Brasil condena repressão no Irã pela 1ª vez, mas se abstém em votação na ONU
Lidiane 24 de janeiro de 2026
Governo alega que sanções e medidas unilaterais agravam crise econômica e social em Teerã
A representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas condenou, 6ª feira (23.jan.2026), a repressão violenta contra manifestantes no Irã. É a 1ª vez que a diplomacia brasileira utiliza termos contundentes contra o uso da força desde o início da atual onde de atos contra o regime dos aiatolás.
“Condenamos fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos e estamos preocupados com relatos de prisões arbitrárias e de crianças como alvo”, afirmou o embaixador Tovar da Silva Nunes, em Genebra. Anteriormente, o Itamaraty limitava-se a declarar que acompanhava a situação com “preocupação”.
A VOTAÇÃO NA ONU
Apesar da mudança de tom, o Brasil manteve sua tradição diplomática ao se abster na votação de uma resolução que pedia a extensão de investigações sobre violações de direitos humanos no país. O texto passou com 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções. A proposta foi patrocinada por países como Alemanha, Reino Unido e Islândia;
O embaixador brasileiro ressaltou que apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar seu futuro e criticou medidas coercitivas unilaterais (sanções), que “exacerbam os desafios econômicos”.
REAÇÃO INTERNACIONAL
O comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, instou as autoridades iranianas a interromperem o que chamou de “brutal repressão”. Em contrapartida, o representante do Irã na sessão criticou a reunião, afirmando que os patrocinadores da medida nunca se importaram com os direitos dos iranianos e citando o impacto das sanções econômicas.
O posicionamento brasileiro ocorre em um momento de alta tensão geopolítica, com a movimentação de ativos militares dos Estados Unidos para regiões próximas ao Irã sob ordens do presidente norte-americano, Donald Trump.
PROTESTOS NO IRÃ
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
A SpaceX, de Elon Musk, passou a oferecer acesso à internet via satélite no Irã.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
- Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):
Família do manifestante iraniano condenado à morte por protestos foi informada de que a execução havia sido adiada
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na 4ª feira (14.jan.2026) à Fox News que não haverá execuções de manifestantes “nem hoje, nem amanhã”. Ele declarou: “Posso dizer, estou confiante de que não há plano para enforcamentos”.
A fala do chanceler se deu depois que a família de Erfan Soltani, manifestante iraniano condenado à morte pelos atuais protestos, foi informada de que a execução havia sido adiada. O presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou ter recebido de fonte confiável a informação de que o Irã havia desistido de executar Soltani e outros manifestantes presos.
Soltani, um funcionário de 26 anos de uma loja de roupas, foi preso em Karaj, cidade a noroeste de Teerã em 8 de janeiro, por participar de manifestações críticas ao governo. Sua execução estava programada para 4ª feira (14.jan), segundo grupos de direitos humanos.
À Fox News, Araghchi apresentou a versão oficial do governo sobre os recentes acontecimentos no território iraniano. Segundo ele, os protestos foram realizados em duas fases distintas: 1º houve manifestações pacíficas relacionadas às dificuldades econômicas, que duraram 10 dias; depois, houve um período de 3 dias de violência que, conforme o ministro, foi orquestrado por Israel.
Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 18.000 pessoas foram presas e pelo menos 2.571 mortas nas últimas duas semanas. Fontes locais falam em 12.000 mortos. Já a Hrana (Human Rights Activist News Agency) informa que o número de manifestantes mortos é de 2.615.
Questionado sobre as mortes pela repressão, Araghchi afirmou que infiltrados israelenses mataram manifestantes para inflar os números e forçar os Estados Unidos a intervir no território.
Trump declarou que “se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é de seu costume, os EUA virão em socorro”. O presidente norte-americano afirmou que o país está “com as armas carregadas e pronto para agir”.
PROTESTOS NO IRÃ
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana, agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
- Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
Araghchi afirmou que a situação já foi normalizada no país.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):
Leia mais:
As agitações no Irã deixaram mais de 500 mortos, segundo grupos de direitos humanos, em um levantamento divulgado neste domingo (11/1). O número alimenta a pressão internacional e o debate sobre possíveis respostas externas. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump deve ser informado nesta terça-feira (13) sobre opções que vão de sanções e operações cibernéticas até ações militares, conforme relatos da imprensa que citam fontes oficiais.
