Fórum Empreender Feminino, na Assembleia Legislativa, reúne lideranças e incentiva protagonismo das mulheres nos negócios
Lidiane 7 de março de 2026
O Auditório Carlos Vieira, da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), recebeu, ao longo desta sexta-feira, 6, o Fórum Empreender Feminino, uma programação especial em celebração ao Dia Internacional da Mulher. O evento reuniu mulheres que lideram diferentes negócios no Estado para uma série de palestras, debates e troca de experiências voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino.
A iniciativa foi promovida pelo presidente da Alego, deputado Bruno Peixoto (UB), em parceria com a deputada Dra. Zeli (UB). A abertura do encontro, realizada no período da manhã, contou com a participação do pastor Paulo Henrique Santana Rocha; do diretor de Cultura, Esporte e Lazer da Casa de Leis, Ricardo Fortunato; e da presidente da ONG Mundo Mulher, Mara Suassuna.
Mais de 10 milhões de empreendedoras
O evento contou com palestras, bate-papos e workshops. Sandra Mendez, jornalista e especialista em marketing, administração e planejamento estratégico, representou o Sebrae Goiás. Ela destacou a importância do posicionamento, do valor e da estratégia no mercado atual. Segundo Sandra, o Brasil possui cerca de 10,4 milhões de mulheres empreendedoras e 34% das empresas brasileiras são lideradas por mulheres. Apesar de parecer um número ainda pequeno, ela lembrou que o país ocupa a sétima posição mundial em empreendedorismo feminino.
A jornalista Izabela Carvalho, que participou do encontro, afirmou que as orientações apresentadas durante a palestra foram relevantes para refletir sobre a presença feminina no mercado financeiro. Segundo ela, apenas as dicas sobre atenção em negociações, empréstimos e cobrança de juros já fizeram o encontro valer a pena.
Durante o momento de interação com o público, a empreendedora Poliana Dias, proprietária de uma confeitaria em Goiânia, pediu orientações sobre como superar o medo de falar em público. “Sinto vergonha e dificuldade em me expor, mesmo sabendo que a comunicação é fundamental para quem empreende”, disse.
Em resposta, Sandra Mendez sugeriu que o primeiro passo pode ser dado por meio da internet, destacando que a possibilidade de gravar e regravar conteúdos antes da publicação ajuda a reduzir a insegurança. A especialista também aconselhou acompanhar pessoas que já dominam o tema, aprendendo com quem possui experiência na área.
A programação seguiu com o painel “Cases de Sucesso”, que reuniu diversas lideranças femininas do empreendedorismo. Participaram: Wirla Karla Machado Tavares, presidente do Projeto Mistura Feminina e do Instituto Mulher Empreendedora (IME) em Anápolis; Ludymilla Damatta, da Rede Goiana da Mulher Empreendedora; e Marcelle Cardoso, do Movimento Elas; além de representantes de grupos de empreendedoras. Durante o painel, elas compartilharam experiências e histórias relacionadas à conexão, liderança e ao protagonismo feminino.
O encerramento do Fórum Empreender Feminino ficou por conta da palestrante Luciana Oliveira, que abordou temas como saúde mental, tomada de decisões e coragem, reforçando a importância do equilíbrio emocional para mulheres que buscam crescimento pessoal e profissional. O evento marcou um dia de troca de experiências, incentivo ao empreendedorismo e fortalecimento da presença feminina nos negócios e nos espaços de liderança em Goiás.
Abertura
O primeiro a falar, durante a abertura do evento pela manhã, foi o pastor Paulo Henrique, que apresentou uma reflexão sobre o valor da mulher. Em sua fala, ele lembrou um versículo bíblico e destacou a importância e o reconhecimento da figura feminina desde a Criação.
Na sequência, Ricardo Fortunato deu as boas-vindas aos participantes em nome do presidente Bruno Peixoto. Ele destacou que empreender é um sonho que pode se tornar realidade e afirmou que muitas transformações podem nascer da força e da determinação das mulheres que decidem seguir esse caminho.
Representando a ONG Mundo Mulher, Mara Suassuna agradeceu o apoio de parlamentares ao empreendedorismo feminino e destacou a importância da abertura de espaços institucionais para discutir o tema. Segundo ela, quando a Assembleia Legislativa promove iniciativas como essa, demonstra acreditar no potencial das mulheres e contribui para a criação de redes de apoio.
