Produção orgânica fortalece modelo sustentável no Entorno do DF
Lidiane 6 de julho de 2026 0 COMMENTS
A produção de alimentos orgânicos vem ganhando espaço no Entorno do Distrito Federal como alternativa sustentável para conciliar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e qualidade de vida. Em Santo Antônio do Descoberto, a Fazenda Cantão da Lagoinha tornou-se um dos principais exemplos desse modelo ao investir, há mais de uma década, em práticas agrícolas livres de agrotóxicos, recuperação de áreas do Cerrado e manejo voltado à conservação dos recursos naturais.
A propriedade foi adquirida em 1998 e iniciou o processo de transição para a agricultura orgânica em 2012, motivada pela busca por métodos de produção com menor impacto ambiental. No ano seguinte, conquistou a certificação oficial de produção orgânica, concedida após auditoria da QIMA IBD, uma das principais certificadoras do setor.
Atualmente, a fazenda cultiva uma ampla variedade de alimentos, entre eles café, feijão, milho, soja, diferentes variedades de milho crioulo, além de frutas como limão, laranja, abacate, mamão e maracujá pérola do Cerrado.
Apesar do crescimento do mercado de alimentos orgânicos, os produtores destacam que manter esse tipo de cultivo ainda representa um desafio econômico significativo.
Sem recorrer ao uso de herbicidas e defensivos químicos convencionais, boa parte do controle das lavouras é realizada manualmente, exigindo maior demanda de mão de obra e elevando os custos de produção.
Outro obstáculo apontado é o preço dos insumos específicos para agricultura orgânica. Enquanto produtos utilizados na agricultura convencional contam com incentivos fiscais, fertilizantes biológicos e insumos naturais ainda possuem tributação integral, fator que, segundo os produtores, impacta diretamente o valor final dos alimentos.
A própria transição da propriedade revelou dificuldades estruturais. O projeto inicial previa a criação de frangos orgânicos, mas a inexistência de fornecedores de milho e soja certificados obrigou os produtores a iniciarem também o cultivo dos próprios grãos para alimentação das aves.
Tecnologia aliada à natureza
O modelo adotado na Fazenda Cantão da Lagoinha prioriza soluções biológicas no manejo agrícola. O controle de pragas é realizado por meio de biofertilizantes preparados na própria propriedade e de produtos biológicos registrados para uso na agricultura orgânica.
Estratégias de manejo também ajudam a reduzir perdas na produção. Em uma das áreas cultivadas, por exemplo, o plantio de girassóis funciona como alternativa alimentar para aves silvestres, diminuindo os danos causados às lavouras de milho.
A propriedade também investiu em um sistema sustentável de captação de água por gravidade, utilizando uma roda d’água instalada no Córrego da Lagoinha para abastecer diferentes áreas da fazenda.
Recuperação do Cerrado

Além da produção agrícola, a preservação ambiental tornou-se uma das principais marcas da propriedade. Ao longo dos últimos anos, o aumento da cobertura vegetal favoreceu a recuperação da biodiversidade local, com o retorno de diversas espécies da fauna silvestre, entre elas macacos, quatis, porcos-espinhos, lontras e felinos de grande porte registrados na região.
Segundo os responsáveis pelo projeto, o enriquecimento da vegetação também contribuiu para melhorar as condições do solo, ampliar a retenção de umidade e reduzir a variação de temperatura na área.
A preservação das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e da Reserva Legal conta ainda com acompanhamento dos órgãos ambientais do município.
Outro eixo do trabalho desenvolvido na fazenda é a educação ambiental. A propriedade recebe gratuitamente estudantes da rede pública para apresentar práticas de conservação do Cerrado e demonstrar como funciona a produção orgânica.
As visitas incluem atividades voltadas à conscientização sobre preservação dos recursos naturais, alimentação saudável e importância da biodiversidade para o equilíbrio ambiental.

Os responsáveis pela Fazenda Cantão da Lagoinha pretendem ampliar gradualmente a produção nos próximos anos, mantendo o modelo de agricultura sustentável e investindo na recuperação de novas áreas anteriormente degradadas.
A proposta é expandir a produção sem abrir mão das práticas de conservação ambiental, fortalecendo um modelo que busca unir desenvolvimento econômico, preservação do Cerrado e oferta de alimentos produzidos com menor impacto ao meio ambiente.
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