Autarquia abriu 2 inquéritos envolvendo a varejista, que está em recuperação judicial; CVM menciona “complexa fraude”
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) disse nesta 6ª feira (30.jan.2026) que instaurou 2 novos inquéritos administrativos relacionados às fraudes contábeis identificadas na Americanas. Uma das investigações se volta à atuação de bancos e intermediários financeiros, além de administradores que mantinham relações com as antigas B2W e Lojas Americanas.
O outro inquérito apura o cumprimento de deveres fiduciários por integrantes dos conselhos de administração e fiscal, além de pessoas que faziam parte de comitês de assessoramento das companhias envolvidas. Os 2 processos foram instaurados em 15 de janeiro a pedido da Superintendência de Processos Sancionadores e se baseiam em inconsistências contábeis divulgadas pela companhia em 11 de janeiro de 2023.
A autarquia também informou que estão em andamento 3 inquéritos administrativos, 3 processos administrativos sancionadores e 1 processo administrativo relacionado à atuação de auditor independente no caso.
A Americanas S.A. está em recuperação judicial desde 2023. As investigações se somam a outros procedimentos já em curso.
COMISSÃO CITA “COMPLEXA FRAUDE”
A CVM também disse ter finalizado inquérito que resultou em um Processo Administrativo Sancionador contra a Americanas e até então executivos da companhia. Segundo a autarquia, as “‘inconsistências contábeis’ foram na realidade uma complexa fraude perpetrada com o objetivo de produzir resultados completamente descasados da realidade econômico-financeira dos negócios da companhia, e que tinham o intuito de manipular os resultados, apresentando demonstrações financeiras falsas que sustentassem ao longo dos anos melhores cotações de preços para as suas ações”.
A investigação envolveu análises de documentos, e-mails, mensagens em aplicativos e o uso de técnicas de big data analytics –processamento e análise sistemáticos de grandes quantidades de dados para extrair informações consideradas valiosas.
A autarquia acusa formalmente a Americanas S.A. por “não oferecer informações verdadeiras, consistentes, corretas e suficientes aos investidores”. Também há outras acusações envolvendo pessoas físicas.
Leia os nomes citados, segundo comunicado (íntegra – PDF – 582 kB) divulgado nesta 6ª feira (30.jan):
- por manipulação de preços – Miguel Gomes Pereira Sarmiento Gutierrez, Anna Christina Ramos Saicali, José Timotheo de Barros, Marcio Cruz Meirelles, Fabio da Silva Abrate, Marcelo da Silva Nunes, Flávia Pereira Carneiro, Maria Christina Ferreira Nascimento, Anna Christina da Silva Sotero, Felipe de Mello Rodrigues, Breno Barbosa de Lima, Fellipe Arantes Lourenço Bernardazzi, Raoni Lapagesse Franco Fabiano, Carlos Eduardo Rosalba Padilha, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Murilo dos Santos Corrêa, Rodrigo Cardozo Martins, Bruno Alves Figueira e Fabien Pereira Picavet;
- por violação ao dever de lealdade e não oferecer informações verdadeiras, consistentes, corretas e suficientes aos investidores – João Guerra Duarte Neto;
- por não oferecer informações verdadeiras, consistentes, corretas e suficientes aos investidores e violação ao dever de diligência – Welington de Almeida Souza;
- por violação ao dever de diligência – Celso Alves Ferreira Louro, Flávio de Almeida Serapião, Milena de Andrade Sacramento, Marcelo Pinto, Andréa Silva Barra, Carlos Henrique de Lucca Fortes Gatto, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, Thiago Mendes Barreira e José Mauro Rocha de Barros.
A CVM enfatiza que os acusados terão espaço para apresentar defesa.
Leia também:
Ministério da Justiça pede abertura de inquérito depois que duas pessoas morreram e 6 ficaram feridas; cita violação a direitos humanos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou neste sábado (11.jan.2025) que a PF (Polícia Federal) investigue o ataque que deixou 2 mortos no assentamento Olga Benário, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Tremembé (SP).
Em nota, o ministro da Justiça e Segurança Pública interino, Manoel Carlos de Almeida Neto, afirmou que enviou um ofício à corporação, citando a violação a direitos humanos. Uma equipe foi deslocada para o local.
De acordo com a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), um ataque a tiros no local deixou, além dos mortos, 6 pessoas feridas, que foram encaminhadas para hospitais.
O órgão informou que as vítimas “indicaram que suspeitos em carros e motos teriam atirado” e que o caso foi registrado como homicídio, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. Ninguém foi preso até o momento.
O MST disse que as vítimas do ataque integram o movimento. São eles:
- Gleison Barbosa Carvalho, 28 anos; e
- Valdir do Nascimento, 52 anos.
Leia a íntegra da nota do Ministério da Justiça:
“O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) determinou, neste sábado, 10 de janeiro, que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito para investigar o ataque ao assentamento Olga Benário, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em Tremembé, no interior de São Paulo.
“No ofício enviado à PF, o ministro em exercício, Manoel Carlos de Almeida Neto, cita a violação a direitos humanos. Uma equipe da PF, com agentes, perito e papiloscopista foi deslocada para o local.”
O deputado criticou os gastos em um período em que o governo federal tem sinalizado a necessidade de redução de despesas
O deputado-federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou, em publicação em seu perfil no X (ex-Twitter), que acionará o TCU (Tribunal de Contas da União) e o MPF (Ministério Público Federal) para investigar possíveis casos de improbidade administrativa envolvendo os gastos da primeira-dama Janja Lula da Silva.
