26 de junho de 2026
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Por iniciativa do deputado Mauro Rubem (PT), a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) realizou, na manhã deste sábado, 30, sessão solene para entrega do Certificado do Mérito Legislativo. As homenageadas da vez foram as atléticas universitárias, organizações geridas por estudantes que promovem a prática de esportes, o desenvolvimento pessoal, a integração e o networking. Elas movimentam a vida acadêmica por meio de treinos, campeonatos universitários, baterias de ritmo, torcidas e eventos sociais.

O encontro reuniu homenageados e juventude acadêmica, que festejaram em meio à celebração no Auditório Carlos Vieira. O vídeo da homenagem pode ser assistido na íntegra aqui.

Ao proferir seu discurso, Mauro Rubem fez questão de enaltecer a importância das lideranças e dos dirigentes do movimento estudantil. O petista celebrou o cenário atual da luta estudantil que, para ele, tem líderes que hoje atuam “na dinâmica e na forma que o momento exige”.

O propositor do encontro também afirmou ver o futuro com esperança. Para ele, a crescente participação da juventude nos processos de transformação social é um sinal positivo para o país. O deputado classificou os incentivos ao estudo, ao conhecimento, à pesquisa e ao desenvolvimento humano como parte fundamental das mudanças que o Brasil precisa.

Ainda na perspectiva do deputado, a educação deve ocupar papel central nesse processo, funcionando como um passaporte para a melhoria das condições de vida da população e para a construção de um futuro mais justo.

“O momento é de debater o que queremos para o nosso Estado e para o nosso país, avaliar os avanços já conquistados e definir os caminhos que ainda precisamos percorrer”, defendeu por fim.

Forja de lideranças

Na sequência, Edward Madureira, ex-reitor da UFG, manifestou a satisfação por participar da homenagem. Em tom descontraído, o professor revelou que, apesar da longa trajetória na gestão universitária, não teve participação ativa em movimentos estudantis durante a juventude – mas destacou o papel histórico do movimento estudantil, essencial na formação de lideranças. “As lideranças mais legítimas do nosso país são os estudantes. Os movimentos estudantis forjam as verdadeiras lideranças do Brasil”, afirmou.

Madureira lembrou iniciativas, enquanto reitor, para expandir e garantir mais acessos à universidade pública. “Estive à frente da UFG por três mandatos, e dois deles coincidiram com o principal momento de expansão das políticas públicas para a educação neste país. Foi quando ampliamos as universidades federais e criamos os institutos federais”, recordou, citando as relações com o movimento.

Ele ressaltou a importância do diálogo com os estudantes para a formulação de políticas públicas. “Foi com o movimento estudantil que aprendi a ouvir quem está na sala de aula, quem vive a luta diária e quem cobra uma melhor condução dessas políticas. A gente aprende sempre com vocês”, concluiu.

Já o diretor de centros acadêmicos do DCE da PUC-GO, Maurício Tavares, celebrou a homenagem que, para ele, possui um significado que vai além do reconhecimento individual. “Ela reafirma uma verdade histórica: a democracia se fortalece quando a juventude participa, quando os estudantes se organizam e quando os movimentos sociais ocupam legitimamente os espaços públicos”, declarou.

O estudante também avaliou que o reconhecimento ao movimento estudantil ganha relevância diante do cenário atual. “Em tempos de descrença na política e de ataques à participação popular, reconhecer o movimento estudantil é também reconhecer uma das mais importantes forças de transformação da sociedade brasileira”, afirmou.

Por fim, Tavares ressaltou que a homenagem deve ser recebida com responsabilidade coletiva. “Essa homenagem deve ser recebida com profundo senso de responsabilidade, porque ela pertence a todos que constroem diariamente o movimento estudantil goiano e brasileiro”, concluiu.

João Mascarenhas, representante da UNE e DCE-UFG, por sua vez, destacou a satisfação em ver o Auditório Carlos Vieira, o maior do Palácio Maguito Vilela, tomado por estudantes durante a solenidade. Ele também fez questão de destacar a atuação parlamentar de Mauro Rubem no ensino superior.

“Desde o início desta Legislatura, o deputado destinou cerca de R$ 6 milhões, por meio de emendas parlamentares, para a UFG. Isso significa muito para a educação brasileira e representa avanços importantes para as pesquisas, os projetos de extensão e os movimentos estudantis”, agradeceu.

Além de Mauro Rubem, tomaram assento na mesa diretiva: o vereador licenciado por Goiânia e ex-reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), professor Edward Madureira Brasil (PT); o diretor de assistência estudantil da União Nacional dos estudantes e coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes da UFG, João Pedro Mascarenhas; a vice-presidente da União Nacional dos Estudantes em Goiás, Maria Clara Silva Costa; a primeira vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de Goiás, Molzer Félix; o diretor de centros acadêmicos do Diretório Central dos Estudantes da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Maurício Melo Tavares; a coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes da UFG, Amanda Santos, e o diretor de combate ao racismo da UNE e dirigente nacional do Coletivo dos Quilombos, Deyvison Alves.