Mara também ressaltou que a ONG tem trabalhado para transformar talentos em negócios e sonhos em realidade, lembrando que cada empreendimento carrega esperança, resiliência e força. Para ela, o Fórum Empreender Feminino representa um marco de inspiração e fortalecimento para mulheres em Goiás.
A programação seguiu com a palestra de Maris Tavares, que abordou o tema “De sonhadora a embaixadora – o percurso dessa trajetória”. Natural de Itapaci, ela relatou os desafios enfrentados até consolidar sua carreira e alcançar reconhecimento internacional.
Durante sua fala, Tavares destacou que a mulher não nasce pronta, mas é forjada ao longo da caminhada, fortalecendo-se diante das dificuldades. Para ela, o propósito é ajudar outras mulheres a avançarem e garantir que nenhuma fique para trás.
Ainda durante a manhã, o público acompanhou outras três palestras. Fabiana Dias falou sobre “Oratória para Mulheres de Sucesso”; Gabriela Rizzo abordou o tema “Empreendedorismo Social”; e a deputada Dra. Zeli encerrou o primeiro bloco discutindo a presença feminina na política com a palestra “Mulheres no Poder”, temática considerada por ela especialmente relevante em um ano eleitoral.
Arquiteta explica por que contabilidade, inovação e cultura horizontal são pilares do crescimento
Em entrevista ao PodSonhar, do Poder360, a arquiteta e fundadora da Kemp (empresa de engenharia e arquitetura que atua desde a análise de viabilidade técnica até a elaboração de projetos e o gerenciamento de obras), Barbara Kemp, compartilhou reflexões e práticas que considera essenciais para quem deseja empreender. Responsável por projetos de grande escala, como a troca de marca de 3 mil lojas em 11 meses, ela detalhou 7 pontos que moldaram sua trajetória.
Por que empreender
Barbara afirma que o ponto de partida é entender a motivação real. “É importante saber o porquê você quer empreender”, disse. Ela relatou que decidiu abrir a própria empresa ao perceber que seu esforço como funcionária “não estava sendo remunerado da maneira que achava que poderia ser”.
Segundo a empresária, é preciso colocar “todos os prós e os contras” e reconhecer ilusões comuns: “Quero empreender porque meu chefe é chato? Está bom, mas você pode ter clientes muito mais chatos que seu chefe”.
Estar preparado para perder no início
A fundadora da Kemp destacou que empreender exige abrir mão da estabilidade. “Antes de pedir demissão, é importante a gente considerar as perdas”, afirmou. Ela também alerta: “Quem empreende não consegue tirar 30 dias de férias. Demorei 10 anos para conseguir viajar em férias”.
Cuidado com a contabilidade
Barbara disse que demorou a entender o peso da área fiscal dentro do negócio: “Fui ver isso muito tarde. Já tinha mais de 10 anos de empresa e paguei muito caro com isso”. Ela explicou que recebeu orientações equivocadas, foi tributada de forma errada e precisou arcar com valores altos.
“Contabilidade não é matemática, apesar de ser número”, disse. Por isso, recomenda que empreendedores estudem o básico e mantenham o controle direto dos tributos.
Faça diferente
Barbara afirmou que criou a Kemp para romper com o modelo hierarquizado que viveu como funcionária. Segundo ela, a empresa nasceu com uma cultura de horizontalidade –um formato que “sempre aproximou os funcionários“ da liderança.
Inove dentro do que você faz
A empreendedora descreveu processos de melhoria contínua, digitalização e padronização. Ela afirma que “o inovar não é você desenvolver um sistema. Às vezes é você olhar o seu processo e ver onde estão os cotovelos e os band-aids dele”.
Decida com base em dados
Barbara reforçou que a empresa só consegue usar ferramentas como a inteligência artificial se os dados estiverem organizados. Para ela, é essencial que um empreendedor “seja conhecedor dos dados da sua empresa“.
“Se você não tem os seus dados corretos e estruturados, você não vai conseguir que a IA te ajude”, afirmou.
Assista ao vídeo completo (56min):
RAIO-X



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