O avanço da presença feminina no mercado de trabalho brasileiro tem se refletido também na indústria. Dados recentes apontam que as mulheres representam cerca de 44,7% da força de trabalho formal do país, segundo o Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho, do governo federal. Apesar do crescimento, o cenário ainda convive com desigualdades estruturais, como diferença salarial média e maior carga de trabalho doméstico.
No setor industrial de Goiás, levantamento da Gerência de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) mostra que a participação feminina se manteve estável ao longo da última década, mesmo diante das oscilações no volume total de empregos entre 2014 e 2024. Atualmente, mais de 108 mil mulheres trabalham na indústria goiana, sendo que 82% estão concentradas na indústria de transformação.
Entre os segmentos com maior presença proporcional feminina estão confecção de vestuário, com 69% da força de trabalho composta por mulheres, e o setor farmoquímico e farmacêutico, com 51%. Já a fabricação de alimentos reúne o maior número absoluto de trabalhadoras, com cerca de 37,1 mil mulheres, apesar de a participação proporcional ser de 33%.
Por outro lado, áreas como minerais não metálicos (11%), combustíveis (12,3%), produtos de metal (14,2%) e manutenção de máquinas e equipamentos (14,3%) ainda apresentam predominância masculina, refletindo uma divisão histórica de funções no mercado de trabalho.
Para o presidente da Fieg, André Rocha, o cenário indica que, mesmo com estabilidade na participação geral, as mulheres vêm ampliando sua presença em funções mais qualificadas e estratégicas.
“Temos o desafio de ampliar a presença feminina em alguns setores da indústria, mas é importante observar que, mesmo quando o porcentual geral de participação se mantém, as mulheres estão avançando em qualidade de ocupação. Hoje vemos mais mulheres em cargos de liderança, em funções técnicas mais qualificadas e com maior responsabilidade”, afirma.
Qualificação impulsiona mudança
Um dos fatores que ajudam a explicar essa transformação é o aumento da presença feminina em cursos de qualificação profissional voltados ao setor industrial. Dados de matrículas do Senai indicam crescimento da participação das mulheres em áreas que tradicionalmente registravam baixa presença feminina.
Entre os cursos com maior presença de alunas estão têxtil e vestuário (90%), química (66%), logística (64%), gestão (64%) e alimentos e bebidas (64%). O interesse em áreas como logística e química chama atenção por estarem associadas a ambientes industriais mais técnicos e operacionais.
Além disso, cursos como supervisor inovador, com 3.671 matrículas, assistente de operações logísticas, com 3.352, e assistente ambiental, com 2.914 matrículas, estão entre os mais procurados no geral, indicando uma busca crescente por formação alinhada às demandas atuais da indústria.
Mulheres em áreas tradicionalmente masculinas
Nos laboratórios e oficinas do Senai, a presença feminina também tem se tornado cada vez mais comum em cursos historicamente associados ao público masculino. Alunas buscam qualificação em áreas como mecânica automotiva, montagem a seco (drywall), pedreiro de alvenaria e revestimento cerâmico, ampliando as possibilidades de atuação profissional.
Na Escola Senai Vila Canaã, em Goiânia, Luci Cesário de Oliveira decidiu se matricular no curso de pedreiro de alvenaria para conquistar autonomia profissional.
“Quis fazer o curso para poder trabalhar para mim e resolver minhas próprias coisas. Achei que teria muita dificuldade, mas está sendo melhor do que eu imaginava”, contou.
Segundo ela, mesmo sendo uma das poucas mulheres da turma, encontrou apoio entre colegas e professores. “Não sofri preconceito. Eles ajudam e incentivam”.
Também na área da construção civil, a engenheira civil Leyce Custódio procurou o curso de montagem a seco (drywall) para ampliar sua qualificação: “É uma área que está crescendo. Vim para me especializar e entender melhor as metodologias da construção a seco”, afirmou.
Na área automotiva, a engenheira elétrica Isabela Félix, aluna do curso técnico em manutenção automotiva, afirma que a curiosidade sobre o funcionamento dos veículos foi a motivação para ingressar na formação.
“Sempre quis entender como tudo funciona. Ainda há desconfiança em relação às mulheres na área, mas percebo cada vez mais mulheres ocupando espaços, inclusive em cargos de liderança”, disse.
