O chamado Sul Global não é uma região geográfica, mas um conceito geopolítico. Refere-se ao que no passado era citado como “Terceiro Mundo”, “países em desenvolvimento” ou “emergentes”. Em geral, o termo é usado por países cujos governos se agrupam em oposição a parte das políticas dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.
Presidente do Banco Central afirma que agentes financeiros reagem à “pouca informação” sobre os desdobramentos da guerra
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta 2ª feira (6.abr.2026) que os agentes financeiros reagem à “pouca informação” sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. Ele afirmou que o cenário impõe dificuldades em precificar o futuro. Afirma que a autoridade monetária busca conhecer melhor o problema para fazer “movimentos mais seguros”.
Galípolo afirmou que a autoridade monetária tem cautela e serenidade para “tomar tempo” de conhecer melhor o problema.
“Cautela para o Banco Central do Brasil é você tomar tempo para conhecer melhor o problema e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros na direção da política monetária a partir do conhecimento que você tem maior do problema”, declarou Galípolo.
Galípolo participou do “12º Seminário Anual de Política Monetária”, promovido pelo Centro de Estudos Monetários da FGV (Fundação Getulio Vargas)/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), no Rio de Janeiro. Ele falou sobre o futuro da taxa básica, a Selic, e do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Subiu para 4,36% a mediana das projeções dos agentes do mercado financeiro para a inflação de 2026. A meta é de 3%, com tolerância de até 4,50%. O Banco Central disse, em março, que a probabilidade de a taxa ficar acima do intervalo de tolerância é de 30%.
A autoridade monetária iniciou o ciclo de flexibilização monetária, cortando a taxa Selic para 14,75% ao ano. Galípolo disse, em março, que o Banco Central teria agora “tempo para entender” o efeito da guerra no Oriente Médio na economia.
A ata do Copom (Comitê de Política Monetária) disse que, por causa do aumento dos preços, o ciclo de cortes de juros deve ser menos intenso do que o esperado anteriormente.
Galípolo declarou que os agentes financeiros reagem às incertezas sobre o impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia. Há 2 cenários “delineados”, segundo o presidente do BC. São eles:
- um choque de oferta mais curto, com uma volta à “normalidade” em prazo menor;
- um choque de oferta intenso que tende a impactar a capacidade produtiva, com demora na recuperação e efeitos “deletérios” sobre a atividade econômica global.
A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos impactou a oferta de petróleo no mundo com as obstruções na passagem de navios no Estreito de Ormuz. O barril tipo brent estava sendo negociado próximo a US$ 70 antes do início dos conflitos. Às 14h30 desta 2ª feira (6.abr.2026), estava aos US$ 110,40.
Galípolo voltou a dizer que as decisões mais conservadoras do Copom em 2025 permitiram uma condição mais favorávelpara o Banco Central analisar os próximos passos e enfrentar os problemas.
O presidente do BC disse que o mundo teve 4 choques de oferta nos últimos 6 anos. São eles:
Galípolo declarou que parte do trabalho do Banco Central é impedir que os choques de oferta se propaguem em “efeitos de 2ª ordem”, em especial “numa espiral salário-preço”.
Assessor especial da Presidência declara que enfraquecimento das regras internacionais amplia imprevisibilidade e risco de conflitos
O assessor especial da Presidência da República e principal conselheiro de política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Celso Amorim, disse que o mundo vive uma fase de incerteza global, marcada pelo enfraquecimento das regras internacionais e pela volta da força como elemento central da política entre Estados. Em artigo publicado na 2ª feira (19.jan.2026) na revista The Economist, ele declarou que a imprevisibilidade passou a funcionar como instrumento de poder e intimidação no cenário internacional.
Amorim usou como ponto de partida a ação dos Estados Unidos na Venezuela na madrugada de 3 de janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda). Para o assessor especial, a investida foi um divisor simbólico. “Algo mais estava sendo destruído: a certeza de que a América do Sul é, e continuará sendo, um continente de paz”, disse. Para ele, a presença de aviões militares sobre uma capital sul-americana teve um caráter “tragicamente surreal”. Ele questionou como se pode “viver em um mundo sem regras”.
Amorim comparou as imagens da captura de um presidente em exercício à prisão de Saddam Hussein no Iraque e declarou que o episódio não se assemelha aos golpes latino-americanos das décadas de 1960 e 1970. Segundo ele, nem mesmo o golpe no Chile, em 1973, escapou de certo “halo de heroísmo”, inexistente no caso venezuelano.
O assessor disse que, para grande parte da região, a realização de intervenções estrangeiras parecia superada depois dos avanços do direito internacional no século 20. “Achávamos que ações desse tipo só eram possíveis antes da consolidação de instrumentos como a Carta das Nações Unidas, baseada na igualdade soberana dos Estados e na proibição do uso da força”, declarou. Essa confiança, segundo ele, “desapareceu”.
Amorim afirmou que pilares do sistema internacional –como segurança coletiva, comércio global e promoção dos direitos humanos– estão sendo corroídos simultaneamente. “Uma vez iniciado, esse processo de erosão é difícil de reverter”, disse.
Recorrendo ao “princípio da incerteza” da física quântica, o assessor afirmou que o comportamento dos Estados se tornou imprevisível. “Assim como não se pode conhecer com precisão a posição e o momento de uma partícula, hoje qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento nas relações internacionais”, declarou. Ele mencionou um possível cenário em que a força militar define a autonomia real dos países.
Ele defendeu que o Brasil amplie parcerias e preserve o multilateralismo. “O respeito à soberania e a não intervenção não devem ser abandonados”, disse. Para Amorim, mesmo em situações extremas, a intervenção militar estrangeira “não é a resposta”, e o diálogo deve permanecer como prioridade.
O assessor declarou que o Brasil fez uma “aposta existencial na paz”, inscrita na Constituição, tanto no uso exclusivamente pacífico da energia nuclear quanto na solução de controvérsias baseadas na busca pela paz. Ao final, falou sobre a necessidade de uma reforma das instituições internacionais para ampliar a representação dos países do chamado Sul Global e afirmou que só uma multipolaridade aberta e baseada no direito internacional pode evitar “uma nova descida rumo à violência e à anarquia”.



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