17 de abril de 2026
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Trustfnd permite agrupar newsletters; o pacote torna a assinatura mais fácil e barata

Por Neel Dhanesha

Um problema do recente boom de newsletters pessoais é os preços das assinaturas se acumulam. Muitas delas custam de US$ 5 a US$ 10 por mês, com desconto para assinaturas anuais, e apoiar seus escritores favoritos fica caro rapidamente: 1 pessoa disse ao The New York Times em 2025 que pagava cerca de US$ 600 por ano por 11 assinaturas de newsletters; outra tinha custos anuais de US$ 3.000.

Poucas pessoas estão dispostas a pagar esse valor. Algumas iniciativas adotam outra abordagem, como a publicação Flaming Hydra, que tem 65 integrantes colaboradores —e se parece cada vez mais com uma revista, com edições impressas para assinantes premium— e o aplicativo Noosphere, sobre o qual Hanaa escreveu no ano passado. Mas o verdadeiro “Santo Graal” das newsletters, o pacote é a experiência mais próxima de uma revista personalizada sem precisar pagar o preço integral de várias assinaturas individuais.

Marisa Kabas, jornalista independente, e autora de The Handbasket afirmou em seu Bluesky em fevereivo, que “Quem descobrir uma maneira de agrupar assinaturas de jornalismo independente será um herói”.

Na semana passada, Kabas deu continuidade ao assunto com um anúncio“Finalmente encontramos uma maneira de oferecer um pacote pago de mídia independente para que você não precise se inscrever em tantas newsletters separadamente”, disse a jornalista.

Kabas fez parceria com Katelyn Burns, autora de Burns Notice, e Kat Tenbarge, autora de Spitfire News, para oferecer um pacote de 30 dias com as 3 newsletters, permitindo que os leitores acessassem todas elas com uma única transação de US$ 8,50 —metade do preço de pagar por cada uma individualmente.

A ideia já vinha sendo amadurecida há algum tempo. Alguns meses antes, Kabas havia recebido uma mensagem de Michaël Jarjour, ex‑gerente de parcerias do Twitter e cofundador da Trustfnd, um novo serviço que permite a jornalistas independentes criar pacotes de newsletters e acessar as bases de público uns dos outros. “Não consegui me dedicar muito à ideia enquanto estava focada no meu trabalho e nos meus negócios”, disse Kabas em um e‑mail, mas certamente era algo que lhe interessava. A conversa foi retomada em fevereiro, quando Burns lhe contou que havia falado com Jarjour sobre o lançamento do primeiro pacote de assinatura paga. Burns, disse Kabas.

A Trustfnd resolveu um problema técnico crucial para Kabas, Burns e Tenbarge: suas plataformas de publicação (“The Handbasket” e “Spitfire News” usam a Beehiiv, e Burns Notice usa a Ghost) não oferecem integração para criar pacotes, seja multiplataforma ou em uma única plataforma. Isso se aplica a todos os serviços de newsletter; Substack e Patreon também não oferecem pacotes.

Isso é parcialmente intencional. “Sempre conversamos sobre fazer isso, mas fica bem complicado e confuso se as entidades no pacote não fizessem parte da mesma empresa”, disse Tyler Denk, CEO da Beehiiv, em um e‑mail. Ele destacou algumas possíveis preocupações:

  • E se a pessoa A resultar em 10 vezes mais cadastros do que a pessoa B e a pessoa C, o lucro será dividido igualmente entre todos?
  • E se a pessoa C decidir que não quer mais fazer parte do pacote, ela leva consigo as assinaturas? Se sim, qual o preço que ela paga?
  • Se um leitor assina o pacote, mas interage principalmente com apenas uma newsletter, quem “detém” esse assinante para fins de comunicação direta futura, campanhas de reengajamento ou venda de listas?
  • E se a pessoa C crescer drasticamente durante a vigência do pacote e quiser renegociar o preço do seu serviço individual?Ela ficará presa a um preço de pacote que a desvaloriza.
  • E se uma das newsletters do pacote publicar algo controverso que cause danos à reputação das outras?

Denk declarou que há uma série de outras complicações, mas que considera o conceito interessante. Ele disse que “vale a pena refletir um pouco mais sobre isso, mas acredito que muitas dessas pessoas vão se deparar com problemas futuros relacionados ao pacote”.

Alex Kisielewski, vice‑presidente de parcerias e desenvolvimento de negócios da Ghost, disse por e‑mail que os pacotes de assinatura estão “definitivamente em nossos planos” e que a Ghost observou um aumento nas solicitações de suporte a pacotes nos últimos 6 meses. “Jornalistas independentes estão buscando maneiras de colaborar mais, seja compartilhando público, publicando em conjunto ou unindo recursos”, continuou, mas “não há como negar que é complicado”.

