A sessão ordinária da tarde desta quarta-feira, 4, realizada de forma híbrida, teve o predomínio de discussões sobre o fim da chamada “taxa do agro”. Houve, ainda, a aprovação de quatro projetos de lei e discursos sobre outros temas no Pequeno Expediente.
A extinção da taxa do agro é parte da proposta do Executivo estadual que tramita no Poder Legislativo como processo nº 2534/26 e está, atualmente, em análise na Comissão Mista.
O projeto tem dois eixos: o fim da cobrança da taxa, uma contribuição destinada ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), e a regulamentação da sucessão da titularidade, gestão, execução, fiscalização e acompanhamento de projetos, obras e contratos vinculados ao fundo, atribuições que passarão à Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra).
Embora todos os deputados tenham se manifestado favoráveis à extinção da taxa, houve debate quanto aos recursos ainda em posse do Fundeinfra. Clécio Alves (Republicanos) e Major Araújo (PL) declararam que apresentarão emenda à propositura para que o dinheiro arrecadado pelo fundo, e ainda não utilizado em obras, seja devolvido aos produtores rurais, posicionamento rechaçado por deputados da base governista como Amauri Ribeiro (UB) e Issy Quinan (MDB).
O Executivo afirma, na justificativa da medida, que o Fundeinfra “se consolidou como instrumento planejado para o desenvolvimento de Goiás” e arrecadou, com a taxa a ele destinada, R$ 3,16 milhões entre 2023 e janeiro de 2026. Desse total, 78,6% teriam sido formalizados em contratos, e desse montante formalizado 51,5% teriam sido pagos.
A oposição questionou o fato de a verba do fundo ter resultado em apenas quatro obras concluídas até o momento, de um total previsto de 70. Tais números foram confirmados pelos parlamentares da situação, mas Amauri Ribeiro ressalvou que há 28 obras em andamento, que o restante está sendo licitado e que uma emenda pedindo a devolução da verba do Fundeinfra seria inconstitucional, prejudicando o projeto de lei e impedindo o fim da taxa do agro.
“Queremos que as obras sejam concluídas, e vamos cobrar isso nesta Casa”, afirmou. “O dinheiro não pode ser usado para outro fim a não ser para a execução dessas obras. Não é porque sou base do Governo que vou concordar que algo esteja errado.”
Clécio Alves criticou mais de uma vez o desempenho do Fundeinfra pela entrega de apenas quatro obras em três anos. Não obstante o atraso que a apresentação de emenda ao projeto geraria, disse que, ao pedir a devolução do dinheiro, está agindo em nome do produtor rural. Major Araújo fez coro, assim como Bia de Lima (PT).
“As obras estão evoluindo, estão acontecendo”, contrapôs Issy Quinan. Elas não teriam sido mais rápidas “porque não existia uma carteira de projetos disponível para que tivessem início”. Há, acrescentou, uma “via-crúcis burocrática” envolvendo licitação dos projetos, contratação da mão de obra, execução do serviço. “Não se constrói uma rodovia em seis meses”, disse, destacando, ainda, que as obras a serem realizadas pelo Fundeinfra totalizam cerca de R$ 4,7 bilhões, portanto o Governo Estadual contribuirá aportando R$ 1,6 bilhão.
Sobre o atraso que a apresentação de emenda poderia causar, Bia de Lima afirmou que “nós [da oposição] é que estávamos na CCJ ontem para votar a matéria. Estamos sempre presentes, fazendo dar quórum, garantindo que a Assembleia possa e funcionar. Foi a base governista que não veio ontem, que está [atuando de forma] remota [no Plenário] hoje”.
Campanha da Fraternidade será divulgada no âmbito da Alego
Entre os projetos aprovados, recebeu validação definitiva matéria do presidente da Casa de Leis, Bruno Peixoto (UB), que estabelece que a Campanha da Fraternidade – promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) anualmente no período da Quaresma – será divulgada no âmbito da Assembleia Legislativa goiana (processo nº 2357/26). Essa divulgação pode incluir, por exemplo, sessões solenes, audiências públicas, seminários e debates.
Prosperou também, mas em primeira votação, projetos do Executivo sobre colégio estadual em Hidrolândia (nº 603/25). A matéria corrige o nome da personalidade homenageada (a unidade se chamará Sebastião Antônio Mendonça) e formaliza a criação do colégio, que está em fase final de construção e deve ter as atividades escolares iniciadas este ano.
As duas outras proposições chanceladas em escrutínio único consistem em prestações de contas do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO).
O processo nº 2065/22 traz o balanço anual da corte referente ao exercício de 2021. Já o processo nº 1984/17 trata das contas anuais do TCE e do respectivo Fundo de Modernização, relativas ao exercício de 2016.
Pequeno Expediente tem falas sobre a Saneago
Pouco depois do início da sessão, no Pequeno Expediente, Clécio Alves se posicionou contra a possível privatização da Saneago. “Água não pode ser privatizada. Nada vive sem água”, disse, afirmando, em seguida, que a companhia “nunca arrecadou tanto dinheiro como nos últimos tempos”, por exemplo com taxa que teria aumentado acima da inflação.
Mauro Rubem (PT) também criticou a parceria público-privada pensada para a Saneago, argumentando que a companhia se mostrou sustentável ao atender quase todos os goianos. “A privatização é por lucro, todo mundo sabe. Que iniciativa privada vai colocar dinheiro? Não, ela vai é tirar, com o chamado subsídio cruzado”, declarou, explicando se tratar de dinheiro que sobra para a Saneago em cidades maiores, mais que repondo a perda nas menores. Redução de salários e do total de funcionários, disse, seriam outras medidas possíveis de lucro.
