24 de março de 2026
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O avanço da presença feminina no mercado de trabalho brasileiro tem se refletido também na indústria. Dados recentes apontam que as mulheres representam cerca de 44,7% da força de trabalho formal do país, segundo o Boletim Mulheres no Mercado de Trabalho, do governo federal. Apesar do crescimento, o cenário ainda convive com desigualdades estruturais, como diferença salarial média e maior carga de trabalho doméstico.

No setor industrial de Goiás, levantamento da Gerência de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) mostra que a participação feminina se manteve estável ao longo da última década, mesmo diante das oscilações no volume total de empregos entre 2014 e 2024. Atualmente, mais de 108 mil mulheres trabalham na indústria goiana, sendo que 82% estão concentradas na indústria de transformação.

Entre os segmentos com maior presença proporcional feminina estão confecção de vestuário, com 69% da força de trabalho composta por mulheres, e o setor farmoquímico e farmacêutico, com 51%. Já a fabricação de alimentos reúne o maior número absoluto de trabalhadoras, com cerca de 37,1 mil mulheres, apesar de a participação proporcional ser de 33%.

Por outro lado, áreas como minerais não metálicos (11%), combustíveis (12,3%), produtos de metal (14,2%) e manutenção de máquinas e equipamentos (14,3%) ainda apresentam predominância masculina, refletindo uma divisão histórica de funções no mercado de trabalho.

Para o presidente da Fieg, André Rocha, o cenário indica que, mesmo com estabilidade na participação geral, as mulheres vêm ampliando sua presença em funções mais qualificadas e estratégicas.

André Rocha, presidente da Fieg: “Hoje vemos mais mulheres em cargos de liderança, em funções técnicas mais qualificadas, com maior responsabilidade e melhor remuneração” // Foto: Divulgação

“Temos o desafio de ampliar a presença feminina em alguns setores da indústria, mas é importante observar que, mesmo quando o porcentual geral de participação se mantém, as mulheres estão avançando em qualidade de ocupação. Hoje vemos mais mulheres em cargos de liderança, em funções técnicas mais qualificadas e com maior responsabilidade”, afirma.

Qualificação impulsiona mudança

Um dos fatores que ajudam a explicar essa transformação é o aumento da presença feminina em cursos de qualificação profissional voltados ao setor industrial. Dados de matrículas do Senai indicam crescimento da participação das mulheres em áreas que tradicionalmente registravam baixa presença feminina.

Entre os cursos com maior presença de alunas estão têxtil e vestuário (90%), química (66%), logística (64%), gestão (64%) e alimentos e bebidas (64%). O interesse em áreas como logística e química chama atenção por estarem associadas a ambientes industriais mais técnicos e operacionais.

Além disso, cursos como supervisor inovador, com 3.671 matrículas, assistente de operações logísticas, com 3.352, e assistente ambiental, com 2.914 matrículas, estão entre os mais procurados no geral, indicando uma busca crescente por formação alinhada às demandas atuais da indústria.

Mulheres em áreas tradicionalmente masculinas

Nos laboratórios e oficinas do Senai, a presença feminina também tem se tornado cada vez mais comum em cursos historicamente associados ao público masculino. Alunas buscam qualificação em áreas como mecânica automotiva, montagem a seco (drywall), pedreiro de alvenaria e revestimento cerâmico, ampliando as possibilidades de atuação profissional.

Na Escola Senai Vila Canaã, em Goiânia, Luci Cesário de Oliveira decidiu se matricular no curso de pedreiro de alvenaria para conquistar autonomia profissional.

“Quis fazer o curso para poder trabalhar para mim e resolver minhas próprias coisas. Achei que teria muita dificuldade, mas está sendo melhor do que eu imaginava”, contou.

Segundo ela, mesmo sendo uma das poucas mulheres da turma, encontrou apoio entre colegas e professores. “Não sofri preconceito. Eles ajudam e incentivam”.

Também na área da construção civil, a engenheira civil Leyce Custódio procurou o curso de montagem a seco (drywall) para ampliar sua qualificação: “É uma área que está crescendo. Vim para me especializar e entender melhor as metodologias da construção a seco”, afirmou.

Na área automotiva, a engenheira elétrica Isabela Félix, aluna do curso técnico em manutenção automotiva, afirma que a curiosidade sobre o funcionamento dos veículos foi a motivação para ingressar na formação.

“Sempre quis entender como tudo funciona. Ainda há desconfiança em relação às mulheres na área, mas percebo cada vez mais mulheres ocupando espaços, inclusive em cargos de liderança”, disse.

Já Amanda Valverde, aluna da qualificação em mecânico de automóveis leves, destaca que o conhecimento é a principal ferramenta para enfrentar o preconceito ainda existente no setor. “Quando você aprende, ganha confiança”, afirmou.

A busca por novas oportunidades também motivou Ednalva da Silva Ribeiro, de 52 anos, ex-cozinheira em uma escola pública, a ingressar no curso de aplicador de revestimento cerâmico.