Segundo ele, os valores estão relacionados a viagens, hospedagens e uso de recursos públicos para ações que beneficiariam suas redes sociais. “Além de promover shows com dinheiro público e gastar milhões em viagens e hotéis luxuosos, Janja também possui um gabinete próprio bancado com os impostos dos brasileiros”, escreveu o congressista.
Para Nikolas, a manutenção de um gabinete próprio pela primeira-dama e o uso de funcionários públicos para promover a presença digital de Janja caracterizariam “desvio de função”.
De acordo com dados do “Janjômetro”, plataforma que monitora os gastos da primeira-dama, com dados do DOU (Diário Oficial da União) e no Portal da Transparência, as despesas de Janja já somam R$ 66.875.823,95 até a noite desta 5ª feira (26.dez.2024), com maior concentração em viagens.
A plataforma, criada pelo deputado estadual de São Paulo Guto Zacarias (União Brasil-SP), que monitora os gastos da primeira-dama com base em reportagens de veículos de comunicação e contribuições de leitores. Segundo os responsáveis pela ferramenta, o objetivo é dar transparência ao uso de recursos públicos.
Em sua publicação, Nikolas Ferreira criticou os gastos em um período em que o governo federal tem sinalizado a necessidade de redução de despesas. “Não podemos admitir a continuidade desta farra com dinheiro público para benefício privado”, escreveu.
Até o momento, não houve manifestação oficial da primeira-dama ou do governo federal sobre as declarações do deputado e a abertura de investigações.
DEFICIT EM ITAIPU
Como mostrou o Poder360. a Usina Hidrelétrica de Itaipu encerrará 2024 com uma dívida de aproximadamente R$ 333 milhões, de acordo com documento da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Eis a íntegra (PDF – 276 kB).
Na avaliação de agentes do setor elétrico, parte do rombo pode ser explicado por um “orçamento paralelo”, com verbas destinadas para eventos sem nenhuma relação com a geração de energia elétrica –como o Janjapalooza. Esses repasses não passam pelo crivo de instituições responsáveis por fiscalizar o orçamento público, como o TCU ou o Congresso Nacional. Isso porque Itaipu é uma empresa binacional, comandada pelo Brasil e pelo Paraguai.
Os patrocínios da hidrelétrica a eventos dispararam a partir de maio de 2023, 2 meses depois de Ênio Verri (PT) assumir como diretor-geral brasileiro da estatal. Seu nome foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Janja teve influência em parte desses repasses paralelos.
A Polícia Civil de Goiás se recusou a abrir um inquérito para investigar as denúncias feita pela família da estudante de Ipameri, em Goiás, que ficou em cárcere privado durante dois meses, sob controle do extremista de direita Tales de Carvalho, filho de Olavo de Carvalho. Três delegacias foram procuradas pela família da moça, mas nenhuma abriu inquérito para investigar o caso.
Tales de Carvalho é filho do guru bolsonarista Olavo de Carvalho. Junto com seu irmão, Luiz Gonzaga de Carvalho, lidera o que é descrito por um grupo de milheres como uma seita que tem como espinha dorsal o Instituto Cultural Lux et Sapientia (ICLS), escola de cursos fundada por Tales há dez anos.
A entidade foi apontada nos relatos revelados pela coluna como canal para angariar dinheiro de alunos e “benfeitores” e, no caso de Tales, aproximar-se de mulheres com o objetivo de conseguir casamentos.
A coluna revelou o relato de duas ex-mulheres de Tales que foram vítimas dele, Calinka e X, que concordou em falar com a coluna sob condição de anonimato por medo de represálias.
A Polícia Civil de Goiás ficou sabendo do desaparecimento da jovem de Ipameri quando os pais dela procuram a instituição. Os pais informaram à polícia que a moça deixou casa, estudos e família para trás às escondidas. No primeiro contato com as autoridades policiais, a família não sabia onde e com quem X. estava.
Os familiares só souberam do casamento depois, já em meio ao desespero pelo sumiço repentino da filha. Ela desapareceu numa terça-feira e, no sábado, informou aos pais que estava casada com Tales, já convertida do catolicismo para o “islamismo”, fé que Tales diz professar. “Eu pedia que ele me passasse o telefone, o endereço, e ele dizia ‘não, não vou passar’”, contou o pai de X à coluna.
Um dos delegados procurados disse aos pais da moça que “não tinha pessoal” para abrir um inquérito e investigar o paradeiro da filha deles. O delegado também teria falado que a moça estava bem e estava com Tales por livre e espontânea vontade. O mesmo discurso foi repetido nas outras delegacias, segundo apurou a coluna.
O ex-delegado-geral da Polícia Civil do Goiás, Alexandre Lourenço, responsável por encontrar o paradeiro da jovem, disse em entrevista à coluna que a Polícia Civil do Goiás foi “relutante” em cooperar.
O principal argumento usado, segundo Lourenço, foi de que a ex-mulher de Tales é maior de idade, então não houve crime de aliciamento de menor. Entretanto, a moça começou a ter uma relação com ele aos 17 e, apenas aos 18 largou a família e os estudos, às escondidas, para encontrar e casar-se com Tales.
Questionada sobre a omissão de investigação da fuga da jovem, que relatou ter sido submetida a diversos abusos psicológicos e sexuais pelo filho de Olavo de Carvalho, a Polícia Civil do Goiás disse que “não irá comentar”.
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