Parlamento debate direito à terra e à moradia em seminário sobre soluções fundiárias
Lidiane 24 de fevereiro de 2026
A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) sediou, ao longo desta segunda-feira, 23, o Seminário Estadual de Soluções Fundiárias: Em Defesa do Direito à Terra e à Moradia. O evento foi uma iniciativa conjunta da Comissão de Cultura, Esporte e Lazer e da Assessoria Adjunta de Atividades Culturais da Casa.
Com o objetivo de buscar soluções para os conflitos fundiários no campo e nas cidades, o seminário contou com diversas autoridades e representantes de ocupações, assentamentos e comunidades. Na segunda etapa, durante à tarde, foi discutido o tema “Os conflitos no campo e o direito à terra”.
Além do presidente da Comissão de Cultura, Esporte e Lazer, deputado Mauro Rubem (PT), participaram da mesa diretiva a defensora pública estadual Carolina Byrro; o vereador por Goiânia Fabrício Rosa (PT) e o gerente de conciliação agrária do Incra, Tiago de Melo. A mediação ficou a cargo de Lara Estevão, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Mauro Rubem destacou que os conflitos fundiários e as violações de direitos humanos não podem ser tratados de forma isolada, pois fazem parte de um conjunto de problemas estruturais. Ele ressaltou que o acesso à terra e à moradia é central, mas que também é preciso enfrentar ameaças contra instituições e agentes públicos que atuam na defesa da sociedade, denunciando episódios de intimidação e violência que atingem até mesmo promotoras de Justiça e comunidades vulneráveis.
O parlamentar enfatizou a necessidade de criar espaços interinstitucionais e populares capazes de garantir autonomia e força institucional frente ao avanço da violência e do fascismo. Para ele, somente uma articulação sólida entre movimentos sociais, mandatos populares e entidades de defesa de direitos pode assegurar que vidas sejam protegidas e que comunidades não fiquem à mercê de abusos cometidos por agentes públicos ou grupos privados.
Rubem lembrou que, em diversas situações, foi preciso mobilização intensa para evitar tragédias e assegurar que territórios não se tornassem “sem lei”.
Por fim, o deputado estadual reiterou o compromisso de seguir na luta pela dignidade e pelo direito de morar, defendendo que a organização popular e a construção de comitês como o Tomás Balduíno são fundamentais para enfrentar abusos e privatizações que sacrificam a sociedade em benefício de poucos.
Especulação
O vereador Fabrício Rosa ressaltou que a realidade da maioria da população brasileira é marcada por moradias simples, ocupações e aluguel, em contraste com os condomínios de luxo que concentram riqueza e poder. Ele apontou a especulação imobiliária como responsável por encarecer os custos da cidade, já que os vazios urbanos obrigam o poder público a ampliar infraestrutura de forma desigual, socializando prejuízos enquanto os lucros permanecem concentrados nas mãos de poucos.
Para Rosa, enfrentar esses vazios urbanos exige coragem política e o uso de instrumentos já previstos em lei, como o IPTU progressivo, que poderia combater a concentração de imóveis e estimular o uso social da terra.
Nesse contexto, o vereador defendeu que a transformação social passa pelo reconhecimento dessa estrutura de dominação e pela mobilização popular para exigir justiça, igualdade e o direito à moradia digna para todos.
Favelas
Tiago de Melo iniciou sua fala lembrando a origem histórica das favelas no Brasil, resgatando o exemplo do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, formado por combatentes de Canudos que, após a derrota, foram abandonados pelo Estado e relegados à marginalidade. Para ele esse episódio simboliza a raiz da luta por moradia e dignidade, que ainda hoje se repete diante da concentração fundiária e da especulação imobiliária.
O representante do Incra destacou alguns dados: milhões de imóveis desocupados frente a milhões de famílias sem teto, além da desigual distribuição de terras em Goiás, onde poucos grandes proprietários concentram a maior parte do território. Essa realidade, segundo Tiago de Melo, é fruto de uma estrutura controlada pelas elites que perpetuam injustiças e desigualdades.
Em sua conclusão, Melo reforçou a importância da reforma agrária, da agricultura familiar e do acesso universal a alimentos de qualidade, denunciando o enfraquecimento das instituições públicas e a precarização de órgãos como Incra, Funai e Ibama.