“É maravilhoso poder fazer as coisas por conta própria. Estou muito feliz com o que aprendi e com a oportunidade que o Senai me deu”, relatou.

Formação e igualdade de oportunidades

Para o diretor de Educação e Tecnologia do Sesi e do Senai, Claudemir Bonatto, a qualificação profissional tem papel central no avanço da presença feminina na indústria.

“O Sesi e o Senai sempre valorizaram a participação feminina no processo de ensino-aprendizagem. No Senai, temos programas específicos de formação para mulheres, inclusive em áreas como mecânica automotiva, corte e costura e assentador cerâmico”, explicou.

Segundo ele, o estímulo à qualificação acompanha as transformações do mercado e contribui para ampliar as oportunidades de inserção feminina no setor produtivo.

Foto: Divulgação

Perfil das trabalhadoras

Dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) mostram que o perfil das mulheres que atuam na indústria goiana é majoritariamente jovem e com bom nível de escolaridade. Cerca de 64% têm até 39 anos, 78% concluíram o ensino médio e 17% possuem ensino superior.

Além disso, 47% estão no mesmo emprego há mais de dois anos, o que indica permanência e experiência acumulada no setor.

Embora a divisão entre setores ainda reflita padrões históricos do mercado de trabalho, o crescimento da presença feminina em cursos técnicos e de qualificação aponta para uma mudança gradual no perfil da indústria.

A tendência é que, nos próximos anos, as mulheres ocupem cada vez mais espaço em áreas técnicas, operacionais e de liderança dentro das fábricas e parques industriais.

Autor Rogério Luiz Abreu


O Brasil e o Irã avançaram em negociações para expandir o comércio agropecuário bilateral, com foco na importação de caviar e frutas iranianas e no fortalecimento das exportações brasileiras para o país persa. O tema foi debatido em reunião realizada entre o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri.

O encontro reforçou a importância do Irã como um dos principais parceiros comerciais do Brasil no Oriente Médio e discutiu novas oportunidades para ampliação do intercâmbio comercial no setor agrícola.

Irã busca ampliar exportações para o Brasil com caviar e frutas

O embaixador Abdollah Nekounam Ghadiri destacou o interesse do Irã em ampliar as exportações de caviar, romã, maçã e kiwi para o mercado brasileiro. A reunião ocorreu no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), onde foram discutidas formas de facilitar a entrada desses produtos no Brasil e estreitar os laços comerciais entre os dois países.

“Nosso objetivo é fortalecer o comércio com o Brasil, especialmente no setor agropecuário. Um diálogo mais próximo permitirá que essa relação comercial se torne ainda mais sólida e vantajosa para ambos os lados”, afirmou Ghadiri.

Por sua vez, Fávaro destacou os esforços do governo brasileiro em reforçar as relações com os principais mercados internacionais, citando a expansão da rede de adidos agrícolas de 29 para 40 representantes, incluindo um diplomata exclusivamente dedicado a Teerã.

Exportações do Brasil para o Irã superam US$ 3 bilhões

O Irã ocupa a 12ª posição no ranking de exportações agropecuárias brasileiras, consolidando-se como um mercado estratégico para produtos agrícolas nacionais. Somente em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 3 bilhões em produtos agropecuários para o país do Oriente Médio.

Os principais produtos exportados ao Irã foram:

  • Complexo da soja – US$ 1,65 bilhão
  • Cereais, farinhas e preparações – US$ 921 milhões
  • Complexo sucroalcooleiro – US$ 418 milhões

Enquanto isso, as importações brasileiras de produtos iranianos somaram valores menores, com destaque para frutas como nozes e castanhas (US$ 5,88 milhões), fumo e seus derivados (US$ 850 mil) e fibras têxteis (US$ 74,9 mil).

Brasil fortalece relações comerciais no Oriente Médio

A ampliação do comércio entre Brasil e Irã faz parte da estratégia do governo brasileiro para diversificar mercados e garantir o crescimento sustentável das exportações agropecuárias. O Oriente Médio tem se consolidado como um dos destinos mais importantes para os produtos brasileiros, especialmente no setor de grãos, carnes e açúcar.

Além do ministro Carlos Fávaro e do embaixador Abdollah Nekounam Ghadiri, participaram da reunião empresários e representantes do setor agropecuário, incluindo o empresário Paulo Octávio, o empresário iraniano Ali Akbari, a advogada Paula Coreau, o segundo secretário da Embaixada do Irã no Brasil, Mehdi Dehghan, e os secretários adjuntos do Mapa Allan Alvarenga e Marcel Moreira.

Perspectivas para a ampliação do comércio Brasil-Irã

As negociações entre os dois países seguem avançando, com expectativas de que novos acordos sejam firmados para diversificar a pauta exportadora e aumentar as trocas comerciais no setor agrícola.

A crescente demanda por alimentos no Irã e a reconhecida qualidade dos produtos brasileiros podem impulsionar novos investimentos e parcerias estratégicas, fortalecendo ainda mais as relações bilaterais no setor agropecuário.

Autor # Gil Campos