Dirigente diz que houve falha estratégica e afirma que partido assinou pedido próprio
O presidente do PT (Partido dos Trabalhadores), Edinho Silva, afirmou que a legenda cometeu um erro ao não assinar o requerimento para a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master.
A declaração foi dada em entrevista à jornalista Vera Rosa, do jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta 6ª feira (1º.mai.2026). Para Edinho, a base do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria ter assumido o protagonismo das investigações.
“O PT deveria ter assinado a CPI do Banco Master. Foi um erro que o PT cometeu”, declarou o presidente do partido. Segundo ele, há uma concepção no meio político de que comissões de inquérito paralisam o Congresso e o governo, mas ponderou que a gravidade das denúncias exigia uma atitude diferente.
Após a entrevista, o dirigente informou ao jornal que a bancada petista assinou um requerimento próprio de CPI protocolado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), mas optou por não subscrever o pedido formulado pela oposição.
ORIGEM NO GOVERNO BOLSONARO
Ao comentar a fraude financeira, Edinho buscou afastar o desgaste do atual governo. Afirmou que o Banco Master foi criado e teve operações fraudulentas autorizadas pelo Banco Central durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“As operações que depois foram demonstradas fraudulentas foram autorizadas pelo Banco Central na gestão do Campos Neto (indicado por Bolsonaro)”, disse o dirigente. Segundo ele, foi o presidente Lula quem determinou à Polícia Federal que estruturasse as investigações para apurar as denúncias de corrupção.
Questionado sobre as menções a políticos do PT da Bahia no relatório da PF, como o senador Jaques Wagner e o ministro Rui Costa (Casa Civil), Edinho negou qualquer envolvimento ilícito. O petista defendeu que a verdadeira questão a ser respondida é o motivo pelo qual o banco foi autorizado a operar sem lastro financeiro no governo anterior.
DERROTAS E SISTEMA POLÍTICO
A avaliação sobre a CPI ocorre na esteira de uma semana de reveses para o Palácio do Planalto no Congresso Nacional. Edinho criticou duramente a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Ele classificou o bloqueio ao atual advogado-geral da União como um “grave erro” que gera instabilidade institucional e reflete a intenção do Legislativo de enfraquecer o Judiciário.
Outro ponto de crítica foi a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos extremistas de 8 de Janeiro. Para Edinho, ao aprovar a medida, o Congresso “vira as costas para a sociedade” e ignora a gravidade da tentativa de ruptura democrática.
Diante dos atritos, o presidente do PT declarou que o modelo político brasileiro “ruiu” e está “totalmente destruído”.
Ele citou como sintoma desse esgotamento o volume de emendas parlamentares impositivas, que devem somar R$ 60 bilhões no Orçamento de 2026. Segundo Edinho, as emendas se tornaram uma “moeda de troca” que usurpa o poder do Executivo e enfraquece o sistema político.
TERRAS-RARAS E SOBERANIA
Na entrevista, Edinho também criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por declarações dadas nos Estados Unidos sobre as reservas de terras-raras. O petista classificou como um “absurdo” a fala do congressista de oferecer os minerais brasileiros como solução para a indústria tecnológica e de defesa norte-americana.
Segundo o petista, o tema reforça a necessidade de um projeto de desenvolvimento nacional soberano. Edinho afirmou que o governo Lula vê esses recursos como base para a revitalização industrial do país, e não apenas como commodity para exportação.
REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO
Edinho Silva também defendeu o fim da escala de trabalho 6 X 1, classificando a resistência à medida como “falta de inteligência”. Para o presidente do PT, o Brasil precisa discutir seriamente a redução da jornada diante do avanço tecnológico e da diminuição do número de postos de trabalho.
O dirigente afirmou que a proposta do governo de reduzir a carga horária para 40 horas semanais é uma medida necessária para permitir que o ganho de produtividade resulte em consumo. “Se não for assim, não adianta aumentar a produtividade. Não vai ter quem consuma”, argumentou.
Diante das turbulências e da queda de braço com o Congresso, o dirigente disse que não existe a hipótese de Lula não disputar o pleito de 2026. Edinho afirmou que o atual chefe do Executivo é o candidato do partido e o líder mais preparado para conduzir o país.
A empresa MV Projetos e Consultoria, do ex-governador e pré-candidato ao Governo de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master, entre 2022 e 2025. As informações, publicadas primeiro pela Folha de S. Paulo, indicam que os valores seriam de pagamento de consultoria.