Já Amanda Valverde, aluna da qualificação em mecânico de automóveis leves, destaca que o conhecimento é a principal ferramenta para enfrentar o preconceito ainda existente no setor. “Quando você aprende, ganha confiança”, afirmou.
A busca por novas oportunidades também motivou Ednalva da Silva Ribeiro, de 52 anos, ex-cozinheira em uma escola pública, a ingressar no curso de aplicador de revestimento cerâmico.
“É maravilhoso poder fazer as coisas por conta própria. Estou muito feliz com o que aprendi e com a oportunidade que o Senai me deu”, relatou.
Formação e igualdade de oportunidades
Para o diretor de Educação e Tecnologia do Sesi e do Senai, Claudemir Bonatto, a qualificação profissional tem papel central no avanço da presença feminina na indústria.
“O Sesi e o Senai sempre valorizaram a participação feminina no processo de ensino-aprendizagem. No Senai, temos programas específicos de formação para mulheres, inclusive em áreas como mecânica automotiva, corte e costura e assentador cerâmico”, explicou.
Segundo ele, o estímulo à qualificação acompanha as transformações do mercado e contribui para ampliar as oportunidades de inserção feminina no setor produtivo.

Perfil das trabalhadoras
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que o perfil das mulheres que atuam na indústria goiana é majoritariamente jovem e com bom nível de escolaridade. Cerca de 64% têm até 39 anos, 78% concluíram o ensino médio e 17% possuem ensino superior.
Além disso, 47% estão no mesmo emprego há mais de dois anos, o que indica permanência e experiência acumulada no setor.
Embora a divisão entre setores ainda reflita padrões históricos do mercado de trabalho, o crescimento da presença feminina em cursos técnicos e de qualificação aponta para uma mudança gradual no perfil da indústria.
A tendência é que, nos próximos anos, as mulheres ocupem cada vez mais espaço em áreas técnicas, operacionais e de liderança dentro das fábricas e parques industriais.
Visitas técnicas, participação em eventos e análise de projetos de lei marcam atuação da Comissão de Turismo do Parlamento
Lidiane 1 de fevereiro de 2026
A Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) encerrou o ano de 2025 com um balanço considerado altamente positivo, conforme avaliação de seu presidente, deputado Coronel Adailton (Solidariedade). O colegiado atuou de forma estratégica na análise de projetos de lei, na promoção de debates e no fortalecimento do turismo como política pública essencial para o desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao longo do período, a comissão distribuiu 12 projetos de lei para relatoria e apreciação, todos analisados em reuniões ordinárias. Seis projetos receberam parecer favorável e foram aprovados, enquanto uma matéria teve parecer contrário, após análise técnica e discussão entre os parlamentares.
Entre as matérias apreciadas, destaca-se o projeto nº 2661/24, de autoria do deputado Anderson Teodoro (Avante), que cria a Rota Turística de Pirenópolis. A medida inclui os trechos que perpassam a Rua do Lazer, o Centro Histórico da cidade, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, o Parque Estadual dos Pireneus, a Cachoeira do Abade, a Cachoeira do Rosário e a Cachoeira dos Dragões.
O parlamentar explica que essas atrações turísticas recebem visitantes de todo o Brasil e fomentam tanto o ecoturismo quanto a economia do Estado, aumentando, assim, o desenvolvimento do município de Pirenópolis. “Além disso, proporcionam um aumento na geração de empregos e uma rotatividade de diferentes culturas, que impulsionam o crescimento de toda a região. Esses pontos turísticos são de extrema relevância histórico-cultural para a cidade e para a população”, anota o deputado.
Teodoro afirma ainda que as cachoeiras da região possuem quedas d’águas com fácil acesso, boa infraestrutura e cenários naturais deslumbrantes, com biodiversidade abundante e paisagens encantadoras. “Portanto, o município é merecedor da atenção do poder público estadual” conclui Teodoro.
Também pode ser destacada matéria de autoria do deputado André do Premium (Avante), de nº 1190/23, que dispõe sobre a instituição da Política de Desenvolvimento do Turismo Sustentável no Entorno do Distrito Federal (DF).
Outro destaque é o de nº 1121/23, de autoria do deputado Virmondes Cruvinel (UB), que institui a Política Estadual de Fomento ao Destino Turístico Inteligente.