Relatos verificados por organizações como o grupo de direitos humanos HRANA apontam 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança mortos, totalizando 538 vítimas, além de mais de 10.600 detidos nas duas semanas de mobilizações. Os números não foram confirmados por Teerã e a verificação independente segue complicada devido a cortes de internet e restrições de acesso a jornalistas.
Os protestos começaram em 28 de dezembro de 2025 por causa do aumento dos preços e logo se transformaram em mobilizações contra o regime clerical que governa desde 1979; autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de tentar desestabilizar o país. A intensificação das manifestações levou a uma resposta dura das forças de segurança e a um acirramento do discurso oficial contra atores externos.
“Terroristas que incendiaram mesquitas, atacaram bancos e propriedades públicas”, disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, em entrevista à TV estatal, ao atribuir episódios de violência a agentes que, segundo ele, teriam sido trazidos pelos inimigos do Irã. A declaração foi utilizada para justificar operações de contenção e para reforçar a narrativa de ameaça externa.
“Famílias, eu lhes peço: não permitam que seus filhos pequenos se juntem a desordeiros e terroristas que decapitam pessoas e matam outras”, acrescentou Pezeshkian, que também afirmou haver disposição do governo para ouvir reivindicações e atuar sobre problemas econômicos apontados pelos manifestantes. Essa combinação de recuo parcial e repressão marca a postura oficial diante da crise.
Diante do quadro, o Parlamento respondeu com avisos a Washington sobre os riscos de intervenção externa. Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Legislativo e ex-comandante da Guarda Revolucionária, afirmou que “no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nosso alvo legítimo”, elevando a retórica de ameaça e o potencial de escalada regional.
O quadro segue volátil: enquanto organismos de direitos humanos pedem investigação e restrição ao uso da força, governos observam a possibilidade de medidas internacionais e avaliam consequências estratégicas. Nas próximas horas, a decisão das autoridades americanas sobre que medidas adotar será um ponto-chave para os desdobramentos da crise.
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, também indicou haver espaço para veto do presidente Lula à proposta; impacto é de R$ 24,72 bilhões em 10 anos, segundo dados da Previdência
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta 2ª feira (24.nov.2025) haver espaço para que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vá ao STF (Supremo Tribunal Federal) se avançar o projeto de lei complementar 185 de 2024, que regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. O projeto foi pautado pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e deve ir ao plenário do Senado na 3ª feira (25.nov).
“Caso uma matéria desse tipo com esse tamanho de impacto avance, vamos ser obrigados a fazer o veto. Se o veto cair, seremos obrigados a ir ao Supremo”, disse a jornalistas. A declaração foi dada ao comentar o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 5º bimestre, elaborado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em conjunto com o Ministério da Fazenda. Eis a íntegra (PDF – 499 kB) da apresentação.
Alcolumbre anunciou na 5ª feira (20.nov) –logo após a indicação de Jorge Messias ao STF– que colocaria em pauta a proposta, que não indica o impacto no Orçamento nem tampouco de onde sairia o dinheiro. Para cada gasto ou renúncia fiscal, é necessário apresentar uma forma de compensação.
Segundo dados do Ministério da Previdência a que o Poder360 teve acesso, o aumento estimado nos gastos é de R$ 24,72 bilhões nos primeiros 10 anos. O impacto se daria sobre RGPS (Regime Geral de Previdência Social), administrado pelo INSS, e o RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), voltado a aposentadorias e pensões de funcionários públicos concursados.
Durigan não especificou os valores do impacto: disse ter solicitado números à Previdência. Ele pediu aos congressistas que não votem o texto.
“Faço aqui um apelo. Esse projeto de lei dos agentes comunitários de saúde tem um impacto muito grande aos cofres públicos. Ele é muito ruim do ponto de vista da economia e ele não deveria ser aprovado”, declarou.
O ministro interino enfatizou que o governo levou ao STF temas que avançaram no Congresso justamente por não ter fonte de receita.
Em sua fala, Durigan também fez um aceno ao Congresso. “Todo o resultado positivo da economia também deve ser atribuído ao Congresso Nacional porque nos ajudou muito a nos avançar na agenda”, acrescentou.