Para o gerente do Incra, a mudança depende da organização popular, do exercício cotidiano da cidadania e da participação política, especialmente nas eleições, mas também na vida comunitária e cultural. O seminário, afirmou, é um espaço fundamental para renovar esse compromisso coletivo de luta.
Programação matutina
Durante a manhã, participaram do seminário o presidente da Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça de Goiás (CSF/TJGO), desembargador Paulo Neves; o promotor de Justiça Márcio Toledo Lopes e a juíza Soraya Fagury Brito.
Quem abriu o evento foi a chefe da Assessoria Adjunta de Atividades Culturais, Emiliana Pereira dos Santos, que interpretou diversas canções, entre elas “O Canto das Três Raças”, imortalizada por Clara Nunes como um retrato poético e uma denúncia sobre a formação e a resistência do povo brasileiro.
“Esta é uma atividade que faz parte da Campanha Nacional Despejo Zero, que já completa cinco anos de atuação. Entendo que é uma construção coletiva em defesa da moradia, direito de todos. Receber essas pessoas que trazem essa pauta para o Poder Legislativo é reafirmar o compromisso da Casa em defesa dos direitos mais básicos das minorias que vivem à margem, em uma exclusão social histórica”, afirmou Emiliana.
Em seguida, o deputado Mauro Rubem ressaltou que a Casa, ao receber o seminário, faz um balanço da Campanha Nacional Despejo Zero, que busca proteger a vida acima da especulação imobiliária. “Ao longo do período da covid-19, assistimos a várias situações traumáticas que culminaram nessa campanha. Hoje, estamos discutindo situações que ocorrem em todo o Estado, inclusive na capital, onde se aguarda o cumprimento do que determina a Constituição Federal. Ainda na parte da tarde, vamos discutir os conflitos e despejos na zona rural”.
O presidente da Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal de Justiça de Goiás (CSF/TJGO), desembargador Paulo Neves, que coordena a comissão criada por determinação do Conselho Nacional de Justiça e composta por onze juízes, comentou que o colegiado tem como principal atribuição julgar todos os casos de despejo envolvendo população vulnerável em ambiente coletivo.
“A comissão é estruturada para promover a mediação e a conciliação e, nos casos de desocupação, para que ela seja feita de maneira pacífica”, explicou Neves. Segundo ele, todo o trabalho é feito em parceria com os Poderes Executivo e Legislativo para realocar essas famílias.
Ao abrir a palavra para moradores de ocupações, assentamentos e comunidades, uma moradora do Residencial Solar Ville relatou que, desde agosto do ano passado, vive sob ameaça de despejo. Ela afirmou que a comunidade tem muitas pessoas idosas e doentes, mas que ainda nutrem esperança de que os casos sejam solucionados para que possam ter moradia própria.
Mauro Rubem legisla sobre política de moradia para pessoas em situação de rua
Lidiane 31 de agosto de 2025
O deputado Mauro Rubem (PT) postula o projeto de lei nº 20151/25, com o objetivo de que seja instituída a Política Estadual de Moradia com Apoio Continuado para Pessoas em Situação de Rua. A proposta visa a garantir moradia digna e integrada a serviços de apoio para essa parcela da população goiana.
De acordo com a matéria, a política se baseará no princípio da moradia como direito humano fundamental e acesso incondicional para as pessoas em situação de rua. O programa também prevê a integração com serviços de saúde, assistência social, educação e segurança pública, além da proteção dos beneficiários contra a alienação indevida dos imóveis.
A proposição estabelece que programas habitacionais de interesse social, geridos ou cofinanciados pelo Estado, deverão reservar uma cota mínima de 5% das unidades habitacionais para atendimento exclusivo a essa população. Poderá doar, alugar ou ceder imóveis públicos para a iniciativa, com uma cláusula de inalienabilidade de dez anos, para evitar o uso irregular.
Para garantir o sucesso do programa, o beneficiário será acompanhado por uma equipe técnica interdisciplinar composta por assistente social, psicólogo, agente de saúde, defensor público e representante da sociedade civil. A equipe será responsável por elaborar um plano individual de acompanhamento, com duração mínima de 24 meses.