Autor Assembleia Legislativa do Estado de Goiás


Organizações estudantis e departamentos criticam uso de bombas e gás lacrimogêneo e cobram retomada das negociações

Diversos diretórios, centros acadêmicos e organizações estudantis divulgaram notas de repúdio à ação da Polícia Militar que retirou estudantes da reitoria da Universidade de São Paulo na madrugada de domingo (10.mai.2026). As entidades criticaram o uso de força policial e cobraram a reabertura das negociações entre a reitoria e os grevistas.

A reitoria estava ocupada desde 5ª feira (7.mai) por cerca de 150 pessoas. Os estudantes cobravam a retomada de conversas sobre políticas de permanência estudantil, como moradia e alimentação.

A PM disse que 4 pessoas foram levadas ao 7º DP (Distrito Policial), onde foi registrado boletim de ocorrência por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Segundo a polícia, não houve feridos. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP declarou que a ação policial se deu com o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. A USP afirmou que não foi avisada previamente sobre a operação policial.

A União Nacional dos Estudantes disse que a ação foi “violenta, ilegal e ilegítima”. A entidade afirmou que os estudantes ocupavam o prédio “de maneira pacífica” e que a operação foi feita “sem qualquer tentativa de negociação prévia”.

O Fórum das Seis, que reúne entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza, disse que a desocupação foi “eivada de ilegalidades” e cobrou do reitor Aluísio Segurado a reabertura das negociações. Segundo a organização, a ação “mancha a história da USP”.

O Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que a reitoria colocou “a vida dos estudantes em risco” e disse que a luta dos alunos é “justa e necessária”. O centro acadêmico criticou notas de apoio à reitoria divulgadas por unidades da universidade.

O Centro Acadêmico Professor Paulo Freire, da Faculdade de Educação da USP, falou em “absoluto repúdio” à ação da PM. Disse que estudantes da graduação e da pós-graduação, incluindo pessoas com deficiência, foram “duramente reprimidos” e precisaram ser encaminhados ao hospital.

O DCE da Unicamp também se solidarizou com os grevistas da USP e afirmou que a “repressão policial na universidade é coisa da ditadura”.

O Diretório Acadêmico da EEL (Escola de Engenharia de Lorena) disse que acionar a polícia contra estudantes desarmados “substitui diálogo por repressão”.

Outras organizações, como SAEComp, DCE UFF, CABIO-SPHN, Centro Acadêmico da EEFE-USP, Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da USP e Diretório Acadêmico Unicamp Limeira, também divulgaram manifestações contra a operação e em defesa da retomada das negociações.

As deputadas Erika Hilton (Psol-SP) e Sâmia Bomfim (Psol-SP) acionaram órgãos de controle contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois da ação da PM. Elas pediram apuração sobre a conduta do governo paulista e da polícia na retirada dos estudantes da reitoria.

USP LAMENTA

Em nota, a Universidade de São Paulo lamentou o ocorrido e disse que não foi informada previamente da ação policial. A Reitoria afirma ter mantido diálogo permanente com o movimento estudantil, mas declarou que as negociações chegaram ao limite depois da “insistência em reivindicações que não podem ser atendidas” “itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica”. 

O DCE  convocou um ato e uma assembleia geral para esta 2ª feira (11.mai) como resposta à condução das negociações sobre permanência estudantil.



Autor Poder360 ·


Sônia Marise

Especial para o Jornal Opção

“Era uma flor de lótus

— uma nobre singeleza —

que se erguia de seu caule

muito acima desse lodo”

Darcy França Denófrio

Desejo

Seja meu passo

leve rumor

da asa

de um pássaro

Fique eu só

no meu canto

Darcy França Denófrio

Que me perdoem a crítica especializada, os grandes nomes da nossa literatura, os catedráticos das Letras, todo o público erudito que dela já teve notícias, rendendo-lhe todas as homenagens que sempre fez por merecer, não apenas como educadora, mas como grande nome das letras brasileiras, mas falarei de Darcy França Denófrio, ao meu modo. Dela, a professora que ainda habita nas minhas doces memórias, dos verdes anos da minha adolescência de ginasiana do interior de Goiás.

Ela era a mais elegante das minhas professoras. Séria, contida, fina, extremamente profissional, comedida, a professora Darcy exalava verdade, quer em sala, ou fora dela.

Filha mais velha de “um certo Minguinho mandão, de olhos azuis e coração de manteiga” e de Similia, “mãe-fada das toalhas rendadas e doces de figo verdinhos”, foi educada no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, assim como as irmãs Maria Sônia, Lais e Eleuza (tinha Maria nesse nome? Eleuza… com z?). Pelo que soube, Darcy foi interna, ficava longe de casa, e, no rigor desse regime escolar, era da querida madre Trindade que esperava o apoio, o carinho, para mitigar aquela austeridade e todo isolamento da severa escola.