Os valores constam em registros fiscais declarados pelo próprio banco à Receita Federal e que foram compartilhados com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O PORTAL NG identificou que os repasses a Perillo integram uma lista mais ampla de pagamentos milionários feitos pela instituição a políticos, ex-ministros e escritórios de advocacia com atuação em Brasília.
Segundo os dados do Imposto de Renda da instituição bancária de Daniel Vorcaro, a empresa de Perillo recebeu, do Banco Master, R$ 1.673.511,85 em 2023; R$ 4.538.324,15 em 2024; e 8.335.876,23 em 2025.
Em nota, a assessoria do ex-governador afirmou que Marconi “prestou serviços a uma empresa considerada idônea à época da contratação, sem qualquer vínculo pessoal com seus dirigentes ou participação em sua gestão”, e que a prestação de serviços ao Master foi encerrada em julho de 2025. A nota ainda afirma que Perillo está afastado de funções públicas há oito anos e desde então atua exclusivamente na iniciativa privada.
Entre os nomes citados no levantamento estão o ex-presidente Michel Temer (MDB), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). Os valores foram pagos por meio de contratos de consultoria, serviços jurídicos ou intermediações.
Além de Marconi Perillo, há outro goiano na lista de documentos encaminhados à CPI: Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula (PT) e ex-ministro da Fazenda do Governo Temer. Segundo os documentos, Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões ao prestar consultoria ao Master. Em nota, o ex-ministro disse que o contrato foi encerrado em julho do ano passado.
Nota do ex-governador na íntegra
O ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, está há mais de oito anos afastado de qualquer função pública. Desde então, atuou exclusivamente na iniciativa privada, de forma lícita, transparente e com dignidade, prestando serviços de consultoria a algumas empresas.
Sobre o caso mencionado, esclarecemos que Marconi prestou serviços a uma empresa considerada idônea à época da contratação, sem qualquer vínculo pessoal com seus dirigentes ou participação em sua gestão. A prestação de serviços foi encerrada em julho de 2025.
Entenda o caso
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após a identificação de irregularidades financeiras. A instituição, controlada por Daniel Vorcaro, passou a ser alvo de apurações por suspeitas de fraudes bilionárias, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa.
Registros enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado mostram transferências do banco entre 2022 e 2025 para escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligadas a políticos e ex-autoridades. Os repasses somam dezenas de milhões de reais e alcançam nomes como Michel Temer, Antonio Rueda, ACM Neto, Marconi Perillo, Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.
Entre os pagamentos citados, a MV Projetos e Consultoria, de Marconi Perillo, recebeu R$ 14,5 milhões entre 2022 e 2025. A Pollaris Consultoria, de Guido Mantega, teve repasses de R$ 14 milhões no mesmo período, enquanto a empresa de Henrique Meirelles recebeu R$ 18,5 milhões entre 2024 e 2025. Também aparecem o escritório de Michel Temer, com R$ 10 milhões em 2025, e a A&M Consultoria, de ACM Neto, com R$ 5,45 milhões.
As defesas afirmam que os valores correspondem a serviços efetivamente prestados. O Grupo Massa diz que sua atuação não se confunde com a de terceiros, a assessoria de Rueda afirma não confirmar as informações e classifica os dados como vazados ilegalmente, e Wajngarten disse ter sido contratado para a defesa de Vorcaro. A BN Financeira, de Bonnie Bonilha, informou ter prestado serviços ao banco mediante nota fiscal, e os registros também apontam cerca de R$ 80 milhões pagos à empresa de Viviane Barci de Moraes.
Presidente do Banco Central respondeu perguntas de senadores na CPI do Crime Organizado nesta 4ª feira (8.abr)
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta 4ª feira (8.abr.2026) que os processos de auditoria e sindicância interna não encontraram “qualquer culpa” do ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto no caso do Master.
“Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontra qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos”, disse.
Galípolo foi convidado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado para explicar a atuação do Banco Central no caso Master, o maior escândalo bancário da história e que pode culminar em um possível acordo de delação premiada com impacto nos Três Poderes. O relator da CPI é o senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
O fundador do Master, Daniel Vorcaro, está preso desde 4 de março. É investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Galípolo teve reunião fora da agenda pública no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024 com Vorcaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades. Na época, ele não informou sobre o encontro ao então presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
O presidente do Banco Central comentou sobre as investigações que resultaram em um rombo de quase R$ 52 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Ele é ouvido na condição de testemunha.
