2 de junho de 2026
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O ex-diretor financeiro do AparecidaPrev, Khayo Eduardo Pires de Oliveira, disse ao PORTAL NG que agiu para evitar o aporte de R$ 40 milhões em letras financeiras do Banco Master e enviou uma reconstituição documental que, segundo ele, comprova a intervenção direta do então secretário da Fazenda, Einstein Paniago, em articulações que levaram à aplicação. Khayo mostra que registrou sua discordância em ata e que participou ativamente no Comitê de Investimentos e no Conselho Municipal de Previdência para tentar barrar o negócio.

As atas anexadas por Khayo mostram que o credenciamento do Banco Master foi levado ao Conselho após solicitação formal de Einstein Paniago para reunião extraordinária em 20 de dezembro de 2023 para apresentação do banco. O documento registra a objeção técnica de conselheiros ao risco do Master e mostra que, em 15 de fevereiro de 2024, Khayo consignou em ata que “não concorda com o investimento”.

Segundo Khayo, apesar das reservas técnicas e não aprovação do investimento pelo Comitê, a ordem para a aplicação de R$ 40 milhões foi dada pelo presidente do instituto em 6 de junho de 2024. Ele aponta que Robes Venâncio, então presidente do AparecidaPrev, determinou a operação e sustenta que sua função, como diretor financeiro, ficou restrita à execução operacional das cotações e ao protocolo bancário exigido para efetivar a ordem superior.

Os fatos ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Vilmar Mariano, que é responsável pela escolha e nomeação do presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Aparecida de Goiânia (AparecidaPrev).

Khayo ressalta que, antes da liquidação do banco em novembro de 2025, o Comitê buscou alternativas de mitigação — incluindo venda das letras financeiras em mercado secundário e permuta por títulos de instituição mais segura — medidas que, segundo ele, dependiam de decisões da presidência do instituto para serem efetivadas. Nesta época, o AparecidaPrev já era presidido por Taysa Melo, também nomeada por Vilmar Mariano, no lugar de Robes Venâncio.

Khayo enviou ao NG nesta sexta-feira (27/2) cópias das atas e do fluxo de e-mails e documentos que, segundo sua leitura, demonstram tanto a articulação de Einstein Paniago em favor do Master quanto suas tentativas de correção. Ele disse ainda que alertou a presidência para retirar os recursos do Master e realocá-los em instituição segura, sem sucesso a tempo de evitar o prejuízo resultante da liquidação do banco.

Ainda não está certo como será feita apuração das responsabilidades pelo rombo de R$ 40 milhões no AparecidaPrev. A Polícia Federal apura as aplicações de fundos previdenciários públicos com o banco de Daniel Vorcaro. A Câmara de Aparecida de Goiânia ouviu a atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, que apontou irregularidade na aplicação, já que teria sido feita sem conhecimento do Conselho Previdenciário Municipal. Alguns vereadores tentam viabilizar a criação de uma Comissão Especial para investigar o caso.

Autor Manoel Messias Rodrigues


A Polícia Federal avança nas apurações sobre o rombo de R$ 40 milhões no AparecidaPrev, o instituto de previdência dos servidores de Aparecida de Goiânia, ligado a aplicações em letras financeiras do Banco Master em junho de 2024. Conforme reportagem da CNN Brasil, entre os nomes identificados pela PF figuram o ex-prefeito Vilmar Mariano e o ex-secretário da Fazenda e ex-gestor do instituto, Einstein Paniago.

Documentos e atas referidos nas investigações indicam que os R$ 40 milhões foram aplicados sem autorização do Conselho Municipal de Previdência e com apresentação de dados considerados falsos. O Banco Master, cujo presidente era o banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado em novembro pelo Banco Central, fato que motivou questionamentos sobre a segurança da operação e o eventual prejuízo ao instituto.

As apurações apontam ainda que havia intenção de aportar valores adicionais — pelo menos R$ 10 milhões, segundo conversas recuperadas, e tratativas que chegaram a ultrapassar R$ 30 milhões — e que as operações teriam sido conduzidas apesar do parecer negativo do conselho, devido ao baixo rating de risco do banco.

