10 de março de 2026
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Entre os temas discutidos esteve a viagem de Lula a Washington e a designação de facções criminosas brasileiras como terroristas

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou no domingo (8.mar.2026) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, por telefone, para tratar do encontro entre os presidentes Donald Trump (Partido Republicano) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O encontro, inicialmente previsto para março, ainda não tem data confirmada e pode ser adiado, uma vez que a prioridade norte-americana passou a ser o Oriente Médio, diante da recente ofensiva militar contra o Irã.

Segundo a GloboNews, além de abordar a viagem de Lula a Washington, Vieira falou sobre a iniciativa dos EUA de classificar facções criminosas brasileiras, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), como FTOs (Organizações Terroristas Estrangeiras, na sigla em inglês).

A emissora afirma que a ideia de classificar o CV e o PCC como terroristas tem em Rubio um dos principais entusiastas e está avançada. A proposta deve ser levada ao Congresso para ratificação nos próximos dias.

O governo brasileiro é contrário a essa designação por parte dos Estados Unidos e faz um esforço para evitá-la. Há uma interpretação de que uma decisão desse tipo poderia facilitar intervenções unilaterais norte-americanas, incluindo o uso de força militar, contra organizações dessa natureza. Esse temor foi ampliado após a invasão da Venezuela e a captura de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) pelos EUA.

A classificação de FTO poderia significar ainda uma violação à soberania brasileira, tema tornado caro especialmente após o tarifaço imposto por Trump. O governo federal também teria divergências conceituais acerca da designação, uma vez que organizações brasileiras narcotraficantes possuem como motivação o lucro e não uma ideologia –característica normalmente associada a grupos terroristas.

Segundo o Departamento de Estado, a designação de uma organização estrangeira como terrorista desencadeia congelamento de ativos financeiros e restrições de imigração a seus integrantes, além da criminalização do fornecimento voluntário de apoio material ou recursos ao grupo classificado.

Se estrangeiros, os integrantes de uma FTO não são admitidos nos Estados Unidos e podem ser retirados do país.

As FTOs são designadas pelo secretário de Estado de acordo com a Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA. Para isso, a organização deve cumprir alguns requisitos, como ser estrangeira, estar envolvida em atividades terroristas ou ter capacidade e intenção de se envolver nesse tipo de atividade.

Além disso, a atuação do grupo deve ameaçar a segurança de cidadãos norte-americanos ou a segurança nacional dos EUA.



Autor Poder360 ·

Lidiane

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