Participaram da entrevista:
- Dario Durigan – ministro interino da Fazenda;
- Gustavo Guimarães – ministro interino de Planejamento e Orçamento;
- Clayton Luiz Montes – secretário de Orçamento Federal;
- Robinson Barreirinhas – secretário especial da Receita Federal.
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Declaração se deu no mesmo dia em que Teerã aceitou retomar negociações nucleares com potências europeias
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o povo iraniano resistirá às exigências dos Estados Unidos para que o país “seja obediente”. A mídia estatal divulgou a fala no domingo (24.ago.2025), mesmo dia em que Teerã aceitou retomar negociações nucleares com potências europeias.
“Eles querem que o Irã seja obediente aos Estados Unidos. A nação iraniana se posicionará com todo o seu poder contra essas expectativas tão errôneas”, disse Khamenei em um evento religioso. Ele criticou ainda defensores do diálogo direto com os EUA e afirmou que “essa questão é insolúvel”. As informações são da Al Jazeera.
O Irã e potências europeias decidiram na 6ª feira (22.ago) retomar as conversas sobre o programa nuclear, com início previsto para 3ª feira (26.ago). Teerã havia suspendido o diálogo depois que os EUA e Israel bombardearam instalações nucleares iranianas em junho.
França, Reino Unido e Alemanha ameaçam reativar sanções da ONU caso o Irã não coopere.
Em 2015, Teerã firmou acordo para reduzir atividades nucleares em troca do alívio de sanções. O presidente Donald Trump (Partido Republicano) retirou os EUA do pacto em 2018 e impôs novamente restrições.
Khamenei acusou “agentes da América e do regime sionista” de tentar semear divisão no país e pediu união contra os EUA.
As potências ocidentais dizem que o Irã busca armas nucleares. Teerã nega e afirma que o programa tem fins civis.
Modelo do tipo B-2 foi visto em encontro de líderes dos EUA e da Rússia; aeronave é semelhante à que atingiu instalações de urânio
Uma formação aérea composta por um bombardeiro B-2 Spirit e outros 4 caças sobrevoou a Base Aérea Conjunta Elmendorf-Richardson, no Alasca, onde os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), e da Rússia, Vladimir Putin (independente) se encontraram nesta 6ª feira (15.ago.2025).
O encontro entre Trump e Putin teve como objetivo discutir um possível acordo de cessar-fogo para a guerra na Ucrânia. Contudo, a reunião terminou sem um acordo concreto.
Assista ao momento (22s):
Trump just flew a B-2 stealth bomber over Putin’s head…
Absolutely incredible. pic.twitter.com/2bsnssRv9f
— Geiger Capital (@Geiger_Capital) August 15, 2025
O modelo já foi usado pelos EUA para bombardear instalações nucleares do Irã e custa, cada um, em torno de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,6 bilhões), considerando os gastos com seu desenvolvimento. O bombardeiro é capaz de burlar sistemas de monitoramento aéreo. Tem alcance de cerca de 6.000 milhas náuticas (11.000 km).
O avião militar pode chegar a 1.010 km/h, inferior à velocidade do som, que é de aproximadamente 1.230 km/h. Essa limitação é proposital: o B-2 foi projetado para operações furtivas, priorizando discrição sobre velocidade.
ENCONTRO DE TRUMP E PUTIN
Trump e Putin tiveram uma reunião bilateral a portas fechadas de cerca de 3 horas. A fala a jornalistas durou 13 minutos. Nenhum dos 2 respondeu a perguntas de repórteres.
“Acredito que haja vários caminhos que podemos percorrer com negócios. Acho que podemos conseguir muitas coisas do nosso relacionamento. Nós tivemos agora uma conversa muito produtiva, houve muitos momentos positivos e há uma boa chance de chegar a um acordo. Nunca achamos que fosse fácil. Acredito que possamos ter outros encontros assim no futuro”, declarou Trump.
O republicano afirmou que ligará para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro), para discutir os “avanços” da conversa com Putin. Também disse que falará com os líderes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) –a aliança militar ocidental liderada pelos EUA. Contudo, declarou que “não há um acordo até que haja um acordo”.
“É importante que os dois lados estejam interessados em avançar. Que seja o começo de uma solução para a Ucrânia, mas também um caminho para devolver o ritmo do caminho entre os EUA e a Rússia”, disse Putin.
