20 de janeiro de 2026
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A produção de veículos no Brasil deve crescer 3,7% em 2026, segundo projeção divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa considera o desempenho conjunto de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões, com destaque para os veículos leves, que devem apresentar alta de 3,8% na produção ao longo do ano.

O crescimento ocorre em um ambiente descrito pelo setor como positivo, porém cercado por incertezas econômicas e regulatórias. Durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o setor vive um momento de “otimismo contido”, já que, apesar da expansão projetada, permanecem fatores de imprevisibilidade que podem impactar a cadeia automotiva.

Entre esses fatores estão os riscos geopolíticos, capazes de afetar o fornecimento global de insumos, e o fato de 2026 anteceder a entrada em vigor da reforma tributária, ainda sem definição clara das alíquotas que incidirão sobre os produtos do setor. Segundo Calvet, esse cenário exige cautela e acompanhamento constante das projeções ao longo do ano.

Em 2025, a produção de veículos no Brasil somou aproximadamente 2,6 milhões de unidades, crescimento de 3,5% em relação a 2024, mantendo o país na oitava posição do ranking mundial de produção automotiva. No mesmo período, as vendas internas alcançaram 2,69 milhões de unidades, alta de 2,1%, o que preservou o Brasil como o sexto maior mercado automotivo do mundo.

Apesar do avanço, os resultados ficaram abaixo das expectativas iniciais da Anfavea para 2025, que previa crescimento de 7,8% na produção e 5% no licenciamento. Ainda assim, a entidade considera o desempenho positivo, especialmente diante de um ano marcado por instabilidade econômica, discussões sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e forte elevação da taxa de juros, que passou de 12% para 15%.

No comércio exterior, o setor automotivo registrou desempenho expressivo em 2025. As exportações cresceram 32,1%, com quase 529 mil veículos comercializados no exterior. A Argentina foi o principal destino, com aumento de 85% nas compras em relação ao ano anterior. Para 2026, a expectativa é de crescimento mais moderado, em torno de 1,3%, refletindo um ambiente internacional mais competitivo.

As importações também avançaram, com alta de 6,6%, impulsionadas sobretudo por veículos provenientes de países sem acordo de livre comércio com o Brasil. A China respondeu por 37,6% dos cerca de 498 mil veículos importados e emplacados no país em 2025. Para este ano, a Anfavea projeta possível redução das importações, à medida que novos fabricantes iniciem produção local, substituindo parte dos veículos anteriormente trazidos do exterior.

Outro ponto de atenção é o segmento de caminhões, que registrou queda de 46,4% na produção em 2025 e retração de 9,2% nos emplacamentos. Segundo a entidade, o desempenho está diretamente relacionado às altas taxas de juros, já que o mercado de caminhões possui forte correlação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e com o custo do crédito.

Nesse contexto, o programa Move Brasil, anunciado pelo governo federal, é visto como estratégico para 2026. A iniciativa prevê linhas de crédito com condições diferenciadas para a compra de caminhões, com o objetivo de estimular a atividade econômica e conter quedas mais acentuadas no setor.

A projeção da Anfavea indica que o setor automotivo brasileiro deve manter trajetória de crescimento em 2026, mas com margens mais estreitas e dependência direta de fatores macroeconômicos. A combinação entre previsibilidade tributária, redução do custo do crédito e fortalecimento das exportações será determinante para que o avanço esperado se consolide de forma sustentável, com impactos relevantes sobre emprego, investimentos e atividade industrial no país.

Análise crítica editorial

A projeção de crescimento de 3,7% na produção de veículos em 2026 revela um setor que avança, mas com passos calculados. O cenário combina recuperação gradual, desafios estruturais e um ambiente macroeconômico ainda restritivo. A indefinição sobre a reforma tributária, somada aos juros elevados e às incertezas no comércio internacional, limita decisões de investimento mais ousadas.