Ele disse compartilhar algumas das preocupações de Denk sobre faturamento e gerenciamento de assinantes, bem como os desafios técnicos relacionados ao controle de acesso. “Estamos de olho nesse mercado e fico feliz que a equipe da Trustfnd esteja desenvolvendo soluções específicas para isso”, afirmou.

A Trustfnd funciona aproveitando as APIs (Application Programming Interface) do Ghost e do Beehiiv. Jornalistas independentes conectam seus boletins informativos às suas contas da Trustfnd e, em seguida, conectam suas contas da Trustfnd às contas desejadas para formar uma parceria e criar um pacote de conteúdo. “É como um efeito de rede como serviço”, declarou Jarjour por e‑mail. “Queremos que eles permaneçam entidades independentes, mas que atuem como uma só quando se trata de expandir seu público próprio”, completou.

Segundo Jarjour, o agrupamento permite que as newsletters cresçam mais rápido e a um custo menor, pois cada uma pode acessar um público‑alvo comum; os leitores que assinam The Handbasket, por exemplo, agora terão acesso ao Burns Notice e ao Spitfire News. (Os assinantes atuais de cada newsletter também recebem descontos no pacote, ajustados de acordo com a newsletter à qual assinam —cada uma com um preço de assinatura individual diferente).

“Transformar seguidores (que você aluga) em integrantes (que você possui) é um desafio coletivo para o jornalismo”, disse Jarjour. “É por isso que senti que a solução também precisa ter um elemento colaborativo”, completou. Disse também que apoiaria um período de teste de 1 ano.

Ghost e Beehiiv são as únicas plataformas que atualmente oferecem pacotes pagos —a Trustfnd oferece pacotes de 30, 60 ou 90 dias, e o pacote Kabas/Burns/Tenbarge é válido apenas para o primeiro mês, embora Kabas tenha afirmado que “marcas tradicionais entrem em ação, construindo redes de jornalistas independentes em torno de suas marcas”. A integração com Ghost e Beehiiv foi fácil por serem abertas, mas Jarjour disse que ele e seu cofundador, René Pfitzner, ex‑CEO de uma plataforma de e‑commerce, estão iniciando conversas com plataformas fechadas (como Substack e Patreon) para também integrá‑las.

A Trustfnd está atualmente em versão beta e é gratuita para jornalistas, mas planeja cobrar uma taxa (que ainda está sendo definida) em vez de ficar com uma porcentagem da receita. A curto prazo, Jarjour disse que espera expandir a Trustfnd criando pacotes e um serviço para permitir que entidades independentes atuem como uma só quando isso for útil. Segudo ele, o objetivo é que marcas tradicionais entrem em ação, construindo redes de jornalistas independentes em torno de si, “para que possam crescer, ganhar dinheiro e gastá‑lo juntas. Como um novo tipo de organização de notícias”, completou.


Esta reportagem foi atualizada para incluir um comentário do Ghost.


Neel Dhanesha é redator da equipe do Nieman Lab. Você pode entrar em contato com Neel por e‑mail ([email protected]), Bluesky (@neeldhanesha.com) ou Signal (@neel.58).



Autor Poder360 ·


Presidente do BC volta a defender ser obrigação da autoridade monetária trabalhar para levar a taxa para 3%

O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, disse nesta 4ª feira (9.jul.2025) que ninguém quer abaixar os juros para ter “inflação lá em cima”. Voltou a defender que a autoridade monetária deve buscar uma taxa do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 3%.

“Ninguém quer baixar os juros para ter inflação lá em cima. Você quer conviver com uma taxa de juros que possa produzir o mesmo efeito, do ponto de vista de conter a inflação, porém num patamar que possa ser mais próxima dos nossos pares”, disse o presidente do BC durante participação em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Eis a íntegra da apresentação (PDF – 2 MB).

Assista:

Galípolo declarou ser obrigação da autoridade monetária adotar medidas para buscar o centro da meta de inflação, de 3%, e não o teto do intervalo, de 4,5%. Disse, porém, não ver com bons olhos o debate sobre mudar o patamar da meta, porque flexibilizar sinalizaria que o país tem uma moeda “que perde valor ano a ano”.

Declarou que a meta de inflação de 3% não é uma “sugestão”, mas um comando legal definido por decreto. Por isso, não é prerrogativa do presidente do BC ou dos diretores do Copom (Comitê de Política Monetária) perseguir a meta de maneira “leniente” ou “condescendente” com uma taxa mais elevada de IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Galípolo afirmou que a banda de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo foi criada para absorver choques e que em nenhum momento foi dada a prerrogativa ao Banco Central de escolher levar a inflação a 4,5%, por exemplo. Disse que relativizar a meta de inflação é uma “flacidez institucional” perigosa para o país.

