a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal enfraquece a Presidência da República e o combate à corrupção no país.
“Foi um enfraquecimento da instituição Presidência da República. Isso é preciso notar, e o enfraquecimento do combate ao crime no país e à corrupção”, disse.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad declarou que a derrota no Senado não deve ser tratada como vitória da oposição. Segundo ele, o resultado representa perda institucional para o governo e para o Supremo Tribunal Federal.
Haddad também elogiou Messias e afirmou que ele teria condições de ocupar a cadeira na Corte. Segundo o pré-candidato, o atual chefe da Advocacia-Geral da União atuou em apoio a investigações e medidas adotadas pelo governo federal.
“Eu conheço o Messias há muitos anos e é uma das figuras públicas mais impolutas desse país. O sujeito, à prova de qualquer critério que você possa ter, estaria habilitado para uma vaga do Supremo”, disse.
De acordo com Haddad, Messias teve papel importante em ações conduzidas por órgãos como Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras e Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado.
O ministro afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) costuma sair fortalecido de derrotas políticas e minimizou o impacto direto sobre o governo. Ainda assim, classificou como “incompreensível” a decisão de não aprovar Messias para o STF.
Como noticiou o Poder360, Jorge Messias foi o 1º nome a ser barrado pelo Senado Federal em 132 anos. O último presidente que não conseguiu emplacar seu candidato para o STF foi marechal Floriano Peixoto, em 1894.
Governistas veem “injustiça” e “grave erro” a rejeição do Senado a Messias
Lidiane 30 de abril de 2026
Aliados de Lula reagem à derrota que senadores impuseram ao indicado do petista ao STF; há menção ao processo eleitoral
Governistas criticaram nesta 4ª feira (29.abr.2026) a rejeição no plenário do Senado da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O ministro da Advocacia Geral da União recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis –precisava de 41 a favor para ter a indicação aprovada.
Aliados usaram termos como “injustiça”, “grave erro” e “chantagem política” para qualificar a derrota do governo na Casa Alta. Está é a 1ª vez em 132 anos que a indicação presidencial à Suprema Corte é rejeitada no Congresso.
O relator da indicação de Jorge Messias ao STF, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) atribuiu a derrota ao processo eleitoral. O congressista classificou como “grande injustiça” esse resultado.
“Aqui todos, até os que não torciam por ele, sabem da sua capacidade e viram hoje o quanto que ele está preparado”, disse a jornalistas.
O presidente da CCJ do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), disse que não costuma perguntar aos senadores como votam e sinalizou que não procuraria quem votou contra. Ao ser questionado pelo Poder360 sobre a responsabilidade do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na rejeição de Messias, foi categórico: “Pergunte a ele”.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o governo “respeita a decisão soberana dos senadores”, mas que espera explicação do Senado. O ministro definiu Messias como “um quadro dos mais qualificados do ambiente jurídico do Brasil”.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol-SP), afirmou, em publicação no seu perfil do X, que a “aliança entre o bolsonarismo e a chantagem política venceu na rejeição ao nome de Jorge Messias”. Disse também que “o Senado sai menor desse episódio lamentável”.
Já a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais, declarou que a votação foi “mais que uma injustiça”. Segundo ela, o Brasil foi privado de “uma pessoa muito qualificada para ser ministro do STF”.
Na publicação em seu perfil no X, Gleisi mencionou a votação de 5ª feira (30.abr) da derrubada dos vetos presidenciais ao PL da Dosimetria. “Uma aliança vergonhosa que se volta contra o governo, mas é realmente contra a justiça, a democracia e o país”, escreveu.

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) disse ver “com preocupação” o resultado. “Quem perdeu foi a democracia”, declarou ao Poder360.
A senadora Teresa Leitão (PT-PE) estava com Messias depois da derrota. “Lamento muito que tenha sido perdida uma oportunidade ímpar de ter uma pessoa qualificada para o STF”, disse ao Poder360.
Já o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) disse que a derrota é um “episódio, que não pode ser misturado com outros aspectos”. O congressista defendeu que a prerrogativa da nomeação ao STF é do presidente da República.
