É o 1º documento do tipo de Leão 14; foi assinado em 15 de maio e teve contribuição de empresas de tecnologia
O papa Leão 14 publica nesta 2ª feira (25.mai.2026) sua 1ª encíclica. Chamado de “Magnifica humanitas”, o documento será sobre a proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial. O texto foi assinado em 15 de maio, data dos 135 anos da encíclica “Rerum Novarum”, de Leão 13, marco da doutrina social da Igreja Católica.
A apresentação será realizada às 11h30, no horário local (6h30 no horário de Brasília), no Salão Sinodal, no Vaticano, com a presença do papa. Participarão os cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
O evento também terá especialistas ligados ao debate sobre tecnologia e ética. Entre eles, Christopher Olah, cofundador da Anthropic, empresa responsável pelo assistente de inteligência artificial Claude, e pesquisador da área de interpretabilidade de IA. Também participarão Anna Rowlands, teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido, e Leocadie Lushombo, docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School of Theology de Santa Clara, na Califórnia.
O documento tratará dos impactos da IA sobre a dignidade humana, o trabalho, a tomada de decisões e o uso militar da tecnologia. Leão 14 tem feito críticas ao uso de sistemas capazes de transferir a máquinas decisões sobre vida e morte. Para o pontífice, delegar esse tipo de escolha a algoritmos representa risco ético grave.
O Vaticano menciona preocupações com ferramentas de IA aplicadas à identificação de alvos em conflitos armados. Sistemas de análise de dados, reconhecimento facial e rastreamento de comunicações já são usados em guerras, como na Ucrânia e no Oriente Médio. A Santa Sé afirma que a difusão dessas tecnologias exige supervisão humana e critérios morais claros.
A aproximação entre o Vaticano e empresas de tecnologia vem de anos anteriores. Microsoft, IBM e Cisco assinaram em 2020 o Apelo de Roma pela Ética da IA, iniciativa da Pontifícia Academia para a Vida.
No caso da Anthropic, a participação de Olah é ligada ao trabalho da empresa em segurança e interpretação de modelos de IA.
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