… “e do que jamais esqueço é que eras um poço no deserto e, só por isso, não morremos de sede”

Os versos acima são parte do poema em que poetizou tal sensação, dedicado à religiosa.

As meninas do Minguinho, todas professoras, bem-criadas, eram o orgulho da família e de tantos quantos as conhecessem.

Assim, sorte grande a das escolas jataienses contarem com um elenco desse quilate.

Nestoriana, eu, vieram da dona Darcy, assim a chamávamos, minha inspiração, meu apego às letras, minha inclinação pela escrita e todo meu encantamento pela leitura.

Menina do interior, sem acesso a grandes bibliotecas, ou centros de cultura, tradições familiares, estar em sua sala de aula, ter a chance de ser sua aluna, tornou-se a única possibilidade de desvendar os mistérios dessa língua cheia de nuances, riquezas ímpares, surpresas e desafios — a língua portuguesa.

Tempos de Ginásio Nestório Ribeiro, depois chamado Colégio Estadual Nestório Ribeiro, celeiro de bons alunos, conhecidos papa-vagas nos certames vestibulares do país.

Darcy França Denófrio: o estudo da poesia em Goiás passa por seus livros incontornáveis | Foto: Reprodução

Colégio que nasceu com Dante Mosconi, Albina Moscon… e foi se enriquecendo com gente como o professor Paulo, Darcy, Élia, Lais França, Maria Teixeira, Layse Campos, Elita, Batuíra, Aristal, dr. Rubens, Leidir….ih…citar é perigoso… sempre haverá injustiças por conta da omissão, consequência dos janeiros da gente, que prejudicam a memória. Mil perdões.

Darcy Denófrio, a mestre das letras

Mas hoje o foco é minha professora Darcy, doutora das letras e merecedora da minha gratidão.

Gratidão pelo primeiro dos seus explícitos incentivos à minha escrita, desta feita no “Jornal do Clube”, um jornalzinho mimeografado do Colégio que nós, os alunos do Clube lítero-científico editávamos, sob a supervisão de professores. Foi numa dessas edições, a terceira, lá pelos idos da metade da década de 60, que publiquei o primeiro conto (grandão), hoje acho que foi novela…Um texto adolescente imaturo, seguramente, mas que foi acolhido por ela com entusiasmo, ensejando palavras simpáticas que me envaideceram e estimularam.

Ela festejou minha estreia no gênero e me chamou de garota perspicaz, de imaginação ardente, etc e tal…rs

Tenho ainda o exemplar encardido, manchado, esfacelando-se, dentre os meus guardados.

E foi deste mesmo território escondido e preservado que decolaram, anos depois, já na maturidade, outros escritos, igualmente instigados por ela, que não me esqueceu, nem me perdeu de vista…

O ano era 2005, início da minha trilogia “Escritos do Baú”, com o primeiro volume: “Guardados”, poemas.

Avalizado explicitamente por ela, recebeu sua chancela altamente respeitável de autoridade da crítica literária, para meu orgulho e alegria.

Que prefácio histórico. Gratidão reiterada.

E veio o volume 2, “Outros Guardados”, prosa, em 2012, seguido do volume 3, fechando a trilogia, “Achados & Perdidos”, prosa e poesia, em 2016, todos pela Cânone Editorial, da competente editora Ione Valadares.

Enfim, aqui estou para falar de mais essas virtudes da grande, sofisticada e, ao mesmo, modesta poeta, ensaísta, crítica literária, educadora, Darcy França Denófrio: a generosidade e a dedicação. No caso, a mim, ex-aluna lá do passado, a quem veio tutelando e cuidando durante todo esse tempo.

Darcy França Denófrio, mais de 20 títulos publicados, autoridade nacional da. Crítica literária, ensaísta de escol, poetisa, pós-graduada em Letras e linguística, mestra e teoria da literatura e sei lá quantos outros títulos… não só por toda essa qualificação merece o maior respeito do meio intelectual brasileiro.

Construiu uma obra valiosa, preservando um alto grau de recolhimento e modéstia. Mas o que fez pela poesia goiana, com sua crítica objetiva e ampla, poucos fizeram. Os livros de Darcy França Denófrio são incontornáveis para quem leva literatura realmente a sério.

Para mim, já repeti muito aqui, mas reitero: Darcy é tudo isso e mais um pouco: é minha professora sábia e generosa que acreditou em mim e minhas possibilidades, tornando-se, para meu orgulho, minha madrinha literária, destinatária de todo meu apreço e reconhecimento na homenagem que ainda lhe faço no título estou lançando neste maio de enchentes no Sul do país. Trata-se do livro “Confissões de uma Caneta Sensível e Malcriada”.

Dito e feito.

Sônia Marise Teixeira Silva de Souza Campos é escritora, poetisa, filiada à UBE-Goiás e à AGI. É colaboradora do Jornal Opção.

O post Darcy França Denófrio, a acadêmica, a educadora, a poeta, a mulher e o mito apareceu primeiro em Jornal Opção.



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