O russo também pediu que a Ucrânia e seus aliados europeus não interrompam o “progresso emergente” das negociações com “provocações e intrigas nos bastidores”.
Decisão se deu após o ministro bloquear as contas de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, e impor medidas cautelares contra o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta 2ª feira (21.jul.2025) que irá protocolar “nas próximas horas” mais um pedido de impeachment contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
A decisão se deu depois de Moraes bloquear as contas do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e impor medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Para ‘salvar a democracia’, Alexandre de Moraes continua usando os mesmos métodos que acabaram com a democracia no Brasil. Tortura suas vítimas com todos os aparelhos que tem a sua disposição: de asfixia financeira a ameaça de prisão de familiares para fabricar uma falsa delação. A espinha de peixe na garganta do Brasil precisa ser retirada”, escreveu o senador em seu perfil no X.
Em abril do ano passado, Flávio havia dito ser contra retirar ministros da Corte do cargo e defendeu uma “autorregulação do próprio Supremo”. Como mostrou o Poder360, o impeachment de Moraes será uma das prioridades da oposição no Congresso no 2º semestre.
Há mais de 50 pedidos de impeachment contra ministros do STF parados na Casa. A decisão de pautar ou arquivar cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Nunca um ministro da Corte foi retirado do cargo. Seria algo inédito. Entenda o rito do processo.
Países ainda discutem termos da declaração final, que deve ser divulgada durante a cúpula de chefes de Estado, realizada no Rio de 6 a 7 de julho
As negociações pela declaração final que deverá ser apresentada durante a Cúpula do Brics prosseguem sem um consenso sobre como tratar o conflito no Irã depois dos ataques de Israel e Estados Unidos em junho. O país persa cobra um posicionamento mais duro do bloco, que passou a integrar em 2023.
Os iranianos não reconhecem o Estado de Israel e normalmente usam expressões como “regime sionista” para se referir ao país judeu. Historicamente, os países do Brics, porém, defendem a solução de 2 Estados no Oriente Médio. Ou seja, que o Estado da Palestina seja reconhecido oficialmente. Para os iranianos, porém, reconhecer a Palestina seria uma forma de o país legitimar também o direito de existência de Israel, o que vai de encontro à concepção iraniana.
O conflito no Irã durou 12 dias. Inicialmente, as forças armadas israelenses bombardearam diversos alvos no país persa, para impedir a evolução do programa nuclear iraniano. O Irã revidou e lançou bombas contra Israel. Um cessar-fogo foi negociado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entretanto, a situação na região ainda é delicada.
O conflito recente ganhou mais peso nas negociações no Brics do que os ataques feitos por Israel à Faixa de Gaza. Em 2024, durante a reunião do grupo em Kazan, na Rússia, os países reafirmaram apoio à incorporação da Palestina na ONU (Organização das Nações Unidas) como parte do compromisso pela criação de 2 Estados.
Integrantes do Brics como Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Egito são mais próximos dos Estados Unidos e tendem a não aceitar uma mudança mais drástica na menção a Israel.
A Cúpula do Brics será realizada no Rio de 6 a 7 de julho. O Brasil lidera o bloco desde janeiro de 2025. O mandato é de 1 ano.
Os países também discutem o tom que a declaração deve apresentar em relação à guerra tarifária dos Estados Unidos. Não haverá menções diretas nem ao país e nem a Trump, mas os termos tendem a ser mais duros do que em outras menções do bloco ao assunto.
Além da declaração geral, serão apresentadas separadamente outras 3 declarações temáticas sobre inteligência artificial, financiamento climático e erradicação das doenças socialmente determinadas, aquelas em que a saúde de uma pessoa é afetada por questões como pobreza, desigualdade, condições de trabalho precárias, etc.
Os documentos, que estão em fase final de elaboração, devem ser divulgados ao longo da cúpula.
A separação dos temas foi decidida no contexto da redução do financiamento de organizações de ajuda humanitária, liderada pelos Estados Unidos, mas seguida também por países europeus. A intenção é dar força ao papel multilateral do Brics no contexto do Sul Global, termo que está em voga e que substituiu referências como 3º Mundo.