Ao mesmo tempo, o desempenho das exportações e o início da produção local por novos entrantes indicam oportunidades de médio prazo para fortalecer a indústria nacional. O sucesso dessas projeções dependerá, sobretudo, da previsibilidade regulatória, da evolução do custo do crédito e da capacidade do Brasil de reconquistar competitividade regional. Para o consumidor e para a economia, o setor automotivo segue como um termômetro relevante do crescimento e da confiança no país.

📸 Imagem/Reprodução: © Paulo Pinto/Agência Brasil

Autor # Jornal Folha de Goiás


No X, governo afirmou que país conta com “instituições democráticas, fortes e eficazes”; segundo texto, há insegurança jurídica

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou o Relatório Especial sobre a Situação da Liberdade de Expressão no Brasil, divulgado na 6ª feira (26.dez.2025) pela CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos). A postagem no X comemora a avaliação sobre o país ter “instituições democráticas fortes e eficazes”. Leia a íntegra (PDF – 3 MB). 

Apesar disso, o texto afirma que o Brasil enfrenta riscos crescentes à liberdade de expressão. Entre os motivos, cita a existência de uma definição legal unificada para “discurso de ódio” no ordenamento jurídico brasileiro, o que causa insegurança jurídica e amplia o risco de interpretações divergentes. 

DISCURSO DE ÓDIO

A CIDH registra crescimento de discursos que incitam violência ou discriminação contra mulheres, pessoas LGBTQIA+, negros, povos indígenas e movimentos sociais. O relatório aponta que esses episódios têm caráter recorrente e organizado.

O texto também aponta a presença de grupos de inspiração neonazista em plataformas digitais. Segundo estudos citados pela relatoria, o Brasil teria mais de 500 células ativas, com atuação concentrada em ambientes virtuais fechados. Essas redes são descritas como responsáveis por campanhas coordenadas de assédio, disseminação de ideologias violentas e episódios registrados em escolas e universidades, com impacto direto sobre a segurança de grupos vulneráveis.

A relatoria recomenda a adoção dos parâmetros do Plano de Ação de Rabat, da ONU (Organização das Nações Unidas). O modelo estabelece 6 critérios cumulativos para a restrição de discursos: contexto sociopolítico, posição do orador, intenção, conteúdo, alcance da mensagem e probabilidade de dano iminente. A CIDH avalia que, sem balizas claras, políticas de combate ao ódio podem resultar em restrições indevidas à crítica legítima e a temas de interesse público.

ATUAÇÃO DO JUDICIÁRIO

O relatório reconhece que o STF (Supremo Tribunal Federal) teve papel central na contenção de ameaças à ordem constitucional após 8 de janeiro de 2023. A CIDH considera que as decisões foram adotadas em um contexto de risco institucional elevado e ressalta que o Judiciário atuou para preservar o Estado Democrático de Direito.

No entanto, o documento alerta para o uso recorrente de expressões como “desordem informacional” e “informação gravemente descontextualizada”, que não têm definição legal precisa. Segundo o relatório, a aplicação desses conceitos, associada a medidas como bloqueio de perfis e remoção de conteúdos sem critérios públicos claros, pode provocar um efeito inibidor sobre jornalistas, pesquisadores e o debate público.

RESPONSABILIDADE DAS AUTORIDADES

A CIDH também afirma que agentes públicos têm dever reforçado de diligência ao se manifestarem em espaços institucionais ou redes sociais. O relatório cita que a imunidade parlamentar não pode ser utilizada para justificar a disseminação deliberada de desinformação ou discursos estigmatizantes que ampliem a vulnerabilidade de minorias.

O documento recomenda que partidos políticos adotem códigos internos de conduta, com mecanismos claros de responsabilização, para coibir práticas que degradem o debate democrático, especialmente durante períodos eleitorais.



Autor Poder360 ·


Ministra repete expressão ao lado de Lula em inauguração de ponte entre Brasil e Paraguai

A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) disse nesta 6ª feira (19.dez.2025) em Foz do Iguaçu que a família Bolsonaro colocou “a faca no pescoço do Brasil” e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou a negociação.

Gleisi é deputada pelo PT do Paraná. Ela discursou na inauguração da Ponte da Integração que liga Foz do Iguaçu (PR) a Presidente Franco no Paraguai. A obra foi paga pela parte brasileira da Itaipu Binacional. A Ponte da Amizade, de 1965, liga foz do Iguaçu a Ciudad del Este, também no Paraguai.