Eventos e ações institucionais
Além do trabalho legislativo, a Comissão de Turismo manteve agenda de atividades externas e institucionais. Entre os principais destaques está a participação da Temporada de Pesca Esportiva em Goiás 2025, organizada em parceria com a Goiás Turismo e diversos municípios, considerada uma das principais ações de fomento ao turismo esportivo e ambiental do Estado.
Outro ponto, foi a realização do fórum de debate “As Festas do Divino Espírito Santo e o Artesanato Impulsionando o Turismo”, que reuniu representantes de 40 municípios goianos, além de membros do trade turístico, lideranças culturais e gestores públicos. O evento promoveu a integração entre cultura, artesanato e turismo como estratégia de desenvolvimento regional.
A comissão também participou de sessões solenes em homenagem a mulheres que atuam no setor de turismo, a guias e agentes de viagens, além de ações voltadas ao turismo religioso, gastronômico e de pesca esportiva, como circuitos regionais e festivais realizados em diferentes municípios.
Visitas técnicas
Adailton afirma que as visitas técnicas realizadas pela comissão permitiram o mapeamento de atrativos turísticos e o diálogo direto com gestores municipais, empresários e comunidades locais. Municípios como Aruanã, Niquelândia, Pirenópolis, cidade de Goiás, Mambaí e São Simão estiveram entre os visitados, reforçando o compromisso do colegiado com a interiorização das políticas públicas de turismo.
Também houve participação em encontros estaduais e nacionais, como o Encontro Estadual de Turismo, e eventos promovidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) e demais entidades representativas do setor.
Avaliação
Ao discorrer sobre o encerramento dos trabalhos, o presidente da Comissão de Turismo destacou a evolução do turismo goiano e o fortalecimento da pauta dentro do Parlamento goiano. Ele relembrou que, ao assumir a presidência da comissão, havia poucas matérias relacionadas ao setor em tramitação, cenário que mudou ao longo dos anos.
“Hoje vemos projetos que reconhecem rotas, produtos e destinos turísticos, o que demonstra que os deputados entenderam a importância do turismo para o desenvolvimento do Estado. Essas leis abrem portas para investimentos, geração de emprego e renda, especialmente no interior”, afirmou o parlamentar.
Coronel Adailton também ressaltou a importância da comunicação institucional e agradeceu o apoio da TV Assembleia Legislativa na divulgação das ações da comissão. Segundo ele, o trabalho integrado entre Parlamento, Governo Estadual, municípios e iniciativa privada é fundamental para consolidar Goiás como destino turístico competitivo.
O parlamentar reforça que a expectativa é de que, em 2026, o colegiado continue ampliando sua atuação, fortalecendo o turismo como eixo estratégico de desenvolvimento sustentável no Estado.
Técnicas francesas e maturação em câmara fria: Conheça queijo fabricado por família goiana premiado em campeonato mundial | Goiás
Lidiane 30 de abril de 2024
Conheça queijo fabricado por família goiana premiado em campeonato mundial
Casca levemente firme e massa extremamente cremosa. Essa é a descrição do “Bem Dito”, queijo goiano premiado em um campeonato mundial. Feito em Piracanjuba, o queijo foi criado após o aprimoramento de uma receita que a avó do criador aprendeu com a mãe e avó dela. O Bem Dito é produzido com técnicas francesas, usando leite “cru” e maturado em uma câmara fria a cerca de 12 °C por até 45 dias.
“É um queijo que traz as características da região onde é feito, do gado, da pastagem do gado e do clima. Tudo isso vai proporcionar um ‘terroir’ e trazer o sabor do queijo. Além disso, tem o leite de qualidade, porque para se fazer um queijo de leite cru o leite tem que ter extrema qualidade”, explicou ao g1 Fabiano Dias Martins, criador do queijo.
O empresário explicou que até o bem-estar do gado é pensado para aprimorar a qualidade do leite. Ele detalhou que trabalha com a “cultura do gado feliz”. Neste conceito, os bezerros não são separados das vacas, os animais são acompanhados por médicos veterinários, com exames anuais, entre outros detalhes (confira no decorrer da reportagem).
