7 de fevereiro de 2026
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Pesquisas indicam vitória de António José Seguro sobre André Ventura; 2º turno é realizado no domingo (8.fev)

Portugal escolhe no domingo (8.fev.2026) seu novo presidente. As pesquisas de intenção de voto dão vantagem a António José Seguro, 63 anos, candidato de centro-esquerda apoiado pelo PS (Partido Socialista). Ele concorre com André Ventura (Chega, direita), 43 anos. 

No 1º turno, Seguro teve 31,1% (1.755.563 votos) e Ventura, 23,5% (1.327.021 votos). Os levantamentos mostram que Seguro mantém uma diferença superior a 20 p.p. (pontos percentuais) em relação a Ventura.

Pesquisa realizada de 29 de janeiro a 2 de fevereiro de 2026 pela Universidade Católica para o jornal Público, para a emissora RTP e para a rádio Antena 1 indica que Seguro tem 56% contra 25% de Ventura. 

Os veículos de comunicação CNN Portugal, TVI, TSF e Jornal de Notícias têm divulgado diariamente uma tracking poll que permite analisar as tendências de voto dos portugueses. Apesar da diferença entre Seguro e Ventura ter diminuído ao longo dos dias, ela ainda é significativa.

A vantagem de Seguro se dá pela transferência de votos dos candidatos eliminados no 1º turno, principalmente dos eleitores de Luís Marques Mendes (centro-direita), mas também dos que apoiaram Henrique Gouveia e Melo (independente) e João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal) no 1º turno.

Marques Mendes declarou seu apoio a Seguro, dizendo que era o único candidato que se aproxima dos “valores que defende”, como “defesa da democracia”, “garantia do espaço da moderação” e o “respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”. 

Gouveia e Melo seguiu a mesma linha. Declarou voto “útil” em Seguro.

Cotrim Figueiredo não declarou apoio explícito a nenhum candidato, mas disse que não votaria em Ventura, nem em branco. 

Com pautas como endurecimento das leis de imigração e revisão constitucional, Ventura enfrenta altos índices de rejeição.

O resultado do 1º turno representou uma vitória para a esquerda, que passa por um momento de desgaste no país europeu, e marcou o fim de pleitos presidenciais decididos ainda no 1º turno. As eleições em Portugal têm o sistema de votação em 2 turnos, mas desde 1986 os resultados sempre se deram na 1ª fase. 

O vencedor das eleições assume em 9 de março de 2026, substituindo Marcelo Rebelo de Sousa, depois de 10 anos de mandato.

O mandato do presidente de Portugal dura 5 anos, contados a partir da data da tomada de posse. O presidente português pode ser reeleito, mas não pode exercer mais de 2 mandatos consecutivos.

O sistema de governo em Portugal é semipresidencialista. Nesse modelo, o chefe de governo é o primeiro-ministro e o chefe de Estado é o presidente da República. Enquanto nas eleições legislativas, para formar a Assembleia da República, os eleitores votam em partidos, nas presidenciais, as candidaturas são individuais –mas podem, eventualmente, ser apoiadas pelas legendas.

Apesar disso, o presidente português não é um “rei da Inglaterra” e tem funções relevantes, como nomear o primeiro-ministro, promulgar ou vetar leis, convocar referendos, comandar as Forças Armadas e representar o Estado internacionalmente. Além dessas prerrogativas, pode, ainda, demitir o governo, dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições.

DESGASTE NA ESQUERDA

A esquerda em Portugal passa por um momento de desgaste. Ao longo da campanha, houve pressão para que os demais candidatos do espectro político desistissem de suas candidaturas em favor de Seguro. O ex-dirigente socialista amparou sua campanha no apelo do voto útil, afirmando que só a congregação em torno de seu nome poderia impedir um 2º turno que opusesse Cotrim e Ventura.

Os candidatos da esquerda não desistiram, mas Seguro conseguiu chegar ao 2º turno e vem apelando ao voto útil para vencer Ventura. 

As diversas eleições legislativas para a Assembleia da República são essenciais para se entender como Portugal chegou a 2026 com um domínio da direita. De 2019 para cá, nas 4 eleições realizadas, o Chega passou de 1 para 60 deputados no Parlamento português; o PS, que garantiu 120 assentos em 2022, caiu para 58 deputados; o BE foi de 19 para 1 e o PCP de 12 para 3. A única exceção foi o Livre, que passou de 1 deputado em 2019 para 6 em 2025.

Jorge Pinto, deputado do Livre (centro-esquerda) e um dos candidatos derrotados no 1º turno, mencionou ao menos 2 fatores que ajudam a explicar essa crise da esquerda. O 1º é uma articulação internacional de movimentos da direita radical que conta com financiamento e tem capacidade de influenciar o ambiente digital. “Esse é um ponto da questão ao qual é difícil dar resposta enquanto não regularmos e não legislarmos convenientemente essas plataformas”, afirmou ao Poder360.

Pinto também atribuiu uma parte da culpa à própria esquerda. Para ele, as experiências governativas lideradas pelo PS, de 2015 a 2024, produziram um “cansaço” na população, que não viu a melhora nas crises da habitação e do sistema público de saúde, agravadas no período.

Ao falar sobre o assunto com o Poder360, Catarina Martins, eurodeputada pelo BE (Bloco de Esquerda) que se candidatou no pleito de 2026, lembrou da chamada “geringonça”, coligação que governou Portugal de 2015 a 2019. 

Liderada pelo PS, contava com apoio parlamentar dos partidos mais à esquerda no espectro político: o BE, o PCP e o PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”). Foi essa aliança que levou António Costa ao cargo de primeiro-ministro em 2015.

O alto índice de aprovação da “geringonça”, de acordo com Catarina, se dá “porque foi um governo em que muitos salários aumentaram” e em que os serviços públicos “responderam melhor às pessoas”. Ela disse que o BE deixou de ser parte do governo em 2019, mas que a direita foi “hábil” em colar o partido e seus integrantes ao que se passou depois.

O PS venceu as eleições legislativas de 2019. Conseguiu manter Costa como primeiro-ministro, mas, sem o apoio dos demais partidos da “geringonça”, precisou negociar a cada votação. A relação entre os partidos de esquerda deixou de ser tão amigável.

Em outubro de 2021, o PS não conseguiu aprovar o Orçamento, levando o presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa (independente), a dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas. O partido de António Costa conseguiu a maioria absoluta no pleito realizado no começo de 2022. Catarina afirmou que foi nesse momento que o PS “desbaratou”, não “dando resposta aos problemas das pessoas” e possibilitando a ascensão da direita.

Costa demitiu-se, em novembro de 2023, por causa de um comunicado da PGR (Procuradoria Geral da República) que o apontava como alvo de suspeitas em um processo relacionado à exploração irregular de lítio e hidrogênio verde. Até o momento, o político, que hoje é presidente do Conselho Europeu, não foi formalmente indiciado.

Nas eleições seguintes, o governo de Portugal passou para as mãos da direita, com Luís Montenegro (PSD) como primeiro-ministro. O país europeu ainda passou por mais uma dissolução em março de 2025. Nas eleições de maio do ano passado, a direita consolidou sua predominância e Montenegro foi reempossado como premiê.

Leia mais sobre o assunto nesta reportagem do Poder360.



Autor Poder360 ·

Lidiane

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