Enquanto a família Bolsonaro colocava a faca no pescoço do Brasil, o presidente Lula, com altivez, sabia negociar, mas não negociou a soberania no processo judicial e no processo político interno”, afirmou Gleisi.

USO COM CONGRESSO

Ela havia usado a expressão anteriormente em relação ao Congresso e ao então deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Em 26 de janeiro de 2024, a ministra criticou a derrubada do veto presidencial ao corte de R$ 5,6 bilhões de emendas de congressistas ao orçamento. “Isso já não é mais política. É faca no pescoço”, afirmou.

Em 1º de agosto de 2025, ela criticou Eduardo Bolsonaro por ele defender o aumento de tarifas dos EUA ao Brasil. “O que me surpreende é um brasileiro colocar a faca no pescoço do país e dizer que só volta atrás nas taxações se houver anistia”, disse a ministra.

LULA FAZ ALUSÃO RATINHO JR.

Lula criticou em seu discurso o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), por ter inaugurado o acesso à ponte em 11 de dezembro. Mas não citou o nome dele. Lula mencionou equivocadamente o “governador do Pará”. O presidente relatou as negociações para a construção da ponte binacional, iniciadas em 1992.

Os novos convênios foram assinados em maio de 2019 e incluíram, além da ponte, o financiamento da perimetral do acesso conectado à nova ponte, que foi inaugurado pelo governador do Pará. Ele poderia ter esperado a gente fazer tudo de uma vez, mas ele tinha pressa. E a verdade é que ele inaugurou uma obra financiada 100% com o dinheiro de Itaipu”, disse Lula.

Lula teve que interromper o discurso por causa de uma queda de luz. Ele ficou irritado com a falha e não voltou a falar.



Autor Poder360 ·


Cerca de 3.000 m³ de SAF certificado foram entregues no aeroporto do Galeão e antecipam exigências ambientais do setor

A Petrobras anunciou nesta 6ª feira (5.dez.2025) as primeiras entregas de SAF (Sustainable Aviation Fuel) –combustível sustentável de aviação– produzido integralmente no Brasil, com certificação internacional de sustentabilidade. O lote inicial, de 3.000 m³, foi fornecido a distribuidoras que operam no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio.

A partir de 2027, o uso de SAF se tornará obrigatório nos voos internacionais que partem do Brasil e também será exigido em voos domésticos, de acordo com a Lei do Combustível do Futuro.

O SAF pode substituir o querosene de aviação convencional sem necessidade de adaptações nas aeronaves ou nos sistemas de abastecimento, o que facilita sua adoção em larga escala. O combustível é visto como peça-chave na redução das emissões de gás carbônico do setor aéreo, considerado um dos mais difíceis de descarbonizar.

Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o combustível produzido por coprocessamento nas refinarias da companhia é competitivo, atende a padrões internacionais e permitirá ao mercado brasileiro antecipar o cumprimento do CORSIA, programa global da ICAO (Organização da Aviação Civil Internacional, em português) para reduzir emissões em voos internacionais.

A Petrobras afirma que o avanço consolida o Brasil como ator relevante no mercado de combustíveis sustentáveis e reforça a intenção da companhia de liderar a transição energética no país.

As primeiras unidades foram produzidas na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), autorizada pela ANP (agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) a incorporar até 1,2% de matéria-prima renovável. Outras refinarias avançam na preparação para ampliar a oferta: a Revap (SP) já realizou testes, enquanto a Replan (SP) e a Regap (MG) devem iniciar produção e comercialização até 2026.

O SAF da Petrobras tem certificação ISCC-CORSIA, que valida critérios de sustentabilidade. Ele utiliza parte de matéria-prima vegetal — como óleo técnico de milho e óleo de soja— processada junto com o querosene mineral, reduzindo em até 87% as emissões líquidas de CO₂ na fração renovável. O produto é quimicamente idêntico ao combustível tradicional.



