19 de maio de 2026
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Tripulação esteve a 6.540 km da Lua e entrou em “apagão” de 40 minutos ao passar pelo lado oculto, perdendo contato com a Terra

A espaçonave Orion, que abriga os 4 astronautas tripulantes na missão Artemis 2, atingiu o ponto mais próximo da Lua já alcançado por humanos desde o fim do Programa Apollo, há mais de meio século, nesta 2ª feira (6.abr.2026).

Devido à posição da nave em relação à Terra, neste ponto de maior aproximação, a massa da Lua bloqueia todos os sinais de rádio, resultando em um “apagão” de comunicação planejado de aproximadamente 40 minutos.

Durante esse período, a tripulação –composta por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen– opera de forma totalmente autônoma, sem contato com o controle da Nasa, em Houston.

Veja imagens do momento:



Veja imagens da aproximação da Orion c… (Galeria – 8 Fotos)



O espetáculo visual e a física da trajetória

Enquanto contorna o lado oculto da Lua, a tripulação vive um dos momentos mais raros da missão.

Sem contato com a Terra e diante de um cenário que poucos humanos já presenciaram, os astronautas observam fenômenos que combinam escala extrema, dinâmica orbital e um ponto de vista único do sistema Terra-Lua. Saiba quais são:

  • A Lua de basquete: nessa distância, o satélite natural domina a visão pelas janelas da Orion, aparecendo com o tamanho aparente de uma bola de basquete segurada à distância de um braço, de acordo com a Nasa;
  • “Earthset” e “Earthrise”: minutos antes da aproximação máxima, às 19h45, os astronautas observaram o “Earthset”, o pôr da Terra atrás do horizonte lunar. O “Earthrise”, ou nascer da Terra, se deu às 20h25, momento em que o contato com a Terra foi restabelecido;
  • Estilingue gravitacional: a Orion segue uma trajetória de retorno livre, utilizando a gravidade lunar como um estilingue natural para iniciar automaticamente o caminho de volta à Terra, sem necessidade de grandes manobras de propulsão. Na prática, a diferença de massa entre a Terra e a Lua faz com que a gravidade terrestre seja dominante no sistema, puxando a nave de volta após o contorno lunar.

Ciência no ponto cego da Terra

Apesar da ausência de comunicação, o trabalho a bordo continua intenso. A tripulação utiliza câmeras de alta resolução para registrar crateras de impacto e fluxos antigos de lava, além de observar formações geológicas nas regiões polares, consideradas estratégicas para futuras missões tripuladas de pouso na Lua.

Embora a Artemis 2 não realize o pouso lunar, a validação de sistemas críticos a mais de 400 mil km da Terra é essencial para as próximas etapas do programa Artemis.

Os dados coletados sobre radiação, suporte à vida e manobras de pilotagem serão usados para garantir a segurança de futuras missões que devem levar astronautas de volta à superfície lunar pela 1ª vez desde 1972, com a Apollo 17, consolidando a presença humana duradoura no satélite natural.

O sucesso da manobra representa um passo decisivo para que a Nasa avance em seu plano de levar astronautas novamente à superfície lunar nos próximos anos.

O lado oculto da Lua

O chamado “lado oculto da Lua” é a face do satélite que não pode ser vista da Terra. Isso se dá porque a Lua está em rotação sincronizada com o planeta –um fenômeno conhecido como rotação síncrona–, o que faz com que sempre a mesma face esteja voltada para nós. Assim, a outra metade permanece fora do nosso campo de visão direto.

Apesar do nome, esse lado não está permanentemente no escuro. Ele recebe luz solar normalmente, assim como o lado visível. O termo “oculto” se refere apenas ao fato de não ser observável da Terra sem o uso de sondas ou missões espaciais.

Foi somente em 1959, com a missão soviética Luna 3, que a humanidade obteve as primeiras imagens dessa região.

Além da limitação visual, o lado oculto também representa um desafio técnico para missões espaciais. Quando uma nave passa por essa região, a própria massa da Lua bloqueia os sinais de rádio, interrompendo a comunicação direta com a Terra.

Esse fenômeno explica o “apagão” enfrentado pela cápsula Orion durante a missão Artemis 2.

Assista ao momento do lançamento da Artemis 2 (3min45s):



Autor Poder360 ·


Victor Glover afirma que a Páscoa é uma oportunidade para a humanidade está em um mesmo planeta

O astronauta Victor Glover, que integra a missão Artemis 2, disse no sábado (4.abr.2026) que a Terra é “uma coisa só” e que a Páscoa, celebrada neste domingo (5.abr) é um lembrete para a humanidade: “É uma oportunidade para nos lembrarmos de onde estamos, de quem somos e de que somos a mesma coisa”.