BRB
O Banco Central descobriu os créditos podres do Master durante a negociação de compra em 2025 do Master pelo BRB (Banco de Brasília), estatal do Distrito Federal. O BRB agora está em situação financeira alarmante depois de comprar R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master.
A estatal entregou em fevereiro deste ano um plano de capital com medida para recompor o balanço e reforçar a liquidez, mas corre risco de ser liquidada pelo Banco Central, assim como o Banco Master. O BRB não divulgou o balanço financeiro do ano passado, o que elevou as incertezas em relação ao futuro do banco.
O Banco Central teve “certeza” da inexistência de lastro em carteira de crédito em 27 de junho de 2025. As autoridades competentes –Ministério Público Federal e Polícia Federal– foram comunicadas em julho. A 1ª fase da operação Compliance Zero foi realizada em novembro.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, do Banco Central, são suspeitos de facilitar interesses do Master na autoridade monetária. A CGU (Controladoria Geral da União) também instaurou processos administrativos disciplinares. Paulo Sérgio Souza foi diretor de Fiscalização do Banco Central de 2017 a 2023, durante os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), sendo indicado pelos 2 ex-presidentes para o cargo.
Paulo Souza é alvo de investigações da PF por fornecer informações privilegiadas para Daniel Vorcaro. Belline e Souza atuavam no Desup (Departamento de Supervisão Bancária) e foram afastados dos cargos em 4 de março deste ano.
As investigações assumem duas frentes:
- uma da CGU (Controladoria Geral da União), com possíveis sanções administrativas;
- uma da Polícia Federal, do ponto de vista criminal.
Galípolo já disse que a autoridade monetária tem um sentimento de “consternação” depois do caso do Master. Na época, defendeu que a ética é um valor “muito caro” aos funcionários públicos da instituição e pediu “ajuda” para a aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023 no Congresso, que amplia a autonomia financeira do Banco Central em relação ao governo federal.
De acordo com Galípolo, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, identificou em janeiro de 2025 que o Master estava fazendo venda de novas carteiras por causa dos problemas de liquidez, mesmo com as dificuldades de nova captação.
Um grupo de análise começou os trabalhos em fevereiro e identificou, em março, que as carteiras não tinham lastro. Os documentos obtidos eram, segundo Galípolo, insuficientes para constatar uma fraude, mas o BC procurou respostas mais satisfatórias sobre a origem dos créditos.
O Banco Central teve dificuldade para encontrar evidências e avançou nas investigações durante o processo de análise de compra do Master pelo BRB.
O BC defende que o rito legal do processo foi respeitado para que não houvesse questionamentos posteriores. O BC deu “chances” para que fosse esclarecido, e o tempo de apuração foi destinado para fundamentar o processo e avisos às autoridades competentes.
CASO MASTER
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O fundador da instituição financeira, Daniel Vorcaro, firmou em 19 de março de 2026 um acordo de confidencialidade com a PF (Polícia Federal) e com a PGR (Procuradoria Geral da República) que possibilita a delação premiada. O documento expõe riscos de várias autoridades públicas de Brasília. Esse acordo foi assinado quase 12 meses depois do anúncio de compra pelo BRB (Banco de Brasília), que tenta se recuperar financeiramente após a operação.
O Master foi responsável pelo rombo recorde no FGC (Fundo Garantidor de Créditos), de quase R$ 52 bilhões, mesmo tendo somente 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do sistema financeiro nacional. Também provocou prejuízo de quase R$ 2 bilhões para Estados e municípios nos fundos de Previdência.
Pesquisa Genial/Quaest perguntou quem foi mais afetado negativamente pelo caso do Banco Master
Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta 5ª feira (12.mar.2026) mostra que 40% dos entrevistados avaliam que o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Banco Central e o Congresso são prejudicados pelo caso do Banco Master. Leia a íntegra da pesquisa (PDF – 5 MB).
A Genial/Quaest perguntou o seguinte: “Pelo que você ouviu ou ficou sabendo, quem tem a imagem mais afetada negativamente pelo escândalo do Banco Master?”.
Eis como os entrevistados responderam:
- STF/Judiciário – 13%;
- governo Bolsonaro – 11%;
- governo Lula – 10%;
- Banco Central – 5%;
- Congresso Nacional – 3%;
- todos eles – 40%;
- nenhum deles – 1%;
- não sabe/não respondeu – 17%.