Conforme mostrou o PORTAL NG no início de dezembro, parte das discussões sobre o caso teve curso na Câmara Municipal. Vereadores apresentaram requerimento em 4 de dezembro para ouvir o ex-secretário Einstein Paniago e o então presidente do AparecidaPrev, Robes Venâncio. A atual presidente do instituto, Márcia Tinoco, foi ouvida posteriormente e afirmou aos parlamentares que Robes Venâncio não comunicou ao Conselho Deliberativo a operação que resultou na aplicação dos recursos.

Diante da repercussão, a Câmara passou a avaliar a criação de uma Comissão Especial de Inquérito para aprofundar as apurações locais. Paralelamente, a Polícia Federal concentra investigações sobre as relações entre agentes públicos e o banco, buscando esclarecer responsabilidades na decisão pela aplicação.

Segundo apurações, a execução do investimento teria contado com a intervenção direta de Einstein Paniago, que, apesar do parecer contrário do conselho, teria se aproximado de Vorcaro e atuado para viabilizar a operação. Há também indicações de que os investimentos foram acordados com o então prefeito Vilmar Mariano, sendo efetivado seis meses antes do término do seu mandato e pouco antes de restrições partidárias à sua reeleição.

Autor Manoel Messias Rodrigues


Em relato à Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia nesta segunda-feira (8/12), a presidente da AparecidaPrev, Márcia Tinoco, afirmou que o ex-presidente do instituto, Robes Venâncio, omitiu do Conselho Deliberativo a operação que resultou na aplicação de R$ 40 milhões em letras financeiras do Banco Master. Segundo Márcia, o ex-secretário de Governo Einstein Paniago também teve papel decisivo na indicação e viabilização do aporte.

O investimento foi realizado em junho de 2024, no período da gestão do então prefeito Vilmar Mariano (União), e o banco já está em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. A AparecidaPrev é a autarquia municipal responsável pela gestão do regime próprio de previdência dos servidores de Aparecida de Goiânia.

Dados do Ministério da Previdência Social ndicam que 18 fundos previdenciários estaduais e municipais têm, ao todo, R$ 1,86 bilhão aplicados em letras financeiras do Banco Master. Pelas regras vigentes, o Fundo Garantidor de Crédito não cobre aplicações dos regimes próprios de previdência dos estados e municípios, o que na prática indica a perda do dinheiro investido.

Márcia explicou que assumiu a gestão da autarquia em janeiro deste ano e que, ao revisar as atas em março, identificou que o aporte havia sido feito sem conhecimento nem anuência do Conselho Deliberativo. Em seu relato, ela descreveu uma sequência de decisões e ajustes que antecederam a aplicação.

A primeira menção ao Banco Master ocorreu em novembro de 2023, quando um representante da instituição apresentou dados ao Conselho. Em dezembro daquele ano, foi aprovado pelo colegiado o credenciamento da entidade, com oito votos favoráveis, o que permitiu que o banco passasse a receber investimentos.

Em fevereiro de 2024, Robes Venâncio e Einstein Paniago solicitaram estudos sobre as letras financeiras do Master. Naquele mês foi elaborada proposta de aporte e, conforme relato de Márcia, o secretário chegou a questionar a possibilidade de investir R$ 50 milhões, recebendo do banco a resposta de que não havia impedimento técnico.

Ainda em fevereiro, o Conselho rejeitou proposta de alteração da Política de Investimentos necessária para permitir aplicações no Banco Master, por conta da classificação da instituição. Segundo a presidente, Robes e Einstein então passaram a propor ajustes na política para adequá-la ao caso. Posteriormente, a mudança foi aprovada pelo colegiado.

Operação só foi descoberta 3 meses após efetivada

Em junho de 2024, de acordo com Márcia, a aplicação de R$ 40 milhões foi efetivada e autorizada pelo então presidente do instituto, sem que o Conselho fosse formalmente comunicado. A operação só veio a ser descoberta por um conselheiro em setembro, por meio de informações publicadas na internet; até então, o colegiado desconhecia o investimento.

Após a revelação, os membros do Conselho convocaram os envolvidos para prestar esclarecimentos. Em 24 de setembro, a assessoria de investimentos posicionou-se contra a operação e sugeriu a venda dos títulos ao Banco do Nordeste. Em seguida, o colegiado passou a discutir a fragilidade do Master e eventual responsabilização.