Autor Poder360 ·


Governador de São Paulo sugeriu “mudanças radicais” contra o crime e citou as medidas severas de El Salvador como exemplo

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu na 5ª feira (27.nov.2025) a adoção da prisão perpétua no Brasil. “Não é um absurdo a gente ter prisão perpétua”, afirmou durante o Annual Meeting da corretora XP Investimentos, realizado no hotel Grand Hyatt, em São Paulo. Na ocasião, Tarcísio também elogiou o presidente Bukele, de El Salvador, conhecido por medidas severas contra o crime.

Tarcísio defendeu maior repressão a criminosos ao citar o caso de um ladrão de celular que teria sido preso mais de 30 vezes pela ação.

Defendo algumas mudanças que sejam até radicais. Que a gente comece a realmente enfrentar o crime com a dureza que o crime merece enfrentar“, afirmou o governador de SP.

Segundo o governador de São Paulo, as pessoas “não estão se sentindo seguras” e, por esse motivo, “a segurança pública vai ser um grande tema” nas eleições de 2026.

Tarcísio sugeriu olhar para o modelo do governo de Nayib Bukele, que adotou uma política de segurança baseada em ações de força. A estratégia reduziu significativamente os índices de homicídio ao mesmo tempo em que ampliou prisões em massa.

“Eu acho que a gente tem que aproveitar para dar repassar aquilo que a gente está fazendo. Mal comparando, vamos ver o que o Bukele fez em El Salvador. O que era e o que é”.

Embora o modelo tenha reforçado a imagem de um país mais seguro, organizações de direitos humanos, como a Amnesty International (Anistia Internacional), apontam que as medidas ampliaram o poder do Executivo e reduziram garantias civis.

Sobre o evento

O Annual Meeting da XP Asset Management discutiu cenários macroeconômicos, oportunidades de investimento e desafios de regulação e infraestrutura ao longo de 12 mesas de debates. A última delas, com a presença do governador de São Paulo, encerrou o encontro realizado no Grand Hyatt, na capital paulista. O evento também contou com a participação de Eduardo Riedel (PP), governador do Mato Grosso do Sul.


Esta reportagem foi escrita pelo estagiário de jornalismo Diogo Campiteli sob a supervisão do editor Guilherme Pavarin



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Busca por parceiro comercial para explorar o Couto Pereira é uma das iniciativas do clube, afirma CEO

O CEO do Coritiba, Lucas de Paula, afirmou na 4ª feira (26.nov.2025) que o clube está em busca por um parceiro para explorar os naming rights do estádio Couto Pereira. Ele deu a declaração durante sua participação no Summit CBF Academy, realizado em São Paulo. 

“O Coritiba hoje busca um naming rights do Couto Pereira. Na minha opinião, é o estádio mais charmoso do Brasil, quem nunca foi tem que ir”, afirmou o dirigente.

A comercialização do naming rights é parte de um conjunto de ações do clube para ampliar ruas receitas. Em 2025, o Coritiba foi campeão da Série B. Jogará a elite do futebol brasileiro em 2026.

Para aumentar a atratividade comercial do Couto Pereira, o clube planeja instalar painéis de LED em todo o perímetro do estádio. Isso modernização permitirá ampliar as possibilidades de comercialização de mídia durante partidas e eventos.

O dirigente também apresentou a meta de expandir a base de sócios-torcedores do Coritiba: “A expectativa é chegar a 50.000 sócios adimplentes. A gente tem mais de 100 mil na plataforma. Apesar de ser um clube regional, estadual, é altamente engajado”.

Para Lucas de Paula, a subida da equipe da Série B para a Série A é um desafio comercial. “Em patrocínios, a gente está renovando todos os contratos, a gente sabe que não é fácil, até porque o preço do patrocínio na Série B é um, na Série A é outro. Então a calibragem de expectativa com o patrocinador não é fácil de se fazer. Teremos um dezembro super divertido. Se a gente tiver algumas negativas, temos que ir em busca de preencher o nosso inventário”, afirmou.