A pesquisa foi realizada pela Genial/Quaest de 6 a 9 de março de 2026. Foram entrevistadas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais no Brasil. O intervalo de confiança é de 95%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE sob o código: BR-05809/2026. Segundo a empresa, o estudo custou 465.820,00 e foi pago pelo Banco Genial.
CASO BANCO MASTER
- LIQUIDAÇÃO PELO BANCO CENTRAL
As atenções se voltaram ao Banco Master depois que o BC (Banco Central) decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro por suspeitas de fraude. O rombo deixado pelo Master ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) foi calculado em cerca de R$ 50 bilhões, a maior quebra da história do setor.
No mesmo dia, a operação Compliance Zero, da PF (Polícia Federal), prendeu o fundador do banco, Daniel Vorcaro, que foi solto dias depois.
- RELATORIA DE DIAS TOFFOLI
O caso foi para o STF (Supremo Tribunal Federal) e, a princípio, a relatoria ficou a cargo de Dias Toffoli. O ministro, no entanto, foi enredado em uma série de controvérsias ligadas ao Master, divulgadas pela imprensa. Entre elas está a viagem em um jatinho privado com um advogado do banco para assistir a um jogo de futebol em Lima, no Peru, e a participação de uma pessoa ligada a Vorcaro no hotel Resort Tayaya, do qual Toffoli é um dos sócios.
A crise ganhou uma nova camada quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas que deveria servir para embasar pedido de suspeição de Dias Toffoli como relator.
O Supremo tentou contornar a crise publicando nota em apoio a Toffoli, mas indicando outro relator para o caso. O nome sorteado foi o do ministro André Mendonça.
- ANDRÉ MENDONÇA E A TURMA
À frente do caso, Mendonça autorizou uma nova prisão de Vorcaro. Na decisão do ministro, foram divulgadas mensagens do telefone do fundador do Master, interceptadas pela PF, que indicariam que ele comandava um grupo, chamado informalmente de Turma, cujo papel era monitorar e intimidar adversários.
Segundo a investigação, o banqueiro teria pedido que fosse forjado um “assalto” contra o jornalista Lauro Jardim: “Quero dar um pau nele”.
A PF também apontou que a Turma de Vorcaro obteve de maneira indevida informações sigilosas nos sistemas do MPF (Ministério Público Federal) e da própria PF. Além de Vorcaro, foram presos preventivamente Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, o policial federal Marilson Roseno da Silva e Luiz Philippe Machado de Moraes Mourão, apelidado de sicário (sinônimo de matador de aluguel) e um dos integrantes da Turma.
Mourão morreu nas dependências da Superintendência da PF em Minas Gerais logo após ser preso. Segundo a PF, a morte cerebral decorreu de suicídio.
Além das mensagens de Vorcaro contidas na decisão de Mendonça, houve vazamento de outras conversas do banqueiro, as quais o Poder360 teve acesso. Nelas, ele demonstrava proximidade com autoridades da República.
Foram citados o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chegou a se referir como um dos “grandes amigos de vida” e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também são mencionados encontros com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Além disso, o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prestou 22 meses de serviços ao Banco Master, pelos quais recebeu mais de R$ 80 milhões. O montante recebido é considerado muito acima do praticado no mercado. Leia mais detalhes nesta reportagem do Poder360.
Em nota divulgada em 9 de março, ela declarou que seu escritório prestou serviços ao banco de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela 1ª vez na operação Compliance Zero.
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Instituição financeira apresentou o summit internacional organizado pelo “Valor Econômico” em maio de 2024
O Banco Master apresentou o 1º Summit Valor Econômico Brazil-USA em 15 de maio de 2024, em Nova York, nos Estados Unidos. Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira, fez a exposição de abertura do seminário voltado para negócios entre Brasil e Estados Unidos. O Valor Econômico, realizador do evento, pertence ao Grupo Globo.
Antes do início do discurso de Daniel Vorcaro, o evento exibiu um vídeo de apresentação do Banco Master, com resultados de lucro de 2023 e outros dados da instituição. Ao iniciar a fala, Vorcaro disse: “Não podia deixar de fazer uma propaganda antes do discurso [risos]”.
Vorcaro abordou a importância do evento, a relevância do Valor Econômico como fonte de informação, a força da democracia brasileira e a segurança jurídica do país e a oportunidade da economia verde.
“A gente teve alternância de governo, governos com ideologias diferentes estiveram dentro do nosso Executivo. Nós tivemos crises funcionais, passamos por uma Lava Jato e eu acho que a gente saiu disso tudo mais forte”, afirmou Vorcaro, que está preso desde 4 de março de 2026.