“Uma das coisas que eu gostaria muito é que essa fortaleza institucional do Banco Central se perpetuasse”, disse Galípolo. “É muito importante que, para todos nós, […] as funções de reações às instituições sejam mais aderentes e conversem mais com os mandatos legais”.

OBSTRUÇÃO DA POLÍTICA MONETÁRIA

Galípolo declarou que o tema do nível da taxa de juros mais alta no Brasil não é um tema de hoje. Ele voltou a defender que os canais de transmissão da política monetária do Brasil estão obstruídos por subsídios cruzados que “distorcem” e “retiram potência” da política monetária.

“Aqui no Brasil, por uma série de subsídios que existem, você tem empresas que conseguem captar a taxas que são inferiores à taxa livre de risco”, disse. “E, do outro lado, há boa parte das famílias e indivíduos utilizando, de maneira recorrente, o crédito que a gente chama de rotativo […], que é bem mais caro, de 200% ao ano […], e que deveria ser usado por uma questão absolutamente emergencial”, completou.

Galípolo declarou que a distorção explica, em parte, o motivo para a taxa de juros no Brasil ser maior que em outros países. Ele afirmou que foram criadas “vacinas” para compensar a elevada carga tributária ou os créditos elevados para setores, o que provocou nível mais alto de taxa de juro neutra.

Para solucionar essas distorções, Galípolo declarou que o BC não deve reduzir os juros e fazer com que a inflação suba. “A gente vai precisar de uma série de medidas [para resolver isso]. Não vai ter uma bala de prata para desmontar essas vacinas, que são compreensíveis”, disse.

Ele afirmou que há uma “dissonância” entre o Brasil ter uma taxa de juros reais de 10% e, ao mesmo tempo, o país registra a menor taxa de desemprego da série histórica. Afirmou que o Brasil está com mecanismos de transmissão de política monetária com menos fluidez em comparação com outros países.

Ele defende que a economia brasileira empilhou “distorções” que provocaram esse entupimento dos canais da política monetária. Galípolo declarou que não há “bala de prata” para solucionar o problema, e que são necessárias diversas medidas para ajustar as distorções.

TAXA SELIC

O Banco Central aumentou a taxa Selic para 15% ao ano para controlar a inflação, que está fora do intervalo permitido pela meta há 8 meses, aos 5,32%. As regras do CMN (Conselho Monetário) estabelecem que a inflação não pode ficar acima do intervalo por mais de 6 meses, caso contrário, é considerado descumprimento do objetivo inflacionário. Essa nova regra entrou em vigor em janeiro de 2025.

O Banco Central já disse que deverá descumprir a meta de inflação em junho, quando completará um ciclo de 6 meses seguidos acima do intervalo permitido no novo regime de meta. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará o resultado na 5ª feira (10.jul.2025), às 9h.

Na 3ª feira (8.jul.2025), Galípolo havia dito que, por subir a Selic para 15% ao ano, provavelmente não ganhará o prêmio de miss simpatia do ano de 2025, mas estará tranquilo porque o BC trabalha para levar a inflação à meta de 3%.

Leia mais notícias sobre o Banco Central:

O BC terá que publicar uma carta com as razões para eventuais descumprimentos da meta de inflação. Será feito por meio de nota no Relatório de Política Monetária e em carta aberta ao Ministério da Fazenda. Esse documento deverá ter:

  • a descrição detalhada das causas do descumprimento;
  • as medidas necessárias para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos;
  • o prazo esperado para que as medidas produzam efeito.

Galípolo disse que será o 1º presidente do Banco Central a assinar duas cartas pelo descumprimento do objetivo inflacionário em menos de 6 meses. A última foi publicada em janeiro deste ano, a inflação foi de 4,83% em 2024, último ano que a meta era aferida pela taxa anual do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

COMUNICAÇÃO DO BC

Ele voltou a dizer que a comunicação é um tema central para a autoridade monetária. Ele afirmou que o Copom (Comitê de Política Monetária) tem maior exigência para esclarecer à sociedade os próximos passos da taxa Selic. “Passou a ser quase uma ciência e um idioma próprio”, disse.

Galípolo declarou que o BC também ampliou o diálogo com os cidadãos para esclarecer sobre serviços e evitar que a população caia em golpes. Disse que a linguagem do BC é voltada para a vida cotidiana dos brasileiros.



Autor Poder360 ·