Bia de Lima voltou ao tema da taxa de 14,25% que a Previdência desconta de aposentados em Goiás e convocou para manifestação que o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) fará na manhã desta quinta-feira, 5, diante do Palácio das Esmeraldas.
Major Araújo também pediu o fim desse desconto.
Amauri Ribeiro discordou de Bia de Lima afirmando que o sistema previdenciário estadual “está quebrado”, portanto o desconto é “infelizmente” necessário. Se não ocorresse, acrescentou, o sistema falharia e “os aposentados nem receberiam”.
Produtor rural é preso por obter R$ 20 milhões com fraudes em Santa Helena
Lidiane 6 de novembro de 2025
A Polícia Civil de Goiás cumpriu um mandado de prisão preventiva contra um produtor rural em Santa Helena de Goiás nesta quarta-feira (5/11). A ação foi denominada Operação “Título Cego” e incluiu também dois mandados de busca e apreensão.
As investigações apontam que o produtor firmou diversos contratos de financiamento agrícola com avais de terceiros. Os valores foram obtidos junto a instituições financeiras, lojas de implementos agrícolas e através de empréstimos pessoais garantidos por cheques de outras pessoas.
A captação fraudulenta atingiu aproximadamente R$ 10 milhões em financiamentos. O investigado justificava os valores como necessários para o custeio de lavouras de soja e milho.
Também foi constatada a falsificação de assinaturas em cheques e duplicatas mercantis. Esse montante específico ultrapassa R$ 1,5 milhão em prejuízos.
Outra prática identificada foi a alienação fiduciária clandestina de veículos de terceiros. Essa modalidade ilegal gerou vantagens superiores a R$ 400 mil ao investigado, sem a anuência dos proprietários dos bens.
Mesmo após uma boa colheita na safra 2024/2025, com faturamento estimado acima de R$ 10 milhões, nenhum débito foi quitado regularmente. Considerando todas as captações realizadas e as receitas da produção, a vantagem indevida total está estimada em mais de R$ 20 milhões.
As condutas são investigadas sob a tipificação de estelionato, falsificação de documento particular, uso de documento falso e falsidade ideológica. Outros delitos conexos seguem sob apuração pelas autoridades policiais.
O investigado foi preso durante a operação e permanece à disposição do Poder Judiciário. O caso continua sendo apurado pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santa Helena de Goiás.
Polícias de Goiás e DF cumprem mandado contra homem por ameaça à Embaixada dos EUA
Polícias Civis de Goiás e do Distrito Federal deflagraram nesta quinta-feira (6/11) a Operação Sentinel. A ação investiga um caso de extremismo violento com motivação ideológica e racista.
O investigado enviou mensagens eletrônicas com conteúdo de ódio racial e antissemita. As comunicações incluíam ameaças a autoridades estrangeiras.

No dia seguinte ao envio das mensagens, o homem deslocou-se até a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Ele carregava uma mala e foi impedido de ingressar no local pela segurança.
Foi cumprido mandado de busca e apreensão em Goiânia. O objetivo era coletar elementos de informação e identificar conexões com outros grupos extremistas.
A operação também visa prevenir a ocorrência de atos violentos. A ação foi coordenada pela PCDF e contou com apoio do Ministério Público do DF e do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Produção goiana de arroz se destaca, com previsão de crescimento de mais de 17%; dados são do IBGE
O estado de Goiás consolidou sua posição como o quarto maior produtor de grãos do país, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (13/06) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa aponta uma produção de 31,4 milhões de toneladas para a safra 2023/2024, o que corresponde a 10,6% da produção nacional e deixa Goiás atrás apenas de Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.
“Esses resultados são fruto do trabalho incansável dos produtores goianos e do apoio fundamental do Governo do Estado, que tem investido em infraestrutura, tecnologia e assistência técnica para fortalecer o setor”, afirma o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, Pedro Leonardo Rezende.
O destaque da safra goiana é a estimativa de crescimento de 17,7% na produção de arroz. Com a previsão de aumento de 23,2% da área plantada (23,5 mil hectares), a expectativa de colheita também cresce para 110,8 mil toneladas, levando o estado à oitava posição no ranking nacional de produção do grão.
“É importante ressaltar que esses números positivos foram alcançados mesmo diante dos desafios climáticos enfrentados em 2023 e 2024, com a falta de chuvas e altas temperaturas que afetaram a produtividade em algumas regiões do estado. Isso demonstra a resiliência e a capacidade de adaptação do setor produtivo goiano”, completa o secretário.
Estoque recorde
O LSPA também revelou que o estoque de grãos em Goiás atingiu o maior patamar da série histórica para um segundo semestre de 2023, com 3,23 milhões de toneladas armazenadas, um aumento de 24,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O crescimento se deve, principalmente, ao aumento do estoque de milho em grãos (33,1%), que também registrou o maior volume da série histórica para um segundo semestre.
Os municípios de Rio Verde e Jataí se destacam nesse cenário, ocupando, respectivamente, a 8ª e a 14ª posição no ranking nacional de estoques. Rio Verde lidera o estado com 562,4 mil toneladas estocadas, seguido por Jataí, com 336,6 mil toneladas. Essa reserva estratégica garante o abastecimento do mercado interno e fortalece a posição do estado como um importante player no cenário nacional e internacional.
Sobre o LSPA
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é uma pesquisa mensal realizada pelo IBGE que tem como objetivo acompanhar o desempenho das principais culturas agrícolas do país, fornecendo informações estratégicas para o planejamento e tomada de decisões do setor produtivo e do governo. O levantamento abrange as áreas de produção, rendimento médio e produção total das culturas, além de dados sobre o estoque de grãos.



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