23 de janeiro de 2026
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O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) assinou, nesta terça-feira (13/1), requerimento de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) que pede a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso do Banco Master. A iniciativa busca consolidar uma investigação ampla sobre as possíveis irregularidades e as relações do grupo controlador com autoridades.

Em publicação nas redes sociais, Vanderlan justificou o apoio à CPMI pela necessidade de transparência total e responsabilização dos envolvidos.

“Acabei de assinar, pouco tempo atrás, mais uma CPMI, do Banco Master, que está essa polêmica toda. Bilhões de reais foram envolvidos em desvios, em falcatruas no Banco Master”, declarou o senador goiano.

O parlamentar disse ainda que já havia assinado outro requerimento a pedido do deputado Marcel van Hattem e garantiu empenho contínuo no caso.

“Quantas vierem, desse caso, eu vou assinar”, assegurou.

Segundo Vanderlan, a comissão, se instalada, precisa aprofundar as apurações para alcançar todas as possíveis conexões políticas e judiciais vinculadas ao banco e ao seu controlador.

“Tem que investigar governo, STF e todos os políticos que estiverem envolvidos, quem tiver problema, quem tiver culpa no cartório que vá pagar. Ninguém faz isso sozinho”, acrescentou Vanderlan.

O senador concluiu reafirmando a intenção de que a investigação exponha os responsáveis e traga respostas à sociedade.

“Vamos saber quem está participando disso, quem participou e continua participando. A gente tem que passar esse Brasilzão a limpo”, finalizou.

A movimentação por assinaturas para instalar a CPMI ganhou força nas últimas semanas no Congresso, com deputados e senadores se posicionando a favor da criação do colegiado para investigar o rombo e eventuais ligações políticas. Parlamentares que apoiam a investigação dizem que a comissão é um instrumento necessário para esclarecer a dimensão dos prejuízos e possíveis responsabilizações.

Rombo bilionário e ligações com políticos e juízes

O escândalo do Banco Master estourou depois que o Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025. Relatórios do BC e apurações de imprensa apontam um rombo que pode chegar a R$ 20 bilhões e expôs operações suspeitas em carteiras de crédito e levou à paralisação dos serviços do banco.

Desde então, a Polícia Federal e outras autoridades ampliaram as investigações: houve prisões e mandados de busca e apreensão contra o controlador Daniel Vorcaro e outros executivos, apreensão de celulares e bloqueio/sequestro de bens e valores (bloqueios reportados na casa de bilhões), além de medidas judiciais em curso. Vorcaro chegou a ser preso e liberado com monitoramento eletrônico; agora a operação entrou em nova fase com foco em fraudes, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O caso ganhou dimensão política e institucional: investigações e decisões envolveram órgãos como o Banco Central, o TCU e o STF, e levantaram questionamentos sobre relações entre o grupo controlador e políticos e magistrados. Reportagens relatam pedidos de busca que passaram pelo STF e debates sobre eventuais influências políticas no desenrolar do caso, motivo pelo qual a apuração também mira possíveis contatos e favorecimentos.



Autor Manoel Messias Rodrigues


Thiago Cavalcanti, presidente de associação do Banco Central, diz que exposição do diretor do BC Ailton de Aquino preocupa corpo funcional; defende proteção jurídica para decisões técnicas

O presidente da ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), Thiago Cavalcanti, afirmou neste domingo (28.dez.2025) que a decisão de submeter o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, a uma acareação no STF (Supremo Tribunal Federal) expõe a autarquia a riscos institucionais.

Para Cavalcanti, a medida cria insegurança jurídica para os funcionários que assinam notas técnicas de supervisão e liquidação bancária.

A pedido do Poder360, o presidente da ANBCB analisou os desdobramentos do processo envolvendo o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial motivou o embate jurídico.

Para a associação, a convocação de um diretor para confrontar 2 investigados cria uma “dicotomia” perigosa. Aquino participa na condição de testemunha, enquanto as outras partes são alvo de investigação.

Cavalcanti classifica o episódio como “estranho”. Disse provocar um sentimento de “angústia” e “revolta” no corpo funcional.

“Estamos personalizando uma decisão. O diretor Ailton não tomou essa decisão sozinho. É uma decisão institucional. A liquidação do Banco Master foi definida pelo presidente Gabriel Galípolo e a fiscalização é exercida de forma colegiada”, disse.

O dirigente defende que as dúvidas do ministro do STF Dias Toffoli poderiam ser sanadas por meio de relatórios complementares ou reuniões técnicas, sem a necessidade de expor um funcionário público qualificado a um nível de “exposição totalmente desnecessário”.