Na imagem, Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, discursa no 1º Summit Valor Econômico Brazil-USA; acima é possível ler que a apresentação era de responsabilidade do Banco Master
O Grupo Globo publicou em sua página institucional informações sobre o summit. O texto classifica o evento como parte da estratégia de internacionalização da marca Valor.
O evento contou com patrocínio master de Gulf e JBS, além de Gerdau, JHSF, Cedae, Copel e Aegea. Também teve apoio da Prefeitura de São Paulo, do governo de São Paulo, dos governos de Mato Grosso, Pará e Goiás e da Invest.Rio, órgão vinculado à Prefeitura do Rio. As companhias aéreas oficiais foram Latam e Delta Air Lines.

Também falaram no evento a então embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Elizabeth Frawley Bagley; o atual presidente do Banco Central, à época diretor de Política Monetária da instituição, Gabriel Galípolo; o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL); o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União); o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB); o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); e o secretário municipal da Fazenda de São Paulo, Luís Felipe Vidal Arellano.
O ex-diretor financeiro do AparecidaPrev, Khayo Eduardo Pires de Oliveira, disse ao PORTAL NG que agiu para evitar o aporte de R$ 40 milhões em letras financeiras do Banco Master e enviou uma reconstituição documental que, segundo ele, comprova a intervenção direta do então secretário da Fazenda, Einstein Paniago, em articulações que levaram à aplicação. Khayo mostra que registrou sua discordância em ata e que participou ativamente no Comitê de Investimentos e no Conselho Municipal de Previdência para tentar barrar o negócio.
As atas anexadas por Khayo mostram que o credenciamento do Banco Master foi levado ao Conselho após solicitação formal de Einstein Paniago para reunião extraordinária em 20 de dezembro de 2023 para apresentação do banco. O documento registra a objeção técnica de conselheiros ao risco do Master e mostra que, em 15 de fevereiro de 2024, Khayo consignou em ata que “não concorda com o investimento”.
Segundo Khayo, apesar das reservas técnicas e não aprovação do investimento pelo Comitê, a ordem para a aplicação de R$ 40 milhões foi dada pelo presidente do instituto em 6 de junho de 2024. Ele aponta que Robes Venâncio, então presidente do AparecidaPrev, determinou a operação e sustenta que sua função, como diretor financeiro, ficou restrita à execução operacional das cotações e ao protocolo bancário exigido para efetivar a ordem superior.
Os fatos ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Vilmar Mariano, que é responsável pela escolha e nomeação do presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Aparecida de Goiânia (AparecidaPrev).
Khayo ressalta que, antes da liquidação do banco em novembro de 2025, o Comitê buscou alternativas de mitigação — incluindo venda das letras financeiras em mercado secundário e permuta por títulos de instituição mais segura — medidas que, segundo ele, dependiam de decisões da presidência do instituto para serem efetivadas. Nesta época, o AparecidaPrev já era presidido por Taysa Melo, também nomeada por Vilmar Mariano, no lugar de Robes Venâncio.
Khayo enviou ao NG nesta sexta-feira (27/2) cópias das atas e do fluxo de e-mails e documentos que, segundo sua leitura, demonstram tanto a articulação de Einstein Paniago em favor do Master quanto suas tentativas de correção. Ele disse ainda que alertou a presidência para retirar os recursos do Master e realocá-los em instituição segura, sem sucesso a tempo de evitar o prejuízo resultante da liquidação do banco.
Ainda não está certo como será feita apuração das responsabilidades pelo rombo de R$ 40 milhões no AparecidaPrev. A Polícia Federal apura as aplicações de fundos previdenciários públicos com o banco de Daniel Vorcaro. A Câmara de Aparecida de Goiânia ouviu a atual presidente do AparecidaPrev, Márcia Tinoco, que apontou irregularidade na aplicação, já que teria sido feita sem conhecimento do Conselho Previdenciário Municipal. Alguns vereadores tentam viabilizar a criação de uma Comissão Especial para investigar o caso.
Decisão foi tomada nesta 5ª feira após PF entregar a Fachin relatório de apuração final
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deixou nesta 5ª feira (12.fev.2026) a relatoria das investigações relacionadas ao Banco Master. A informação foi divulgada pela Corte.