Em outubro, o Comitê de Investimentos voltou a debater a venda das letras e aprovou a convocação de reunião extraordinária para autorizar a liquidação dos títulos. Também foi solicitada investigação formal sobre possíveis irregularidades na operação.

Márcia relatou ter comunicado o prefeito e solicitado autorização para adotar providências imediatas. A solicitação incluiu o encaminhamento de denúncias ao Ministério Público, ao Ministério da Previdência e ao Tribunal de Contas dos Municípios, o que, segundo ela, foi autorizado. As denúncias, afirmou, subsidiaram a atuação dos órgãos de controle.

Márcia Tinoco apontou falta de transparência na gestão anterior, ausência de documentos essenciais e risco ao patrimônio previdenciário

A presidente apontou falta de transparência na gestão anterior, ausência de documentos essenciais e risco ao patrimônio previdenciário. Entre as medidas pedidas por Márcia estão auditoria externa independente, bloqueio de ativos e ações para prevenir novos riscos. Ela também encaminhou o caso à Procuradoria do Município para analisar o processo licitatório relacionado à assessoria de investimentos que participou da aplicação.

Márcia disse ter enviado ofício ao Conselho questionando quais providências foram tomadas à época e por que não houve reação diante das inconsistências. Ela acrescentou que elaborou relatório técnico público, que será disponibilizado na área de transparência do site da autarquia, e instituiu boletim periódico de acompanhamento. A presidente afirmou ter reforçado controles internos e suspenso qualquer contratação com a assessoria financeira anterior.

A AparecidaPrev já se habilitou como credora na liquidação judicial do Banco Master em busca do ressarcimento dos R$ 40 milhões investidos, valor que, atualizado com juros, aproxima-se de R$ 47 milhões. Segundo o diretor financeiro Khayo Eduardo Pires de Oliveira, o patrimônio total da autarquia atualmente é de R$ 1,02 bilhão.

Vereadores veem ‘manipulações internas’ na operação

Autor do requerimento para ouvir a atual e a ex-direção do AparecidaPrev, o vereador Isaac Martins (União) afirmou que as informações apresentadas deixam evidente que houve manipulações internas para que a operação, mesmo com alto risco e sem aprovação do Conselho, fosse executada. Para ele, está claro que a decisão foi tomada unilateralmente pelo ex-presidente Robes Venâncio.

O vereador Dieyme Vasconcelos (PL) avaliou como “histórico” o debate realizado na Câmara.

O vereador Tales de Castro (PSB) demonstrou preocupação sobre a possibilidade de recuperação dos recursos e questionou quais medidas estão sendo adotadas para tentar reaver os valores. Outros parlamentares também apontaram risco e defenderam que a Casa Legislativa não se omita durante a investigação.

Em resposta, o diretor financeiro Khayo Eduardo Pires de Oliveira explicou a estrutura da autarquia, composta por Conselho Fiscal, Comitê de Investimentos e Conselho Deliberativo, e detalhou que as indicações para os colegiados são feitas pelo prefeito e por representantes dos servidores efetivos, aposentados e pensionistas, sendo que os servidores concursados elegem seus representantes.

Khayo afirmou que os fatos referentes ao envolvimento do ex-secretário Einstein Paniago constam nas atas, apontando que ele participou da indicação de conselheiros. Sobre a aprovação do investimento, esclareceu que, como o Conselho não aprovou a operação, a assessoria de investimentos não chegou a emitir parecer técnico — procedimento exigido para aplicações regulares.

O vereador André Fortaleza (sem partido) criticou a atuação anterior, dizendo que houve interferência e atropelo das instâncias técnicas para viabilizar a operação, e questionou a função do Conselho se o presidente pode decidir de forma autônoma. Khayo reiterou que a decisão foi tomada pelo ex-presidente por conta e risco, à revelia dos colegiados.

Ao final da sessão, os vereadores agradeceram à equipe da autarquia que compareceu para responder aos questionamentos e apresentar a cronologia dos fatos. O presidente da Câmara, Gilsão Meu Povo (MDB), elogiou a atuação rápida da presidente Márcia Tinoco nas providências adotadas desde a descoberta do caso.

Os ex-dirigentes do AparecidaPrev devem ser ouvidos nos próximos dias pela Câmara de Vereadores.



Autor Manoel Messias Rodrigues