A receita atual nasceu em 2017. Desde então, coleciona premiações. Desta vez, o Bem Dito conquistou medalhas de prata e bronze no 3º Mundial do Queijo do Brasil. O evento aconteceu em São Paulo, em abril deste ano, e premiou o Bem Dito maturado em 30 dias com a medalha de prata, e o Bem Dito maturado em 45 com a de bronze.
“As premiações vêm coroar um trabalho, por trás desse queijo vem uma dedicação com o plantio do capim para o gado, da sanidade do gado, dos cuidados da ordenha, da produção e da cura. É um trabalho extenso que, quando você recebe a medalha, vê que valeu a pena , que todo o esforço está sendo recompensado”, comemorou Fabiano.
Fabiano contou que pegou a receita da família e decidiu aprimorar. Desde então, fez cursos no Brasil e no exterior para chegar à receita premiada.
“Fiz curso em Minas Gerais, fiz curso na França. Esse curso da França me deu uma nova visão sobre o mundo do queijo. Foi um divisor de águas. Lá eu percebi o potencial que o queijo de leite cru pode atingir”, detalhou Fabiano.
Com a receita quase no ponto certo, o queijo começou a agradar o paladar do público e motivou Fabiano Dias a melhorar ainda mais a textura, cor e sabor do produto. Além dos cursos, o queijeiro detalhou que também troca informações com outros produtores para aprimorar as técnicas.
O Bem Dito é fruto de uma produção familiar, segundo Fabiano Dias. O queijeiro trabalha com a filha e outros dois colaboradores, que auxiliam na produção do queijo, na ordenha, manutenção da pastagem, que é intercalada com árvores para garantir o bem-estar animal, e a água do gado.
Para o futuro, os planos são de conquistar ainda mais prêmios.
“Em 2025 a gente vai para o Mundial da França, onde também participam vários países, tem mais de 4 mil queijos participando, produtos lácteos. Em 2025, a nossa intenção é de participar desse concurso em busca de uma medalha de ouro”, disse Fabiano, inspirado.
Fabiano explicou que a maturação é feita com técnicas francesas, onde a temperatura é controlada para atingir o ponto certo. A câmara fria fica em torno de 12 °C por até 45 dias para garantir a qualidade final do produto. No entanto, a partir de 30 dias, o Bem Dito já pode ser consumido.
A ordenha é feita diariamente e, logo após finalizada, a produção do Bem Dito começa com o leite recém-ordenhado, o que é um dos diferenciais, segundo Fabiano Dias. Em outras técnicas, os queijeiros podem pasteurizar ou resfriar o leite antes da produção.
“Terminada a produção, ele passa por um período de secagem, e aí entra para a refrigeração, onde ele vai ficar por até 45 dias, dependendo do período que a gente deseja. Nesse período tem um cuidado com o queijo, onde você tem que virá-lo todo dia e sofre um tratamento que trará essa textura para ele, esse aroma, esse sabor”, explicou Fabiano.
Como mencionado por Fabiano Dias ao decorrer da reportagem, um dos focos para a qualidade do queijo, é o bem-estar do gado. Ao g1, o queijeiro explicou que começam no curral as técnicas para garantir o melhor produto final aos clientes.
“Não é só fazer o queijo, começa lá no curral, lá no pasto, o gado tem que se alimentar bem, a gente tem a cultura do gado feliz, os bezerros não são separados das vacas quando nascem, igual à maioria das propriedades leiteiras faz. O bezerro é criado com a vaca, mama, então você tem um animal feliz. A ordenha é feita com o bezerro perto, e a gente cuida muito da sanidade do gado”, explicou.
Fabiano pontuou também que há um médico veterinário que acompanha os animais. São feitos exames anuais de brucelose e tuberculose, para garantir que todos os animais estejam sadios.
Com o queijo pronto, é hora de servir. Para ajudar os clientes, Fabiano Dias recomenda a melhor forma de comer o Bem Dito.
“O Bem Dito é um queijo suave, isso é diferencial dele, porque agrada todos os paladares. É um queijo que você pode comer todo dia, que você não vai enjoar. É um queijo que pode ser para um café da manhã, para uma sobremesa, para tomar com vinho, com a cerveja artesanal, com a cachaça, tem várias composições que ele vai casar bem”, recomendou.
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