A decisão se dá depois de reunião fechada dos ministros do Supremo no gabinete da presidência. Fachin recebeu o relatório final da apuração da Polícia Federal e convocou todos os ministros para dar informações sobre as conclusões dos investigadores. O encontro também serviu para Toffoli apresentar sua resposta ao pedido de suspeição feito pela PF.
Os ministros iniciaram a reunião por volta das 16h40. O encontro teve um intervalo às 19h, com a saída de todos os ministros, e voltou às 20h, ainda no gabinete da presidênciaa, e finalizou às 20h20.
Ao sair do encontro, Toffoli apenas declarou que o clima da reunião foi “ótimo” e que toda a decisão foi “unânime”
O QUE DIZ O STF
Leia a íntegra da nota divulgada pelo Supremo:
Os 10 Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o contido no processo de número 244 AS, declaram não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição, em virtude do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF.
Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência.
Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitando a dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento. Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria Geral da República.
Registram, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição.
A Presidência adotará as providências processuais necessárias, para a extinção da AS e para remessa dos autos ao novo Relator.
Assinam:
Luiz Edson Fachin, Presidente
Alexandre de Moraes, Vice-Presidente
Gilmar Mendes
Cármen Lúcia
Dias Toffoli
Luiz Fux
André Mendonça
Nunes Marques
Cristiano Zanin
Flávio Dino
ENTENDA
Toffoli era o relator de uma das apurações relacionadas ao Banco Master no STF, que trata principalmente da tentativa de compra da instituição pelo BRB (Banco de Brasília). O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
A relatoria do ministro foi marcada por rumores e críticas.
Em 29 de novembro de 2025, Toffoli, relator do caso de Vorcaro no STF, viajou de jatinho a Lima, Peru, para ver a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo. O dono do avião é o empresário Luiz Osvaldo Pastore, que convidou também o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo e o advogado Augusto de Arruda Botelho. Todos são palmeirenses.
Botelho defende Luiz Antonio Bull, que foi diretor de Compliance do Banco Master e preso na operação Compliance Zero. A divulgação do fato provocou pressão pela implementação de um código de conduta no poder Judiciário. O advogado disse em dezembro que não é funcionário público e que viajou como torcedor do clube para o qual ele torce.
Em 2 de dezembro do ano passado, Toffoli decretou sigilo sobre o pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para reconhecer a Justiça Federal como incompetente para lidar com o seu caso. O magistrado determinou o nível máximo de restrição após a divulgação de que a Corte havia recebido o pedido.
Toffoli ainda determinou que todas as novas diligências da operação Compliance Zero contra o Master sejam previamente autorizadas pelo STF. Entendeu que a investigação pode envolver pessoas com foro privilegiado e, por isso, não poderia mais ser conduzida exclusivamente pela Justiça Federal. Leia a íntegra do despacho (PDF – 136 kB). “Qualquer medida judicial há de ser avaliada previamente por esta Corte e não mais pela instância inferior”, afirmou.
Além disso, rumores do possível envolvimento da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, na venda do Master ao BRB ganharam força em razão da sua contratação pelo banco. Seus honorários seriam de R$ 3.646.529,77 por mês, por 36 meses. O total somado é de R$ 131.275.071,72 ao final da prestação de serviços. Essas informações foram divulgadas inicialmente pela jornalista Malu Gaspar.
O contrato entre Viviane Barci e o Master nunca foi divulgado na íntegra. Viviane e o Master nunca contestaram os dados parciais já publicados.
1ª INSTÂNCIA
Mesmo com as críticas, Toffoli mantinha a posição de que não há motivo para se declarar impedido de julgar o processo principal sob sua relatoria. Ele chegou a redistribuir ao menos 2 casos relacionados ao inquérito para instâncias inferiores: a investigação contra o ex-presidente do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Rio de Janeiro), Deivis Marcon Antunes e contra o investidor Nelson Tanure, alvo da 2ª fase da operação Compliance Zero.
Em nota publicada em 29 de janeiro, o ministro afirmou que só iria avaliar a transferência do caso Master para a Justiça Federal quando for encerrada a investigação da Polícia Federal. Segundo o ministro, é necessária uma análise prévia pelo STF, sem o prejuízo de nulidades processuais “em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”.
Advogados do Banco Master, integrantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo fizeram pressão contra Toffoli. Queriam o magistrado fora do caso. Também propagaram na mídia que o magistrado só estaria esperando manifestações públicas de apoio –que já vieram de Edson Fachin e de Gilmar Mendes– para se sentir confortável e enviar tudo para a 1ª Instância. Essa interpretação tem sido feita por pessoas e jornalistas que não conversam com Toffoli.