PROTEÇÃO JURÍDICA

O episódio reforça, na visão da ANBCB, a necessidade de aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023, que trata da autonomia financeira e orçamentária do Banco Central. Cavalcanti argumenta ser preciso assegurar uma blindagem legal para que a atuação técnica não se transforme em alvo de pressão política ou processual.

“Você não pode querer responsabilizar a pessoa física do diretor Ailton por um trabalho feito em conjunto por uma equipe de 600 pessoas da fiscalização”, delcarou. O presidente da ANBCB defende que a defesa funcional do cargo hoje é “precária” e que o Estado deveria assegurar proteção para decisões baseadas em riscos e critérios objetivos.

LIQUIDAÇÃO DO MASTER

Diante das críticas sobre os prazos da liquidação do Banco Master, Cavalcanti negou qualquer omissão ou precipitação no processo. O dirigente afirmou que há avaliações contraditórias de órgãos de controle, que em alguns momentos citam lentidão na condução do caso e, em outros, alegam rapidez excessiva na intervenção.

Segundo o presidente da associação, o processo seguiu estritamente os ritos legais, com prazos para defesa e tentativas de solução de mercado. A liquidação foi feita, de acordo com ele, porque a instituição financeira apresentou lacunas e incompatibilidades com os parâmetros exigidos pelo mercado financeiro brasileiro.

“Não houve demora nem precipitação. O processo seguiu os trâmites regulares e o resultado apresentado à sociedade reflete a análise do corpo técnico”, concluiu.



Autor Poder360 ·


Em relato à Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia nesta segunda-feira (8/12), a presidente da AparecidaPrev, Márcia Tinoco, afirmou que o ex-presidente do instituto, Robes Venâncio, omitiu do Conselho Deliberativo a operação que resultou na aplicação de R$ 40 milhões em letras financeiras do Banco Master. Segundo Márcia, o ex-secretário de Governo Einstein Paniago também teve papel decisivo na indicação e viabilização do aporte.

O investimento foi realizado em junho de 2024, no período da gestão do então prefeito Vilmar Mariano (União), e o banco já está em liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. A AparecidaPrev é a autarquia municipal responsável pela gestão do regime próprio de previdência dos servidores de Aparecida de Goiânia.

Dados do Ministério da Previdência Social ndicam que 18 fundos previdenciários estaduais e municipais têm, ao todo, R$ 1,86 bilhão aplicados em letras financeiras do Banco Master. Pelas regras vigentes, o Fundo Garantidor de Crédito não cobre aplicações dos regimes próprios de previdência dos estados e municípios, o que na prática indica a perda do dinheiro investido.

Márcia explicou que assumiu a gestão da autarquia em janeiro deste ano e que, ao revisar as atas em março, identificou que o aporte havia sido feito sem conhecimento nem anuência do Conselho Deliberativo. Em seu relato, ela descreveu uma sequência de decisões e ajustes que antecederam a aplicação.

A primeira menção ao Banco Master ocorreu em novembro de 2023, quando um representante da instituição apresentou dados ao Conselho. Em dezembro daquele ano, foi aprovado pelo colegiado o credenciamento da entidade, com oito votos favoráveis, o que permitiu que o banco passasse a receber investimentos.

Em fevereiro de 2024, Robes Venâncio e Einstein Paniago solicitaram estudos sobre as letras financeiras do Master. Naquele mês foi elaborada proposta de aporte e, conforme relato de Márcia, o secretário chegou a questionar a possibilidade de investir R$ 50 milhões, recebendo do banco a resposta de que não havia impedimento técnico.

Ainda em fevereiro, o Conselho rejeitou proposta de alteração da Política de Investimentos necessária para permitir aplicações no Banco Master, por conta da classificação da instituição. Segundo a presidente, Robes e Einstein então passaram a propor ajustes na política para adequá-la ao caso. Posteriormente, a mudança foi aprovada pelo colegiado.

Operação só foi descoberta 3 meses após efetivada

Em junho de 2024, de acordo com Márcia, a aplicação de R$ 40 milhões foi efetivada e autorizada pelo então presidente do instituto, sem que o Conselho fosse formalmente comunicado. A operação só veio a ser descoberta por um conselheiro em setembro, por meio de informações publicadas na internet; até então, o colegiado desconhecia o investimento.