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Setores como o do café e da carne recuperaram a condição de competir no mercado estadunidense; fim da tarifa de 40% se soma ao de outra, de 10%, extinta na semana passada

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de reduzir tarifas de importação sobre produtos agrícolas, trouxe um alívio imediato e significativo para alguns setores do agronegócio brasileiro.

Ao contrário das expectativas iniciais de apenas uma redução parcial da tarifa recíproca de 10%, a medida desta 5ª feira (20.nov.2025) isentou produtos-chave do Brasil da pesada sobretaxa de 40%, restaurando a competitividade do país no mercado norte-americano.

Na prática, a tarifa total brasileira para esses itens caiu de proibitivos 50% (os 40% específicos + os 10% globais) para as taxas base (em alguns casos, zero).

Com isso, o “desequilíbrio competitivo” que ameaçava as exportações nacionais foi desfeito. Os concorrentes do Brasil, que também tiveram zerada a tarifa de 10%, não terão mais a vantagem desleal de operar isentos enquanto o produto brasileiro permanecia taxado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemorou. “Agora eu estou feliz”, disse, durante evento em São Paulo, horas depois do anúncio do fim das tarifas de Trump.

O ex-secretário de Comércio Exterior do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Welber Barral, que antes traçava um cenário de perda de mercado, vê uma oportunidade de retomada com o fim das tarifas de Trump. Segundo ele, a ameaça de que concorrentes como Indonésia, Malásia e Vietnã tomassem o espaço brasileiro foi neutralizada.

O resultado, diz Barral, é que o Brasil evita queda nas exportações. “A assimetria com a taxa de 40% resultou numa acentuada queda nas exportações, visto que o país não estava conseguindo colocar em outros mercados o volume excedente rejeitado pelo gigante mercado americano”.

Fim da Desvantagem

Uma análise detalhada por setor mostra que principais cadeias exportadoras retomaram competitividade:

  • Café: o grande vencedor. O Brasil, principal fornecedor, escapou da tarifa de 40%. Agora, compete novamente com Colômbia e Vietnã sob as mesmas condições tarifárias, preservando sua liderança;
  • Carne Bovina: o Brasil, segundo maior fornecedor, livrou-se da taxa de 40%. Isso permite enfrentar a concorrência da Austrália e dos parceiros do USMCA (México e Canadá) sem a barreira de preço que inviabilizaria o produto nacional.

Inflação Americana

A decisão do presidente Trump deve ter levado em conta a pressão inflacionária nos EUA, dizem especialistas. “O café estava pressionando a inflação nos EUA. A cada 1 dólar importado de café, agregam-se US$ 43 dólares na economia americana”, declarou Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé).

Segundo Matos, o café foi o produto com maior índice de inflação nos EUA, chegando a ficar “9 vezes acima da inflação média”. Ele temia que, sem competitividade, os concorrentes tomassem o lugar do blend brasileiro, porque o consumidor estadunidense poderia se adaptar a outros padrões sensoriais.



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Em agosto de 2025, Trump aumentou a 50% a tarifa a produtos brasileiros, como resposta aos julgamentos enfrentados por Jair Bolsonaro no STF

O decreto assinado pelo presidente americano Donald Trump nesta 6ª feira (14.nov.2025) derruba apenas as tarifas recíprocas de 10% impostas ao Brasil em abril de 2025. Não muda, porém, a taxa extra de 40%, que passou a vigorar em agosto deste ano. A redução vale para diversos países e passa a valer de forma retroativa desde às 2h01 (horário de Brasília) da 5ª feira (13.nov). Eis a íntegra (PDF – 91 kB).

Em agosto, Trump aumentou a 50% a tarifa a produtos brasileiros, como resposta aos julgamentos enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal).

O texto assinado por Trump em 9 de julho cita “perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado” contra Bolsonaro. O republicano justificou o aumento pelo tratamento que o governo brasileiro deu ao ex-presidente, a quem disse respeitar “profundamente”. Com a medida desta 6ª feira, as tarifas caem a 40%. 

A suspensão das tarifas deve favorecer países exportadores de commodities, como o Brasil –maior produtor mundial de café e 2º maior de carne bovina, atrás apenas dos EUA, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). O detalhamento dos produtos está em anexo. Leia a íntegra (PDF – 2MB).