O Poder360 ouviu de vários interlocutores do ministro que ele não demonstrava a menor intenção de deixar a relatoria da investigação que imputa fraudes ao Banco Master –e que resultaram em um rombo de R$ 47,3 bilhões, o maior da história bancária brasileira. Toffoli tem afirmado de maneira resoluta que pretende que o caso resulte em medidas estruturantes para dar mais segurança ao mercado financeiro brasileiro.
O ministro já disse acreditar que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários foram tímidos nas ações para conter as fraudes do Master. Não acredita que possa ter havido má-fé, mas pelo menos atitudes inadvertidas ou falta de estrutura regulatória. Toffoli vê fragilidade no sistema e entende que a investigação possa, ao final, ajudar a construir um arcabouço regulatório que seja mais sólido.
Toffoli também demonstrou irritação com a Polícia Federal. Acha que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem sido menos aplicado do que deveria em algumas ações.
PF colhe novos depoimentos de investigados no caso Master nesta 3ª feira
Lidiane 27 de janeiro de 2026
Executivos foram convocados para esclarecer possíveis irregularidades em processo de aquisição do Master pelo BRB
A Polícia Federal retoma nesta 3ª feira (27.jan.2026) o depoimento de mais 4 investigados por fraudes financeiras no Banco Master. A expectativa dos investigadores é que sejam esclarecidas possíveis irregularidades na tentativa de venda da instituição para o BRB (Banco de Brasília).
As audiências são acompanhadas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do processo, pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e pela delegada Janaina Pereira Lima Palazzo, responsável pela condução do inquérito.
Serão ouvidos:
- Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente do BRB, às 8h;
- Luiz Antonio Bull, ex-diretor de Compliance do Master, às 10h;
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva, executivo do Master, às 14h;
- Augusto Ferreira Lima, ex-executivo do Master e atual sócio do Banco Pleno (ex-Voiter), às 16h.
Na 2ª feira (26.jan), o ex-diretor financeiro do Banco de Brasília, Dario Oswaldo Garcia Junior, respondeu todas as perguntas dos investigadores durante o depoimento. Alberto Felix de Oliveira, ex-funcionário do Master, apenas declarou que não tinha competência para aprovar os contratos. Ele não quis responder as perguntas dos investigadores, alegando não ter tido acesso à integralidade dos autos.
André Felipe de Oliveira Seixas Mais, ex-funcionário do Banco Master, e Henrique Souza e Silva Peretto, empresário ligado a empresas envolvidas nas operações investigadas, também não quiseram responder os questionamentos durante a audiência sobre a Lei do Abuso de Autoridade.
BANCO MASTER
A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro orquestrado pelos sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.
O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) assinou, nesta terça-feira (13/1), requerimento de autoria do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) que pede a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso do Banco Master. A iniciativa busca consolidar uma investigação ampla sobre as possíveis irregularidades e as relações do grupo controlador com autoridades.
Em publicação nas redes sociais, Vanderlan justificou o apoio à CPMI pela necessidade de transparência total e responsabilização dos envolvidos.
“Acabei de assinar, pouco tempo atrás, mais uma CPMI, do Banco Master, que está essa polêmica toda. Bilhões de reais foram envolvidos em desvios, em falcatruas no Banco Master”, declarou o senador goiano.
O parlamentar disse ainda que já havia assinado outro requerimento a pedido do deputado Marcel van Hattem e garantiu empenho contínuo no caso.
“Quantas vierem, desse caso, eu vou assinar”, assegurou.
Segundo Vanderlan, a comissão, se instalada, precisa aprofundar as apurações para alcançar todas as possíveis conexões políticas e judiciais vinculadas ao banco e ao seu controlador.
“Tem que investigar governo, STF e todos os políticos que estiverem envolvidos, quem tiver problema, quem tiver culpa no cartório que vá pagar. Ninguém faz isso sozinho”, acrescentou Vanderlan.
O senador concluiu reafirmando a intenção de que a investigação exponha os responsáveis e traga respostas à sociedade.
“Vamos saber quem está participando disso, quem participou e continua participando. A gente tem que passar esse Brasilzão a limpo”, finalizou.
A movimentação por assinaturas para instalar a CPMI ganhou força nas últimas semanas no Congresso, com deputados e senadores se posicionando a favor da criação do colegiado para investigar o rombo e eventuais ligações políticas. Parlamentares que apoiam a investigação dizem que a comissão é um instrumento necessário para esclarecer a dimensão dos prejuízos e possíveis responsabilizações.