Após a revelação, os membros do Conselho convocaram os envolvidos para prestar esclarecimentos. Em 24 de setembro, a assessoria de investimentos posicionou-se contra a operação e sugeriu a venda dos títulos ao Banco do Nordeste. Em seguida, o colegiado passou a discutir a fragilidade do Master e eventual responsabilização.

Em outubro, o Comitê de Investimentos voltou a debater a venda das letras e aprovou a convocação de reunião extraordinária para autorizar a liquidação dos títulos. Também foi solicitada investigação formal sobre possíveis irregularidades na operação.

Márcia relatou ter comunicado o prefeito e solicitado autorização para adotar providências imediatas. A solicitação incluiu o encaminhamento de denúncias ao Ministério Público, ao Ministério da Previdência e ao Tribunal de Contas dos Municípios, o que, segundo ela, foi autorizado. As denúncias, afirmou, subsidiaram a atuação dos órgãos de controle.

Márcia Tinoco apontou falta de transparência na gestão anterior, ausência de documentos essenciais e risco ao patrimônio previdenciário

A presidente apontou falta de transparência na gestão anterior, ausência de documentos essenciais e risco ao patrimônio previdenciário. Entre as medidas pedidas por Márcia estão auditoria externa independente, bloqueio de ativos e ações para prevenir novos riscos. Ela também encaminhou o caso à Procuradoria do Município para analisar o processo licitatório relacionado à assessoria de investimentos que participou da aplicação.

Márcia disse ter enviado ofício ao Conselho questionando quais providências foram tomadas à época e por que não houve reação diante das inconsistências. Ela acrescentou que elaborou relatório técnico público, que será disponibilizado na área de transparência do site da autarquia, e instituiu boletim periódico de acompanhamento. A presidente afirmou ter reforçado controles internos e suspenso qualquer contratação com a assessoria financeira anterior.

A AparecidaPrev já se habilitou como credora na liquidação judicial do Banco Master em busca do ressarcimento dos R$ 40 milhões investidos, valor que, atualizado com juros, aproxima-se de R$ 47 milhões. Segundo o diretor financeiro Khayo Eduardo Pires de Oliveira, o patrimônio total da autarquia atualmente é de R$ 1,02 bilhão.

Vereadores veem ‘manipulações internas’ na operação

Autor do requerimento para ouvir a atual e a ex-direção do AparecidaPrev, o vereador Isaac Martins (União) afirmou que as informações apresentadas deixam evidente que houve manipulações internas para que a operação, mesmo com alto risco e sem aprovação do Conselho, fosse executada. Para ele, está claro que a decisão foi tomada unilateralmente pelo ex-presidente Robes Venâncio.

O vereador Dieyme Vasconcelos (PL) avaliou como “histórico” o debate realizado na Câmara.

O vereador Tales de Castro (PSB) demonstrou preocupação sobre a possibilidade de recuperação dos recursos e questionou quais medidas estão sendo adotadas para tentar reaver os valores. Outros parlamentares também apontaram risco e defenderam que a Casa Legislativa não se omita durante a investigação.

Em resposta, o diretor financeiro Khayo Eduardo Pires de Oliveira explicou a estrutura da autarquia, composta por Conselho Fiscal, Comitê de Investimentos e Conselho Deliberativo, e detalhou que as indicações para os colegiados são feitas pelo prefeito e por representantes dos servidores efetivos, aposentados e pensionistas, sendo que os servidores concursados elegem seus representantes.

Khayo afirmou que os fatos referentes ao envolvimento do ex-secretário Einstein Paniago constam nas atas, apontando que ele participou da indicação de conselheiros. Sobre a aprovação do investimento, esclareceu que, como o Conselho não aprovou a operação, a assessoria de investimentos não chegou a emitir parecer técnico — procedimento exigido para aplicações regulares.

O vereador André Fortaleza (sem partido) criticou a atuação anterior, dizendo que houve interferência e atropelo das instâncias técnicas para viabilizar a operação, e questionou a função do Conselho se o presidente pode decidir de forma autônoma. Khayo reiterou que a decisão foi tomada pelo ex-presidente por conta e risco, à revelia dos colegiados.

Ao final da sessão, os vereadores agradeceram à equipe da autarquia que compareceu para responder aos questionamentos e apresentar a cronologia dos fatos. O presidente da Câmara, Gilsão Meu Povo (MDB), elogiou a atuação rápida da presidente Márcia Tinoco nas providências adotadas desde a descoberta do caso.

Os ex-dirigentes do AparecidaPrev devem ser ouvidos nos próximos dias pela Câmara de Vereadores.



Autor Manoel Messias Rodrigues