“Para mim, uma das perspectivas pessoais realmente importantes que tenho aqui em cima é que posso realmente ver a Terra como uma coisa só. Vocês estão em uma nave espacial chamada Terra, que foi criada para nos dar um lugar para viver no universo, no cosmos. Confiem em mim: Vocês são especiais”, afirmou.

Assista ao vídeo de Glover (1min27s):

Além de Glover, Reid Wiseman, Christina Koch e Jeremy Hansen também estão a bordo da cápsula, lançada na 4ª feira (1º.abr.2026).

“Ao chegarmos ao domingo de Páscoa pensando em todas as culturas ao redor do mundo, quer você comemore ou não, quer você acredite em Deus ou não, esta é uma oportunidade para lembrarmos onde estamos, quem somos, que somos a mesma coisa e que temos que passar por isso juntos”, disse o astronauta.

ARTEMIS 2

A missão Artemis  2, o 1º voo tripulado do programa lunar da Nasa desde 1972, foi lançada em 1º de abril de 2026, do Centro Espacial Kennedy, nos EUA. Quatro astronautas –Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen (Agência Espacial Canadense)– estão a bordo da Orion, em um voo ao redor da Lua com retorno previsto à Terra em cerca de 10 dias.

O objetivo é testar sistemas da Orion –incluindo suporte à vida, comunicação e propulsão– e procedimentos de voo tripulado em torno da Lua, além de avaliar a rotina e desempenho da tripulação em condições de microgravidade. Os astronautas conduzirão experimentos, monitoramento de sistemas e manobras de navegação, garantindo a segurança e a eficácia de futuras missões lunares.

A missão deve chegar à Lua na tarde de 2ª feira (6.abr.2026), quando a espaçonave Orion realizará um sobrevoo de 6 horas ao redor do satélite natural da Terra. Durante essa fase, está previsto um apagão de cerca de 40 minutos na comunicação com a equipe em solo, causado pela passagem da cápsula pela face oculta da Lua.

Assista ao momento do lançamento da Artemis 2 (3min45s):



Autor Poder360 ·


Missão tripulada da Nasa deixou a órbita da Terra e agora está a caminho do satélite

A missão Artemis 2 concluiu na 5ª feira (2.abr.2026) a manobra que tirou a cápsula Orion da órbita da Terra e a colocou em trajetória rumo à Lua. A queima do motor principal, chamada de injeção translunar, durou cerca de 6 minutos e, segundo comunicado da Nasa, marcou a 1ª vez desde a Apollo 17, em 1972, que astronautas deixaram a órbita terrestre com destino ao entorno lunar.

O lançamento da missão foi na noite de 4ª feira (1º.abr). Fazem parte os astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen.

Segundo a Nasa, a Orion passou a seguir uma trajetória precisa em direção ao satélite natural da Terra depois da manobra, considerada decisiva para o restante do voo. Lori Glaze, administradora interina associada da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa, disse que o momento representa “progresso significativo” para o programa Artemis e para as próximas etapas da exploração lunar.

O êxito da queima veio depois de um 1º dia de voo dedicado a testes e checagens. Nas horas iniciais da missão, a Orion abriu seus 4 painéis solares, fez duas manobras para ajustar a órbita ao redor da Terra e se separou do estágio superior do foguete SLS (Space Launch System). A tripulação realizou uma demonstração de pilotagem manual, usando o estágio que havia impulsionado a nave como alvo de referência. Os astronautas enfrentaram problemas pontuais, como uma falha temporária de comunicação e um ajuste no vaso sanitário de bordo, normalizado ainda no início da viagem.

Ainda no 1º dia, a missão liberou pequenos satélites acoplados ao conjunto de lançamento e iniciou a adaptação dos astronautas ao ambiente espacial, com períodos de descanso, exercícios e verificações médicas. Segundo a Nasa, essa etapa inicial serviu para validar sistemas centrais da cápsula antes da queima que colocaria a tripulação a caminho da Lua.

A Artemis 2 é uma missão de teste com duração prevista de 10 dias. O objetivo não é pousar na superfície lunar, mas orbitar a Lua e voltar à Terra, num voo pensado para avaliar o desempenho da nave e os efeitos do espaço profundo sobre os astronautas. Entre os focos da missão estão o monitoramento da exposição à radiação, o comportamento do corpo humano fora da proteção do campo magnético terrestre e a interação da tripulação com sistemas automatizados da cápsula.

Na 2ª feira (6.abr), durante a passagem planejada ao redor da Lua, os 4 astronautas devem fotografar a superfície em alta resolução e fazer observações do lado oculto do satélite. Depois disso, a Orion iniciará o retorno e deverá pousar no oceano Pacífico, na costa de San Diego. Se o cronograma for mantido, a missão consolidará o 1º voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos e abrirá caminho para etapas mais ambiciosas do programa Artemis.



Autor Poder360 ·