Rombo bilionário e ligações com políticos e juízes
O escândalo do Banco Master estourou depois que o Banco Central decretou a liquidação da instituição em novembro de 2025. Relatórios do BC e apurações de imprensa apontam um rombo que pode chegar a R$ 20 bilhões e expôs operações suspeitas em carteiras de crédito e levou à paralisação dos serviços do banco.
Desde então, a Polícia Federal e outras autoridades ampliaram as investigações: houve prisões e mandados de busca e apreensão contra o controlador Daniel Vorcaro e outros executivos, apreensão de celulares e bloqueio/sequestro de bens e valores (bloqueios reportados na casa de bilhões), além de medidas judiciais em curso. Vorcaro chegou a ser preso e liberado com monitoramento eletrônico; agora a operação entrou em nova fase com foco em fraudes, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O caso ganhou dimensão política e institucional: investigações e decisões envolveram órgãos como o Banco Central, o TCU e o STF, e levantaram questionamentos sobre relações entre o grupo controlador e políticos e magistrados. Reportagens relatam pedidos de busca que passaram pelo STF e debates sobre eventuais influências políticas no desenrolar do caso, motivo pelo qual a apuração também mira possíveis contatos e favorecimentos.
Thiago Cavalcanti, presidente de associação do Banco Central, diz que exposição do diretor do BC Ailton de Aquino preocupa corpo funcional; defende proteção jurídica para decisões técnicas
O presidente da ANBCB (Associação Nacional dos Auditores do Banco Central), Thiago Cavalcanti, afirmou neste domingo (28.dez.2025) que a decisão de submeter o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, a uma acareação no STF (Supremo Tribunal Federal) expõe a autarquia a riscos institucionais.
Para Cavalcanti, a medida cria insegurança jurídica para os funcionários que assinam notas técnicas de supervisão e liquidação bancária.
A pedido do Poder360, o presidente da ANBCB analisou os desdobramentos do processo envolvendo o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial motivou o embate jurídico.
Para a associação, a convocação de um diretor para confrontar 2 investigados cria uma “dicotomia” perigosa. Aquino participa na condição de testemunha, enquanto as outras partes são alvo de investigação.
Cavalcanti classifica o episódio como “estranho”. Disse provocar um sentimento de “angústia” e “revolta” no corpo funcional.
“Estamos personalizando uma decisão. O diretor Ailton não tomou essa decisão sozinho. É uma decisão institucional. A liquidação do Banco Master foi definida pelo presidente Gabriel Galípolo e a fiscalização é exercida de forma colegiada”, disse.
O dirigente defende que as dúvidas do ministro do STF Dias Toffoli poderiam ser sanadas por meio de relatórios complementares ou reuniões técnicas, sem a necessidade de expor um funcionário público qualificado a um nível de “exposição totalmente desnecessário”.
PROTEÇÃO JURÍDICA
O episódio reforça, na visão da ANBCB, a necessidade de aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 65 de 2023, que trata da autonomia financeira e orçamentária do Banco Central. Cavalcanti argumenta ser preciso assegurar uma blindagem legal para que a atuação técnica não se transforme em alvo de pressão política ou processual.
“Você não pode querer responsabilizar a pessoa física do diretor Ailton por um trabalho feito em conjunto por uma equipe de 600 pessoas da fiscalização”, delcarou. O presidente da ANBCB defende que a defesa funcional do cargo hoje é “precária” e que o Estado deveria assegurar proteção para decisões baseadas em riscos e critérios objetivos.
LIQUIDAÇÃO DO MASTER
Diante das críticas sobre os prazos da liquidação do Banco Master, Cavalcanti negou qualquer omissão ou precipitação no processo. O dirigente afirmou que há avaliações contraditórias de órgãos de controle, que em alguns momentos citam lentidão na condução do caso e, em outros, alegam rapidez excessiva na intervenção.
Segundo o presidente da associação, o processo seguiu estritamente os ritos legais, com prazos para defesa e tentativas de solução de mercado. A liquidação foi feita, de acordo com ele, porque a instituição financeira apresentou lacunas e incompatibilidades com os parâmetros exigidos pelo mercado financeiro brasileiro.
“Não houve demora nem precipitação. O processo seguiu os trâmites regulares e o resultado apresentado à sociedade reflete a análise do corpo técnico”, concluiu.



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