Assista (3min27s):
Segundo Teixeira, o resultado não foi “em relação a Messias”, mas a “outras coisas”. Não especificou quais. “Ele [Messias] está de alma tranquila diante desses fatos”, acrescentou.
PT
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também se pronunciou sobre a derrota. Ele classificou como “grave erro” o resultado.
O dirigente partidário também disse que a atitude do Senado resulta em “importante instabilidade institucional” e afirmou que a Casa Alta politizou a indicação.
Leia a íntegra da nota de Edinho Silva:
“O Senado Federal, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, comete um grave erro, politizar uma indicação para um cargo onde a formação técnica é o mais relevante. Essa postura do Senado Federal também gera uma importante instabilidade institucional. Há 130 anos que uma indicação para a Suprema Corte não é recusada. Mais uma atribuição do Poder Executivo ‘é esvaziada pelo Legislativo. Em um momento de tamanha instabilidade mundial, onde a racionalidade perde espaço para o ódio e para a intolerância, no Brasil deveríamos dar exemplos de paz política e estabilidade. Não existe na história registro de um país que tenha crescido economicamente na instabilidade política e institucional.
“Messias é um jurista sério, preparado e comprometido com o Brasil. Sua rejeição não diminui sua trajetória, mas revela a disposição de setores do Congresso Nacional de enfraquecer o Judiciário brasileiro e transformar uma indicação qualificada em disputa política para enfraquecer a democracia”.
Presidente da República teve encontro ontem (2ª feira) à noite com o presidente do Senado e ajustaram como deve ser o processo; petista vai agora conversar com Rodrigo Pacheco, que foi preterido no processo e indicação formal sai na semana que vem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou para a Indonésia e Malásia na manhã desta 3ª feira (21.out.2025) sem indicar um nome para a vaga que foi aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria antecipada de Roberto Barroso. Como antecipou a 1ª edição do Drive, newsletter exclusiva para assinantes do Poder360, o petista teve uma conversa ontem à noite no Palácio da Alvorada, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Ficou acertado entre os 2, Lula e Alcolumbre, que a indicação ao STF deve ser feita quando o presidente da República voltar de seu giro pela Ásia, no início da próxima semana. Mas antes de revelar publicamente quem é o seu preferido –Jorge Messias, ministro da Advocacia Geral da União–, Lula vai conversar com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que era o predileto de Alcolumbre e de ministros do Supremo, como Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Na conversa de ontem à noite, Lula disse mais uma vez a Alcolumbre o que vem dizendo a vários interlocutores: a indicação de nomes para o Supremo deve ser exclusiva do presidente da República. Reafirmou que não vai aceitar sugestões. Nessas ocasiões, Lula costuma citar casos em que ouviu no passado recomendações de terceiros e se arrependeu depois, como ocorreu com os ministros Joaquim Barbosa e Luiz Fux.
O petista disse a Alcolumbre que vai continuar a dar prestígio ao presidente do Senado, um aliado importante, mas pediu que compreenda que, no caso do nome para o STF, vai decidir sozinho –e sugeriu que será Jorge Messias. Alcolumbre aquiesceu.
Antes de indicar Messias formalmente, Lula pretende fazer um trabalho político mais amplo de articulação para que o processo de aprovação do nome no Senado seja rápido e suave. Ontem, já fez o acerto com Alcolumbre, que é um dos políticos que mais sugere e indica nomes para cargos na administração federal. Nesta semana, o presidente do Senado teve também outra vitória bancada por Lula, que foi a liberação do Ibama para que a Petrobras comece a explorar petróleo na Margem Equatorial, processo que vai enriquecer o Amapá.
Se tudo correr como Lula pretende, no meio da próxima semana o nome de Messias será anunciado e o processo será acelerado no Senado. A ideia é que a aprovação se dê ainda em 2025 –e o atual ministro da AGU tome posse no Supremo antes de o Judiciário entrar em recesso, em meados de dezembro.
Informações desta reportagem foram publicadas antes pelo Drive, com exclusividade. A newsletter é produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Conheça mais o Drive aqui e saiba como receber com antecedência todas as principais informações do poder e da política.


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