Essa posição foi reforçada pelos convites ao diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Para Friedrich Merz, operações do governo Netanyahu podem enfraquecer país persa; declarações foram feitas em entrevista a TV
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que os ataques de Israel ao Irã são um “trabalho sujo” feito em nome do Ocidente. Segundo Merz, o país persa espalha “morte e destruição” pelo mundo.
“Só posso dizer que temos grande respeito pelo fato de o exército e o governo israelense terem a coragem de fazer isso. Caso contrário, poderíamos continuar a ver o terror deste regime por meses e anos e, possivelmente, com uma arma nuclear em mãos”, disse o chanceler na 3ª feira (17.jun.2025), em entrevista ao canal alemão ZDF, durante o encontro do G7 no Canadá.
Para Merz, as operações israelenses podem levar ao colapso do regime iraniano. Ele afirmou que é “improvável” que o país consiga retomar a força que exercia antes dos ataques.
O chanceler defendeu a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano, interrompidas pelos ataques israelenses. “Ainda existe a possibilidade de que a parte do governo iraniano capaz de agir retorne à mesa de negociações. Se [o Irã] não estiver preparado para entrar em negociações, Israel seguirá esse caminho até o fim.”
Israel começou a bombardear o Irã depois de o país persa ter sido censurado pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) por descumprir obrigações previstas em tratado pela 1ª vez em duas décadas. A ofensiva israelense começou na 6ª feira (13.jun.2025). Tel Aviv afirma que o Irã está avançando no desenvolvimento de armas nucleares, o que considera uma ameaça direta à sua existência.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse em mensagem gravada na 6ª feira (13.jun) que o país não permitirá que Israel “escape com segurança” do “grande crime” que cometeu.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a campanha militar vai durar “o tempo que for necessário”.
Diplomacia brasileira condenou ataque israelense por “violar a soberania” iraniana, que revidou o bombardeou Tel Aviv
A nota do governo Lula condenando o ataque de Israel ao Irã na 6ª feira (13.jun.2025) foi criticada por congressistas de oposição. O comunicado publicado pelo Ministério das Relações Exteriores disse que ação israelense “viola a soberania” iraniana e ameaça “mergulhar toda a região em conflito de ampla dimensão”.
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse que Israel ataca a infraestrutura militar iraniana enquanto o Irã mira em civis israelenses. Segundo ele, “o Itamaraty não enxerga diferença nestas condutas”. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa que Lula “não tem moral para opinião sobre nada neste conflito”.
O Grupo Parlamentar Brasil-Israel, presidido pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), também se manifestou contra o posicionamento da diplomacia brasileira. Em nota assinada pelo congressista, o grupo afirma que o governo Lula “mais uma vez, escolhe se alinhar aos que disseminam o terror”, referindo-se a Teerã.
Outros deputados foram às redes sociais para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela nota do Itamaraty. Eis as declarações:




A nota do Ministério das Relações Exteriores na 6ª feira (13.jun) foi a 64ª do governo Lula condenando ações de Israel na guerra contra Irã, Hamas e Hezbollah. Desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023, foram 10 notas repreendendo ações militares contra Israel.
DIREITOS CIVIS NO IRÃ
A teocracia do Irã adota leis rígidas sobre o uso de vestimentas femininas que cobrem parcialmente o resto e sobre a população LGBTQIA+.
Em dezembro de 2024, o país persa suspendeu a implementação da “lei do hijab e da castidade”, que determinava penas mais rígidas para mulheres que não utilizassem o véu ou o colocassem de maneira incorreta. As punições variavam de multas a prisão e até pena de morte.
Apesar disso, em 2022 a jovem Mahsa Amini foi morta pela polícia moral iraniana por não utilizar corretamente o hijab. O hijab é um tipo de véu islâmico usado para esconder o cabelo, o pescoço e o busto das mulheres. É diferente do niqab, que deixa apenas os olhos a mostra, e da burka, que cobre todo o rosto.
A morte de Amini provou protestos da população contra o governo, que culminaram no fim da polícia moral.
A pessoas detidas por práticas homossexuais, contudo, ainda há pena de morte. A pena capital também é aplicada contra cidadãos condenados por consumo e venda de drogas e a dissidentes do governo. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o Irã executou 901 pessoas em 2025, sendo 31 mulheres. Foi o maior número em 15 anos.










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