O avanço do Acordo Mercosul–União Europeia e os impactos diretos para o setor produtivo goiano estiveram no centro das discussões do Fórum das Entidades Empresariais de Goiás (FEE-GO), realizado nesta segunda-feira (9/2), em Goiânia. O encontro, sediado na Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), reuniu lideranças empresariais, representantes do governo estadual, da União Europeia e gestores públicos para avaliar oportunidades e desafios da possível entrada em vigor do tratado comercial.
A abertura foi conduzida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, que também apresentou demandas relacionadas ao suprimento de energia no Vale do Araguaia. Em seguida, o dirigente liderou o debate principal, defendendo que Goiás participe ativamente das decisões estratégicas sobre a distribuição das cotas de exportação previstas no acordo.
Segundo Rocha, o tratado pode ampliar o acesso de produtos industriais e agropecuários goianos ao mercado europeu, mas a definição das cotas exigirá articulação política antecipada.
“As cotas são limitadas e, uma vez definidas, é fundamental discutir internamente quem vai exportar. Goiás precisa estar nesse debate desde agora”, afirmou.
Expectativa é de que o tratado entre em vigor a partir deste ano
A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, explicou que o acordo já foi aprovado pelo Conselho Europeu e aguarda a ratificação dos parlamentos nacionais. A expectativa, segundo ela, é de que o tratado entre em vigor a partir de 2026, com redução de tarifas, facilitação de comércio e exigências ligadas à sustentabilidade e rastreabilidade produtiva.
Para o setor industrial goiano, o cenário abre espaço não apenas para o agronegócio, mas também para cadeias de maior valor agregado. Rocha destacou o potencial do Estado em áreas estratégicas, como mineração e energia limpa.
“Temos uma das maiores jazidas de terras raras do mundo e precisamos da tecnologia europeia para transformar esse potencial em desenvolvimento. É possível construir novas parcerias em áreas como energia, biocombustíveis e inovação”, pontuou.
O encontro contou com a participação de secretários estaduais, representantes municipais e entidades empresariais como Fecomércio-GO, Faeg, Facieg, OCB-GO, FCDL-GO, Acieg e Adial Goiás. As contribuições serão consolidadas em um documento técnico a ser encaminhado ao Itamaraty, ao Ministério da Agricultura e Pecuária e à bancada federal goiana, com propostas para assegurar maior protagonismo do Estado nas negociações.
A expectativa do setor produtivo é que o acordo fortaleça a competitividade regional, atraia investimentos e amplie a presença de Goiás no comércio internacional.
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano, segundo afirmou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, nesta quinta-feira (15). A declaração foi dada em entrevista a emissoras de rádio durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Segundo Alckmin, o acordo, negociado há cerca de 25 anos, deverá ser assinado no sábado (17). Depois da assinatura, o texto segue para a etapa de aprovação no Parlamento Europeu e, no Brasil, para tramitação legislativa com objetivo de internalização do tratado. A expectativa apresentada pelo ministro é que o processo avance ainda no primeiro semestre, abrindo caminho para a vigência no segundo semestre.
Durante a entrevista, Alckmin classificou o pacto como o maior acordo entre blocos já costurado, envolvendo os países do Mercosul e os 27 integrantes da União Europeia. O ministro citou estimativas de que o tratado alcança um universo de 720 milhões de pessoas e um mercado de US$ 22 trilhões.
A composição atual do Mercosul inclui Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e a Bolívia. Do outro lado, a União Europeia reúne economias entre as mais ricas e reguladas do mundo. Na leitura do governo, a dimensão do acordo amplia o potencial de exportação do bloco sul-americano, ao mesmo tempo em que tende a aumentar o fluxo de importações europeias.
Alckmin destacou que o acordo prevê redução tarifária com regras, e que o comércio exterior impacta diretamente a geração de empregos. O ministro afirmou que há setores em que a exportação é condição de continuidade de operações, porque o mercado interno não absorve sozinho a escala necessária. Também defendeu que a sociedade poderia se beneficiar com maior oferta e preços mais competitivos, em especial se houver ganho logístico e queda de custos.
No campo político, o vice-presidente argumentou que o avanço do tratado ocorre em um momento de instabilidade internacional, com guerras e aumento do protecionismo. Para ele, a conclusão do acordo serviria como demonstração de que negociação e diálogo ainda sustentam o multilateralismo e permitem livre comércio regulado.
Perguntas que o acordo reabre no Brasil
A internalização do tratado, se confirmada no ritmo citado pelo ministro, deve recolocar no centro do debate pontos sensíveis: quais setores brasileiros ganham acesso real ao mercado europeu, quais enfrentarão competição mais dura, como ficam exigências ambientais e sanitárias, e se o país terá estrutura para cumprir padrões técnicos e rastreabilidade sem travar produção e exportação.
Também entra no radar a capacidade de pequenas e médias empresas se adequarem, já que, na prática, parte relevante do comércio com a União Europeia é filtrada por certificações, padronização e prazos rígidos. Sem política de transição e apoio técnico, o risco é o acordo favorecer apenas grandes grupos já integrados a cadeias internacionais.
Análise crítica editorial
O anúncio de Alckmin tem um mérito evidente: sinaliza previsibilidade e tenta reposicionar o Brasil em um tabuleiro que, nos últimos anos, ficou mais fechado e protecionista. Mas há um problema recorrente na forma como acordos desse porte são vendidos ao público: como se a assinatura fosse sinônimo automático de emprego, preço menor e prosperidade.
A realidade costuma ser menos confortável. O ganho não vem da abertura em si, e sim de como o país reage a ela. Se o Brasil entrar nesse acordo sem atacar gargalos estruturais, custo logístico, insegurança regulatória, baixa produtividade e dependência de exportação de commodities, a janela pode virar assimetria: exporta-se volume com baixo valor agregado e importa-se tecnologia e bens industriais com maior densidade econômica.
Outro ponto negligenciado é o risco reputacional e regulatório. A União Europeia não negocia apenas tarifa. Ela negocia padrões. Sustentabilidade, origem, rastreabilidade, conformidade sanitária e barreiras técnicas funcionam, muitas vezes, como alfândega invisível. Se o governo não traduzir essas exigências em preparação prática para empresas e cadeias produtivas, o acordo vira manchete, mas não vira embarque.
Em síntese: o tratado pode ser um salto ou pode ser só um discurso. A diferença estará na execução interna e na coragem política de transformar acesso a mercado em produtividade, indústria forte e exportação de maior valor, não em dependência renovada com embalagem nova.











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