Shaun Evans estava sendo investigado por sinal feito na cabine do VAR no jogo entre a seleção da Alemanha e a de Curaçao no domingo (14.jun)
A Fifa informou nesta 2ª feira (15.jun.2026) que não identificou violação ao Código Disciplinar no caso envolvendo o árbitro assistente de vídeo australiano Shaun Evans, que foi criticado nas redes sociais depois de aparecer na transmissão de Alemanha 7 x 1 Curaçao no domingo (14.jun) fazendo um gesto associado por alguns grupos como racista.
Em nota, a entidade afirmou que seu Comitê Disciplinar analisou o caso e concluiu não haver evidências suficientes para apontar infração às regras da organização.
“O Comitê Disciplinar independente da Fifa confirma que, após analisar o caso envolvendo o árbitro assistente de vídeo Shaun Evans, não encontrou evidências de violações do Código Disciplinar da Fifa. O Comitê Disciplinar também tomou conhecimento da declaração do Sr. Evans”, afirmou a entidade.
Árbitro Shaun Evans negou qualquer conotação política ou racial e afirmou que o gesto foi involuntário
A polêmica surgiu durante a vitória da seleção da Alemanha por 7 a 1 sobre a de Curaçao, no domingo (14.jun), quando Evans apareceu na transmissão do VAR (árbitro assistente de vídeo) fazendo um gesto com a mão semelhante ao sinal de “OK”.
Tradicionalmente, o sinal é utilizado como aprovação. Nos últimos anos, porém, passou a ser associado em determinados contextos a grupos extremistas e supremacistas brancos. A interpretação foi realizada porque os três dedos estendidos podem formar a letra “W”, enquanto o círculo feito pelo polegar e pelo indicador pode representar a letra “P”, referência à expressão “White Power” (“poder branco”, em inglês).
A associação ganhou visibilidade internacional quando o supremacista australiano Brenton Tarrant utilizou o gesto durante uma audiência judicial em 2019, depois de ser preso pelo assassinato de 50 pessoas em ataques a mesquitas na Nova Zelândia.
A rede Fare, de acordo com o The Athletic, organização que atua no monitoramento de discriminação no futebol e parceira da Fifa em iniciativas de direitos humanos e combate ao racismo, afirmou que o gesto feito por Evans se assemelhava ao símbolo utilizado em círculos da extrema direita internacional. A entidade chegou a questionar a presença do árbitro no restante do torneio.
Apesar disso, organizações que monitoram símbolos de ódio alertam para o risco de interpretações automáticas. A ADL (Anti-Defamation League), que classifica o gesto como potencial símbolo extremista, afirma que o movimento também possui usos amplamente difundidos fora desse contexto e que sua interpretação depende das circunstâncias em que foi realizado.
ÁRBITRO NEGA GESTO RACISTA
Shaun Evans negou qualquer conotação política ou racial e afirmou que o gesto foi involuntário.
“Gostaria de esclarecer que não fiz nenhum gesto ou símbolo para comunicar intencionalmente uma mensagem, afiliação ou crença de qualquer tipo. A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um espasmo involuntário e subconsciente”, declarou.
O árbitro também afirmou que imagens registradas ao longo da partida mostram que repetiu movimentos semelhantes enquanto segurava uma caneta entre os dedos e disse lamentar a repercussão do episódio.
Evans integra o quadro da Fifa desde 2017 e participou da Copa do Mundo do Catar, em 2022, como árbitro assistente de vídeo. No torneio atual, voltou a ser escalado para atuar exclusivamente no VAR.
Leia a íntegra da nota da Fifa:
“O Comitê Disciplinar independente da Fifa pode confirmar que, após analisar o caso envolvendo o árbitro assistente de vídeo Shaun Evans, não encontrou evidências de violações do Código Disciplinar da Fifa. O Comitê Disciplinar também tomou nota da declaração do Sr. Evans.
“Declaração de Shaun Evans:
“Gostaria de esclarecer que não fiz nenhum gesto ou símbolo com a mão intencionalmente para comunicar uma mensagem, afiliação, jogo ou crença de qualquer tipo.
“A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um espasmo involuntário e subconsciente, e eu não tinha consciência de tê-lo feito naquele momento. Imagens tiradas posteriormente durante a partida mostraram que repeti esse movimento várias vezes enquanto segurava uma caneta entre os dedos.
“A cobertura após este incidente simplesmente não reflete quem eu sou. Claro, entendo como o gesto foi interpretado e lamento isso, porém quero deixar bem claro e afirmar categoricamente que não fiz o gesto com a mão sugerido de forma consciente ou deliberada.
“Apitar na Copa do Mundo é a maior honra da minha carreira e estou ansioso para apoiar meus colegas durante o restante do torneio.”


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