Entre os produtos que terão as tarifas reduzidas estão: 

  • carnes bovinas e derivados – tanto frescas quanto congeladas, incluindo carcaças, metades, cortes e carne preparada em salmoura, seca ou defumada;  
  • frutas, vegetais e tubérculos  – tomates, bananas, abacaxis, abacates, goiabas, mandioca, entre outros; 
  • café – podendo ser torrado, descafeinado ou não; 
  • chá – verde, preto e mate; 
  • cacau – podendo ser torrado, descafeinado, 
  • produtos diversos e processados – óleo de coco, cevada, farinha, polpa de banana, suco de laranja, entre outros; 
  • fertilizantes – fertilizantes animais ou vegetais, nitro

Mesmo com a diminuição de 10%, muitos dos produtos brasileiros agora removidos das tarifas adicionais continuarão sendo vendidos mais caros, pois tiveram algumas das maiores altas de preço recentes, impulsionadas tanto pelo tarifaço quanto pela baixa oferta interna dos EUA.

No texto, Trump disse que tomou a decisão após “considerar as informações e recomendações apresentadas por essas autoridades, o andamento das negociações com diversos parceiros comerciais, a demanda interna atual por determinados produtos e a capacidade doméstica de produzi-los, entre outros fatores”



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Agência afirma que processo de expansão do Comando Vermelho teve início em 2013 e se consolidou em 2024

O coordenador-geral de análise de conjuntura da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Pedro de Souza Mesquita, afirmou que o CV (Comando Vermelho) está envolvido em todos os confrontos entre facções criminosas no país. A declaração foi feita na 4ª feira (5.nov.2025) durante a Comissão de Controle das atividades de Inteligência, no Senado Federal.

A gente tem confronto de grupos organizados no Brasil e todos eles envolvem o Comando Vermelho. Não há confronto de organizações criminosas hoje que não envolva o CV”, disse Mesquita.

A Abin afirma que o processo de expansão do Comando Vermelho teve início em 2013 e se consolidou em 2024, tornando-se um dos principais desafios à segurança nacional. O diretor de inteligência interna da agência, Esaú Feitosa, disse que a ameaça vai além do campo policial.

O crime organizado deixou há muito tempo de ser um problema somente policial. A compreensão de como essa ameaça intervém na estabilidade do Estado perpassa quaisquer tipos de abordagens policiais”, afirmou.

Expansão do TCP

De acordo com os relatórios apresentados, o CV ofereceu a facções locais redes de logística para compra de drogas e armas, expandindo sua influência em estados que resistiam à presença do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Mesquita disse, no entanto, que o PCC tem deslocado parte de sua atuação para o exterior, o que abriu espaço para a ascensão do TCP (Terceiro Comando Puro) —outra facção de origem carioca.

“O TCP vem replicando muito o método do próprio CV e ocupando os lugares em que o PCC era predominante e hoje já não é mais, porque o PCC hoje olha para fora”, declarou o coordenador.

O Terceiro Comando Puro atua em 10 Estados:

  • Acre;
  • Amapá;
  • Bahia;
  • Ceará;
  • Espírito Santo;
  • Goiás;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Minas Gerais;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Sul.

Comando Vermelho

O Comando Vermelho, facção criminosa com mais de 40 anos de atuação, surgiu na década de 1970 dentro do presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Na época, presos comuns e políticos dividiam as mesmas celas, e o grupo, inicialmente chamado Falange Vermelha, afirmava combater a tortura nas cadeias antes de adotar o nome atual.

Nos anos 1980, os recursos obtidos em assaltos a banco passaram a ser direcionados ao tráfico de drogas. Com a Colômbia consolidando-se como grande produtora de cocaína, o Rio de Janeiro tornou-se um ponto estratégico nas novas rotas do narcotráfico.

Esse contexto permitiu que o Comando Vermelho se fortalecesse e ampliasse seu controle sobre territórios, muitas vezes com a conivência de agentes públicos.



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