Propriedades da ex-presidente da Argentina e familiares são alvo de apreensão; medida faz parte do caso Vialidad
O TOF 2 (Tribunal Oral Federal 2) da Argentina determinou na 3ª feira (18.nov.2025) o confisco de dezenas de propriedades pertencentes à ex-presidente Cristina Kirchner, seus filhos Máximo e Florencia, e ao empresário Lázaro Báez. A medida visa a recuperar 685 bilhões de pesos argentinos (R$2,6 bilhões, na cotação atual) relacionados às condenações no caso Vialidad.
O caso Vialidad envolve irregularidades em obras públicas realizadas na província de Santa Cruz, na Patagônia, durante os governos Kirchner, revelando um esquema de corrupção entre a administração federal e empresários, principalmente Lázaro Báez.
A condenação de Cristina foi confirmada pela Suprema Corte em junho de 2025. Desde a condenação, a ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
Segundo o jornal argentino Clarín, Kirchner e familiares perderão 20 propriedades: uma no nome de Cristina, e outras 19 herdadas por seus filhos Máximo e Florencia. O empresário Lázaro Báez perderá mais de 80, inclusive imóveis pertencentes a empresas ligadas ao esquema.
A decisão do tribunal se dá depois de findado o prazo estipulado pela justiça para o pagamento do montante pelos condenados, em 13 de agosto. Cristina criticou em setembro a forma como foi realizado o cálculo e pediu a anulação do confisco.
De acordo com o jornal argentino La Nación, a defesa de Kirchner alega que a acusação não conseguiu estabelecer uma relação entre os bens identificados e o crime. Para os juízes que decidiram pelo confisco, a apreensão não exige uma “rastreabilidade científica”.
As propriedades apontadas para apreensão pelos procuradores do processo, Diego Luciani e Sergio Mola, foram selecionadas com base no momento em que foram adquiridas pelos réus: de 2003 a 2015, período contemplado no processo.
Ex-presidente da Argentina afirma que tentará vaga como deputada provincial; foi condenada por corrupção em 2022
Cristina Kirchner confirmou que vai se candidatar ao cargo de deputada provincial em Buenos Aires. Condenada por corrupção em 2022, a ex-presidente e ex-vice-presidente da Argentina falou sobre sua candidatura durante uma rara aparição na mídia. Ela deu uma entrevista ao canal C5N na 2ª feira (2.jun.2025). As informações são do jornal Clarín.
A ex-presidente disputará uma vaga na 3ª Seção Eleitoral, uma das 8 seções em que está dividida a província de Buenos Aires. Cada seção eleitoral engloba diversos municípios.
A Tercera, como é conhecida no meio político, é famosa por ser um reduto do peronismo. Inclui 19 municípios da região metropolitana de Buenos Aires e conta com quase 5 milhões de eleitores. A maioria dos distritos é governada por peronistas. Segundo o jornal argentino, em alguns deles, esses candidatos chegam a obter mais de 70% dos votos nas eleições enquanto seus concorrentes não chegam a 15% das preferências.
O kirchnerismo tem vencido na seção eleitoral desde 2005, mesmo diante de derrotas em âmbito nacional. Em 2009, por exemplo, Néstor Kirchner perdeu no total provincial, mas venceu nessa seção. O padrão se repetiu em 2013 e em 2017. Desde 1987, o peronismo só teve menos de 1 milhão de votos na região em 3 ocasiões: 1991, 2001 e 2003.
Pela 1ª vez, as eleições serão realizadas em duas datas distintas. No dia 7 de setembro, os eleitores escolherão os representantes para os cargos provinciais. Já a votação para os cargos nacionais, que incluem 35 deputados, será realizada em 26 de outubro.
A divisão da eleição em duas partes foi anunciada há algumas semanas pelo governador da província de Buenos Aires, o também peronista Alex Kicillof, ex-ministro do governo de Kirchner. Embora seja apontado como afilhado político da ex-presidente, Kicillof enfrenta atualmente um momento de tensão com Kirchner pela liderança do campo político.
Condenação por corrupção
Cristina Kirchner foi condenada a 6 anos de prisão pelo Tribunal Federal do país em 2022, mas ainda aguarda uma posição da Suprema Corte, visto que a ex-presidente solicitou a nulidade da sentença.
Cristina e seu marido, Néstor Kirchner –que morreu em 2010–, foram acusados de corrupção por supostamente favorecer o empresário Lázaro Baez em obras públicas na província de Santa Cruz durante os 3 primeiros mandatos dos Kirchners (2003–2015).










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