24 de fevereiro de 2026
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O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), admitiu nesta segunda-feira (23/2) que a seleção das obras indicadas por vereadores dentro do programa Obras Cidadãs terá caráter político e dependerá do alinhamento dos parlamentares com a gestão municipal. O programa foi lançado no Paço Municipal, logo após reunião com vereadores da base, e prevê a execução de 40 intervenções por mês, com custo estimado de R$ 1,5 milhão mensais.

Segundo Mabel, a prefeitura terá autonomia para decidir quais demandas entram no cronograma e quais ficam de fora, inclusive levando em conta a relação política com os vereadores que fazem as indicações. Ele afirmou que não vê obrigação em priorizar pedidos apresentados por parlamentares que atacam a administração de forma recorrente.

“Logicamente, quem xinga a gente o dia inteiro, a comunidade vai ter que arrumar um vereador que seja ligado com a gente”, afirmou o prefeito, ao justificar a opção por atender parlamentares que mantenham diálogo com o Executivo.

Ele acrescentou que não faz sentido, em sua avaliação, atender quem o “xinga dia e noite”, destacando que a definição do atendimento também passa por uma decisão política.

O programa Obras Cidadãs tem como foco obras de pequeno porte, como reformas e reparos em áreas públicas, indicadas pelos vereadores a partir de demandas apresentadas pela população em cada região da cidade. Cada parlamentar poderá indicar serviços com limite de até R$ 70 mil, com a promessa de agilizar intervenções pontuais e de baixo custo.

Questionado sobre o risco de desproporcionalidade na infraestrutura de bairros que não tenham representantes alinhados à base governista, Mabel minimizou a possibilidade. Segundo ele, todos os bairros contam com vereadores que recebem votos e mantêm contato com a comunidade, o que evitaria exclusões totais no atendimento.

“A gente lança qualquer coisa no bairro e vão cinco ou seis representantes. Todo bairro tem alguém que escuta a comunidade e vai”, avaliou o prefeito, ao afastar a ideia de que regiões possam ficar sem acesso ao programa por falta de alinhamento político direto.

Apesar do discurso voltado à base, Mabel afirmou que o programa não exclui completamente vereadores de oposição. Ele disse que propostas consideradas boas e demandas relevantes poderão ser atendidas, mesmo quando apresentadas por parlamentares que não integram o grupo governista.

“Isso não quer dizer que nós não vamos atender o vereador de oposição. Às vezes o vereador de oposição traz uma ideia boa, uma demanda boa, e vai ser atendido também”, afirmou, ao indicar que o critério político não será absoluto.



Autor Manoel Messias Rodrigues