A medida também prevê a criação do Cadastro Estadual de Moradia Assistida, que terá como objetivo monitorar a ocupação e o uso dos imóveis, detectar indícios de irregularidades e articular ações preventivas com órgãos de segurança pública e direitos humanos. A proposta se justifica, segundo o deputado, no direito à moradia como direito social essencial, previsto no artigo 6º da Constituição Federal.
O projeto de lei seguirá para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), que fará sua distribuição à relatoria parlamentar.
”Nenhum estado brasileiro concede subsídios para moradia como o Governo de Goiás” afirma Daniel Vilela
Lidiane 27 de julho de 2024
Famílias de Aparecida de Goiânia receberam 1.452 cartões de Aluguel Social e 133 escrituras de imóveis da cidade
Cerca de 1,4 famílias de Aparecida de Goiânia foram beneficiadas nesta sexta-feira (26/07) com o recebimento dos cartões do programa Aluguel Social, do Governo de Goiás. Durante cerimônia que marcou a entrega dos auxílios, realizada no Ginásio de Esportes Bernardino Dias da Silva, nesta sexta-feira (26/07) o vice-governador do Estado, Daniel Vilela destacou a importância de ajudar as pessoas mais vulneráveis a arcar com os custos de moradia, com o repasse mensal de R$ 350 por 18 meses.
“O Aluguel Social é um programa inteligente que governador Ronaldo Caiado determinou sua criação para atender pessoas que, momentaneamente, estão dificuldades financeiras de arcar com aluguel e não tem condição de adquirir um imóvel. São mais de 60 mil pessoas beneficiadas em todo o Estado. Nenhum estado brasileiro concede subsídios para moradia como o Governo de Goiás”.
Para receber o benefício, é preciso morar na cidade há, pelo menos, três anos, não possuir imóvel próprio e estar inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal. Com os 1.452 cartões entregues nesta sexta-feira, o total de beneficiários no município chega a 4.085 famílias, desde a criação do programa.
Segundo o vice-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab) – pasta que gere o programa – Wendel Garcia, o Aluguel Social “permite que a renda da família fique descomprometida num momento de maior vulnerabilidade. São contempladas famílias de todas as regiões goianas, que temos percorrendo entregando os benefícios”.
Além de conceder os cartões do Aluguel Social, o Governo de Goiás entregou 133 escrituras de imóveis nos setores Madre Germana I e II, Jardim Tiradentes, Independência e Colina Sul.
Casa própria
Ainda em discurso, o vice-governador anunciou que, além do Aluguel Social, o Governo de Goiás está investindo para oferecer casa própria aos aparecidenses.
“A Caixa (Econômica Federal) vai financiar 700 novos apartamentos neste município, cujas obras devem começar no fim do ano, com previsão de término em 18 meses. Vamos entregar essas moradias com subsídios do Governo do Estado de Goiás”.
Daniel também destacou que os beneficiados desta sexta-feira (26/07) podem ser contemplados, futuramente, com as unidades habitacionais que vão ser construídas e concedidas gratuitamente. “Podem ter certeza, há um trabalho forte para que pelo menos o número de beneficiários dobre. Vocês serão a prioridade para receber esses imóveis. Vamos fazer todo o esforço, contem comigo”, disse para o público do ginásio que participava da solenidade.
Aluguel Social
Escolhida para receber de forma simbólica o cartão do Aluguel Social durante a solenidade, Maria Aparecida Ferreira, de 40 anos, não conseguia encontrar palavras para descrever a felicidade. Mãe de cinco filhos, ela está desempregada e cuida de crianças para ter uma renda. “Agora, vou conseguir pagar o meu aluguel, no Setor Vera Cruz. (O benefício) vai ajudar muito a economizar e poder gastar com alimentação e material escolar dos meus filhos”, afirmou com a caçula Maria Julia no colo.
A dona de casa Dayanne Rodrigues da Silva Cardoso, de 36 anos foi outra beneficiada. Desempregada, ela é mãe de duas filhas e depende, unicamente, do auxílio do INSS no valor de um salário mínimo, recebido pelo marido, afastado do trabalho por problemas na coluna. “Somos quatro pessoas que vivem com apenas a renda do meu marido. Meu aluguel está atrasado há dois meses e, agora, vou conseguir pagar”, comemora.
Vice-Governadoria – Governo de Goiás



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